LOS – Capítulo 48

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Capítulo 48:

~Confiança~

 


“Confiança é uma coisa complicada.”

— Uma Memória dos Antigos

 


 

***Caríntia***

***Sely***

 

“Não posso acreditar que estou deixando você fazer isso! É o vovô Hatliz!” Magnus caminha do lado esquerdo para o direito da minha mesa de operações e se vira para repetir o exercício. Ele está tão nervoso que não consegue ficar parado. É como se eu estivesse prestes a dar a luz.

Balanço a serra de ossos na cabeça do Hatlix. “Se você não quiser, podemos esperar a natureza consertar ele do jeito natural. Não tenho problema nenhum com isso. É que simplesmente posso ajudá-lo a se recuperar muito mais rápido e talvez até resolver seus problemas de linguagem. Você mencionou que ele tinha um problema em aprender linguagens novas.”

Após termos escapado até a entrada do calabouço, selamos o Hatlix dentro do labirinto. Depois disso, elaboramos um plano para pegá-lo. Era claro que o Hatlix ficou completamente insano durante seu tempo dentro do baú. Não foi fácil, especialmente porque não queríamos nenhuma baixa, mas desmoronar um teto resolveu o problema. Esmagou as pernas dele, mas isso não é nada para um Antigo. Quando finalmente colocamos ele dentro de uma rede, ele só berrou e tentou nos morder.

Meus olhos vagaram da Fiacre para cecília, e então para Tina. Nenhuma delas parecia confortável com minha sugestão de acelerar a recuperação do Hatlix. “Já checou por qualquer outro Bathomeus que possa estar trancado em um baú?”

Magnus empalidece.

Fiacre assente freneticamente. “É claro. Eles não trancaram mais ninguém em um baú. Pelo menos ninguém que não merecesse.”

Eu não quero saber o que ela quer dizer com isso.

Magnus gesticula para seu avô. “Mas por que é que ele estava dentro daquele baú!? Não consigo acreditar que os traidores o colocaram ali. Eles sempre falaram como se você e eu fôssemos os últimos sobreviventes.” Ele encara Fiacre e posso ver a antiga animosidade retornando.

Fiacre levanta suas duas mãos para rechaçar a acusação não dita. “Você realmente acha que eu sabia? Ele é meu pai! Se eu soubesse, já teria tirado ele há muito tempo!”

Uso a serra de ossos para apontar para a cabeça de Hatlix. “A resposta está ali. Nós só precisamos ajudá-lo a se recuperar. A escolha é sua.” Gesticulo para a tela com o raio-x do cérebro de Hatlix. “E não acho que a ponta de flecha no lóbulo frontal dele é algo saudável. Com certeza é responsável pela inabilidade dele de falar direito.

Tina se encolhe. “Isso é algo que não consigo entender. Nossos corpos não expelem qualquer objeto quando curamos? Já vi isso muitas vezes. Por que essa ponta de flecha ainda está aí? Parece ter sido feita na idade da pedra.”

“Isso é o que acontece normalmente, mas essa seta está alojada dentro do osso de seu crânio. Já vi casos assim antes. Nossos corpos empurram objetos estranhos envolvendo eles em uma camada de tecido e fluidos. Então eles são forçados para fora do canal do ferimento enquanto o mesmo ferimento é curado de dentro pra fora. Quando o objeto em questão está interposto, digamos um pedaço de osso, então pode acontecer do ferimento se fechar em volta dele” termino a explicação.

Tina assente apreciativamente. “É raro alguém da nossa espécie se importar com problemas médicos.”

Fiacre suspira: “Apenas faça isso. No momento ele é apenas um perigo para todo mundo em volta. Seria ótimo ter o papai de volta. E ainda melhor se ele puder falar normalmente.”

Finalmente! Ligo a serra e começo a cortar. Hatlix já está drogado e em um estado a meio caminho entre desperto e adormecido. Nós temos que fazer isso já que ele estava agindo como um cão raivoso quando consciente.

Magnus deixa a sala quando começo a consertar o Hatlix. Antes de começar a operação real, tenho que mapear seu cérebro. Mostro a ele várias imagens e julgo as reações de seu cérebro. Quando algo não funciona como deveria, tento consertar. Leva um longo tempo para mapear suas funções cerebrais, mas o resultado é aceitável.

Me pergunto se os outros apreciam minhas habilidades.

Primeiramente, removo a ponta de flecha. Então tento identificar as sessões responsáveis por suas memórias. O trabalho é tedioso e consome tempo, mas no final me sinto razoavelmente certa de que o Hatlix não será capaz de se lembrar da maior parte de seu tempo dentro do baú.

Duas horas depois, fecho ele e solto os parafusos que prendem sua cabeça. Os outros deixam a sala quando se torna claro que não podem me ajudar só assistindo o trabalho. Deixo suas amarras como estão, e rolo sua cabeça em um quarto vizinho. Annia e Kath me interceptam no caminho até lá.

Minha irmãzinha estuda o Hatlix com interesse. Agora que sua barba está raspada, ele se parece com uma versão levemente mais velha do Magnus. Se eu fosse um humano, provavelmente pensaria que é irmão dele. “Nós vamos ficar bem?” pergunta Annia.

Dou um sorriso: “Talvez. Mas você não deve tirar as amarras dele. Não sei se ele vai ser violento quando acordar.”

Kath se estica para cutucar sua bochecha com um dedo. “Então nós vamos esperar aqui e explicar tudo quando ele acordar. Você acha que ele sabe muitas histórias?”

Eu franzo minha testa: “Acho que sim. Por que isso é importante?”

“Porque a Annia disse que ele é um vovô bem velho, e vovôs sempre sabem muitas histórias!” Kath explica e assente, como se tudo de importante houvesse sido dito. Percebo que ela está procurando por mais outra pessoa que leia histórias de ninar para ela. Algo que ela aprendeu de seus pais humanos. Ela já alistou Fiacre, Tina e eu para a tarefa, e parece que a Leila está se tornando sua quarta vítima.

Hatlix seria sua primeira conquista masculina.

“Apenas se certifique de nos informar quando ele acordar.” Me viro e deixo o quarto.

Dois minutos depois, me junto aos outros na sala de estar. “Vai levar um tempo para o anestésico passar, mas espero que o Hatlix vá estar melhor quando acordar. Devo lembrá-los que ele não será capaz de falar imediatamente. Ele pode nos entender, mas terá que reaprender a pronunciação correta.”

Tina assente e olha para todos nós com uma expressão grave em sua face. “Nós podemos então usar o tempo para falar sobre nossos próximos passos. Os anciões não ficarão felizes quando contarmos a eles que os fae têm o orbe. E há também a questão de que o orbe não foi pego por qualquer fae comum. Eu reconheceria aquele cabelo branco em qualquer lugar. Foi o Inverno em pessoa.”

Magnus franze sua testa: “O rei do Foroinvernal em pessoa? Suponho que isso explique porque ele foi capaz de escapar de mim. Que amolação. Vou ter que pegar minha propriedade de volta antes que os anciões possam reclamar de sua perda. Apesar de ser uma relíquia Bathomeus. Não deve haver razão nenhuma para nos responsabilizar por qualquer coisa que os fae decidam fazer com o artefato.

Fiacre cobre seu rosto com ambas as mãos. “Nós estamos tão fodidos! A terra está frente a uma era do gelo, os fae tentam usar os humanos para declarar guerra contra os sobrenaturais, e agora eles até têm o orbe. E não temos meio nenhum de invadir Fada.”

Magnus levanta um dedo: “Isso não é totalmente correto.”

Eu o olho como se ele estivesse biruta. “Você tem um meio de entrar em Fada? Tá doido? Os anciões instruíram todos a procurar por meios de atacar Fada! E se escapar que não só perdemos o orbe, mas também escondemos informação, então estamos fodidos!”

Uso ambas as mãos para fazer um gesto obsceno. “E não quero dizer apenas fodidos, regiamente fodidos! Fodidos como os Hammon!

Magnus sacode sua cabeça. “Eu não acho isso. Eles disseram que querem um meio de lançar um ataque em larga escala em Fada. Eu não posso fazer isso. Mas o que posso fazer, é colocar e tirar um número limitado de pessoas em Fada. Você se lembra do Hórus? A proteção de Fada depende de um mecanismo similar ao nosso Véu. Os fae encontraram um meio de copiar nossos Véus e estão usando isso para protegerem suas árvores. Tudo o que temos que fazer é usar o amuleto da Sely. Eu posso fazer algumas cópias. A única coisa que precisamos é uma árvore de fadas conectada à Fada.”

Eu gemo. “E então o quê!? Invadimos Fada com um punhado de pessoas?”

“Eu tinha uma operação de comando em mente. Uma ou duas pessoas entram e tentam recuperar o orbe. É claro, tudo furtivamente. Nós podemos até reunir informações e trazer de volta aos anciões. Seria a primeira vez que um Antigo vê o que está acontecendo em Fada. Digo, temos nossas teorias, mas nada concreto.”

Kath entra na sala. “Hatlix acordou!”

Levo a mão à minha testa e a toco com a ponta de meus dedos. “Acho que posso ter minha primeira enxaqueca.”

Fiacre pula de pé: “Já!? Essa foi rápida! Você é um gênio, Sely. Nem o Tetrach se recuperou tão rápido!”

Cecília toca seu queixo com dois dedos. “Parando para pensar… Cadê o Tetrach?”

Magnus abre sua boca, então fecha de novo, pensando profundamente. “É possível que tenhamos esquecido ele em Atlantis.”

“Isso foi há mais de uma semana.” Eu resmungo. Tá! A enxaqueca está vindo.



 


Ei, se estiverem gostando do projeto e desejarem ajudar um pouco, vocês podem fazer isso acessando o link abaixo, solucionando o Captcha e aguardando dez segundos para ir à nossa página de agradecimentos.

Podem acessar por aqui.


Tradução: Batata Yacon   | Revisor: Delongas


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