LOS – Capítulo 42

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Capítulo 42:

~Velocidade~

 


 

“Nunca solte quando o seu oponente estiver fora de ação.”

— Uma Memória dos Antigos

 


***Parque Nacional Yellowstone.***

***Sely***

 

Aponto para o terreno rochoso de uma pequena colina: — Acho que é ali que deveria ser a entrada secreta.

Nosso comboio dirigiu em um passo firme por cerca de uma hora. Tina nos levou a um lugar perto de onde o ônibus do ancião para que pudéssemos ver o que estava acontecendo.

De acordo com Tetrach, há uma entrada razoavelmente larga para a segunda base do Gavin no lado de uma colina. Nós até obtivemos as coordenadas exatas. Enquanto nos aproximamos de nosso destino, a colina fica à vista. A entrada está diretamente ao lado da estrada e camuflada como um poço de pedra.

Uma estrada suja bifurca-se da estrada principal e leva diretamente a uma beirada. De uma distância tão curta, posso sentir que todo o lugar está transbordando com magia, então a beirada deve ser uma entrada magicamente oculta. Ao depender puramente de meus olhos ao invés de todos os meus sentidos, não teria suspeitado que havia algo de errado na área.

Então noto que o ônibus que foi roubado pelos anciões não está parando.

— Ei, eles não vão parar? O que estão fazendo? — Observo em horror enquanto o ônibus embarrila pela estrada suja e diretamente na beirada, onde ela desaparece.

Tina ri: — Acho que eles não querem assumir o risco de serem traídos. A audiência de Tetrach foi algo bem público e Gavin deve ter seus meios de obter informação sobre o resto do mundo. Eles não querem dar a ele um único segundo para se preparar. — Ela pisa fundo e o carro salta adiante, seguindo o ônibus que lidera nosso exército.

Eu guincho e me seguro firme na alça de segurança¹:

— Isso é loucura! — O tacômetro sobe rapidamente a mais de oitenta milhas por hora. — Você não tem ideia do que está atrás daquela entrada oculta!

— Os Anciões não teriam feito o que fizeram se fosse arriscado. Certamente um deles deve ter se certificado de que não bateríamos com uma parede. — Cecília se junta a sua irmã, e juntas, riem como duas maníacas. — É assim que um ancião deve agir. Atrevidamente liderando as gerações jovens à glória!

— Está mais para a perdição! — berro e observo enquanto outros carros desaparecem dentro da colina.

Tina vira o volante para entrar na estrada suja e nosso carro deixa o asfalto. O motor enlouquece e o carro é mandado ao ar. Então aterrissamos com força na areia da estrada. Alguém na traseira da caminhonete berra e me apresenta a alguns novos xingamentos. Alguns momentos depois, passamos pela beirada e me preparo para o impacto. Mas nada acontece.

Ao invés disso, a beirada acaba por ser uma alucinação.

Passamos através de uma zona que se parece mais com um labirinto de espelhos e então nossa vista é substituída por uma cena totalmente diferente. Eu já esperava isso, mas não estava muito certa do que poderíamos encontrar atrás da entrada oculta. Nós dirigimos até um enorme saguão. Ele tem pelo menos o tamanho de um campo de futebol e o teto está a vinte metros acima de nós.

Há cinco alicerces que encerram um enorme círculo mágico. Várias pessoas estão atendendo ao ritual em pequenos grupos ou sozinhos. Eles parecem ter sido pegos de surpresa já que não pude identificar nenhuma defesa organizada. O ônibus com os anciões atropela o primeiro alicerce do enorme círculo mágico e percebo que todo o saguão abriga um único, e enorme, ritual. Mesmo as paredes estão gravadas com símbolos.

Vários servos do Gavin correm pela área como frangos assustados. Um deles por acaso está bem na nossa frente, mas ao invés de pisar no freio, Tina acelera mais e atropela o homem. Ele é arremessado para cima e quebra meu lado da janela frontal antes de passar pelo carro.

Pensei que observaríamos a queda de Gavin de longe ao invés de irmos às linhas de frente. Há centenas de outras pessoas que podem lutar contra o mísero clã do Gavin. Nós somos milhares de pessoas contra menos de cinquenta.

Notando a oportunidade, Tina gira o volante e faz todo o carro deslizar de lado. Nós investimos através de um grupo de oponentes e somos parados ao colidir em um dos outros cinco alicerces, quebrando-o.

Solto um suspiro de alívio e abro a porta, pronta para lutar. O primeiro oponente tenta pular em mim antes que eu possa sequer sair do carro. Ele tenta me agarrar. Uma mão aparece de cima e seus dedos se afundam nos globos oculares do homem, agarrando-o diretamente por seu crânio; e então ele é lançado para fora de meu campo de visão. Vendo que há mais três pessoas se pondo de pé, decido invocar magia diretamente do carro.

Ao invés de sair, inspiro profundamente e guio a magia até minha garganta. Então sopro e simultaneamente reúno energia entre minhas mãos. Chamas azuis são lançadas em nossos oponentes. Um dos três pega fogo, enquanto os outros três se levantaram a tempo de erguerem suas barreiras. Disparo a bola de fogo no segundo inimigo e ergo meus próprios escudos para me proteger contra a explosão.

A maioria das barreiras são configuradas para absorver energia, então sempre configuro minhas bolas de fogo para explodirem antes do impacto. A ideia é causar dano com força física bruta.

Meu alvo, uma mulher, é lançada voando pela explosão. Todo o carro sacode com a força do meu feitiço. Ela aterrissa a mais de vinte metros de distância, bem no meio de nossos aliados recém chegados. Risco ela da minha cabeça e viro minha atenção para o terceiro oponente que está preparando um feitiço próprio.

Um corpo horrivelmente distorcido é lançado nele por cima de mim. O corpo colide com sua barreira, mas não faz nada mais que assustá-lo. Reconheço o corpo como o homem que foi tão indelicadamente arrancado de meu campo de visão.

Então a barreira do homem se estilhaça e Tina aparece bem atrás dele. Sua mão brota de seu peito, tingida em sangue. Ele encara com olhos arregalados a causa de sua morte. Seu próprio coração batendo erraticamente está sendo segurado na frente de seus olhos.

Tina puxa sua mão de volta e ele cai.

O rosto furioso de Magnus aparece de cima do teto do carro. Ele me olha de modo acusatório.

— Pensei que iríamos assistir! E não derrubar metade dos inimigos sozinhos!

Seus olhos vagam para um lugar atrás de mim.

— Cadê a Cecília?

Me viro e descubro que minha mãe sumiu. — Oh, não. Ela deve ter corrido para pegar o Gavin pessoalmente.

Tina aponta para uma porta discreta no final do saguão: — Ela foi por ali.

Saio do carro e procuro por mais oponentes, mas não há nada a se fazer. Os nossos dominaram completamente o inimigo. Há ainda mais carros passando pela entrada, e os anciões já estão avançando através da mesma porta que Tina indicou.

Sem pensar, sigo Tina que já está perseguindo minha mãe.

— De novo não! Pare de correr pro perigo! Mulheres! — A voz enfurecida de Magnus me segue, mas não posso me importar minimamente no momento. Eu tenho o estranho impulso de estar ao lado de minha mãe em sua hora de necessidade. Há tantos Antigos conosco que alguém deve ser capaz de cuidar do ritual. Essas coisas não são minha especialidade de qualquer jeito.

Eu, mesmo assim, tenho um estranho sentimento de pavor sobre toda a situação. É verdade que há muita energia neste lugar. O ar praticamente vibra com poder, mas o círculo no chão não parece estar ativo. — Já estamos atrasados demais?

Tina sacode sua cabeça: — Não sei.

Chegamos a uma simples porta e nos forçamos até um longo corredor. Há várias salas à esquerda e direita. Reconheço a configuração como o mesmo design básico da área de habitação no complexo. Eu morei lá pela maior parte da minha vida, então me leva apenas um olhar para saber para onde ir.

— Me sigam. Os aposentos privados do Gavin devem ser naquela direção. — Passo a Tina e escolhe o corredor à esquerda após chegarmos a primeira bifurcação. Encontramos um dos anciões que está observando duas mulheres surradas e uma criança, mas ele parece ter as coisas sob controle.

Já que há outros diretamente em nossos calcanhares, eu prossigo.

Finalmente, chego na área privada do Gavin. Como no complexo anterior, ele clamou vários quartos para si. Reconheço o design e seu gosto peculiar em decoração interior. Há vasos de todos os períodos de tempo e culturas por todo lado. Berros me alertam a uma comoção no escritório do Gavin, então corro à porta e entro.

Lá dentro, encontro completo caos. O quarto está uma bagunça e não é necessário um gênio para ver que alguém lutou aqui. Suspiro em alívio quando vejo que Cecília está bem. Annia se apegou a nossa mãe, então duvido que aceitaria bem se algo acontecesse com ela.

Todavia, a mãe certamente teve dias mais dignos em sua vida. Ela está berrando em fúria e segurando algo sangrento em sua mão direita. Tudo que posso ver, é um pedaço de carne e pano. O que deixa a situação tão humilhante para ela, é que está sendo contida por quatro anciões. Um para cada braço e cada perna, e ainda parecem estar tendo problemas em segurá-la.

Magnus entra na sala. Ele sonda a cena até notar o Gavin. — Caralho!

Minha atenção vaga até o Gavin. Ele está cercado por três Anciões, mas eles não precisam fazer nada para contê-lo. Vendo seu ferimento, também duvido que o Gavin vá a qualquer lugar tão cedo. Ele está deitado de lado com ambas as mãos entre suas pernas. Ambos os joelhos puxados ao seu peito e há uma poça bem grande de sangue se expandindo abaixo dele.

Olho o círculo mágico no chão do quarto com pavor. É claramente algum tipo de matriz de controle para o grandão lá no saguão. Ela também não tem poder nenhum.

Gavin geme: — Vocês já estão atrasados demais. Não importa o que fizerem, não poderão impedir. Nós completamos o ritual horas atrás.

Um dos anciões o chuta: — Nós o temos, e você responderá por seus crimes contra nosso povo.

— Deem-no para mim! Esse maníaco merece coisa pior do que o que vocês têm guardado para ele. Cecília berra e seus olhos piscam em vermelho. Ela está totalmente descontrolada.

Tina corre para o lado dela e tenta acalmá-la, mas isso não parece ser fácil: — Está tudo bem, mana. Tenho certeza que eles deixarão você arrancar mais alguns pedaços dele antes de o executarem.

Um dos anciões bufa: — Execução é bom demais. A melhor punição pode ser trancá-lo em uma sala com ela. Sua mão escorrega e Cecília usa a chance para jogar o pedaço sangrento de carne no Gavin. Ele está totalmente sem reação quando o troço bate contra sua testa.

Sua autoconfiança anterior se esvai repentinamente quando dá uma boa olhada no projétil de cecília. Ele geme em dor e rola. Tenho que admitir que a Cecília pegou ele de jeito quando reconheço a coisa carnuda no chão.

É aí que o chão de repente começa a tremer.

Magnus agarra meu ombro: — Eu não sei você, mas não quero estar no subsolo quando Yellowstone explodir.


Ei, se estiverem gostando do projeto e desejarem ajudar um pouco, vocês podem fazer isso acessando o link abaixo, solucionando o Captcha e aguardando dez segundos para ir à nossa página de agradecimentos.

Podem acessar por aqui.


Tradução: Batata Yacon   | Revisor: Delongas


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3 ideias sobre “LOS – Capítulo 42

  1. Alex

    ah guys eu não sei vocês mas os humanos não representam nenhum problema para os Antigos, no final eles viveram por milhares de anos então os humano sumirem da face da terra não e problema, e com Gavin fora da jogada eles podem muito bem usar essa técnica que o Gavin conseguiu dos Fae para aumentar a fertilidade das mulheres Antigos e dps descobrir um forma de exterminar os Fae só vão sobrar eles mesmos pq tirando algumas espécies de sobrenaturais como os vampiros (sem ser os neoftos), a espécie do Paul etc, só os Antigos vão sobrar em grandes quantidades

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  2. victornorte

    primeiro, que bem escondida. chegando perto dá para sentir a magia.
    segundo, agora ela acha loucura? uma mulher grávida partindo para o campo de batalha sem necessidade não é loucura?
    eu acho que eles agiram mais cedo do que eu esperava. afinal, os números deles não são nem de longe o suficiente para dominar todos os antigos.

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