LOS – Capítulo 47

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Capítulo 47:

~Ladrões~

 


“O ladrão esperto não pega a primeira coisa que pega sua atenção.”

— Uma Memória dos Antigos


***Caríntia***

***Magnus***

 

Aumentei minha velocidade para alcançar a Sely. “Essa ideia é hilária!” Começo a rir, mas ninguém se junta. Após alguns momentos, paro e checo suas faces. “Ora, vamos lá. Vocês não acham isso hilário?”

Todos mostram determinação sinistra.

Tina sacode sua cabeça. “Não acho que seria hilário se os fae puserem as mãos no orbe! É uma fonte de poder com potencial incrível. Nosso povo o utilizou para colocar o norte europeu sob uma camada de gelo com mais de um quilômetro de espessura. Quem sabe para que mais ele pode ser usado.”

Eu bufo. “Oh, vamos lá! Ele tem estado coletando poeira no meu porão por vários milhares de anos. A coisa está defasada. Os fae aprontam essa incursão toda, só pra roubar o orbe!? Eles vão atrás de fogo grego ao invés do napalm moderno? É como invadir uma instalação de alta segurança, só pra roubar o gerador quando não puderam levar a bomba nuclear.”

Elas me encaram por vários e longos momentos. Então, a Cecília se aproxima. “Está querendo me dizer que você tem coisas aqui embaixo que são mais perigosas que o orbe!? Por que infernos você têm coisas assim!?”

Eu sacudo minha cabeça: “É claro que não! As coisas perigosas estão dentro do cofre de alta segurança na minha oficina. E quanto ao porquê, eu tive que defender meu território sozinho. O que eu teria feito se outro clã invadisse meu território? Eu preciso de algumas armas com força o bastante para repelir ataques assim.”

Tina pragueja e se vira para Sely. “Você acredita nele? Ele está nos provocando!”

Sely franze os lábios. “Temo que ele não esteja brincando. De acordo com ele, a goma de mascar encantada na oficina dele pode explodir a mansão. Me pergunto o que mais ele tem largado por lá.”

Rolo meus olhos e continuo corredor abaixo. “Vamos lá. Vai ser inconveniente se aqueles merdas realmente roubarem o orbe. Ele ainda está alimentando meu Véu e a berlinde de realidade.”

Nós chegamos na entrada do calabouço, onde passo por uma poça no chão. “Esses caras realmente estão determinados. Eles arrombaram a porta para o calabouço.

Sely bufa: “Pensei que essa parte da berlinde de realidade estivesse protegida.”

Aponto para a poça no chão. “Ninguém falou que eles não tiveram que pagar um preço.”

Tom levanta seu pé e torce os cantos de sua boca, mostrando seu desagrado. Ele pisou na poça. Ao se ver de perto, a substância em sua bota era vermelha. “Mas que porra aconteceu com ele!?”

Dou de ombros e continuo caminhando. “A porta tinha várias armadilhas mágicas que podem ter sido responsáveis por esse resultado. Considerando a poça, acho que ele disparou ou a magia gravitacional, ou o feitiço de desintegração.”

Guio eles pelo labirinto tão rápido quanto possível. Somos desacelerados pelo fato de que os fae dispararam quase todas as minas e armadilhas. Cada vez, eles pagaram o preço com vidas para aprenderem suas lições. A maior parte das armadilhas são limitadas a uma única ativação, mas algumas eu preciso desativar. Do contrário, eu arriscaria disparar elas por acidente.

Dizendo a eles que precisam sapatear pelo corredor em um certo ritmo não significa que eles podem realizar o feito corretamente na primeira tentativa.

“Acho que isso nos reduz a onze ladrões.” Passo por cima do cadáver de mais outro fae que foi perfeitamente cortado em dois. “Isso me lembra daquela canção humana. Dez indiozinhos! Pronto! Ninguém pode dizer que os humanos não são bons com humor negro.”

“Acho que eles chamariam essa canção de racista hoje em dia”, adiciona Leila.

“Ora, por favor. Antigamente, ninguém sequer sabia o que era racismo. Eles podem ser tão irracionais. Sabia que até mudaram o hino nacional deste país por não ter sensibilidade de gênero? Agora nem rima mais! Que grande conquista cultural! Simplesmente mude os textos históricos se não gosta deles;” esbravejo e espio por uma curva de outro túnel. Não há nenhuma garantia de que os fae não deixaram alguns presentes para trás.

Eu faria exatamente isso se estivesse no lugar deles.

Tom grunhe. “O curto tempo de vida deles permite que mintam para as gerações futuras. Tudo que precisam fazer é mudar a história gravada. Me pergunto se deveríamos permitir acesso aos nossos textos históricos. Eles já sabem de nós, então quão ruim pode ser?

Tina quase tropeça. “Você perdeu a cabeça? Eles iriam pirar. Não sou especialista em psicologia humana, mas autonegação parece ser uma parte importante da mentalidade deles. Não tem como dizer o que aconteceria se disséssemos a verdade para eles.

Os murmúrios de aprovação dos outros rapidamente impedem o Tom de desenvolver sua ideia ainda mais.

Isso não importa, já que chegamos ao nosso objetivo. Estamos na parte mais profunda do calabouço. O longo corredor com baús se estende em nossa frente. Algo parece estranho nele. Eu não sei a exata razão para o meu palpite, mas é certamente bom se ficar em alto alerta.

“Por que levou tanto tempo para chegar aqui? Da última vez que você nos trouxe aqui, fomos bem mais rápidos e você não teve que desarmar armadilhas” pergunta a Sely atrás de mim.

Avanço lentamente pelo túnel. “Nós usamos a porta para entrar no calabouço diretamente. Ele também desarmou automaticamente quaisquer armadilhas em nosso caminho. Dessa vez, nós fomos pela entrada normal.”

Um longo, uivo lamentoso me espanta e paro meu avanço para mirar a metralhadora no túnel. Quando não há mais nenhum ruído, continuo adiante até chegar a um certo baú. Está aberto. “O undécimo baú no lado esquerdo! Eles soltaram o chacoalhante! Tolos!” Outro uivo me faz estremecer e faço a mira no fim do túnel.

Os olhos da Leila se arregalam. “O que é um chacoalhante? É perigoso!?

“Como vou saber? Tudo que sei é que esse baú em especial sempre me assustou! Senti que alguém poderoso estava lá, então nunca me atrevi a olhar dentro. A maioria das coisas aqui embaixo estão trancadas por uma razão. Meu povo não é do tipo melindroso, então se trancaram alguma coisa, então não vou questionar a decisão.”

Outro berro aterrorizado soa no corredor. Praguejo e começo a correr. No meu caminho, pulo sobre o cadáver de mais outro fae. Noto seus ferimentos e rapidamente chego à conclusão que ele foi simplesmente rasgado ao meio. Muito parecido a como uma criança arrancaria as pernas de um inseto.

Alcanço uma larga câmara que contém o orbe. Ele ainda está enfiado na parede no final da câmara e um fae avantajado está tentando removê-lo. Não é uma tarefa fácil, já que o orbe está conectado com a grade de energia da mansão. Energia e luz pulsam das quatro linhas de energia que estão anexadas ao orbe.

Quatro fae estão tentando manter algo à distância. Eles o encurralaram em um corredor sombrio ao lado esquerdo da sala. Outros cinco miram suas armas em mim. Abandono minha metralhadora, temendo poder acertar o orbe. Uivo e avanço na sala, invocando todo o poder à minha disposição.

O fae no orbe dobra seus esforços. Ele tem cabelos brancos e sua pele é quase branca. Seus guardas formam uma parede para me bloquear.

Giro meu pulso para sacar outra carta da minha manga. Concentrando meu poder, canalizo tudo que tenho na carta e a bato contra meu peito. O mundo ao meu redor imediatamente desacelera, mas sei que isso é apenas um efeito subjetivo. O feitiço simplesmente me deu um aumento de velocidade.

Tecendo meu caminho de um lado para outro, esquivando feitiços enquanto simplesmente tomava os tiros não letais. O espaço entre mim e meus inimigos estava tão carregado de feitiços que não vi nenhum outro meio de passar. Uma bala rasga dolorosamente minha coxa, mas prossigo. Eu aguento um pouco de chumbo.

Os fae têm a entrada para a câmara bem coberta, então os outros teriam que pagar um alto preço para entrar.

O fae com a sub-metralhadora ainda estava atirando quando o alcanço e agarro sua mão. Dando um puxão, redireciono sua mira nos outros quatro. As balas atravessam diretamente a primeira vítima e rasgam os outros três atrás. Uma voz em minha cabeça uiva “Quadra Kill!” enquanto os fae caem. Chuto o joelho do meu oponente e o derrubo enquanto torço a arma para fora de suas mãos.

Girando a arma, esvazio o resto do pente na cabeça do fae. A voz dentro da minha cabeça exclama “Penta Kill!”. Eu realmente preciso parar de jogar aqueles jogos. Me virando, tento ir atrás do chefe, mas ele conseguiu liberar o orbe. Rindo triunfantemente, ele joga uma pequena semente no chão e invoca feitiço em minha direção. Uma bola de pura energia é o resultado.

Se eu não estivesse bombado, não teria reagido a tempo. Alcanço meus bolsos e jogo todos os meus dados de inibição no caminho do feitiço. Sem uma ideia melhor em mãos, ponho minhas mãos na frente do meu rosto e peito. É como se eu tivesse sido atingido por uma bola de puro relâmpago. O poder da explosão me lança para trás em uma parede e aterrisso com força.

‘Cale-se!’ Cale-se! Voz estúpida!

Os outros lentamente invadem a sala e vão ao orbe. Eles facilmente dominam os fae que guardam o outro corredor e estão de costas para nós. Percebo que meu pessoal não é nenhum pouco lento. Meu feitiço ainda está ativo.

Algo no meu peito estala e escorrego ao chão enquanto o tempo volta à sua velocidade normal. “Ai, por que são sempre as costelas!?” reclamo e tento me levantar, mas antes que possa fazer qualquer coisa, o fae com o orbe passa por cima do pequeno broto que cresceu da semente. Ele se dissolve dentro de uma fenda verde que se abriu para ele. O broto em si seca imediatamente e morre logo depois.

Então Sely está ao meu lado. “O que aconteceu? Parece que um gigante pisou em você.”

“Eles levaram o orbe!” Tina exclama.

Tusso sangue e me ponho de pé novamente. “Cuidado! Corredor!” Aponto para o corredor negro que os fae cobriram até meu pessoa ir até eles. “Alguma coisa. Lá.”

Tom se curva e pega minha metralhadora. Então mira no corredor indicado. “Há algum outro caminho para fora daquele corredor?”

Eu sacudo minha cabeça: “Sem saída. Só uma sala de máquinas.” Isso é quando canos de energia na parede param de pulsar e escurecem. Sem fonte de luz, a sala inteira de repente fica preta como piche.

A voz da Sely soa bem nos meus ouvidos. “Não me diga que a berlinde vai desmoronar.”

Eu não tenho que responder, já que o backup começa. A energia retorna aos canos e a sala é acesa com uma suave luz azul. Um enorme orbe começa a brilhar acima de nós, virando a atenção de todos ao teto. Ele tem dois metros de diâmetro e suas runas se parecem muito similares àquelas no original.

“Sem problemas. Eu instalei um backup faz tempo”, explico.

Sely me ajuda a ficar de pé, mas não há tempo para mais discussões. Uma figura sai do corredor negro e prendo a respiração. O homem é pálido e magro como um graveto. Sua barba e cabelos são longos o bastante para tocar o chão e desaparecer nas trevas atrás de si. Ele está segurando uma perna e a mastigando como se fosse a coisa mais gostosa que teve em séculos. Sua expressão enlouquecida não é reconfortante.

Tom mira a arma na figura horripilante, mas Cecília empurra o cano para baixo para que mire no chão.

“Magnus? Você está pálido demais. Quem é aquele?” pergunta Sely.

Eu reconheço as tatuagens em seu peito. “Hatlix!” É o vovô! Apesar de se parecer mais com um carniçal.¹ Então percebo que ele deve ter sido aquele dentro do baú. Sem pensar duas vezes pego a Sely como uma princesa e começo a correr. “Fujam!”

Nós fugimos, seguidos pelo resto do nosso grupo e os berros de um louco bem atrás de nós.




Ei, se estiverem gostando do projeto e desejarem ajudar um pouco, vocês podem fazer isso acessando o link abaixo, solucionando o Captcha e aguardando dez segundos para ir à nossa página de agradecimentos.

Podem acessar por aqui.


Tradução: Batata Yacon   | Revisor: Delongas


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4 ideias sobre “LOS – Capítulo 47

  1. Alex

    Ue buguei agr n tinham matado todo mundo durante o massacre na família? Ou talvez não mataram ele só manterão ele no bau por algum motivo agora como é que o Magnus conseguiu confundir ele com algum bicho que tá guardada há milhares de anos lá eu não sei

    Curtido por 1 pessoa

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    1. Leonardo Suzano

      bem faz ate sentido ja que ele so retornou a si depois q toda a merda foi feita então não teria como ele saber quais baus estavam ai antes ou não e como o velho e muito poderoso ele ficou com medo de verificar oq tinha dentro de alguns dos baus

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  2. Ravi Óli

    Ele tinha falado que as coisas guardadas no calabouço estavam lá por uma razão, e ele também é bem jovem. A diferença nos estalactites e estalagmites entre algo colocado um pouco antes de ele nascer e algumas décadas depois quando deu a trata não seria sequer perceptível.

    Se tiverem colocado o avô dele dentEle tinha falado que as coisas guardadas no calabouço estavam lá por uma razão, e ele também é bem jovem. A diferença nos estalactites e estalagmites entre algo colocado um pouco antes de ele nascer e algumas décadas depois quando deu a trata não seria sequer perceptível.

    Se tiverem colocado o avô dele dentro de um baú durante a treta, além de ele não saber, provavelmente nem se daria ao trabalho de investigar mesmo que o baú parecesse “novo”.ro de um baú durante a treta, além de ele não saber, provavelmente nem se daria ao trabalho de investigar mesmo que o baú parecesse “novo”.

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  3. Thiago Morgado

    Sabia que o Hatlix!
    Provavelmente eles trancafiaram ele durante a invasão com medo de que a berlinde de realidade estivesse conectada a ele

    Curtido por 1 pessoa

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