Sevens 338

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Posso Chorar?

 

Quando balancei a Katana nas minhas mãos, Novem a pegou girando sua foice.

Revidando com seus enormes movimentos rotativos, ela virou sua lâmina contra mim e a desceu. Sua velocidade era ainda maior que antes, e eu não conseguia me esquivar dela tão fácil.

Novem se aproximou. Quando aparei seu ataque com minha Katana, o dragão dourado alçou ao céu. Ele foi até onde os ancestrais estavam.

Enquanto propositalmente transformava isso em uma competição, Novem se aproximou do meu rosto.

— Agora ande logo e me derrote. Com suas próprias mãos, Lyle…

Seu chamado sem um “-sama” era uma sensação bastante nova. Mas agora não era a hora para pensar nessas coisas.

De trás, a Aria berrou:

— Novem, deixa logo disso…

Quando os olhos da Novem se estreitaram, um monstro apareceu aos pés da Aria. Apesar de parecer como se um dragão terrestre tivesse surgido, suas escamas tinham um lustre dourado.

Pude ver a embaçada imagem estática através do campo de visão da Aria. Aquele algo que parecia-se com um dragão terrestre emergiu da terra para enfrentar a Aria.

— O que você chamou dessa vez!?

Quando me separei à força, Novem propositalmente pulou para trás. Eu pude apenas sentir como se ela estivesse brincando comigo.

— É uma subespécie de Dragão Terrestre. Não seria divertido chamar um monstro normal quando temos um chefe de Labirinto entre nós. Ela não tem parte nisso, então peguei algo para mantê-la longe. Ele é forte. A Aria pode perder e morrer.

Aria se posicionou com sua lança, confrontando o Dragão Terrestre. Eva, Clara, Mônica e as Valquírias também foram para lá para apoiá-la.

Mônica também observava todo o campo, me oferecendo suporte. Quando linhas de luz desceram sobre a Novem, ela simplesmente as recebeu com um olhar calmo no rosto. As partes atingidas emitiam uma luz vermelha.

Ela estava empregando um escudo mágico parcial.

— Tsc! Megera maldita!

Novem olhou para a Mônica no céu.

— … Você tem folga o bastante para prestar atenção em nós? Eu não acho que a Aria e as outras são o bastante para triunfarem sobre aquela criança.

Era exatamente como a Novem dizia. Aria, sem foco em magia, não era uma boa adversária contra uma fera possuindo escamas metálicas.

Apesar dela estar balançando a lança, sua lâmina não conectava. Eva apoiava, mas parecia estar em desvantagem. E apesar da Clara se especializar em suporte, magia ofensiva era seu ponto fraco.

Mônica estreitou seus olhos antes de partir para auxiliar a Aria.

Novem sorriu.

— Agora, com isso, os incômodos foram embora. Somos apenas nós dois.

— Você deveria deixar essa frase para um lugar com um clima melhor.

Essa foi a melhor resposta que eu pude inventar. Enquanto cortava, ela se esquivava por uma margem tão fina quanto uma folha de papel. Preparei magia em minha mão, disparando-a à curta distância quando ela passou por mim, mas ela desviou a magia com suas mãos nuas.

Sua foice se aproximava, então a virei para o lado com minha Katana, só para sentir uma estranha inquietude. Além de um rangido.

— Tsc!

Novem soava desapontada.

— Eu deveria ter preparado uma arma mais forte para você, Lyle. Bem, é melhor ter cuidado a partir de agora.

Ela levantou minha lâmina habilidosamente com sua foice. Quando a espada deixou minhas mãos, eu preparei magia em ambas as mãos.

— Bala de fogo!

Quando disparei magia de baixo nível das mãos, ela cortou com sua foice. Em busca desse momento, pulei para frente e abracei seu corpo. Eu tinha pensado em levar isso a uma submissão ou a um mata-leão.

Mas mesmo com todo o peso do meu corpo contra ela, Novem sequer vacilou.

— Se não tem uma arma, vai com magia, e se isso não funciona, suas mãos nuas. Que maravilhoso.

Ela me levantou com sua mão esquerda e me jogou para longe. Eu rolei e me levantei só para descobrir que ela não estava mais lá.

E então, de trás:

— Essa vontade que nunca se rende… como esperado de você.

Ouvi uma voz ao lado da minha orelha. Quando calafrios correram pelas minhas costas, saltei de lá. Novem olhou para mim e riu. Era quase como se ela tivesse tido sucesso em alguma travessura.

— Eu estou sem quaisquer meios de lidar com isso, meu coração já tá na beira de se render aqui, sabia?

Enquanto eu começava a suar frio, Novem sorriu:

— Se você desistir, todas morrerão. Vamos, tente me matar, Lyle.

Novem se aproximou rapidamente, então peguei meu revólver no meu coldre traseiro. Quando o disparei, ela se esquivou com uma velocidade grande o bastante para deixar uma ilusão.

Fui capaz de desviar sua foice com o cano da arma. Como esperado de uma arma que recebi da Vera. Foi capaz de resistir ao golpe da Novem.

Porém.

— Isso não é o bastante. Além do mais… você sequer mirou em um ponto vital, mirou?

A risonha Novem ficou inexpressiva. Eu tinha errado os pontos vitais inconscientemente, e parece que ela não gostou muito disso.

— … O que você espera que eu faça?

Será que eu sequer era capaz de salvar a Novem? Salvar… livrá-la daquela deusa ou deusa maligna, ou o que quer que seja… Eu não queria escolher a outra opção.

… Os ancestrais pararam sua contenda para olhar para o céu.

— Nem pensar!

A ruidosa Casa Walt tinha ficado tão quieta que o murmúrio do Segundo soou claramente. No céu, com escamas douradas… e massivos chifres vermelhos, um dragão estava olhando para eles.

Apesar de todos terem sido silenciados, apesar de toda a estática, ainda conseguiam captar a conversa do Lyle.

— O senhor de um Labirinto que a humanidade ainda não alcançou? Essa coisa…?

O Primeiro tremia. Aquela presença dracônica realmente era uma de governar tudo em terra enquanto mantinha-se no céu. A presença falava sublimemente por si só.

Era um monstro para o qual a humanidade ainda não tinha nome, mas a Novem tinha-o chamado de Dragão Lenda. Era realmente um monstro de classe lendária.

O Sexto silenciosamente preparou sua alabarda.

O Terceiro silenciosamente observou a lenda se desdobrar no céu.

Em tal lugar:

— Aquele dragão é presa minha!!

Enquanto o Sétimo corria em seu cavalo, puxou sua arma prateada e a disparou contra o dragão. Mas do lado oposto, alguém tinha tido a ideia ainda mais cedo que ele.

— Que pena. O primeiro sou eu.

Levantando seus óculos, o Quarto continuamente enfiava adagas nos supostos pontos fracos do dragão.

O Primeiro berrou.

— Bastardos! Quem viu primeiro foi eu! Sou eu quem vai derrotar! Oy, ei cambada!

Os soldados do Primeiro soltaram um grito de guerra, enquanto os soldados do Segundo o incitavam.

O Segundo suspirou enquanto lançava um olhar aguçado ao dragão.

— Se eu derrotar aquela coisa… eu serei uma lenda. Quer dizer que serei o mais forte da história. Os livros finalmente terão algo a dizer sobre mim.

Em resposta às suas palavras, o Sexto soltou uma gargalhada, enquanto saltava para cortar o dragão. Ele conseguiu danificar as escamas do dragão com seu grande golpe.

— O mais forte sou eeeeeu!!

Nisso, o Sétimo berrou com o Sexto.

— Pai, eu vou empalhar ele, então pode não danificar a superfície!? Eu vou explodir ele por dentro com essas bombas, e transformá-lo em uma esplêndida obra-prima!

Zell estava entregando as bombas para as esplêndidas preparações do Sétimo. Nisso, estendendo sua lâmina galiente para cingir o pescoço do dragão, o Quinto pulou em suas costas.

— Oy, isso é jogar sujo!

O Primeiro falou por Quinto descer, enquanto o Quinto montava no dragão, revertendo sua lâmina galiente à sua forma original de espada.

— É de quem chegar primeiro. Você acha que veneno vai funcionar nele?

Quando o Quinto tentou despejar veneno nos seus ferimentos abertos, o Sexto berrou:

— Pai! Você é sempre assim! Fica tentando acabar com as coisas rápido demais! Aprecie mais o momento!

O Quarto usou suas adagas flutuantes como degraus para se aproximar da fera. O dragão que começou a se debater devido à presença do Quinto em suas costas, começou a reunir magia em sua boca para explodir os arredores.

— Estava esperando por isso!

Canalizando sua magia nas adagas, ele as lançou uma após a outra. Interferindo preventivamente com magia que ele tinha reunido, uma explosão ocorreu na boca do dragão.

O Quinto também foi arremessado.

— Meeeerda pai!!

Uma bela mulher se aproximou do arremessado Quinto. Ela tinha chifres, e apesar de ter perdido seu braço direito, tinha escamas sobre os outros membros.

May pegou o Quinto e aterrissou no chão. Diferente de antes, ela estava em sua forma adulta. Vendo-a assim, o Quinto…

— M-Maayy! O que aconteceu com o seu braço…

Ele parecia prestes a chorar. Seus olhos realmente estavam lacrimejando. O Sexto olhou para ele.

— Essa Qilin é? Tenho a impressão de que ela deveria ser um pouco mais jovem.

O Quinto o encarou. Mas quando ele estava sendo carregado como uma princesa por uma mulher mais alta, sua encarada não carregava a menor intimidação.

— Hah? Qilins têm vários tipos de características! E não tem como ser ninguém além da May! Tem certeza que seus olhos estão funcionando direito!?

May desceu o Quinto no chão.

— É, meu braço foi levado para o outro lado. Mas vai crescer de novo em alguns anos.

— Então você vai ficar assim por anos!? Aquele Lyle, mas que merda que ele está fazendo!?

Vendo a raiva do Quinto, suas esposas sussurravam entre si.

— Quando ele confundiu seus próprios filhos e filhas antes…
— Por que é que quando se trata de animais…
— … Se ao menos ele não tivesse essa parte.

Vendo as esposas do Quinto incapazes de falar com muita força contra ele, a esposa do Sexto riu.

— Hah! É essa atitude passiva de vocês que não presta! Por causa disso, até trouxeram problemas para nós!

Depois dela ter recebido uma confissão de amor e se casado, o homem trouxe concubinas como se fosse óbvio. Ela tinha ficado bastante enfurecida com a atitude do Sexto. Como resultado, ele teve duas amantes, e ela ficou bastante irritada já que suas sogras não o criticaram por isso.

O Sexto cortou silenciosamente o dragão. Sua forma era galante, mas… Era corajosa, mas… só podia ser vista como uma tentativa de fuga.

Os soldados do Quinto e do Sexto e os irmãos e irmãs do Sexto olhavam para o dragão em alto astral.

— Eu também vou!
— É uma caça ao dragão!
— Será que eu também devo participar!?

Os soldados preparavam cordas, amarrando-as aos escombros próximos enquanto as jogavam para capturar a fera. O dragão tentou escapar para o céu.

— Não vou te deixar escapar!

O Segundo disparou flechas de luz, gerando uma chuva de flechas no dragão. Quando esse salpicar de flechas acertavam, elas causavam explosões, evitando seu voo para cima.

O Sétimo também virou sua arma, abrindo buracos em suas asas.

— Hmm, podemos remendar as asas depois. Vamos derrubar esse dragão e empalhar. E se o fizermos de símbolo do império do Lyle… eu me tornarei uma lenda.

Zell liderava seu batalhão.

— Apoiem o Brod-sama! Aqueles que desejam o título de matador de dragões, não se apeguem demais às suas vidas!

Os soldados pulavam um após o outro.

Nisso, trazendo Ludmila consigo, a esposa do Quarto se encontrou com eles.

— Ei, segura aí! Não o empalhe! É preciso preservá-lo, e a próxima vez que precisar pegar dinheiro emprestado, pode apenas usá-lo como garantia! Tenho certeza que os materiais e pedras mágicas servirão como uma esplêndida caução.

O Quarto parecia concordar. Então virou-se para o Segundo e Sétimo.

— Vamos desmantelá-lo com cuidado! E não acho que serão capazes de colocá-lo no lugar de novo! Vamos acabar com ele em um golpe só se possível!

O Quinto berrou com o Quarto.

— Bastardo, só para pra pensar no que você acabou de fazer! E essa coisa não é tão frágil. Você precisa derrotar para…

— Fredricks~!!

A esposa do Quarto pulou no Quinto. Com seu rosto esfregado, e na frente de todo mundo, ele fica constrangido.

— Para mamãe!

Nisso, apesar de atrasado, o antigo Rei de Faunbeux chega até o Sétimo. E ao avistar o Sexto.

— Velho maldito, Fiennes!! Hoje é o dia que entregarei seu réquiem!

Quando o antigo Rei de Faunbeux atacou com sua lança, o Sexto levantou sua mão com um sorriso.

— Oh, o fedelho de antes!? Que nostálgico!

Do ponto de vista da outra parte, o Sexto era alguém que ele não conseguia esquecer mesmo se quisesse. Ele pulou de seu cavalo e desceu sua lança.

— Aqui estou para dar um fim ao nosso ciclo de destinos…

Mas o Sexto com quem ele competia, riu.

— Já estamos mortos há muito tempo. E veja… sua neta está noiva do meu bisneto. Então não podemos deixar isso ser águas passadas?

O Rei passado de Faunbeux abriu sua boca, atônito, por um momento… após isso, seu rosto ficou brilhante de vermelho.

— Como se eu pudesse aceitar isso!!

Ele estourou.

O Sexto pareceu bastante perturbado.

— Espera! Só espera por enquanto! Ou então os outros ancestrais vão derrubar aquela coisa! Só me dá um minuto, tá!?

O Sexto estava com problemas com o Rei de Faunbeux.

Ludmila ficava parada enquanto observava a cena. Vendo os membros da Casa Walt alegremente se impondo contra um dragão que claramente detinha uma aura de majestade, a deixou estupefata. Acima de tudo, eles sequer sabiam que meios de ataque seu inimigo tinha.

E ainda assim, todos eles tentavam ser os primeiros a atacá-lo em meio a “Eu! Não, eu!”’s. O único observando calmamente era o Terceiro.

A esposa do Terceiro falou com ela.

— Você não vai participar!

O Terceiro sorriu.

— Eu? Oh, eu estarei lá para dar o golpe final. Como imaginado, em uma hora dessas o mais eficiente é roubar o momento final para matar.

Dewey levantou os olhos para ele.

— Sleigh, acho que isso parece errado.

Ouvindo isso de seu irmão, Dewey, o Terceiro pareceu bastante sem jeito.

E:

— Minha nossa, que interessante. Um dragão dourado… realmente maravilhoso.

O Sétimo, que alegremente disparava sua arma no Dragão Lenda, reagiu a essa voz.

— Zenoire!

Quando o Sétimo correu para ela, Zenoire fechou seu leque dobrável vermelho com um estalo.

— Você nunca veio me pegar! Tive que vir até aqui com minha própria força. Mas aquele dragão realmente é bom. Fará um bom presente para dar ao Lyle.

— I-isso mesmo.

— … Querido, você tem que derrotar ele antes de qualquer um dos outros. É pelo bem do nosso adorável netinho, você pode fazer pelo menos isso, não pode?

O Sétimo tentou dizer algo, mas, sendo encarado por Zenoire, abaixou seus ombros.

— E-entendido. Farei o meu melhor. Zell! Não importa o quê, nós precisamos derrotar aquela coisa!

— Sim, Brod-sama!

Zenoire olhava para o dragão dourado — o Dragão Lenda — enquanto estufava seu peito e soltava uma grande risada.

— Ohohoho, esplêndido. Realmente esplêndido! Será o mais fino dos presentes!

Gracia e Elza, que tinham sido arrastadas junto à força, a assistiam de trás. Ambas tinham começado a se perguntar se Celes tinha herdado sua péssima natureza dessa mulher. Ou assim diziam as faces que elas faziam.

— Elza, estou começando a pensar…

— Você não precisa dizer. Ou melhor, não há espaço para nós fazermos qualquer coisa.

— Elza, err, sobre nós…

— Eu sei, aff, isso está começando a parecer idiota.

O Dragão dourado, cortado; com magia chovendo incessantemente de todos os lados para banhá-lo; com uma serpente de magia negra enrolando-se em volta de si, antes de explodir em um vendaval de chamas negras.

E então capturado com a magia que chovia de cima, e uma bola de aço descendo sobre ele para explodi-lo.

O Primeiro olhou para o Dragão Lenda que continuava a se regenerar.

— Vocês são todos inúteis! Troquem comigo!

Balançando sua enorme espada, ele cortou. Nisso, talvez irritado por ser chamado de inútil.

— Para trás, seu bárbaro! Eu tenho uma razão que não posso rejeitar! Você não vai pegar meu prêmio!

O Sétimo continuava fazendo chover balas no Dragão Lenda caído.

Ludmila ofereceu umas palavras, enquanto olhava para a cena.

— Eu na verdade sinto pena dele… esse pobre dragão.

Ela murmurou…


Tradução: Batata Yacon   |   Revisão: Delongas


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Notas:

Delongas: Muito bom  esse  cap

Batata: Realmente, muito bom mesmo. Pobre Dragão Lenda.

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