LOS – Capítulo 66[Final]

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Capítulo 66:

~Prólogo~

 


 

“Coisas ruins acontecem… Vocês sabem que é realmente difícil inventar frases introdutórias adequadas?”

— Uma Memória dos Antigos

 


 

***Caríntia***

***Magnus***

 

 

“E foi assim que seu Papai venceu os malignos fae e salvou o mundo.” Eu fecho o diário da Sely, que me ajudou a recontar os eventos de todos aqueles anos atrás. “E então a Mamãe e eu vivemos felizes para sempre.” Ou assim imagino. Fazem oito anos desde que usamos a berlinde e não encontramos um único fae desde então. O tempo certamente voa como nada quando não se tem inimigos para enfrentar. Não que isso importe. Eu tive mais que o bastante disso.

O pequeno Steven, filho da Cecília, e minha filha, Verônica, franzem suas sobrancelhas em silenciosa descrença. Eu juro que eles são espertos demais para a idade. O que quer que Gavin tenha feito com a Cecília e Sely para elevar suas fertilidades teve um efeito colateral inesperado. Me pergunto se essa é a razão da Sely e a Annia serem tão talentosas em seus respectivos campos de interesse.

Mas por que essas crianças estão tão infelizes com a minha história? Talvez eu não devesse ter censurado as partes sensuais? Sely e eu podemos ficar bem brutos quando estamos pra valer. Os dois são espertos, mas não estou totalmente certo se devo apresentar a eles todas as coisas que um homem e uma mulher podem fazer uns com os outros.

Meus dois pestinhas ainda estão me observando como se minhas habilidades em contar histórias fossem seriamente insuficientes. Eu suspiro. “Okay, pra fora. Apontem todos os buracos e outros problemas que tenham com minhas habilidades como contador de história.”

Verônica bufa e estufa suas bochechas. “Você nunca explicou sobre a Kath! Ela é uma Antiga agora, ou não é?”

Mexo com o diário em minhas mãos, debatendo a questão da nossa filha praticamente adotada. Crianças podem ser muito malvadas quando descobrem que alguém é diferente. Sendo uma ex-humana e tudo mais. “É claro que ela é uma Antiga. E uma membra dos Bathomeus. Sem dúvidas disso.”

Steven levanta sua mão. “Você nunca explicou por que não teve uma Era do Gelo!”

Estufo meu peito. “Isso é porque estamos usando a massa de Fada para ajustar o clima. Nós transformamos Fada em uma floresta tropical e estamos canalizando ar através de várias passagens largas a fim de limpar a atmosfera de enxofre e carbono. O Jardineiro está nos ajudando com a floresta magicamente encantada.”

Admitidamente, a criatura esquisita não pareceu totalmente confiável quando nosso povo o pegou em Fada. Eu me lembrei de minha visita ao Inverno na sala do trono. Mas já que o Jardineiro obviamente não é um fae, e nunca fez algo ofensivo até onde sabemos, decidimos deixar ele estar. Desde que ele fique em Fada e esteja feliz em usar seu dedo verde para cuidar da vegetação. Eu não ficaria muito satisfeito se ele deixasse seu habitat.

Tremo diante da memória dele.

E é a vez da Verônica. “Por que nós não tomamos controle dos humanos? Depois da guerra teria sido fácil assumir.

Dou um sorriso. Isso é algo que posso responder. “Porque nós não somos humanos. Por que deveríamos nos incomodar em governar qualquer um senão nós mesmos? Não é como se precisemos de qualquer coisa deles que não possamos simplesmente comprar.”

Sério? Por que se incomodar? Nós somos imortais. Tudo que se precisa é um pouco de paciência para pôr nossas mãos em mais riqueza humana que o bastante. Não há necessidade nenhuma de controlar toda a sociedade deles. “Eles estão reconstruindo por conta própria. Tudo o que nós Antigos fazemos, é provê-los com um ambiente adequado para prosperar.

“Soa como se eles não fossem nada mais que mascotes!” Steven sacode sua cabeça. “E eu achei o final da história insuficiente. Deveria ter tido mais batalhas. E um chefe final. Uma história precisa de um chefe final.”

Eu o encaro. “Vocês me perguntaram como a Sely e eu nos conhecemos. E é assim que o mundo real funciona. Aquele com o nuke vence. E quem disse que a história acabou? Ela ainda está acontecendo!”

“Hah?” Ele abre a boca para mim, não entendendo.

“Eu pareço morto para você? Enquanto eu viver, a história continua” proclamo orgulhosamente. “Eu pretendo viver uma vida longa e próspera com minha família.”

Verônica inclina sua cabeça e suspira. Ela parece tão fofa quando faz isso. Com os belos olhos de sua mãe e meu cabelo, não há dúvida nenhuma de que ela é nossa. “E quanto a estranha rede de energia que você descobriu?”

Eu continuo sorrindo. Não há razão para mostrar minha frustração a eles quanto a esse pequeno aspecto. Mesmo após anos de pesquisa, Hatlix e eu não chegamos perto de explicar o fenômeno. A berlinde se acendeu como uma árvore de natal e mais experimentos mostraram que podemos fazê-la tão visível quanto desejarmos. Nós só temos que estimular certos comprimentos de onda. Mas eu não sei o que é, nem porque existe. Talvez tenhamos que desenvolver ramos totalmente diferentes de magia e física para sequer chegar perto de um entendimento. Isso apenas mostra que o universo ainda porta surpresas. “Estamos trabalhando nisso.”

Verônica cruza seus braços atarracados na frente de seu peito. “Se você não resolver o quebra-cabeças, então eu vou quando crescer!”

Eu tenho certeza que você fará exatamente isso. Puxo três decks de cartas dos meus bolsos e os torço na frente dos dois pestinhas. “Por que não fazemos outra coisa para variar? Eu tenho três decks de cartas de MtG.”

Steven tosse e Verônica sacode sua cabeça. “Paai… Isso não é um pouco infantil? A Mamãe disse que, na sua idade, você realmente deveria brincar com outras coisas.

Oh? Eu não tenho ideia do que ela poderia ter em mente. Estou completamente sem pistas do que a ninfa preferiria que eu brincasse.

Eu deixo minha cabeça cair. Por que, ó por quê! Todo o ponto de ter uma criança é para brincar com elas. É a desculpa máxima para um adulto desperdiçar tempo e brincar. Eu desço ao chão ao lado deles para desempacotar as cartas. “É minha firme crença que mesmo com um intelecto tão alto quanto o seu, seria uma pena desperdiçar suas infâncias. E Magic não é só um jogo simples que precisa de sorte. Ele também demanda estratégia, percepção e uma mente ágil.”

Eu pego a mão da Verônica e dou a ela um dos decks. “Ou você joga o jogo comigo, ou eu vou racionar seu suprimento de biscoitos.”

Seus olhos se esbugalham. “Você não faria isso!”

“Me observe! E para completar, vou passar vocês por um curso de treinamento infernal para pôr suas magias sob controle. Pergunte à Kath, ela já passou por isso.”

Steven inspira de súbito. “Ela não mentiu!?” Ele olha para as cartas. “Quais são as regras mesmo?”



Ei, se estiverem gostando do projeto e desejarem ajudar um pouco, vocês podem fazer isso acessando o link abaixo, solucionando o Captcha e aguardando dez segundos para ir à nossa página de agradecimentos.

Podem acessar por aqui.


Tradução: Batata Yacon   | Revisor: Delongas


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4 ideias sobre “LOS – Capítulo 66[Final]

  1. Leonardo Suzano

    isso porra quem foi q disse que e nessesario q tudo ocorra em um curto período de tempo ? na maioria das vezes demora decadas para que cada evento se desenvolva então para que temos que apreçar as coisas so porque e a historia do protagonista ? deixa ele envelhecer crescer ter uma familia joga mais merda para cima dele e fique repetindo o processo pq a vida e assim

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  2. Thiago Morgado

    Estou sem palavras sobre essa novel, mas posso dizer que é a primeira novel que eu leio cujo o final não me deixa decpcionado
    Obrigado Batata por traduzir essa novel
    Ps: quem diria, o Jardineiro sobreviveu

    Curtido por 1 pessoa

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