LOS – Capítulo 55

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Capítulo 55:

~Uma Voz~

 


“Muito tempo atrás, eu fiz uma certa coisa. Era redonda e todo mundo queria ter, então eu fiz mais.”

— Uma Memória dos Antigos

 


 

***Atlantis***

***Sely***

 

 

Adentramos o coliseu. Para variar, toda a gangue principal de nossa pequena comunidadezinha está visitando a assembleia juntos. Até Annia se juntou a nós, apesar de termos deixado a Kath com Leila e Tom. Magnus não queria deixar os outros sozinhos na berlinde de realidade. Mas há os espíritos guardiões e Lindwurm. Além disso, eles fizeram um juramento de sangue a nós, então mesmo se estiverem aprontando algo, duvido que eles arrumem algo perigoso.

Hatlix inspeciona a área enquanto caminhamos ao nosso púlpito. Ele não parece satisfeito. “Olha isso. Mais de quinhentos anos e tudo está igual. Isso é ridículo. Eles podiam pelo menos ter mudado as almofadas das cadeiras.”

Magnus tenta acalmá-lo. “Vovô, acho que trocaram. Do contrário as almofadas já teriam apodrecido.”

“Eu sei disso! O que eu quis dizer é a cor. É simplesmente inaceitável. Eles estão sempre usando roxo! Por que roxo?! Odeio essa cor.”

Cecília limpa sua garganta: “Desde tempos antigos, roxo tem sido a cor natural mais vibrante. A tintura preta, colhida de certos caramujos, era cara de se criar. Ser capaz de bancar largas quantidades de roxo era um símbolo de status, poder e riqueza.”

“Vamos lá! Estamos atrasados e os anciões já estão lá embaixo. Todos estão nos olhando.” Tina nos enxota adiante e entramos em nossos púlpitos. Somos de fato os últimos a aparecer, principalmente porque Hatlix não viu necessidade de se apressar.

Hatlix aponta para baixo aos anciões e acena para eles. “Ali estão! Ei, caras! Quanto tempo. Estava esperando ver alguns rostos familiares!” Hatlix aponta para um cara ruivo no lado esquerdo do grupo. “Larry! Larn? Qual era o seu nome? Não importa. Eu nunca esqueço um rosto. Você ainda me deve uma, cara! Nunca se esqueça disso.”

Vários chefes viram todas as suas atenções aos ancião designado. Os olhos do homem se arregalam quando reconhece Hatlix. Então o ancião empalidece visivelmente. Os anciões ao lado dele recuam enquanto uma poça amarelada começa a se formar sob os pés do homem. Leva alguns segundos, mas finalmente o homem supera seu choque e cambaleia para fora da arena com uma estranha marcha, como um pato.

“Se eu fosse ele, me arrastaria sob uma pedra e ficaria lá pelos próximos mil anos” comenta Magnus com assombro em sua voz.

Me viro para Hatlix que parece muito satisfeito consigo mesmo. “O que é que você tem contra aquele homem que justifica uma reação dessas? Ele nunca vai superar isso.” Bem, talvez supere. Mas vai levar pelo menos cem anos até as pessoas pararem de falar sobre isso.

“Sinto muito, mas isso é um segredo entre nós dois. Vamos apenas dizer que eu criei alguns artefatos muito valiosos para ele. Ele provavelmente pensou que eu estava morto e nunca teria que me pagar.” Hatlix se senta, escolhendo uma cadeira aleatoriamente. Cecília toma o assento ao lado dele.

Eles estão sentados com a Tina na segunda fileira, então assumo os assentos da frente com Magnus e Fiacre. Annia também se senta, observando tudo com interesse. Eu a entendo. Na primeira vez que visitei Atlantis eu também estava fascinada. Mas depois de algumas visitas percebi o quão melancólico e desesperador o lugar realmente é. É apenas um monumento que resistiu ao fluxo do tempo. Uma relíquia de um passado antigo.

Os anciões começam a assembleia e esperamos pacientemente por nossa chance de divulgar nossa informação sobre os fae. No meio tempo, vários clãs fazem propostas sobre como atacar fae. As ideias são multifárias e variam de coisas como o uso de bombas nucleares à aproximações muito inortodoxas. Minha favorita é o plano de capturar uma árvore fabulosa e usá-la para encontrar o ponto âncora de Fada ao mundo real. Então simplesmente desconectaríamos Fada da Terra. Problema resolvido.

Infelizmente, Magnus e Hatlix nos dão várias razões do porquê de esse plano não ser só estúpido, mas completamente perigoso. Fada pode não afetar a terra diretamente, mas afetar tempo e espaço em uma escala tão grande pode ter efeitos inesperados. Sem mencionar que o ponto âncora de Fada está escondido em algum lugar sob o mar. Apesar de não ser impossível certamente seria um enorme problema localizar a âncora. Uma âncora é um ponto fixo em tempo e espaço. Esse ponto âncora é o mesmo no mundo real assim como na berlinde. Uma passagem permanente. Ela garante que a berlinde de realidade permaneça conectada à realidade e não vire seu próprio universo em miniatura.

Para explicar, Hatlix produz um enorme balão canudo de seu bolso. Não tenho ideia do porquê de ele ter um.

Ele o infla e põe um nó na ponta aberta. “Olha pra isso. Este é nosso universo. Ou neste caso, a Terra. O mundo humano. E agora nós brincamos com o tempo-espaço contínuo. Ele torce a ponta do balão até ter uma pequena bolha na ponta do canudo. “E essa coisinha fofa agora é uma berlinde de realidade. A conexão torcida entre as duas partes é o ponto âncora.”

Pegando a secção torcida entre seu polegar e indicador, ele arranca a bolha menor. “Você vê um problema?”

Eu sacudo minha cabeça: “Não? Fada se foi, não? E ainda temos o resto da Terra.”

Hatlix suspira e solta a parte que segurava entre os dedos. O balão esguincha e se debate até estar completamente murcho. “E é assim que se cria um buraco negro. O universo como um todo não será afetado, mas certamente seria um adeus para o planeta antes do tempo-espaço contínuo se reparar. Antigamente, na época em que começamos a brincar com berlindes de realidade, nós estouramos uma pequena. Meu próprio pai foi um pioneiro nesse campo de pesquisa. Ele mencionou que os dinossauros não gostaram muito.”

Magnus levanta uma sobrancelha. “Eu gosto da parte em que fada faz “puff”!”

Dou-lhe uma cotovelada. “Nós definitivamente votaremos contra essa ideia.”

O dia continua até obtermos nossa chance. Magnus se põe de pé e se dirige aos anciões, pedindo desculpas por não ter uma solução final para os fae. “Mas eu fui a Fada e dei um passeio! Sabe… Só dando uma olhada em esperanças de encontrar alguma coisa útil. Eu até fiz um vídeo!’

Todo o coliseu estão tão silencioso quanto um teatro antes do grande final.

O ancião na arena tosse. Ele é o mesmo que sempre supervisiona as assembleias. “Podemos ver?”

“É claro.” Annia entrega um chaveiro USB ao Magnus e ele o joga ao ancião. Que o estuda. Então ele se vira, gesticulando para alguém que eu não notei antes. Ele estava na beira da arena, usando uma vassoura para varrer o chão.

Tetrach solta sua vassoura e corre até o ancião. Com uma expressão alegre em sua face, ele pega o chaveiro e recebe instruções sussurradas. Seguindo suas ordens, Tetrach corre para um computador na beira da arena e mexe com os controles.

“Sabia que tínhamos esquecido ele. De novo!” Magnus resmunga.

Fiacre se inclina para mim e sussurra. “Como isso é possível? Ele não deveria estar de volta ao normal? Os anciões estão usando ele como servo?

Eu sacudo minha cabeça: “Não sei. Alguém deve ter trocado as baterias dele.”

“Como eles descobririam isso?” pergunta Tina.

Magnus abre suas mãos. “É uma célula normal de nove volts e difícil de ignorar se abrir a tampa na caixa dele. Então trocar não é uma tarefa genial.”

Annia expressa suas próprias preocupações. “Deveríamos reclamar disso? Ele é nosso meio irmão afinal.”

“Talvez devêssemos simplesmente levá-lo conosco quando a assembleia terminar?” pergunto, retoricamente.

Magnus cruza seus braços em frente ao peito. Ele não parece convencido. “Você quer dizer se não esquecermos dele. De novo!”

“Psst!” Hatlix gesticula para a tela: “O vídeo está começando!”

Assistimos o vídeo com todo mundo. As reações vão de desinteresse à surpresa quando Magnus passa para Fada. Então a plateia fica gravemente em silêncio durante a parte com a “fazenda”. No final há alguns berros de ultraje, que os anciões têm que silenciar. O destino do Inverno satisfaz alguns daqueles que começaram pedir por sangue e assassínio.

Antigos não são exatamente conhecidos por soluções benevolentes se tivermos problemas com alguém.

Nós temos que responder algumas perguntas a mais, mas nada que não esperávamos. É claro, eles querem saber como entramos em Fada sem sermos notados. Então temos que explicar sobre o amuleto. Não há outro jeito.

O orbe apresenta outro problema, mas isso é quando Hatlix salta na conversa. Ele tece uma estória em que os fae puseram as mãos em um esquecido protótipo antigo, para distrair nossos ouvintes do fato que os fae atacaram e roubaram o orbe debaixo de nossos narizes.

Esse é um pedaço de informação vergonhosa que não queremos que ninguém saiba.

Depois disso, apresentamos nossa teoria do quão numerosos os fae devem ser, apontando que uma campanha em força total contra eles é a coisa certa a se fazer.

Alguns dos anciões são contra isso, exatamente como a Tina previu. Eles votam entre si, o que acaba sendo bem acirrado. Levantando o polegar à questão, ou apontando-o para baixo, eles mostram sua aprovação ou desaprovação da guerra. Com mais de trinta ou menos de setenta por cento, a votação se tornaria pública. Atualmente, um pouco menos de sete de dez anciões estão à favor da guerra.

Isso significa que os chefes de clã têm a chance de votar. Isso pode ser uma coisa boa, ou até mesmo ruim. Não temos ideia de como os vários líderes de clã pensam sobre o assunto. O caso inteiro é bastante delicado. Não temos garantia nenhuma de que todos seguirão seus respectivos anciões.

Isso é quando um certo ancião retorna à arena. Ele pôs um robe limpo e seu rosto recuperou um pouco de cor. Está claro que ele não tem ideia do que está acontecendo, mas percebe que todos esperam que ele dê seu voto.

Ele levanta sua mão, seu polegar de lado para mostrar sua indecisão. Seus olhos vagam pelo coliseu, enfatizando o fato de ele não ter ideia nenhuma sobre o que ele está votando. Ele se parece bastante com uma daquelas crianças dos filmes. Aqueles que são pegos dormindo pelos professores.

Hatlix sacode sua cabeça e balança seus braços para o ancião, não se importando que está fazendo isso completamente à vista de todos. O ancião franze sua testa, não entendendo.

Hatlix levanta sua mão, com o polegar para cima.

O ancião engole em seco e vira seu polegar para cima, decidindo votar em favor da guerra.


Ei, se estiverem gostando do projeto e desejarem ajudar um pouco, vocês podem fazer isso acessando o link abaixo, solucionando o Captcha e aguardando dez segundos para ir à nossa página de agradecimentos.

Podem acessar por aqui.


Tradução: Batata Yacon   | Revisor: Delongas


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4 ideias sobre “LOS – Capítulo 55

  1. victornorte

    agora que me dei conta, o vovô conseguiu se manter vivo enfrentando um grupo de mais de 10 fae, inverno incluso! os velhotes sempre são os mais fodas. kkkkk
    e pqp, esse caras são velhos! tá ai pq os antigos chamas eles de anciões! mais de 100 milhões de anos atrás!

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