LOS – Capítulo 49

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Capítulo 49:

~Rabiscos~

 


“Todas as crianças são iguais.”

— Uma Memória dos Antigos

 


 

***Caríntia***

***Magnus***

 

Entro no quarto em que Sely deixou Hatlix para dá-lo tempo para acordar. O que eu encontro é igualmente atordoante e ultraje. Hatlix está na mesa de operação, ainda restrito, e Annia está tentando limpá-lo. Alguém usou uma caneta permanente para rabiscar um coração vermelho na bochecha dele e uma flor em sua testa. As tentativas da Annia de desfazer o ato não tiveram um sucesso excepcional.

O arfar de Fiacre a alerta à nossa presença. Ela se vira e congela ao nos ver. Então encara Kath. “Kath! Eu falei pra você esperar!” Sua atenção se vira para nós. “Me desculpa! Eu só saí pra me refrescar e quando voltei a Kath tinha rabiscado a cara dele toda. Então eu tentei limpar e ele abriu os olhos.

Me viro para pegar a Kath e lhe dar uma punição bem merecida, mas a pestinha sumiu. Ela não está a vista em lugar nenhum no quarto aparentemente vazio. Quando dou uma olhada para fora, também não posso encontrá-la, então volto ao quarto. “Merda! Ela está aprendendo rápido. Talvez ela vire uma Antiga de verdade afinal.”

Hatlix tenta se libertar de suas amarras. “Mmmw! Hmmmw! Hyyyyy!”

Annia aponta para sua boca. “Por que ele precisa da mordaça de couro?”

“Porque ele estava tentando nos morder e porque isso impede ele de morder sua própria língua.” Sely caminha até o Hatlix e abre o nó que está mantendo a mordaça em posição. Ela é bem cuidadosa para não ser mordida, caso ele tente.

Hatlix cospe a mordaça. “hyyy?”

Oh, ótimo! Agora as advinhas começam! “Desculpa, vovô. Eu não entendo.”

Fiacre vai até sua cama e coloca sua mão, de modo reconfortante, sobre a testa dele. “Não se preocupe, Pai. Você esteve em um lugar ruim por um longo tempo. Isso já acabou agora. Nós te encontramos e não há razão nenhuma para voltar. Como que você sequer foi colocado naquele baú maldito?”

Ele sacode sua cabeça. “Es edo am. As u ão ui ego ondi o aú té ito assar. Upida tam chou e ancou! Gnus ca tou e eu!

Eu levanto uma sobrancelha. “Alguém pode traduzir?”

Fiacre assente: “Drogaram ele como todo mundo na festa, mas ele ainda podia se mexer e escapou para o calabouço. Lá, ele se escondeu dentro do baú para esperar até a droga passar. Quando a tampa se fechou, ela trancou automaticamente. Ele reconheceu a aura do Magnus, mas o Magnus nunca notou que era ele no baú.”

Faço uma careta, amaldiçoando minha própria incompetência. Se eu não tivesse sido tão tapado, meu avô não teria se sentado por mais de cem anos naquele baú estúpido.

“Tros?” Hatlix pergunta com esperança em sua voz.

Fiacre fecha a cara e oferece a versão resumida da queda de nossa família. O vovô escuta tudo com uma expressão triste em sua face. No final, Fiacre tenta animá-lo com algumas frestas de esperança no horizonte. “Mas estamos recuperando! Acho que você já conheceu a Annia e a Kath.” Ela aponta para Sely.” “Essa é a Sely. Ela se uniu com o Magnus e estamos esperando mais outra criança. E há outros que se juntaram ao clã. Apresento você a eles depois.”

Hatlix assente e olha para suas amarras. “Bin.”

Soltamos ele e Sely oferece uma garrafa com acetona para limpar o rosto de Hatlix. Oilell aparece com comida e água. Hatlix come com lágrimas em seus olhos. Sely disse que apagou a maior parte de suas memórias de estar dentro do baú, mas parece que ele ainda se lembra da fome.

Oilell dá um tapinha no ombro de Hatlix. “Você certamente quer se limpar depois de um suplício desses. Eu te dei o tratamento básico após te pegarem nos calabouços, mas não há nada melhor do que fazer isso por conta própria. Ela parte em um borrão de movimento.

Ele assente: “Gadu!” Então abraça Fiacre e Sely. Tendo expressado sua gratidão a elas, ele me abraça, o que é meio embaraçoso. Afinal de contas, eu fiz meu melhor para manter o baú com ele dentro trancado. “Obrigado, vovô. Desculpa não ter te reconhecido.”

Nos separamos e de repente Hatlix reconhece a Cecília. “Cecil! Seaviva! Ele corre e a esmaga em seu peito, rodopiando-a.

Ela aguenta o cumprimento íntimo com tranquilidade estoica. “Também estou feliz por você não ter chutado o balde, Osso Velho. Sendo honesta, fiquei um pouco desapontada quando ouvi da sua morte. Parece que nunca posso te subestimar. É como naquele show de TV. Nunca assuma que o personagem está morto, a menos que tenha visto o corpo.”

Suspiro em alívio quando noto que Hatlix não parece estar permanentemente danificado por seu aprisionamento. Poderia ter sido bem pior sem a Sely. Me viro para ela e sorrio. Então a abraço. “Obrigado por restaurá-lo. Ele é quase como seu eu anterior. E se for verdade que ele pode até aprender linguagens corretas se tiver tempo o bastante, então tenho que te agradecer ainda mais.”

Ela me abraça de volta. “Obrigada, mas esse era o mínimo que eu podia fazer.”

Cecília dá braços com Hatlix. “Eu sei o que nós vamos fazer.! Nós vamos sair e nos divertir um pouco! O mundo mudou bastante nos últimos anos. Você tem que ver.”

Os olhos da Annia se arregalam e ela corre para o lado deles e tenta impedir a Cecília. “Vocês não podem! Se lembra do desastre quando nós duas saímos pela primeira vez!? Nós precisamos prepará-lo.”

Sely faz um gesto de indiferença: “Não se preocupe. Eu estarei lá para ajudar!” Ela guia o vovô para fora do quarto.

Franzo meus lábios e aponto para suas costas. “Eles não estão familiarizados um pouco demais um com o outro?” Eu também quero algum tempo pra recuperar o atraso com o Hatlix. Foi ele quem me ensinou encantamentos. Admito que ele foi um professor horrível Eu tinha que copiar cada movimento dele descobrir os detalhes sozinho, mas foi isso que me fez ser realmente bom no final.

Tina dá de ombros. “Alguns anos atrás, eles eram um casal. Deve ter sido 1000 A.C O relacionamento deles durou algumas centenas de anos antes de se separarem.”

Fiacre também parece chocada. “Não parece que eles se separaram com inimizade. E a mamãe e o papai? Ela ficou entre eles?

Tina rola seus olhos: “Naquela época nós não tínhamos toda essa coisa” ela gesticula com seus dedos “, de um parceiro só. A gente só fodia quem era atraente e quando uma mulher engravidava, o pai tinha que prover. Quando o Hatlix acertou com sua mãe, a Cecília decidiu não se entrometer e parou de vê-lo.”

Viro minha atenção para a Tina. “Sério!? Por que paramos? Parceiros livres parece muito mais conveniente!”

“Cuidado!” Sely me dá uma cotovelada nas costelas. Ela não se segura e juro que ela mirou na costela quebrada de propósito. Eu me curvo e ofego. “Eu não quis dizer desse jeito! Você sempre será a única pra mim.”

Sely bufa: “Eu não divido! Não me diga que você me deixaria ver outro cara.”

“Não!” Torço minhas mãos em volta de um pescoço imaginário. “Eu esmagaria a garganta dele até seus olhos se esbugalharem!”

Tina suspira. “Casamento é algo que os anciões decidiram copiar dos humanos. A coisa toda de liberdade foi bem divertida enquanto durou, mas alguns Antigos são muito possessivos com seus parceiros. Nove de dez duelos mortais eram realizados para se livrar de competição romântica. Tanto os machos quanto as fêmeas. Admito que tivemos muito menos mortes desde que os anciões usaram toda sua influência para mudar o sistema.”

Oh, assumo que o estresse evolutivo na nossa espécie era muito maior naqueles dias. “Entendo.”

“Vamos voltar às coisas importantes. Você realmente pretende roubar o orbe de volta? Vou admitir que prefiro alertar os anciões. Nossa chance mais próxima, seria durante nossa próxima assembleia. Os anciões já agendaram uma em quatro dias por causa de Yellowstone. Já vai ser difícil explicar porque esperamos quatro dias. Se a assembleia passar e ainda não houvermos os informado, então estaremos fundos na merda.” Tina expressa sua opinião.

Ranjo meus dentes e me foco no teto. Ser relembrado daquele orbe estúpido é algo que eu não gosto nenhum pouco. Há tanta coisa acontecendo que o orbe me parece insignificante. Eles não viram minha versão melhorada no porão? “Acho que eu simplesmente terei que ir e recuperar. Não é como se eu tivesse escolha se quero manter meu território.”

Sely assente. “Bom. Quando nós vamos?”

Me viro para ela e olho sua barriga. “Não acho que quero você em nenhum lugar perto dos fae.”

Sely cruza os braços na frente de seu peito. “Eu não deixarei você jogar sua vida fora! Ou nós vamos juntos, ou você não vai. Dois têm uma chance melhor que uma pessoa sozinha.”

Na verdade, eu não acho que isso seja verdade quando a missão toda é sobre ir furtivamente e escapar sem ser detectado. Se formos pegos dentro de Fada não vai importar se há um ou cem de nós.

Infelizmente, parece que a Sely não é exatamente racional quanto a esse assunto. É um daqueles argumentos entre homem e mulher onde o cara está certo, ainda assim não está. Olho para Tina e procuro fazer contato ocular com ela. Após alguns segundos, dou um olhar significativo para a mesa de operações, focando minha atenção nas amarras.

Tina entende o que estou querendo fazer e assente.

Sei que haverá um inferno me esperando quando eu voltar. Morar permanentemente em Fada pode ser uma boa ideia.

 


Ei, se estiverem gostando do projeto e desejarem ajudar um pouco, vocês podem fazer isso acessando o link abaixo, solucionando o Captcha e aguardando dez segundos para ir à nossa página de agradecimentos.

Podem acessar por aqui.


Tradução: Batata Yacon   | Revisor: Delongas


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6 ideias sobre “LOS – Capítulo 49

  1. victornorte

    mano, a kath realmente merece ser punida. ela realmente rabiscou uma criatura que passou mais de 100 anos preso em um baú e recém saiu de uma cirurgia no cérebro!
    a fiacre é uma baita de uma inútil! não consegue nem vigiar uma criança!
    eu realmente não vou com a cara dessa guria, nem com a cara de ngm quando defendem ela. espero que o Magnus pegue ela depois.
    mas esse final de ele pensar em morar em fada…..kkkkkkkkkkkkkk

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      1. Batata Yacon Autor do post

        É criança fazendo coisas de criança. E talvez alguma vingança pq ele se parece com o Magnus?

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