LOS – Capítulo 46

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Capítulo 46:

~Surpresa~

 


“A maior arma de seu oponente pode ser voltada contra ele.”

— Uma Memória dos Antigos

 


 

***Caríntia***

***Sely***

 

Magnus e eu entramos na sala de jantar e encontramos os olhos de todos fixos na tela da TV. A voz do comentador ribomba pela sala, anunciando a erupção do vulcão de Yellowstone. Ele descreve os métodos de avaliação que os humanos estão usando. Alguns mostram cenas parecendo ser diretamente de um daqueles filmes do fim do mundo.

“Qual é a gravidade?” pergunta Magnus atrás de mim.

Fiacre sacode sua cabeça: “Eles não sabem, mas vários cientistas já estão profetizando que é ruim. Nós temos que esperar pelo menos uma mudança climática ou uma pequena era do gelo. Os anciões não anunciaram sua própria posição a respeito da situação.”

Tina suspira. “Acho que temos que antecipar outra assembleia em breve.”

Magnus aponta para a outra líder de clã. “Você! Por que você está aqui de novo? Pensei que tivesse voltado pro seu clã. Você pode deixar eles sem liderança por tanto tempo assim?”

Ela sorri e não parece perturbada com as perguntas rudes do Magnus. “Fiacre me ajudou a conectar sua berlinde à minha. É literalmente apenas uma caminhada de cinco minutos se eu quiser vir aqui. Pretendo fazer uso total disso e gastar tanto tempo quanto possível com minha irmã e minhas sobrinhas.”

Pego a mão do Magnus e o guio até a ponta da mesa. Lá, o insto a se sentar. “Acho que Tina provou ser uma aliada. Tenho certeza que agora ela poderia ter nos causado danos muitas vezes se quisesse.”

Magnus não parece satisfeito, mas se senta. Ofereço a ele um pouco da maravilhosa comida. Oilell é realmente uma cozinheira excepcional. “Nos certificamos de que nossos novos membros de clã tivessem áreas adequadas em volta da mansão para seu próprio uso. Os solteiros estão morando na antiga casa da Fiacre por enquanto. Os outros estão ficando nos andares de cima da mansão. Quando tiverem os materiais, vão construir suas próprias casas dentro da berlinde de realidade.

Fiacre dá um gole em seu vinho. “Isso é algo que eu gostaria de discutir. Eles realmente têm que morar na minha casa? Eu sei que me mudei, mas o lugar tem valor sentimental para mim.

Eu assinto. “A mansão é grande, mas não grande o bastante para ter pessoas que não conhecemos morando tão perto de nós. Sim, eles nos fizeram um juramento de sangue, mas isso ainda não significa que devemos confiá-los com nossos segredos cegamente. Só estou tentando estabelecer um relacionamento profissional enquanto mantemos nossas cartas proximamente.”

Tomo meu próprio lugar na mesa de jantar. Após perceber que o Magnus não pretende fazer nada quanto as nossas novas aquisições, tomei controle da situação e tentei organizar como Leila e os outros podem servir ao clã. “Magnus, fiz uma ficha de personagem de todos. Se tiver tempo, gostaria de falar com você sobre as habilidades deles. Já que não tenho absolutamente ideia nenhuma de suas finanças, não posso alocar nenhuma tarefa significativa para eles. ¹

Magnus mastiga um pedaço maravilhoso bife da Oilell e o engole. “Tem certeza que devemos dar a eles qualquer tarefa relacionada às nossas finanças ou segurança?”

Eu limpo minha garganta. “Não quis dizer que temos que ir tão longe. Mas acho que a Leila e os outros precisam de algo para fazer. Não podemos ter eles deitados ao sol e esperando até alguma coisa acontecer. É melhor que pessoas tenham responsabilidades. Do contrário vão ter muito tempo livre em mãos para pensar. E então, terão ideias estúpidas.”

O canto de sua boca se puxa para cima. “Eu entendo. Nós arrumaremos tempo para encontrar algumas tarefas que estejam frouxamente relacionadas a manter o território. Isso não os dará poder imediato, mas deve ocupá-los.”

Oilell assente: Ela parece estar muito satisfeita com o desenvolvimento. “Isso é muito bom. Vocês não têm ideia do quão complicado é manter controle de todos os afazeres mundanos do Magnus.

É aí que uma explosão sacode a mansão.

Magnus está de pé e fora de seu assento antes que eu possa reagir. Apesar de ter que admitir que minha velocidade foi reduzida drasticamente desde que a gravidez começou a me afetar. Eu suspiro e abandono a comida para descobrir o que está acontecendo.

Seguimos o Magnus para o saguão de entrada. Assim que o Magnus espia uma curva do corredor, é cumprimentado por uma chuva de tiros e feitiços.

Não vejo o que está acontecendo, mas é ruim o bastante para o Magnus puxar um punhado de dados de seu bolso. Ele os joga no saguão de entrada, o que é seguido por um conjunto de explosões.

“O que está acontecendo!?” Annia berra ao meu lado. Ela está segurando a Kath, que parece mais que assustada.

“Fae!” Magnus responde com determinação sinistra. Ele puxa uma carta de seu bolso e a esmaga em sua mão. Há um lampejo e de repente, ele está segurando uma metralhadora. Ele passa por uma curva e tapo meus ouvidos. Dessa vez ele responde aos tiros com uma tempestade de balas. Escuto berros, mas eles rapidamente desaparecem enquanto as balas de seus oponentes são repelidas por seu escudo.

Puxo a Annia e Kath para longe da batalha. “Fiacre! Leve-as para a lagoa da Lindwurm!

Tina e Cecília já se jogaram ao que quer que esteja esperando no saguão de entrada, então as sigo sem pensar duas vezes.

O saguão de entrada é um campo de batalha e há um enorme buraco no chão. Vários fae estão tentando entrar na berlinde de realidade através da porta. Eles estão fazendo o melhor para se protegerem contra o poder de fogo supressor do Magnus. Para cada fae que consegue entrar no saguão de entrada, há dois cujos escudos falham. Quando isso acontece, as balas simplesmente rasgam eles em pedaços.

Vários fae pulam no buraco, mas três tentam evadir nosso contra-ataque subindo a escadaria. Eles jogam feitiços em nós e tenho que me abaixar para fora do caminho de uma bola de fogo. “Magnus, derrube a passagem da porta! Impeça eles de fazerem mais pessoas passarem.

Um fae pula em mim, mas ponho magia em meus músculos e enfio minha palma aberta em seu queixo. Há um satisfatório “crack” e o fae cai. Ele tenta se pôr de pé, mas já pus minhas mãos em uma posição de oração e invoco um feitiço. Cinco fios ardentes de fogo aparecem entre meus dedos quando os separo. Passo os fios em volta de seu pescoço e ponho um pé em seu peito. Então puxo com toda minha força e aperto o laço.

Os fios de fogo queimam por sua carne e sua cabeça se separa de seu corpo. Então uso os fios como um chicote para atacar outro oponente que se aproximou. Meu chicote de fogo acende seus escudos, mas não lhe causa dano.

Cecília o derruba com uma lança de luz violeta que deixa pontos vermelhos em minha vista. O escudo do fae nem mesmo reage ao raio de luz enquanto ele corta um buraco em seu peito e na parede atrás dele. Aparentemente, seu escudo reconhecia apenas ataques físicos.

Magnus grunhe e avança à minha frente, mas balança sua arma levemente para a esquerda, mirando na moldura da porta. Lascas voam enquanto a madeira é rasgada em pedaços e revela o brilhante metal de runas ocultas. No apartamento atrás da porta há dezenas de fae, mas quando o seguinte tenta atravessar, seu corpo simplesmente se desfaz. É como se alguns pedaços de seu corpo houvessem tentado ir para frente enquanto outros foram para os lados.

Uma rachadura aparece no ar e minha visão do apartamento se despedaça como um espelho. O que é deixado para trás é uma parece com uma moldura de porta.

Magnus relaxa seu dedo em volta do gatilho da metralhadora e silêncio cai sobre o saguão. Todo o ataque não levou mais de vinte segundos, apesar de parecer uma eternidade para mim. Aponto para as escadas. “Três escaparam para cima! Nós temos que avisar…”

Minhas boas intenções se provam desnecessárias enquanto um dos três fae atravessa a balaustrada de madeira no primeiro andar. Leila o segue com um berro de guerra, como o de uma amazona, em seus lábios. Ela segura uma lança de energia azul e a enfia através do peito do fae mesmo enquanto eles caíam.

Ela aterrissa de pé, prendendo o fae no chão. Há um som de chiado e seu corpo se contrai em espasmos erráticos. Finalmente, ele para.

“Você tá bem? E os outros?” pergunto.

Tom aparece na ponta superior da escadaria, segurando um fae pelo pescoço. O fae está curvado de lado em um ângulo doentio e sua cabeça está afundada. “Não nos insulte nos menosprezando demais! Três fae contra dez Antigos não é nem uma batalha mencionável.”

Leila puxa sua lança de energia de seu oponente morto. “Como eles conseguiram entrar em primeiro lugar? Têm mais?”

Magnus fecha seus olhos como se estivesse escutando algo. “Há vinte e um deles no porão. Eles acabaram de arrombar a porta para o calabouço. Não posso sentir mais nenhum em meu domínio.”

Faço uma carranca. “Eu não entendo. Eles nem mesmo tentaram fazer prisioneiros. Apesar de isso poder ter sido o trabalho daqueles que ainda estão esperando no apartamento.

“Eles não estão esperando. Se qualquer coisa, então eles estão ocupados catando seus pedaços. Eu armei o apartamento para se autodestruir se a passagem for comprometida. Também há a questão de como eles conseguiram ativar a passagem. Eu pensei que fosse completamente segura” Magnus resmunga, e cuidadosamente se aproxima do buraco no chão. Ele mira sua metralhadora para baixo, manuseando facilmente a arma como nenhum humano conseguiria. Normalmente, os humanos prendem essas coisas em seus veículos, mas o Magnus parece pensar que ela foi feita para se carregar por aí.

Tina também se aproxima do buraco. “É perigoso subestimar alguém atrás do seu couro.”

Magnus olha para o Tom. “Pegue seus não-combatentes e a criança. Ordene eles a seguirem a Fiacre para a mata. A nordeste daqui há uma lagoa. Se encontre com ela lá enquanto nós eliminamos os vermes. Sely, você vai com eles.”

“Infernos que vou! Eu respondo rapidamente. “Não se lembra da nossa promessa!?”

Ele rola seus olhos e pula no buraco. Nós seguimos e somos acompanhados pela Leila, Tom e outros três. Juntos com Tina e Cecília, isso faz nove pessoas. Nosso grupo avança rapidamente por um corredor estreito que possui muitas similaridades com as passagens mal conservadas no labirinto do Magnus.

A voz da Leila chega a nós da retaguarda do grupo. “Por que eles foram lá embaixo? Com vinte e uma pessoas, eles teriam uma chance melhor em nos pegar de surpresa. Ao invés disso eles desperdiçaram sua vantagem inicial em invadir a cave¹ da mansão.

Magnus sacode sua cabeça. “Não consigo pensar em nenhuma razão lógica.”

De repente, Oilell aparece na nossa frente. “Eles estão tentando chegar ao orbe!” Ela desapareceu durante a lua, mas parece que gastou o tempo realizando reconhecimento.

A expressão do Magnus fica confusa. “Por que eles iriam querer aquela coisa velha?”

Apresso meus passos. Durante meu tempo livre, fiz alguma pesquisa sobre os Bathomeus. Me envergonhei quando não sabia nada sobre meu novo clã, então corrigi esse probleminha. “Por quê!? Porque foi usado para causar a última Era do Gelo durante a guerra com os fae! Eles querem usar como uma arma contra nós!”

 


Ei, se estiverem gostando do projeto e desejarem ajudar um pouco, vocês podem fazer isso acessando o link abaixo, solucionando o Captcha e aguardando dez segundos para ir à nossa página de agradecimentos.

Podem acessar por aqui.


Tradução: Batata Yacon   | Revisor: Delongas


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Notas:


1. Cave: porão; adega.

3 ideias sobre “LOS – Capítulo 46

  1. Matz13

    Dropado, eu gosto muito do estilo da história e do enredo desse autor, mas as mulheres mandam muito no prota, ele fala pra ela não fazer tal coisa e ela faz e suave, eu gosto dos prota que tem opinião própria não um que é manipulado tão facilmente.

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