LOS – Capítulo 41

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Capítulo 41:

~Demonstração~

 


 

“Existem certas diferenças comportamentais entre nós e os outros.”

— Uma Memória dos Antigos


 

***Atlantis***

***Magnus***

 

Observo Tetrach enquanto ele reconta sua história na frente do ancião. É o mesmo ancião que supervisionou meu duelo e está olhando para Tetrach com uma expressão mista de curiosidade e choque horrorizado. Eles estão de pé na arena, enquanto nós estamos sentados no púlpito.

Tina decidiu se juntar a nós junto com Cecília. Eu me senti meio desconfortável deixando as crianças só para a Fiacre, mas não se podia fazer nada

Então, notei o total silêncio no coliseu. Aparentemente, as ideias do Gavin eram igualmente detestáveis para todos os outros chefes de clã.

Retorno minha atenção para Tetrach e noto o enorme pacote de baterias que Sely parafusou à sua cabeça. Eu tremo e me inclino para mais perto dela. — Você tinha que deixar aquelas agulhas dentro? Ele se parece com um ciborgue de retalhos. Ou um Borg, já viu Star Trek? Apesar de admitir que os Borg nunca sorriam. Tetrach parece estar confortável o bastante com sua nova existência. O pensamento de ter várias agulhas dentro do meu cérebro revira meu estômago.

Sely assente. — Você acha que ele estaria ali de pé e admitindo os crimes de sua família se eu não tivesse feito isso?

Eu sacudo minha cabeça: — Ainda acho que os baús são melhores. Menos cruéis.

— Seu método é bárbaro!

Sely queria prosseguir, mas o ancião para as divagações do Tetrach com um gesto.

— Já ouvimos o bastante! — O ancião se vira para os escalões reunidos. — Acho que todos nós concordamos que a operação do Gavin tem que ser encerrada imediatamente. Ninguém quer ser transformado em um de seus escravos. O ancião olha para os outros que estão aguardando em suas posições na beira da arena. — Sugiro que vamos até lá assim que possível para tentar impedi-lo antes que seja tarde demais.

Eles assentem com expressões graves e o ancião se vira novamente para estudar as fileiras de líderes de clãs. Então aponta para alguém no sul da arena. — Você! Jasper Hesserakt! O Parque Yellowstone é sua área de jurisdição! Um ritual como o que essa minhoca descreveu necessita de muito preparo. Por que você não disse a ninguém que os Hammons estão entrando e saindo do seu Véu como bem entendem?

A resposta soa meio débil e fraca: — Nosso Véu não se estende até a área indicada! É um ponto neutro entre nós e nossos vizinhos.

O Ancião chia e cospe no chão. — Veremos! De qualquer jeito, há algo dando errado em seu território se alguém pode montar um ritual desses bem na frente do seu nariz. Nós anciões teremos que fazer uma sondagem bem minuciosa no que está acontecendo em sua propriedade. Algo que afeta toda a nossa raça não pode ser ignorado. Mas por enquanto, você pode mostrar sua cooperação nos permitindo usar sua porta. É o caminho mais rápido para Yellowstone.

Jasper parece ofendido, mas assente e se põe de pé: — O clã Hesserakt não tem nada a esconder. Não estamos auxiliando os Hammons. Convido todos que desejem se juntar a essa aventura para usar nossa porta livremente.

Dou um sorriso. Essa é a única coisa que Jasper pode fazer para salvar sua vida. Pareceria suspeito se ele nos negasse acesso. Acho que todos sabem que não é culpa do Jasper. Poucos clãs se importam com o que está acontecendo fora de seus Véus. O ancião simplesmente pegou alguém que vive perto da área e fez parecer que ele poderia estar envolvido, só para ganhar acesso a porta dele.

Eu gosto desse cara.

O ancião assente e então todos os anciões usam magia de levitação para voar ao púlpito de Jasper. Ele assente e os guia para fora do coliseu, seguido pelos outros chefes de clã.

Me recline em meu assento e coloco ambas as pernas na balaustrada.

— Bem, essa foi fácil pra variar. Já estava esperando que precisaríamos argumentar para intervirem. Mas eles realmente se puseram de pé completamente por conta própria. Parece que o fim da civilização e um doido em busca de dominação mundial são um argumento suficiente.

Cecília pula de pé: — Eu vou com eles. A morte do Gavin é minha! Ela corre para fora de seu púlpito e escada acima.

Tiro meu pé da balaustrada e me sento ereto. — E-espera! Olha quantas pessoas estão atrás da cabeça do Gavin! Não há necessidade nenhuma de arriscarmos nossos pescoços!

Tina suspira e se levanta.

— Desculpa, Magnus. Isso é uma questão de honra entre os Rhondu e os Hammons. Você não tem que arriscar o pescoço se não quiser.

Ela gesticula para seus cinco guardas a seguirem, e juntos ele se juntam ao pequeno exército que se formou por capricho.

Sely se levanta e segue a tina.

— Espera! Eu quero ver quando a bunda do Gavin for chutada! Isso é algo que eu não perderia por nada no universo!

— Sely, você está gr-grávida! Você não pode se juntar a uma luta!

Eu me levanto, mas ela não escuta e desesperadamente tento encontrar argumentos. Então noto o Tetrach. Ele ainda está parado no meio da arena e sorri como um idiota lobotomizado. Acho que ele é um idiota lobotomizado. Um esquecido, idiota lobotomizado.

— E o seu irmão!? — Aponto para ele.

— Digamos que ele ficará lá até apodrecer! — Ela clama sem olhar para trás.

Olho alternadamente entre sua figura que se afasta e Tetrach. Agora, o coliseu está praticamente vazio. Me pergunto se todos estão se juntando aos anciões, ou se uma grande parte das pessoas está simplesmente indo para casa.

— Argh! — Sacudo meus punhos e sigo a Sely. A puta estúpida está carregando nosso filho, mas mergulha direto no perigo. Me pergunto se tem alguma coisa errada com o cérebro dela! Corro para alcançar os outros, deixando Tetrach totalmente sozinho na arena.

Nos juntamos a uma longa procissão à porta de Jasper. Acabou que Jasper ligou sua porta à Atlantis diretamente a um lugar nas bordas de seu território. É quase engraçado ver uma corrente aparentemente infindável de pessoas saindo de uma lojinha em uma cidadezinha rural.

Em ausência de um plano melhor, decido ficar perto de Sely. Parece que os anciões assumiram o controle dessa campanhazinha e com apenas algumas palavras, convocaram um exército de mais de mil Antigos. Eu nunca vi isso acontecer antes, então estou bastante surpreso com quanto peso as palavras dos anciões carregam. Mas então me lembro do vovô Hatlix. Eu teria franzido se ele me dissesse para lutar por algo, mas acho que teria feito por ele ser meu avô.

— Acho que temos poder de luta mais que o bastante para esmagar um país pequeno, mas como vamos mover todos para a base do Gavin? — pergunto. Há tantas pessoas que a rua está sendo bloqueada. Os humanos estão até começando a perguntar se isso é algum tipo de demonstração. Toda a natureza improvisada dessa aventura me preocupa.

Mas nosso meio é clarificado quando um dos anciões pega um ônibus e coloca todos os humanos para fora. Dentro de segundos os chefes de clã seguem o exemplo. Os humanos berram e protestam quando seus veículos são tomados. Alguns até tentam brigar e, é claro, isso não lhes faz bem.

Sely bufa: — Parece que a ideia de apresentar nosso lado bom foi jogado pela janela.

Tina resmunga e caminha até um carro todo-o-terreno. Não conheço a montadora, mas é uma daquelas grandes, gigantescos americanos que têm problemas em caber na estrada e desperdiçam uma quantidade enorme de gasolina.

— Esse parece bom. Deve pertencer a um dos fazendeiros locais.

Ela arromba o carro com mais habilidade do que eu esperava que tivesse e alguns momentos depois, o motor começa a funcionar.

— O que vocês estão esperando? Mulheres para dentro, e os homens na traseira.

Resmungo e me apresso para subir ao lado dos guardas. Com Sely, Cecília, Tina e duas guardas femininas dentro do carro, o veículo já está cheio ao limite. Então tina pisa fundo e tenho que usar magia para me segurar ao veículo só para não cair.

— Duvido muito que seu estilo de dirigir esteja de acordo com as leis de tráfego humano.

Um dos guardas ao meu lado dá uma risada: — Duvido que roubar o carro seja legal em primeiro lugar. — Ele aponta para um típico americano gordo que acabou de deixar uma loja. Ele está correndo atrás de nós, berrando e balançando suas mãos. Assim como muitos outros humanos que agora foram deixados sem meios de transporte.

Suspiro internamente enquanto Tina se junta ao longo comboio de veículos privados. — Me pergunto o que os humanos dirão nos noticiários.

 


Ei, se estiverem gostando do projeto e desejarem ajudar um pouco, vocês podem fazer isso acessando o link abaixo, solucionando o Captcha e aguardando dez segundos para ir à nossa página de agradecimentos.

Podem acessar por aqui.


Tradução: Batata Yacon   | Revisor: Delongas


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3 ideias sobre “LOS – Capítulo 41

  1. victornorte

    só agora descobriu que essa mulher tem algum problema mental? ela não tem um pingo de instinto maternal. se por acaso quebrarem a barreira dela, um ataque no ventre dela pode ser suficiente para perder o filho.

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