LOS – Capítulo 43

Anterior | Próximo


Capítulo 43:

~Retorno~

 


 

“Um lidera. Os outros seguem.”

— Uma Memória dos Antigos

 


***Parque Nacional Yellowstone.***

***Magnus***

 

O terremoto se espalha e todos prendem a respiração coletivamente. Ninguém estava certo do que esperar. Pessoalmente, havia me preparado para o teto cair. Por sorte, parece que o parque não vai explodir imediatamente.

Sely sacode sua cabeça: — Mas essa instalação não deveria ser segura? Não consigo acreditar que Gavin não protegeu sua base contra terremotos e outros desastres. A intenção dele era esperar durante o fim do mundo. Acima de tudo, ele pretendia explodir Yellowstone bem na frente de sua porta. — Ela olha em volta. — Por favor me diga que alguém sabe um feitiço contra supervulcões em erupção.

Um dos anciões bufa e aponta para os embutidos de metal no chão. Eles são do circuito de controle do Gavin.

— Esse é um feitiço muito complicado para formar uma porta entre dois lugares. Normalmente, feitiços assim não são um problema. Mas esse daí abre duas passagens conectadas bem longe do ritual em si. Imagino que eles tenham aberto uma passagem sob Yellowstone e outra muito mais fundo dentro da terra. O resultado é claro. O magma mais profundo do núcleo da terra é mais quente e sob mais pressão. Ele está sendo empurrado através da passagem e aquece as atividades vulcânicas sob Yellowstone.

Estou surpreso com a explicação mais ou menos científica. A impressão que eu tinha dos anciões foi despedaçada. Por alguma razão, pensei que eles gastavam todo seu tempo em sua caverna e só saíssem para ver suas crianças brincarem. Ou para punir as levadas. Por favor, não me diga que esse cara tem mais de doze mil anos e ainda está interessado no mundo! Ele gasta todo seu tempo na universidade?

O ancião sacode sua cabeça como um professor triste que tem más notícias para seus estudantes. — Se já tem acontecido por meses, então não tem como reverter o dano da noite para o dia. Se repararmos o círculo e abrirmos outra passagem, apenas adicionaremos mais coisas ao problema. E mesmo se criarmos uma passagem que permita que o magma flua no oceano, podemos desestabilizar o vulcão e o ativarmos muito mais cedo.

Tina para sua tentativa de confortar Cecília: — Não é nosso dever fazer nosso melhor para desfazer o dano? Um dos nossos fez isso! E se esse idiota realmente causar outra era do gelo? Seria o fim da sociedade humana.

E nós teríamos que dizer adeus a todas as coisas confortáveis que os humanos criam.

Não, tenho certeza que podemos guardar alguns humanos. Se eu esperar a era do gelo passar para soltá-los depois, eles vão repopular o mundo como ratos. Franzo meus lábios e puxo a Sely para a porta: — Isso é legal e tudo mais, mas danificamos esse lugar um bocado com nossa batalha. Não confio nessa estrutura. Especialmente não, se o Gavin teve tempo para mexer com ela antes da Cecília alcançá-lo.

Outro ancião resmunga: — O jovenzinho está certo. Nós temos que montar um círculo completamente novo de todo jeito. Manipular o círculo existente é perigoso demais. Nós nunca teríamos certeza absoluta de não haver algumas armadilhas contra uso não autorizado. Checar o círculo todo levaria mais tempo do que fazer um novo. Se vários clãs reunirem os seus com habilidade o suficiente, podemos terminar dentro de um dia.

O chão ribomba de novo e dessa vez não espero mais. Carrego a Sely como um bombeiro e corro para fora da porta. — Ei! — reclama ela, mas ignoro e caminho rapidamente de volta para a saída. Os outros se juntam a nós. Pelo menos eles não acham que estou exagerando.

— Me abaixa! Eu posso caminhar sozinha — protesta Sely.

Eu aperto aquela bela bunda dela: — Só se você me prometer ir para longe do perigo.

Ela bate nas minhas costas e eu a ponho no chão. A terra treme mais duas vezes antes de estarmos de volta no carro fora da instalação do Gavin. Estou bastante grato por isso não ter se tornado uma fuga de último segundo clichê. Cecília ainda está fumegando, mas pelo menos os anciões a soltaram. Gavin e seus homens estão em algemas. Eles não apresentam nenhum perigo no momento, então esperamos os anciões darem novas instruções.

Sely ainda está furiosa com meu comportamento quando a Tia volta com novidades dos anciões. — Alguns de nós ficarão aqui e desmantelarão a base. Os clãs que estão vivendo nessa área também estão fazendo o que podem para montar um segundo ritual para soltar alguma pressão da câmara magmática. Isso pode não prevenir a erupção porque o vulcão já está desestabilizado, mas pode reduzir os efeitos. Ao invés de uma era do gelo total, podemos apenas enfrentar alguns invernos bem difíceis. — Ela explica mais, informando que a primeira e segunda esposa do Gavin também foram resgatadas. Um dos anciões verificou que elas também estavam sob controle mental. Elas foram entregues aos seus parentes.

Sely estende a mão e puxa minha bochecha, perguntando: — Por que você está rindo como um idiota. Nós estamos enfrentando o possível fim da civilização humana!

Eu limpo minha garganta: — Só estava pensando como seria maravilhoso ter um clima mais frio.

Ela tosse: — Seu território já não é frio o bastante!?

Na verdade, não é.

— Tem ficado cada vez mais quente e tem nevado cada vez menos nas últimas três décadas. Trinta anos atrás, eu nunca tinha que me preocupar em esquiar com neve profunda. Hoje em dia, eu tenho que ir realmente bem alto nas montanhas para ter condições perfeitas de neve.

— Você tem seu próprio resort de esqui em uma maldita geleira — reclama ela, mas a terra treme de novo e eu a estabilizo segurando-a em meus braços. Parece que ela não tem muita experiência com magia de força. Pelo menos ela não está usando para compensar pelos terremotos.

Cecília ainda está rabugenta, mas sua curiosidade acaba ganhando:

— O que é esquiar?

Sely faz um gesto de indiferença: — Oh, esse é um esporte razoavelmente novo. Você se lembra dos homens doidos das montanhas que peregrinavam apesar das estações? Eles caminhavam pela neve em enormes tábuas de madeira. Hoje em dia, pessoas fazem isso por diversão.

Cecília assente: — É claro que lembro. Eles falavam que isso os deixaria mais próximos de seu deus. Nunca contestei. Alguns quebravam os pescoços nesses passeios, eles realmente ficavam mais próximos de seu deus.

Bufo e tento entrar em nosso carro roubado, mas Tina me vence ao volante. — Mulheres…

— Eu sei — interrompo e vou para a traseira da caminhonete. Os guardas da Tina se juntam a mim logo depois. Os anciões pegam o ônibus com seus prisioneiros e Gavin. Noto o olhar de ânsia em Cecília. Ela parece estar fixada em sua vingança. Tenho certeza que Tina arranjará alguns minutos privativos com o Gavin para sua irmã.

Leva um tempo para nosso pequeno exército retornar para onde começamos. Uma vez lá, somos cumprimentados pelo exército. Os humanos podem reagir lentamente, mas nosso pequeno desfile causou atenção o suficiente. Então me lembro que os E.U.A estão sob lei marcial e recentemente acabaram de perder seu presidente em um trágico acidente. Assim, eu não deveria estar surpreso com o fato de que a cidade com nossa passagem de volta está sob cerco.

Os militares trouxeram tudo. Helicópteros, jatos, tanques, soldados. Eu já queria sugerir usar glamour sobre nós e ir a pé, mas os anciões parecem ter outras ideias. Seus ônibus brilham com uma barreira branca e investem diretamente por um tanque que estava bloqueando a estrada. O veículo é empurrado de lado como um brinquedo.

— Eles estão sérios!? E quanto a um bom relacionamento com os humanos!? — Eu berro e corro para ajudar os guardas a levantarem uma barreira em volta de nosso carro. Não é uma surpresa os soldados humanos estarem irritados. Balas colidem com nosso escudo alguns momentos depois.

Um dos guardas ri: — Acho que os anciões estão mais preocupados com os acordos do Gavin com os fae do que em serem atrasados por humanos.

Seguimos os anciões que fazem um bom trabalho em liberar a estrada de qualquer obstáculo. Veículos blindados são simplesmente empurrados de lado ou virados assim que aparecem. Os anciões não acreditam em meias-medidas.

Sinto meu coração dar um salto quando um jato de combate voa baixo e dispara um foguete em nosso comboio. Alguém deflete o foguete enquanto magia de força ataca o jato. De uma perspectiva humana, o jato foi derrubado por forças invisíveis. Depois, os comandantes militares decidem que uma retirada organizada é a melhor opção.

Os civis já nos conhecem, então sabiamente se escondem em suas casas quando o comboio para na frente de uma pequena loja. No final, retornamos a Atlantis do mesmo jeito que aparecemos. Rapidamente e sem traços.

Bem, exceto por um monte de carros danificados e equipamentos militares destruídos. Espero que o piloto tenha saído a tempo. Não que eu me importe com a vida dele, mas matar humanos seria difícil de explicar em uma conferência de imprensa em casa.

Fico bastante feliz quando nos aproximamos da minha casa em Atlantis, apesar de meu êxtase de voltar para casa ser rapidamente reduzido quando atravessamos um arbusto espesso. Onze pessoas estão montando acampamento na frente da minha casa. Cinco mulheres, seis homens e um garoto que parece ter quatorze anos. Fecho a cara ao vê-los e me preparo para uma luta.

Sely enrijece ao meu lado e um dos homens se aproxima de nós. Ele me surpreende ao se atirar de mãos e joelhos. — Lorde Magnus? Oferecemos nossa lealdade ao clã Bathomeus.

Estou tão perplexo que apenas o encaro. Qual o problema desses caras? Quem simplesmente deixa seu próprio clã e se junta a outro? Especialmente uma caixa preta como os Bathomeus! Cadê a câmera? Tenho certeza que isso é algum tipo de farsa.

Sely limpa sua garganta e puxa minha manga.

— Eles são antigos Hammons.

— Não! — respondo sem hesitação.

O homem prosta-se ainda mais: — Por favor! Não temos nenhum outro lugar para ir!

Tina avança e encara as pessoas em nossa frente com desagrado: — Não distribuímos vocês entre os outros clãs? Nós tivemos uma boa razão para fazer isso.

Uma das mulheres fala: — Por favor. Nós tentamos fazer como nos foi dito, mas os outros clãs estão nos evitando. É difícil viver com o estigma de ser um ex-Hammon. Ao invés de viver nossas vidas sob o desprezo dos outros, recuamos para Atlantis e estivemos aguardando neste lugar terrível. Então ouvimos que o Gavin foi pego, então corremos para vir aqui. Nós pensamos que poderia haver uma chance para um novo começo se alguém como você nos aceitar.

Eu bufo: — Então deveriam ter confrontado seu clã! Uma família é sempre o que seus membros a fazem. Desviar os olhos não os isenta da responsabilidade!

Eles parecem ofendidos, mas estou pouco me lixando.

É a Sely quem fala a seguir: — Ahem, você se lembra sobre a vez em que te disse que nem todos os Hammons são pessoas ruins? Eu lembro deles. Eles são covardes, mas não malignos.

Então você está dizendo que eu deveria aceitar os lixos inferiores? Levanto minha sobrancelha e me viro para defrontar a Sely. — Você quer me dizer que perdoa eles? Que eu deveria aceitá-los? Não! — Então aponto para Cecília e Tina. — Já é ruim o bastante elas estarem indo e vindo como bem entendem.

Sely levanta um dedo: — Mas permanece o fato de que nosso clã só tem três membros adultos. Com eles, estaríamos com quatorze. Isso ainda é um clã pequeno, mas pelo menos pode ser chamado de clã.

Tina se junta a ela: — Acho que ela tem um ponto.

Encaro a outra líder de clã até ela decidir dar dois passos para trás. Então Tina dá um terceiro para se certificar de estar fora do meu alcance.

A outra mulher também fica de joelhos: — Por favor. Apodrecer nesta cidade morta é horrível. Nós faremos qualquer coisa para nos juntar aos Bathomeus. Seu clã sempre recebeu os sem clã desde muito tempo.

Eu silvo. Ela está tentando jogar com as tradições do meu próprio clã. Mas isso pode ser feito em duas direções. E sei de um jeito de garantir que eles nem mesmo pensem em se juntar a mim. Há uma coisa que posso pedir a eles para garantir que deem meia volta e fujam para o outro lado. — E olha até onde isso trouxe o meu clã. Se quiserem se juntar aos Bathomeus, então terão que realizar um juramento de sangue à Sely e à mim.

O homem se prostrando levanta a cabeça. — Isso não é nada diferente daquilo que o Gavin fez com suas mulheres!

Dou um sorriso: 

— Ninguém está forçando vocês a fazer o juramento. — Eu aponto para o caminho que leva à rua. — Aquele é seu caminho pra fora.

Mas a mulher me surpreende. Ela é uma morena com algumas sardas em sua face. Diferente do homem, ela usa uma unha para cortar sua própria palma sem hesitação. Então a sinto forçando sua própria magia para formar o juramento:

— Eu, Leila, juro minha lealdade a Magnus e Sely Bathomeus. Oferecerei minha vida para proteger os Bathomeus.

Acho que nunca fiquei tão perplexo em toda minha vida. Mas aquela mulher realmente me fez um juramento de sangue, alguém que deve ser pelo menos algumas centenas de anos mais novo que ela. Eu poderia ordená-la a cometer suicídio e ela teria que o fazer! Quão estúpido é possível alguém ser? Ela nem me conhece.

Os outros resmungam entre si, mas também cortam suas palmas e fazem o mesmo juramento. Até o homem que não está feliz com a situação.

Eu sacudo minha cabeça, ainda não entendendo.

— Mas por que raios vocês fizeram isso? Eu posso ser um monstro pior que o Gavin até onde sabem.

A mulher aponta para Sely: — Porque você a aceitou e ela parece estar feliz o bastante. Pelo menos a irmãzinha dela está elogiando os Bathomeus no Twitter. Annia está fazendo muita propaganda por você. Então deve ser melhor que isso! — Ela abre suas mãos, indicando toda Atlantis e o céu negro.

Devo admitir que também ficaria deprimido se tivesse que morar aqui por um período de tempo extenso.

Leila aponta para o homem que falou primeiro: — Este é meu tio, Thomas. Apenas chame-o de Tom. — Ela se vira e indica os dois homens e uma mulher. — A família Rerecht, Rudolf, Sandra, e seu filho Alex… Ela continua apresentando pessoas.

Como se eu me importasse com seus nomes!

No final das contas, são dois casais com uma criança, apesar do Alex já ser um adulto. Então um casal e um homem e uma mulher sozinhos. De acordo com eles, os dois solteiros perderam seus parentes na batalha que finalizou os Hammon como um clã. O garoto solitário é um órfão, mas os Rerecht estão cuidando dele.

Sely limpa sua garganta e dá um tapinha nas minhas costas. — Não se preocupe. Fiacre e eu cuidaremos das coisas complicadas.

Eu estou chocado demais para responder. Por que alguém faria um juramento de sangue? E pior ainda, um juramento de sangue para mim! Isso significa que sou responsável por eles?



 


Ei, se estiverem gostando do projeto e desejarem ajudar um pouco, vocês podem fazer isso acessando o link abaixo, solucionando o Captcha e aguardando dez segundos para ir à nossa página de agradecimentos.

Podem acessar por aqui.


Tradução: Batata Yacon   | Revisor: Delongas


Anterior | Próximo

Uma ideia sobre “LOS – Capítulo 43

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s