LOS – Capítulo 62

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Capítulo 62:

~A Coisa~

 


 

“Nós gostamos de brinquedos novos. É por isso que gostamos dos humanos.”

— Uma Memória dos Antigos

 


 

***Caríntia***

***Magnus***

 

 

“Então é isso?” Hatlix levanta a pequena bolha de vidro e inspeciona a superfície em busca de danos. Não é nada mais que uma pequena berlinde com um diâmetro de três centímetros. Dentro dela não há nada mais que ar e sua superfície está preenchida com delicadas runas que mantêm os encantamentos em posição. Nos levou duas semanas para produzir só uma dessas pequenas maravilhas.

O vovô sacode sua cabeça maravilhado. “Admito que não teríamos resolvido os problemas tão rápido sem sua ajuda, Annia. Do que é que você chama? Programação? É certamente uma aproximação interessante em se colocar encantamentos sobre outros. Você quer aprender a arte de nós? Acho que você pode se tornar uma excelente encantadora.”

Levanto minha sobrancelha e viro minha atenção para a melancólica adolescente que empregou toda sua energia em nos ajudar. Ela claramente bancou um papel na criação deste artefato. A princípio, tentamos alcançar nosso objetivo com um único encantamento complicado. Nunca funcionou e tivemos que descartar um monte de tentativas falhas.

Foi a Annia quem sugeriu empilhar vários encantamentos pequenos uns sobre os outros, cada um deles visando criar a matriz de feitiço que desejávamos. Eu sempre fiz meus encantamentos como o Hatlix me ensinou, e ele estava preso dentro do mesmo processo de pensamento.

Algumas vezes, é necessário que alguém dê uma olhada de fora da caixa para encontrar a solução.

Mas uma vez a ideia estando na mesa, resolvemos o problema de criar uma matriz de feitiço estável rapidamente. Levou apenas algumas tentativas falhas.

Annia dá de ombros, não realizando que grande honra é ser ensinada pelo Hatlix. Assumo que ele já esqueceu mais sobre encantamentos e artefatos do que eu aprenderei mil anos. “Se você quiser me ensinar? Eu não sou alguém que recusa conhecimento. E essa coisa de encantamentos parece muito similar com programação. Eu posso aplicar o que aprendi sobre linguagem de computação.”

Seus olhos se viram para a pequena bolha de vidro. Os delicados fios de prata e ouro que formam as runas em sua superfície parecem poder sair com um único toque. “Então quando vamos usar? Aqui e agora?”

Eu limpo minha garganta. “Nos atrevemos a usar? Não me entenda errado. Após algumas semanas de trabalho, eu esmagaria essa maravilhazinha só por esmagar. No mínimo isso significaria o fim de todos os fae, mas também poderia condenar todos nós. Só um errozinho na matriz de feitiço é o bastante. Se isso se transformar em um feitiço de magia selvagem, só os deuses podem saber o que vai acontecer. Se eles existirem.”

Hatlix limpa sua garganta: “Nós podíamos exigir uma assembleia e permitir que todos decidam? Então usar essa berlindezinha não poderá ser culpada totalmente em nós.”

Annia suspira. “Você realmente acha que isso faria qualquer diferença? Se o feitiço der errado, os criadores serão culpados, não importa o quê.”

Eu assinto. “Estou mais preocupado com as outras raças. O que eles farão se mostramos a eles do que somos capazes? Nosso povo já é temido o bastante, não que isso seja algo ruim. Com isso, os outros vão surtar.”

Hatlix coça seu queixo e põe a berlinde em uma almofada vermelha. Está encantada para pairar a esfera um centímetro acima dela para garantir que nossa arma não seja danificada sobre circunstância nenhuma. “Nós podemos dizer que poderíamos ter feito isso a qualquer momento que quiséssemos. Isso nos faria parecer seres muito pacientes…”

“Genocidas!” Annia insere seus próprios centavos.

“Divinos!” Eu adiciono, distraído. O euzinho gamer imaginário que está sentado no meu ombro esquerdo já está esfregando suas mãozinhas. Me pergunto se há um jogo que anuncia uma contagem de mortes depois de divino? Em termos de MtG, essa berlindezinha é a personificação de uma cólera de deus.

“… e comedidos.” Hatlix termina sua sentença.

Rolo meus olhos: “Eu seriamente duvido que haverá qualquer jeito de salvar nossa reputação quando deixarmos esse gênio fora da lâmpada!” Gesticulo para a pequena berlinde. Se eu mesmo não a tivesse criado, não acreditaria que é uma arma de destruição em massa.

Mas de novo, minhas gomas de mascar também não são exatamente seguras de se comer.

Annia pega a almofada com a berlinde em cima. “Vamos indo e ver os outros. Eles podem adicionar suas próprias opiniões quanto a se devemos usá-la, ou pensar em outra coisa.”

Juntos, entramos na escadaria para fora do porão. Chamo a Oilell e a brownie aparece fielmente na nossa frente. Algumas instruções depois, ela desaparece para chamar todos ao jardim. Esse é um assunto grave, e quero que todos em nossa comunidade deem suas opiniões. Pelo menos posso dividir a culpa se alguma coisa der errado.

Alguns minutos depois, todos os Antigos e Oilell estão reunidos. Posso ver em suas faces que eles estão avidamente esperando por uma solução para seus problemas. E nós somos aqueles que devemos dá-la a eles. Eles estão aguardando em um semicírculo na nossa frente. Dou uma piscada para Hatlix antes de apresentar nossa criação.

Hatlix limpa sua garganta e pega a almofada da Annia. “Isso é…” Ele para, percebendo algo de importância. “Hmm. Como devemos chamar isso? Algo assim precisa de um nome.”

“Cólera de Deus?” Sugiro de modo interrogatório. Okay, admito que não sou muito imaginativo.

“O dispositivo final!” Annia exclama e bate suas palmas juntas.

Hatlix franze sua testa e olha a berlinde. “Vamos chamá-lo de ‘O Fim’.”

Sely avança e sacode seu punho para nós. “Apenas diga o que ele faz! Vocês três ficaram enfurnados no porão por quatro semanas, enquanto nós fizemos nosso melhor para atrasar os fae! O cerco em Viena e em várias outras cidades esteve prestes a ser quebrado várias vezes! As várias raças sobrenaturais até se moveram para ajudar os humanos a manter os fae afastados.”

Sério? Eu estava tão preocupado com nosso projeto que não prestei atenção nenhuma à guerra.

Hatlix limpa sua garganta: “Tá bom. Essa berlindezinha tem um conjunto de encantamentos nela. Uma vez que ela seja quebrada, o feitiço se ativará e eliminará os fae. Mas também tem a chance do feitiço eliminar as outras raças também. Ou todo mundo.”

“Você quer dizer que não sabem!?” Fiacre guincha e é acompanhada pela Cecília. “Velho tolo! Você não fez essa coisa? Por que você não pode dizer o que vai acontecer!?”

Leila levanta sua mão: “Não podemos testar em um ambiente seguro?”

Hatlix dá de ombros. “Sim e não, nós obviamente sabemos o que isso deve fazer. E não podemos ‘testar’, porque projetamos ela para contornar qualquer defesa conhecida ou confinamento. O feitiço é incrivelmente complicado e não nos atrevemos a realizar um ‘teste’.”

“Os encantamentos nessa berlinde estão projetados para criar uma matriz de feitiço, que cria outra matriz de feitiço menor e daí por diante até acabarmos com um encantamento incrivelmente pequeno e auto-replicante. O encantamento vai continuar a se reproduzir enquanto houver energia disponível. Sua natureza deve permitir que passe pela maior parte das defesas mágicas. Nós pegamos a ideia humana de nano máquinas e a adaptamos para nano mágicas.

“O feitiço se espalha como um organismo vivo e deve chegar a cada canto e buraco por todo o mundo e além. Desde que haja uma passagem aberta, chegará até em Fada. Os vários encantamentos também interagem uns com os outros e checam seus arredores em busca de certos tipos de organismos. Eles os reconhecem por assinatura mágica, que é muito distinta para cada raça. Uma vez que um certo ponto seja alcançado, os vários encantamentos se ativam e liberam um pequeno, e localizado, feitiço de desintegração. Qualquer fae afetado deve virar cinzas em um piscar de olhos, ou qualquer coisa que seja tocada pela magia deles. O problema está em garantir que o feitiço não mude ou sofra mutação enquanto se copia repetidamente. Nós tentamos mantê-lo tão simples quanto possível, para reduzir a chance de erros. Nós também tentamos prever várias mutações que podem mudar a intenção do feitiço ou se tornar em magia selvagem.”

“Nós achamos que vai funcionar!” Annia adiciona prestativamente.

Hatlix bufa. “Nós achamos que o risco é mínimo, mas esse é um novo campo de magia. Muito parecido com quando percebemos que E=mc².”

Olho para os rostos deles e tento fazer contato ocular com todos. “A pergunta é, queremos usá-lo?”

Sim, caralho! Eu quero usá-lo e voltar a jogar cartas.


Ei, se estiverem gostando do projeto e desejarem ajudar um pouco, vocês podem fazer isso acessando o link abaixo, solucionando o Captcha e aguardando dez segundos para ir à nossa página de agradecimentos.

Podem acessar por aqui.


Tradução: Batata Yacon   | Revisor: Delongas


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5 ideias sobre “LOS – Capítulo 62

    1. Batata Yacon Autor do post

      A parte mais engraçada é que posso imaginar ele fazendo uma versão disso.
      Mas provavelmente seria uma bomba com o repelente, seria ineficiente demais sair borrifando um por um.

      Curtido por 1 pessoa

      Resposta
  1. victornorte

    a questão é, se der certo, todos saberão que eles tem a capacidade de extinguir toda uma raça de uma só vez. todas as outras morrerão de medo de serem as próximas, e podem se virar todos, incluindo humanos e sobrenaturais, contras os antigos. por isso, é bom já ter uma dessas prontas para as outras raças para que sirva como ameaça para que não façam isso.

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