LOS – Capítulo 53

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Capítulo 53:

~Lar~

 


“Um de muitos.”

— Uma Memória dos Antigos

 


 

***Caríntia***

***Sely***

 

“Vamos lá, Sely. Você não pode ficar zangada com ele para sempre. Dê pelo menos um dia pra ele. Ele precisa de uma chance antes de lançarmos uma missão de resgate estúpida.”

Me viro e aponto para Tina. “Ele não está aqui, então eu nem comecei a me zangar! E não ache que você será perdoada tão facilmente! Você ajudou ele a escapar! Ele nem teria sido capaz de me subjugar sozinho.”

Tina rola seus olhos: “Ora, vamos lá. Pense na criança. Você não percebe que está sendo só um pouquinho irresponsável? Eu estou te protegendo de si mesma, e a sua criança de você. Não está feliz por ter a chance de ser uma mãe? A maioria dos Antigos nunca têm filhos e apesar das circunstâncias, fico feliz que minha irmã teve duas.

Fecho a cara. “É claro que estou feliz! É só que eu não quero perder o Magnus. Ser uma mãe solteira seria uma merda depois de eu finalmente encontrar um cara que amo! Se eu pudesse, ficaria com ele dentro desta berlinde de realidade por pelo menos cem anos. O resto do mundo pode morrer.”

“Ela falou a palavra com A” Kath dá risinhos. Ela está sentada com Cecília, Fiacre e Annia na mesa. Elas estão jantando no jardim. Eu por outro lado não posso comer nada enquanto me preocupo com o Magnus. Eu não sou do tipo de garota que se reclina e espera até receber a mensagem que o marido morreu em batalha.

Hatlix, também está lá, mas está usando um tablet para treinar sua pronunciação. É assustador o quão rápido ele está aprendendo. Se bem que, talvez eu não deva estar surpresa. Cecília está ajudando bastante ele.

Pela descrição do Magnus, eu tinha a ideia de que o Hatlix era algum tipo de homem das cavernas, mas esse definitivamente não é o caso. O centro de linguagem do cérebro dele foi danificado, mas isso não significa que ele é um idiota. Ele é um cara esperto que simplesmente era incapaz de se expressar com palavras. Ele entende a linguagem perfeitamente bem.

Hatlix só tem que controlar sua língua e não haverá problema nenhum.

De repente, sinto uma poderosa magia agindo. Há um barulhento “crack” vindo do céu e sinto poderosas interferências mágicas. Me virando, observo em horror enquanto uma fenda azul se abre sobre a mansão.

Tina e Cecília estão ao meu lado e me puxam para longe do fenômeno. “Aquilo é outro ataque dos fae?”

Fiacre sacode sua cabeça: “Alguém com acesso à nossa berlinde de realidade criou uma passagem rudimentar entre nós e outro lugar. A única pessoa que está fora é o Magnus. Tem que ser ele.”

Uma figura tomba da fenda e começa a cair. Normalmente, eu esperaria que ele invocasse um feitiço para mitigar o impacto da queda, mas as interferências da fenda impossibilitam isso. Ele acerta o teto da mansão e quica. Deslizando pelo teto, cai mais outros dez metros no teto da varanda. Deslizando como um pedaço de carne morta. Ele cai os últimos três metros ao chão e aterrissa na nossa frente. A fenda se fecha e a interferência mágica para.

Escuto os outros exclamarem em surpresa e uma janela do andar superior da mansão se abre. Tom olha para fora. “O que foi isso? Outro ataque?”

Aceno que está tudo bem para o Tom e corro para o lado do Magnus. Ele está vivo. Ele geme e rola de costas. Em suas mãos está o orbe que Inverno roubou. Meu primeiro impulso é chutá-lo por me assustar, mas decido me render ao segundo impulso. Me curvo e estrangulo o Magnus. “Como é que você pôde se enfiar no perigo e me deixar para trás!?”

“Acho que deveria soltar. Você está sufocando ele”, diz Tina. Sua voz soa mais preocupada do que o Magnus merece. “Ele está ficando vermelho.”

Eu solto e permito que o Magnus respire.

Ele respira fundo algumas vezes e pega minhas mãos com as dele. Então tasca um beijo em cada uma delas. “Sinto muito, mas não vi nenhum outro meio. Não havia tempo de encantar dois trajes com invisibilidade e eu já tive problemas em me esgueirar do jeito que as coisas estavam”, murmura ele, me dando várias razões do porquê de ele precisar ir sozinho.

Cerro meus olhos para ele. “Parece que você usou o tempo para pensar em desculpas. E olha pra você! Você está ferido!”

Ele ri. “Só a queda. Eu não consegui mirar a passagem improvisada muito bem. E ei, eu não quebrei uma costela dessa vez! Acho que estou ficando melhor em evitar ferimentos!”

“Oh, é?” resmungo e lhe dou um soco. Não muito forte. Apenas forte o bastante para colocar um pouco de pressão na costela que ele sempre quebra. “Isso é por me amarrar!”

Ele ofega e assente. “Acho que mereci esse. Mas gostei de você atada.”

Não comento essa última e ajudo ele a se pôr de pé. Então ele nos diz sobre sua aventura e a situação em Fada. Assim que ele menciona o vídeo, Annia corre e volta com um laptop grande. Chamo o resto do clã, para que todos em nossa comunidade possam ver o que está acontecendo em Fada.

Nós ligamos o laptop à câmera e Annia começa a saltar pela informação gravada. Magnus já nos preparou para a cena que ele chama de “fazenda”, mas é muito pior. E de acordo com ele, deve haver incontáveis mais que ainda estão sendo usados como câmaras de reprodução. Essas pobres pessoas. Bile sobe pela minha garganta quando me imagino no lugar delas.

Magnus não encontrou nenhuma Antiga, mas isso não significa que não estejam lá. Relembro minha própria determinação quando Annia e eu fugimos dos fae. Tenho certeza que uma Antiga preferiria lutar até a morte do que ser pega pelos fae. Então é improvável que haja muitas Antigas entre aquelas mulheres. Talvez os fae até estejam as mantendo em uma área separada, dado quão raramente eles nos pegam vivos.

Leila eleva sua voz quando a gravação mostra como o Magnus tentou puxar uma elemental de uma árvore. Está claro que ele está ultrajado quando macula o corpo dela para chegar ao feto.

“Nós temos que mostrar isso aos Anciões! Os fae têm que ser eliminados! Eu sei que os anciões estão dizendo que qualquer um pego pelos fae não merecem viver. Que é a seleção natural. Mas isso não é mais seleção natural. Nós realmente queremos ser selecionados por aqueles que podem escapar dos fae? Eles estão nos transformando em presas! São eles quem deveriam ter que se esconder!”

Os outros resmungam seus consentimentos e tenho que admitir que ela tem razão. Está claro que os fae são bastardinhos malignos. Nós sabíamos disso desde o começo. Toda a nossa raça decidiu trancar os fae em um jarro e então esquecemos do conteúdo. Magnus foi o primeiro que decidiu retirar a tampa da jarro e dar uma olhada dentro.

Eu assinto. “Também acho. Eles não serão capazes de fechar os olhos quando mostrarmos isso na assembleia amanhã.”

A maior parte dos mais velhos em nossa comunidade parecem enojados. Especialmente Hatlix que está sendo confortado pela Cecília. Me curvo para o Magnus. “Hatlix conhece alguém que foi pego pelos fae?”

Magnus sacode sua cabeça. “Eu não sei, mas nunca ouvi como minha avó morreu. Hatlix nunca falou sobre. Talvez ela tenha sido levada?”

Eu esgo e puxo o Magnus para fora do grupo. Eles agora estão assistindo os momentos finais do Inverno. “Você tem certeza que não podemos fazer nada por essas pessoas? E quanto aos Antigos? Nós podemos nos curar de muita coisa.”

Magnus dá de ombros e gesticula para a tela. “Eu não sou médico nenhum, mas sei que não curaria de ter meus órgãos internos substituídos por uma árvore. O feitiço fundiu os corpos delas com a planta. Seria uma questão de dissolver a magia e removê-las ao mesmo tempo. A maior parte delas estava tão fundo nas árvores que eu nem tenho certeza se seus cérebros estão intactos. É uma merda dizer isso, mas não vejo chance nenhuma a menos que algum ancião conheça algum tipo de feitiço de regeneração absoluto. Tenho certeza que um feitiço tão útil seria amplamente conhecido.”

Assinto e observamos o fim da gravação. “Acho que você passou um pouco dos limites com a punição do Inverno. Sim, ele merecia pior, mas transformar ele em um lich que cria zumbis?”

Magnus dá de ombros: “Eu queria experimentar o feitiço e o Inverno estava disponível. É bem parecido com um encantamento. Eu copiei e adicionei meu próprio toque. Não sou bom com coisas vivas.” Um riso maligno aparece em sua face. “A menos que seja você.”

Ele me abraça e nos beijamos. Me derreto nos braços dele e o abraço. Finalmente, nos separamos e descanso minha cabeça sob seu queixo. “Apenas não vá sozinho em território inimigo. Eu quase fiquei doida com medo quando você me deixou sozinha.”

Magnus cantarola e encerra o abraço. “Então estou perdoado?”

Estudo suas roupas sujas e amassadas. “Não até você tomar um banho e me satisfazer.” Dessa vez sou eu quem sorri malignamente. “Preferivelmente com sua cara entre minhas pernas.”

Ele levanta uma sobrancelha, e então me levanta e me carrega aos nossos aposentos privativos.

Duas horas depois, vamos à sala de estar para assistir aos noticiários humanos. Também há algumas coisas que eu gostaria de conversar a respeito com a Tina e Cecília. Nós caminhamos de braços dados. Magnus parecia bastante satisfeito.

Ele me puxa para mais perto. “Essa foi a melhor punição que eu já tive. E agora quero usar o tempo para conversar com meu avô. Há algumas coisas que eu quero perguntar sobre o orbe. Ele fez a coisa maldita, afinal.”

Eu olho para o Magnus. “Ele fez o orbe? Hatlix fez o orbe?”

Magnus assente. “Ele me ensinou encantamentos. E agora pode finalmente explicar algumas coisas que nunca me foram muito claras. E eu quero saber se há algum Bathomeus que pode estar sendo mantido em Fada.”

É compreensível que ele queira saber, mas não acho que deva ter muita esperança. “Eu lamento dizer isso, mas depois de ver o vídeo, me pergunto se qualquer um dos prisioneiros dos fae prefeririam estar mortos do que vivos. Especialmente se viver significa estarem eternamente fundidos a uma árvore.”

Ele mastiga seu lábio inferior, ponderando seus pensamentos. Após alguns momentos, ele cede. “Você está certa. Foi um pensamento estúpido. Melhor assumir o pior, então não podemos ficar desapontados.”

Chegamos à sala de estar e abro a porta. Pelo menos eu tento abrir. “Isso é estranho. Acho que está presa.” Tento com mais força, mas a porta não se mexe.

“Deixa eu tentar.” Magnus alcança a porta e tenta abri-la. “Acho que tem algum tipo de feitiço na porta. Ele sacode a maçaneta e de repente há um clique. A porta se abre.

“Ah! Ah! Ah! Mais forte!”

Cecília está de quatro no carpete da sala de estar. Ela está nua e seus fartos seios sacodem para frente e para trás com cada um dos empurrões de Hatlix que está ajoelhado atrás dela. Noto que seu corpo se recuperou muito bem de sua provação. Eles se encontram em um verdadeiro momento de paixão e não estão cientes de nós.

Dou um passo adiante e fecho a porta. “Concordamos que não vimos nada?”

Magnus corre seus dedos por seu queixo como se tivesse um cavanhaque. “Estou em conflito. Uma parte de mim quer pular lá e questionar o Hatlix sobre o que ele está fazendo com alguém que nem mesmo quer se juntar ao clã. A outra parte quer parabenizá-lo pela caça. Sua mãe tem umas belas…”

Eu o encaro.

“… montanhas saltitantes? Não que as suas não sejam pelo menos tão boas quanto. Você definitivamente é filha dela. Acho que as suas até cresceram desde… É, vou ficar calado. Não vimos nada.” Ele desvia os olhos.

Isso é quando Tina se vira de uma esquina do corredor. “Ah! Aí estão vocês. Isso é bom. Estava procurando por vocês. Há umas coisas que temos falar com todo mundo. Minha irmã está na sala de estar?”

Me ponho na frente da porta, barrando o caminho da Tina. “Sim, ela está. Com o Hatlix.”

“Eles estão indispostos.” Magnus adiciona, prestativamente.

Tina levanta suas sobrancelhas, surpresa com meu estranho comportamento. Ela estuda nossas expressões até as engrenagens dentro de sua cabeça põe significado às nossas palavras. “Oh!”

Assinto e confirmo suas suspeitas.

“Ohohoho!”

Magnus grunhe. “Pare com isso! É infantil.”

 


Ei, se estiverem gostando do projeto e desejarem ajudar um pouco, vocês podem fazer isso acessando o link abaixo, solucionando o Captcha e aguardando dez segundos para ir à nossa página de agradecimentos.

Podem acessar por aqui.


Tradução: Batata Yacon   | Revisor: Delongas


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