LOS – Capítulo 51

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Capítulo 51:

~Fada~

 


“É difícil fechar seus olhos quando “isso” está na sua frente.”

— Uma Memória dos Antigos

 


 

***Fada***

***Magnus***

 

Não me incomodo em lidar com os guardas. Eles nem mesmo notam que estou entre eles. Uma rápida olhada me assegura que eles ainda estão observando seus arredores, então caminho até a árvore e estudo a magia que foi imbuída nela.

Após um minuto sem encontrar nenhuma armadilha maliciosa, decido arriscar. Paro de mastigar a goma em minha boca e a retiro. Então a pressiono no tronco até que grude. Essa não vai explodir imediatamente. A magia nela é atrasada e só disparará quando a goma começar a secar, o que me deve dar cerca de um dia. Também há a opção de dispará-la manualmente.

Saúdo os guardas, mesmo eles não me vendo, e caminho em volta da árvore. Adeus vadias!

Enquanto caminho, ajusto a GoPro que estou carregando em meu peito. Se eu sobreviver a isso, quero ter uma gravação dessa aventura. Seria tão maravilhosamente bom mostrar um vídeo dos meus feitos na próxima assembleia. Com prova incontestável de minhas ações, eu me tornaria um herói da noite para o dia. Sem mencionar o efeito dissuasivo que isso terá em qualquer um que queira mexer comigo.

O mundo gira e minha volta como se eu estivesse cobrindo centenas de milhas com cada passo. Então chego ao outro lado e me encontro em uma floresta. Não há guardas deste lado. Tudo que aponta rumo a seres inteligentes habitando este lugar é uma trilha que leva à mata. Dou de ombros e sigo o caminho enquanto estendo meus sentidos.

Eu conheço a magia do orbe como se fosse minha, então não leva muito tempo para sentir seu poder. Parece estar bem longe, mas eu esperava isso. Fada deve ser largo, e Inverno criou sua própria passagem para escapar da minha berlinde de realidade. Não havia razão nenhuma para eu encontrar um ponto de acesso em qualquer lugar perto do domínio do Inverno. Foi por isso que trouxe a pedra de poder.

Levando a mão ao meu bolso, retiro a pedra de poder e começo a canalizar seu poder. Deixando a trilha, começo a correr diretamente rumo às emissões de energia do orbe. Foi por isso que nunca retirei o orbe da minha berlinde de realidade. Ele atrai atenção de mais. Tenho certeza que está a centenas de quilômetros de distância. Com uma velocidade média de cerca de setenta quilômetros por hora, eu salto pelo ar, evitando os espessos arbustos.

Várias vezes senti fae, mas os evito todas as vezes. A sociedade deles parece estar vastamente espalhada entre essa floresta sem fim. De tempos em tempos eu passo por uma cabana vazia. Os donos não estão presentes, o que é a única razão de eu sequer ter me aproximado dos edifícios. Eu ainda os evito, temendo que haja algum tipo de encantamentos de segurança para deter outros fae. Não tenho ideia de como eles protegem sua propriedade. Parecem haver cidades, então tenho que me perguntar o quão largo Fada é.

Após duas horas de corrida, tenho que me sentar e descansar. Também uso a pausa para recarregar a pedra de poder, o que não é nenhum problema. Fada está saturada com magia da natureza e não tenho remorso nenhum em danificar o ambiente ou desestabilizar toda a berlinde de realidade. Eu simplesmente arranco o poder dos meus arredores.

É improvável que eu consiga desestabilizar Fada como um todo. Apesar de que os fae notarão que algo está estranho. Planejo ter sumido há tempos ao ponto em que eles percebam que algo está errado.

Assim que estou descansado, prossigo. As únicas coisas que interrompem minha jornada são pequenos prados e açudes. Não há nenhuma montanha. É uma lisa floresta sem fim.

À tarde, a floresta muda. Até agora, eu havia viajado por uma genuína floresta antiga. Do tipo que cresceria se ninguém cuidasse.

Esse lugar definitivamente foi cuidado. Não há nenhum arbusto ou madeira morta. Desacelero e estendo meus sentidos para me certificar de que não me depararei com guardas. O que sinto me deixa tenso. Há dúzias de pessoas por perto, mas suas auras estão de certo modo silenciadas. É como se estivessem dormindo.

Decido investigar. Evitei contato com os fae, mas isso é algo fora do comum. Talvez possa ser usado contra eles. Quanto mais perto chego, mas desconfortável fico. Ainda não há nenhum sinal de civilização. Então o que essas pessoas estão fazendo aqui.

Confiando em minha invisibilidade, tomo cuidado para caminhar tão silenciosamente quanto possível e me aproximo de uma aura próxima. Fico bastante surpreso quando acaba sendo um enorme carvalho. Estudo a árvore de longe. Normalmente, plantas não têm uma aura tão forte, mas essa daqui irradia como um largo animal. O carvalho é velho e largo. Seu tronco tem pelo menos dois metros de diâmetro. Algo quase inexistente hoje em dia na Terra.

Caminho lentamente em volta da árvore até chegar do outro lado. O que encontro revira meu estômago. Há uma mulher anexada ao seu tronco. Ela de algum modo se fundiu com a árvore. Seus braços e pernas desaparecem dentro dela. O que é pior, é que ela parece estar viva e grávida.

Me aproximando, a estudo. Ela parece estar adormecida. Considerando minhas opções, tento apertar um dedo no espaço onde ela está ligada à planta. Mas não parece que seu corpo pode ser removido sem matá-la. É isso o que os fae fazem com aqueles que são sequestrados?

Alcanço meu bolso e recupero um pacote inteiro de gomas de mascar. Não há nenhuma necessidade real de mascá-las, então eu simplesmente enfio uma das gomas em sua boca. Me certificando de que a câmera está gravando, invisto uma hora em viajar nessa “fazenda”. O pensamento de que a Sely ou qualquer um do meu clã poderia estar aqui me enoja.

Vasculhando minha memória, tento me lembrar se há qualquer Bathomeus que foi sequestrado ou desapareceu. Não há nenhum, mas eu sou relativamente jovem. Hatlix pode conhecer alguém que encontrou seu fim em um lugar desses. Após duas horas, fico sem gomas de mascar, mas ainda há tantos mais.

Não há muita coisa importante para o meu povo. Se há algo que tratamos com cuidado, então seria crianças e mulheres grávidas. Quando meu povo assistir esse vídeo, isso vai causar uma guerra. Tenho certeza disso.

Inspeciono mais outra mulher com todos os meus sentidos. Ela parece ser uma adição recente a essa fazenda de horrores, então tento puxá-la para fora da árvore. Isso não funciona como eu esperava e ela acorda. Sua boca se abre para berrar, mas eu esmago sua garganta antes que ela possa fazer isso. Ela é um elemental, então não tenho as mesmas inibições que teria com uma Antiga grávida.

Usando toda a minha força, eu puxo. Ela se solta em uma bagunça de sangue e entranhas. A árvore não só se fundiu com sua pele. Ela substituiu partes de seu interior. Quem quer que tenha criado esse feitiço, não pensou em uma possibilidade de soltar a vítima da planta.

Uma onda de raiva me engole e arranco o feto de sua barriga para garantir que ele também morra. Os fae não são nada mais que parasitas. Os anciões deveriam tê-los varrido da existência todos aqueles anos atrás.

Eu perdi tempo o bastante aqui e esse vídeo prova que recuperar as vítimas muito provavelmente está fora de nossas capacidades. A maior parte dos outros sobrenaturais não têm nossas capacidades regenerativas, mesmo podendo aguentar bastante coisa. Eu não tenho certeza se uma Antiga pode ser restaurada após ter se fundido com a árvore, mesmo se a removermos tão cuidadosamente quanto possível.

Me virando, vou na direção do orbe. Realmente espero encontrar Inverno lá.

O que encontro, é um genuíno castelo. Um castelo em uma árvore. Uma árvore castelo? A área em volta da enorme estrutura está coberta em neve e gelo, como é condizente a um lorde fae que reivindica inverno como seu domínio.

Sacudo minha cabeça e atravesso o campo de gelo vazio que separa o castelo da floresta. Estudo a escadaria fortemente guardada que leva para cima do enorme tronco da árvore. A coisa toda tem pelo menos duzentos metros de altura e cem de largura.

Não há razão nenhuma para testar minha sorte com os guardas, então circulo em volta da estrutura e escalo o tronco. A casca é tão áspera que é quase como escalar um penhasco. Um penhasco com rochas muito afiadas, capaz de cortar qualquer um que tente escalá-la. Também há o fato de que a superfície é tão fria que qualquer pessoa normal simplesmente congelaria no tronco.

Um pouco de mágica do meu lado resolve ambos esses problemas. Tenho que depender da pedra de poder, mas faço bom progresso até chegar a um conjunto de árvores na metade superior da torre central do castelo. Elas levam a um largo corredor. Felizmente as janelas não são especialmente protegidas, então posso facilmente abrir uma delas e entrar no corredor vazio.

Os fae não parecem esperar quaisquer ataques dentro de seu domínio. Bem, Fada tem sido um porto seguro por milhares de anos. Eu também fiquei complacente dentro da minha própria berlinde de realidade. Essa é a única razão pela qual eles conseguiram roubar o orbe em primeiro lugar.

As emissões de energia do orbe parecem ter sua forte bem perto, e me angulo para a enorme porta de onde o sinto. Me aproximo e pressiono uma orelha à madeira.

“… terão que se curvar ao meu poder! Eu serei o único governante dos fae!” Uma voz profunda e gélida diz:

“Inverno, você realmente acha que é sábio ir atrás de mais poder? Em uma hora dessas, dividir nosso povo pode declarar nosso fim.” Outra voz.

“Acho que ele perdeu a cabeça. O artefato foi feito para Antigos e eles só o utilizaram em um grupo largo. Eu não acho que uma única pessoa possa manusear tanto poder assim.” Uma terceira voz, aguda.

A voz profunda de novo: “Não me questionem! Vocês ao menos sabem o quão poderoso eu posso ficar ao dominar este artefato? Eu governarei tudo! Agora saiam! Eu tenho que preparar o ritual! Não entrem nesta sala, não importa o barulho que escutarem. Não entrem!”

“Como quiser.”

“Te desejo sorte, Inverno.” A terceira voz.

A porta se abre e salto para trás, me pressionando contra a parede. Cinco guardas deixam a sala, pisando com força corredor adiante, seguido pelos três fae em roupas finas. Então uma criatura horrível aparece, rodopiando como se estivesse dançando. Se parecendo como uma coleção de cada desfiguração humanamente possível. Tudo abarrotado em um único ser.

Luto contra a vontade de saltar adiante e acabar com a existência dessa coisa. Mas isso revelaria minha presença e não posso deixar isso acontecer.

A criatura para na entrada e mantém a porta aberta. Ela pisca e vasculha o corredor com seus enormes olhos. Se virando, ela se dirige a alguém dentro da sala. “Você tem certeza que quer fazer isso?”

“Saia, Jardineiro!”

A criatura rola seus olhos e por um curto momento parece estar fazendo contato ocular comigo. Ela olha em volta, vasculhando o corredor. Então dá de ombros e assobia. Ela parte fazendo acrobacias pelo corredor.

Eu rapidamente entro na sala antes que a enorme porta se feche. A aberração pareceu ter sentido minha presença. Checo minha invisibilidade, mas está funcionando perfeitamente bem. É improvável que a aberração tenha intencionalmente mantido a porta aberta para mim.

Não há nenhum meio de saber com certeza sem segui-la, então me viro e inspeciono a enorme sala do trono. A aberração não é a razão de eu estar aqui.

 


Ei, se estiverem gostando do projeto e desejarem ajudar um pouco, vocês podem fazer isso acessando o link abaixo, solucionando o Captcha e aguardando dez segundos para ir à nossa página de agradecimentos.

Podem acessar por aqui.


Tradução: Batata Yacon   | Revisor: Delongas


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