LOS – Capítulo 44

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Capítulo 44:

~Carona~

 


“Aqueles que possuem muitas coisas, não compartilham muito.”

— Uma Memória dos Antigos

 


***Caríntia***

***Sely***

 

Atravesso a passagem e gesticulo para os outros seguirem. Magnus nem mesmo tenta esconder sua expressão amarga. Nossos novos membros do clã são espertos o bastante para não comentar. Eles entram silenciosamente no saguão de entrada. Alguns até suspiram em alívio quando veem o céu e o jardim através da janela.

Isso me faz perguntar como deve ser gastar algumas semanas em Atlantis. Há vegetação e luz, mas nenhum sol real. A luz do sol não chega ao fundo do oceano, então a grande bolha de ar em volta de Atlantis faz parecer como se o céu fosse um infindável vazio escuro.

Estudo as onze pessoas que estão me olhando por mais instruções. Por alguma razão eles evitam contato ocular com o Magnus. Eu o estudo e noto o brilho vermelho em seus olhos. Ele não parece estar no clima para apresentá-los aos seus novos arredores. Parece que sou eu quem terá que lidar com eles. É justo, já que fui eu quem falou em favor deles. Rapidamente viro minha atenção aos meus novos encargos:

— Vocês não têm nenhum pertence para trazer?

Leila sacode sua cabeça e responde com uma voz que soa completamente animada demais: — Todos os nossos pertences foram confiscados quando os Hammon caíram. Nós carregamos tudo que possuímos em nossos corpos.

Magnus rola seus olhos: — Fundo da pirâmide e falidos.

Leila é a única que não deixa sua cabeça cair. Ela está estranhamente despreocupada com a perda de seus pertences. Talvez o simples fato de ter saído de Atlantis seja o bastante para ela?

Um alto crash e berros de fora atraem minha atenção. Caminho para a entrada principal e abro a porta a fim de encontrar de onde vem o barulho.

O belo jardim na frente da mansão está uma bagunça e lá está Lindwurm, fazendo seu melhor para pisotear tudo à vista. Ela está correndo por lá, caçando Oilell. Fiacre as persegue com uma expressão desesperada em sua face.

— As rosas não! As rosas não! Argh! Aquele buxo tinha quase noventa anos!

Quase parece como se estivessem… brincando? Annia e Kath estão se sentando na cabeça enorme de Lindwurm e guinchando de alegria por serem capazes de montar na wyrm. Elas não parecem estar cientes da destruição que sua pequena montaria está causando.

Magnus caminha por mim e noto que seus olhos estão reluzindo em um brilhante vermelho. Ele caminha a um passo tranquilo no playground da Lindwurm e no caminho da wyrm. Oilell usa a chance para se esconder atrás de Magnus e Lindwurm para de repente quando o nota.

Fiacre usa a chance para escalar a pata dianteira da wyrm. Então ela corre pelo pescoço para onde Annia e Kath estão sentadas. Ela as puxa de pé.

Magnus aponta para as três: — De castigo! De castigo! De castigo!

Fiacre arfa: Por que eu!?

— Você deveria ficar de olho nelas! Ele olha para Lindwurm e aponta para a colina onde uma enorme passagem foi aberta nos arbustos. — Lagoa! A wyrm bufa e deixa sua cabeça cair, mas obedece e desliza de volta pro seu laguinho. Fiacre rapidamente pega Annia e Kath sob seus braços e pula da enorme criatura.

Me aproximo delas e observo enquanto a Lindwurm desaparece entre as árvores.

— Não sabia que ela deixava pessoas montarem nela.

— Nem eu! — Fiacre torce a orelha da minha irmã, o que gera altas reclamações. — Foi por isso que demorei demais para reagir quando elas de repente tiveram a ideia de subir.

— Wyrms são mascotes horríveis! Ela tentou me comer! — reclama Oilell.

Magnus fecha seus olhos e esfrega suas têmporas com lentos movimentos circulares.

— Meu jardim de maconha!¹

Só então noto a pequena plantação com plantas esmagadas. Estava bem escondida, a apenas alguns metros floresta adentro. Pensei que minha missão de me livrar dessas coisas tivesse sido um completo sucesso. Aparentemente não foi!

Magnus se vira e volta para a mansão.

— Vou jogar cartas. Vocês sabem o que isso significa.

Leila e Tom se aproximam de mim e dão a Magnus amplo espaço em seu caminho de volta à mansão. Os outros acréscimos ao nosso clã ficam perto da mansão e estão olhando a floresta com expressões cautelosas. Leila se curva para Fiacre, e fala:

— Acredito que não fomos apresentadas?

— Ah, é… — Eu me viro. — Annia, Kath, Fiacre e Oilell. Esses dois são Leila, e seu tio Tom. O grupo deles se juntará ao nosso clã. Indico o resto dos novatos.

Fiacre e as crianças não parecem nada menos que surpresas, mas a expressão de Oilell é uma mistura realmente estranha de alegria e terror. Nunca antes vi algo assim em toda a minha vida.

— Algum problema, Oilell? pergunto.

A brownie tenta assentir e sacode sua cabeça ao mesmo tempo. — É tão maravilhoso que finalmente há mais pessoas. Eles vão dar meus amigos de comer para a cobra. Já posso sentir meu poder crescendo. Aquele maldito ritual de iniciação.

Suas palavras fazem pouco sentido, mas posso imaginar o que está tentando dizer. Dou um tapinha no ombro da brownie.

— Tenho certeza que podemos simplesmente comprar alguns animais com os quais você não tenha nenhum apego emocional. — falo.

 

***Fada***

***Jardineiro***

 

Observo enquanto Inverno tem outro de seus ataques de raiva.

— Por que aqueles humanos não entram em guerra? Como podem criaturas covardes como eles serem tão numerosas? O que mais nós temos que fazer?

Ele se estende a um galho de árvore, e o mesmo é imediatamente coberto em gelo. Me encolho e me resolvo a reparar o dano assim que o maníaco se for. Não há nada pior que pessoas que não têm suas emoções sob controle.

Talvez eu consiga encontrar um meio de fazê-lo ir embora antes que arruíne meu bosque.

— Mas eles já estão lutando. Vários países já não declararam lei marcial? Alguns estão até tentando forçar cada sobrenatural a se registrar. Isso já está bem perto de perseguição.

Ele sacode sua cabeça, e fala:

— Isso não é o bastante! Nós precisamos de mais caos. Uma situação que nos permita atacar abertamente. Estou tão cansado de todo o nosso esgueirar pelas sombras. Nós, fae, estamos vivendo como ratos em um buraco e só saímos para pegar uns humanos aqui e uns sobrenaturais desatentos ali. Está abaixo de nossa dignidade!

Anuo, mesmo não entendendo do que ele está falando:

— Isso mesmo! Nós fae merecemos mais! Por que eles têm permissão de viver de acordo com suas naturezas, enquanto nós não? Nós temos que esconder nossas tradições e eles podem fazer o que bem entendem. Não é como se nós não estivéssemos nesta Terra por tempo o bastante para merecer nosso lugar nela. Talvez até um lugar no topo.

Inverno assente febrilmente: — Exatamente! Exatamente. Então por que os humanos não estão agindo de acordo com nossos planos?

Suspiro internamente. Como pode alguém como ele ter um status tão alto? — É a natureza deles. É assim que sobrevivem apesar de suas fraquezas. Mesmo se alguns fizerem algo estúpido e morrerem, outros sobrevivem porque não seguiram seus companheiros. É uma estratégia de sobrevivência básica.

Tento raciocinar com ele: — Nós já realizamos muito ao virar a opinião geral de vários dos maiores países contra sobrenaturais. Nosso objetivo está quase realizado. Tudo o que temos que fazer, é agir.

Ele se vira para me olhar, e fala: — Os outros disseram que não é hora. Nós temos que esperar.

Dou de ombros: — O que os outros sabem? Eles têm muito pouca imaginação. Mas tenho certeza que você já viu uma possível solução.

Ele franze sua testa: — Solução?

Bufo para mostrar que não acredito nele. — Oh, vamos lá. Eu notei que você já está colocando os seus subordinados em posição. Um pássaro me cantou uma canção.¹ Inverno será o primeiro a agarrar o poder para si. O poder que nos levou até Fada.

Levantando minha mão, coço meu queixo como se uma ideia repentina houvesse recém se formado em minha mente.

— Mas novamente, aquele que o tem deve ter poder o bastante para mudar o status quo, mesmo entre os fae. Talvez se atacarmos cedo antes dos Antigos se recompuserem…

Inverno morde seu lábio inferior. — Sim. Por que deveríamos aguardar? Quando forem à guerra pra valer, eles certamente o protegerão ainda melhor! Nossa melhor chance é obtê-lo agora mesmo! Mas precisarei de mais preparos para tal tentativa. Não há espaço absolutamente nenhum para falhas.

Ele se vira e parte.

Caminho até a árvore danificada e corro minha mão pelo tronco, reconfortando-o com minha magia.

— Idiota…




Ei, se estiverem gostando do projeto e desejarem ajudar um pouco, vocês podem fazer isso acessando o link abaixo, solucionando o Captcha e aguardando dez segundos para ir à nossa página de agradecimentos.

Podem acessar por aqui.


Tradução: Batata Yacon   | Revisor: Delongas


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Notas:
1. Delongas: kkkkkkkkk.

2 ideias sobre “LOS – Capítulo 44

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