LOS – Capítulo 65

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Capítulo 65:

~Vida~


 

“Então vamos começar do zero…”

— Uma Memória dos Antigos

 


 

***Fada***

***Jardineiro***

 

 

Eu ainda estou berrando e saltando de um é para o outro enquanto o fogo queima minha pele. Está tão quente que minha pele cria bolhas. De todas as possíveis mortes que previ para mim, nunca esperei que queimaria às cinzas! Que jeito horrível de morrer, mas imagino que seja melhor que me afogar. Acabou bem rápido para o general de Verão. Oh, e sem esquecer de ser pego por um Antigo para ser usado como rato de laboratório. Inverno certamente não teve bons tempos enquanto era preso à parede.

E falando em uma morte rápida… eu já não deveria estar morto agora? Por que isso está demorando tanto!? Eu paro de berrar quando noto que não está mais tão quente.

Separando um pouco meus dedos indicadores e médios, dou uma espiada no mundo. As chamas se foram! E eu estou vivo! Como isso aconteceu!? Retiro minhas mãos do meu rosto, o que resulta em um terrível som de sucção, então me inspeciono. “Eu me pareço com uma salsicha frita! Ai! Ai!” Uma experiência totalmente nova. Isso é o que deve parecer ser esfolado vivo.

Me coço apesar da dor. Minha pele crescendo de novo dói para caramba. Estou tão feliz por ter herdado minhas habilidades regenerativas dos Antigos.

Então por que não fui transformado em cinzas? Olho em volta e absorvo meus arredores, então lentamente levanto meus braços para cobrir minha boca com ambas as mãos. As árvores, a grama, os animais, tudo é uma camada de cinzas no chão! Todo o ecossistema foi obliterado. Pressiono uma única lágrima do canto do meu olho esquerdo.

E sobre os fae?

Me viro e olho na direção em que Verão e Outono correram. Não há sinal nenhum deles. Começo a caminhar, mas então percebo que estou caminhando através de uma camada de cinzas aos calcanhares.

Acho que é inútil procurar pelos corpos.

Em pensamento profundo sobre o significado da vida, eu coço a pele morta para fora das minhas palmas. Abaixo disso, eu revelo pele fresca, rosa como de bebê. Quando eu não tenho ideia do que fazer depois, eu sempre planto bananeira. Ver o mundo de uma perspectiva diferente me dá inspiração. Talvez eu deva escrever um livro sobre. Notei que a maior parte dos outros seres não valoriza diferentes pontos de vista.

Então eu fui poupado porque o feitiço só mirava nos fae? Mas por que ele também queimou as árvores e animais? Aaah, entendo. Estava mirado apenas em magia fae! Que solução ardilosa. O ecossistema foi obliterado porque os fae manipulavam tudo em Fada. A magia deles estava em todo lugar.

Só alguém que vê os fae como nada mais que vermes poderia surgir com um plano desses. Então acho que isso prova de uma vez por todas que eu não sou um fae. Como os elementais, eu sou outra coisa. Não é de se espantar, eu nunca tive as orelhas certas para ser um fae. Mas ao ponto, eu não tenho orelha nenhuma.

Algo que estava grudado no meu quadril se solta e cai ao chão na frente do meu rosto. É a bolsa de couro que uso para guardar minhas escassas posses pessoais. Volto a ficar de pé e pego o item torrado.

Escavando seu conteúdo, recupero uma única semente que sobreviveu ao fogo infernal. Eu a peguei anos atrás quando fiz uma das minhas escassas e curtas expedições para fora de Fada. É a noz de um pinheiro perfeitamente normal. inspecionando a paisagem, lentamente tenho uma ideia do quê eu posso fazer pelas próximas centenas de anos.

Saltito até o pequeno córrego que supria a antiga clareira com água. A maior parte da água evaporou por causa do calor, mas tenho certeza que voltará em algum tempo. Enfio meu dedo médio nas cinzas, então solto a bolota no buraco e o cubro jogando mais cinzas sobre.

“Fertilizante perfeito!”

 

 

***Caríntia***

***Sely***

 

 

“Que sorte que ninguém pensou em nos cobrar pelos danos.”

Paro abruptamente e Magnus bate em mim por trás. Então me viro e sorrio para ele. “Por que eles deveriam apresentar queixas?”

Ele coça seu queixo. “Bem, hm… O feitiço não foi exatamente feito para queimar tudo às cinzas. Pura desintegração é diferente de… desintegração, a versão onde calor é envolvido. Eles deveriam se dissolver em seus componentes moleculares. Eu acho que trocamos duas runas por engano.”

Hatlix aparece da passagem atrás de nós. “Não se preocupe, Neto. Tudo deu certo no final. Os fae se foram e nossas tropas estão invadindo Fada, procurando por qualquer sobrevivente.”

Viro minha atenção para Hatlix. “Pode haver sobreviventes?” pergunto, alarmada.

Ele sacode sua cabeça e pisca para mim. “Improvável, mas ainda temos que ter certeza.” Ele se vira e intercepta Cecília enquanto ela atravessa a passagem. “Docinho! Você se lembra da nossa pequena aposta? Você disse que faria muitas coisas prazerosas se passássemos por essa vivos!”

Cecília limpa sua garganta: “Eu disse isso, ursinho, mas…”

“Perfeito!” Hatlix levanta Cecília como se fosse a coisa mais normal no mundo, então parte na direção de seus aposentos privados com minha mãe guinchando em seus ombros.

Eu os observo até eles virarem em um corredor, mas antes que Magnus possa dizer qualquer coisa, levanto um dedo para impedi-lo. “Você não pode me carregar assim! Isso colocaria pressão na minha barriga.”

Ele me estuda com sobrancelhas erguidas. “Então talvez como uma princesa?”

Permito que ele me levante e vamos até a sala de estar, onde encontramos Leila, Tom e Tina que já estão assistindo as notícias. “Deveríamos ter ido para nossos próprios quartos” resmunga Magnus.

Tina nos nota e dá um tapinha no sofá ao lado dela, gesticulando para que sentemos. “Oh, o herói! Venha aqui e dê uma olhada nisso. Alguém gravou quando você ativou o feitiço. O vídeo foi vazado para os noticiários. Todos sabem que o lorde demônio encerrou a guerra.”

“Lorde demônio?” pergunto. “Esse não é o apelido do Magnus entre os sobrenaturais locais?”

Magnus rosna e corre para a sala. A TV mostra ele enquanto esmaga a berlinde com uma expressão alegre em seu rosto. Simultaneamente, o repórter declara o fim repentino da guerra pelas mãos do ‘lorde demônio’, um Antigo. O repórter continua a explicar como tudo deve ficar melhor de agora em diante. Com a maioria dos antigos governos esmagados, a sociedade tem que se reconstruir.

É claro. Todo mundo sabe que isso é só um monte de baboseiras. Mas desde que isso impeça as massas de saquear e pilhar, eu acho que vale tudo.

Assisto a reportagem por mais alguns momentos, então beijo o Magnus na bochecha. “Acho que é fofo que eles mudaram seu apelido de lorde demônio para herói. Combina com suas ações muito melhor.

“Eu não sou a porra de um herói! Eles devem me temer! Essa reportagem faz parecer que eu liberei a berlinde para salvar o mundo!” reclama Magnus com uma voz esganiçada.

Faço bico e assinalo suas ações com meus dedos. “Mas você me salvou, recebeu um grupo de desgarrados sem lar, impediu um maníaco maligno que estava buscando dominação mundial, e encerrou a ameaça dos fae. Soa como algo que um herói faria.”

Ele bate seu pé no chão. “Eu não sou um herói. Eu te tomei à força, colaborei com os anciões para manter minhas posses, forcei alguns fracotes em um juramento de sangue, destruí alguém que ameaçou meu território e eliminei uma raça inteira. Eu não sou um herói.”

“É tudo uma questão de perspectiva” resmunga Tina.

“Tanto faz! Alguém deve ter vazado isso para a mídia. Quem?” Ele encara Tina.

A outra líder de clã levanta suas mãos. “Eu certamente não fiz isso. Mas você não está feliz com a sua nova reputação? Agora tudo que você fez é visto em uma luz positiva, muito mais pessoas tentarão se juntar ao seu clã. Eles podem até esquecer sobre a reputação do seu território como uma armadilha fatal.

Ele grunhe: “Tem que ser alguém que tenha interesse em fazer os Bathomeus famosos. Só há uma única pessoa que quer que o clã seja tão grande quanto possível. Oilell!?”

Acho que foi sábio da Oilell não ter mostrado seu rosto naquele dia. E no seguinte.

 


 

Ei, se estiverem gostando do projeto e desejarem ajudar um pouco, vocês podem fazer isso acessando o link abaixo, solucionando o Captcha e aguardando dez segundos para ir à nossa página de agradecimentos.

Podem acessar por aqui.


Tradução: Batata Yacon   | Revisor: Delongas


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