LOS – Capítulo 39

Anterior | Próximo


Capítulo 39:

~Coisas Antigas~

 


 

“É algo fortuito algumas coisas permanecerem trancadas.”

— Uma Memória dos Antigos

 


***Atlantis***

***Magnus***

 

— … acredito que o assassinato de líderes humanos é um meio desastrado de impedir mais conflitos; Pode funcionar por enquanto, mas desestabilizará a sociedade humana a longo prazo. Os humanos podem até achar meios de revidar. Não vamos dar a eles razões suficientes para o fazer. O ancião termina a primeira parte de seu discurso.

Ele olha de modo simples para os vários clãs, estudando cada líder antes de prosseguir. — Mas não entendam errado. Acho que até mesmo os mais moderados sob vós devem ter percebido que ignorar os fae não é mais uma opção. Atualmente, é inegável que os fae estão ativamente buscando conflito. Quanto mais nós deixarmos eles acreditarem que são intocáveis em Fada, mais atrevidas ficarão suas ações. Não vamos esperar até estarmos na outra ponta quando um dos joguinhos deles derem completamente certo.

— Eu pertenço a facção que suporta perseguição ativa dos fae. Vamos atacá-los onde quer que se escondam. Esse não será mais um conflito de defesa passiva. Acredito que a situação nos força a tomar qualquer ação necessária para garantir nossa sobrevivência. Para este propósito, peço a formação de uma força tarefa ofensiva…

Solto um profundo suspiro enquanto os anciões tagarelam. Ele clarificou seu ponto, então porque tem que estragar um bom discurso entendiando todo mundo com detalhes.

— Finalmente essa coisa toda está indo para algum lugar. — Tina cruza seus braços na frente de seu peito e sorri.

Ela se juntou a nós em meu púlpito após Sely e eu sentarmos para aguardar o primeiro palestrante. Fiacre e cecília ficaram para trás para olhar as crianças. Vendo que o ancião não tem nada de interessante a dizer, Tina vira sua atenção para nós e sorri maliciosamente. — Eu deixo minha irmã por alguns dias e seu território é atacado?

Franzo meus lábios e me permito algum tempo para pensar sobre o significados de suas palavras. — Não é como se eu pudesse antecipar o que os fae farão a seguir. Se as mulheres não tivessem avançado de cabeça na situação toda, eu poderia ter chamado a Lindwurm para acabar com a bagunça toda sozinha. Não é como se os fae, ou os hobgoblins, pudessem trazer algo para a batalha capaz de impedir um wyrm.

Ela cerra seus olhos para mim: — Sim, quanto a isso. Como você conseguiu domar um wyrm? Ouvi que são criaturas muito inteligentes e ferozes, o que dificulta domá-los de qualquer modo.

Dou um sorriso: — Há meios. — Eu certamente não contarei a ela que Lindwurm não é realmente domada no sentido geral da palavra. O vovô Hatlix foi o primeiro Bathomeus a entrar em um “acordo” com ela. O acordo é simples. Nós trazemos comida para ela e não somos devorados. É claro, ser aquele que traz a comida significa que ela nos protegerá.

Lindwurm é uma criatura consideravelmente preguiçosa, então prefere ser alimentada ao invés de ter que caçar no mar. Alimentar um wyrm sem acabar no menu é a parte complicada. Para ser honesto, não tenho ideia nenhuma de como o vovô Hatlix fez isso. Ele levou o segredo para a tumba. Atualmente Lindwurm gosta de mim o bastante, mas não tenho ideia de como lidar com um wyrm sem treinamento prévio. Fui apresentado a Lindwurm quando era pequeno.

Mas não quero fazer propaganda da minha falta de conhecimento para a líder de outro clã.

— Falando em informação… Como foi a busca pelo Gavin? Parece que a terra se abriu e engoliu ele inteiro, junto com seus comparsas.

Os cantos da boca de Tina se curvam para baixo em desagrado. — Nada. Ele deve ter cavado um buraco realmente profundo para se enterrar. Nós interrogamos todos que foram pegos no complexo repetidamente, mas eles não sabem de nada útil. Eles eram peões inúteis que foram mantidos no escuro sobre o que realmente estava acontecendo em seu clã.

— Eles sabiam sobre as coisas óbvias, mas não tiveram bolas para fazer algo a respeito. Gavin os usou como cobertura para sua fuga. Enquanto estávamos ocupados com o subjugar de todos que foram apavorados a se renderem, ele escapou com seus lealistas. É uma pena você não ter mantido nenhum daqueles que invadiram seu território vivos. Eles poderiam saber um pouco mais.

Ela levanta uma sobrancelha, inquirindo: — Tive tempo para pensar sobre sua história. Aquela sobre o seu primeiro encontro com a Sely. Notei que você apressou a parte onde capturou o meio irmão dela. Acho que o nome dele era Tetrach? O que você fez com ele no final?

Mexo-me em meu assento, cuidadosamente evitando os olhos da Sely. — O interroguei, e ele não sabia nada de interessante, então me livrei dele.

Tina não se permite ser distraída pela minha resposta: — Você esquivou da pergunta de novo. Como você se livrou dele? Interrogou ele sabendo que a mente dele poderia estar influenciada por um dos feitiços do Gavin? Agora que sabemos sobre as práticas dele, podemos encontrar alguma forma de bloqueio mental.

Sely cutuca meu lado. — Vamos lá. Conta pra gente. Não vou ficar com raiva mesmo. Certamente você percebeu agora que não dou a mínima sobre o lado Hammon da minha genealogia.

Evito os olhos delas.

Tina começa a sorrir: — Então ele ainda está vivo!

Eu sacudo minha cabeça: — Ele pode estar vivo no sentido exato da palavra, mas duvido que será de muita utilidade para vocês. Me certifiquei de que ele não é mais uma ameaça.

Sely limpa sua garganta: — O que você fez com ele? Lobotomizou e guardou o corpo? Por que você faria isso!?

Dou de ombros: — Eu não lobotomizei ele exatamente. Nunca me incomodei em aprender as habilidades médicas para isso.

Tina responde a segunda parte da pergunta de Sely. — Há alguns feitiços e rituais que requerem um corpo vivo e respirando como foco, ou como um sacrifício. Depende do feitiço.

As duas mulheres me pinicam com perguntas enquanto assisto o resto da assembleia, mas não respondo nenhuma. Elas verão por conta própria em breve. No final, os anciões realizam outra votação. Dessa vez sobre se devemos ativamente buscar meios de atacar Fada.

Há muitos rosnados e berros, enquanto todos tentam colocar suas próprias opiniões. Finalmente, é decidido que assim que alguém encontrar um meio de atacar Fada efetivamente, nos encontraremos de novo para coordenar um ataque real no coração do poder dos fae. Mesmo no caminho para casa, mantenho minha boca calada. Quando chegamos no saguão de entrada da mansão, as duas mulheres estão encarando minhas costas como se eu fosse um vilão.

— Tina! — chama Cecília ao ver o retorno de sua irmã. Ela troca um longo abraço com Tina. — Não esperei que você fosse voltar tão cedo.

Tina sorri, mas não tira seus olhos de mim: — Encontrar o Gavin é um pouco mais difícil do que esperei. Até agora, tenho que admitir que não encontrei uma única pista sobre seu paradeiro.

Suspiro, e inspeciono a sala. — Cadê as outras?

Sely faz um gesto de indiferença: — Oh, Annia e Kath queriam ver a wyrm, então a Fiacre levou elas lá embaixo no charco da wyrm. Fui excluída porque não queria me juntar ao clã. Aparentemente é um ritual de iniciação secreto. Além do mais, o Hatlix já me apresentou ao bichinho dele enquanto ainda estava vivo, então me retirei do evento. Navegar no Facebook e Wikipedia é muito mais interessante.

Okay. Espero que ela não evolua a uma nerd completa. Levanto minha voz e chamo uma certa pessoa. — Oilell? Cadê você!?

Meu chamado é imediatamente respondido pela brownie. Ela aparece em um borrão de movimento. Pra minha surpresa, ela se joga em mim com lágrimas em seus olhos e abraça minha cintura. — Mestre! Elas levaram Mumu e Snuffler! Primeiro o Oink, agora eles também.

Rolo meus olhos e desconfortavelmente afago a cabeça de Oilell: — Quantas vezes eu te disse para não se familiarizar com gado. Você sabe exatamente porque estamos mantendo os animais, ainda assim dá nomes a eles.

— Não dá pra evitar! Eles são tão fofos. Totalmente diferentes daquela wyrm enorme! Ela sacode sua cabeça.

Eu afago suas costas. Simplesmente não há como ajudar a tola. Lindwurm precisa de comida como todo mundo. — Oilell, preciso da chave de ferro.

Ela para de fungar e se afasta de mim. Então desaparece em um lampejo de movimento e retorna com um travesseiro vermelho. Acima dele está uma chave de ferro. Ela sempre mantém escondido de mim.

Pego-a e estudo o feitiço de segurança embutido em busca de qualquer forma de adulteração. Seria ruim se houvesse um problema com a chave. Ela destranca uma parte selada da minha berlinde de realidade. Se a berlinde de realidade detectar a menor tentativa de ganhar acesso ilegal aquela área, irá separar a área inteira e desconectá-la do tempo-espaço.

Seria extraordinariamente difícil reconectá-la ao resto da berlinde. Na verdade, é totalmente possível que a parte selada possa se perder para sempre, vagando através de um infinito mar de possibilidades.

Retorno à porta e empurro a chave na fechadura. A magia nas chaves interage com a porta e sinto a magia especial mudar enquanto rearranja as leis da realidade. Então abro a porta para as mulheres e as convido para dentro do corredor sombrio que perfila além do portal. — Bem-vindas ao calabouço.

Tina, Cecília e Sely entram após um curto momento de hesitação e fecho a porta atrás de nós, mergulhando-nos em completa escuridão. Guio minha magia e a concentro entre meus dedos. Certificando-me de que o feitiço está estável, invoco um globo de luz e avanço à frente de Sely e das outras. O corredor é apertado, então requer que elas se afastem.

Quando estou na frente, lidero o grupo à primeira junção entre três corredores e entro no que leva abaixo. — Essa parte da berlinde de realidade é bem antiga. A mansão e a área da superfície foram adicionadas depois. Meus ancestrais começaram com o deslocamento deste complexo subterrâneo da realidade. Berlindes de realidade funcionam deslocando tempo e espaço. Elas não criam ou destroem, mas é totalmente possível perder acesso à berlinde.

— Isso é um labirinto — resmunga Sely.

Eu assinto: — Isso dificulta a entrada.

— Ou saída — adiciona Tina.

Não comento sua observação e continuo a guiar o caminho. Após alguns longos minutos, chegamos em um corredor levemente mais largo com baús à esquerda e direita do caminho. Eles se parecem com pequenos baús de tesouro, mas cada um tem um pequeno buraco no topo. Um estalactite acima permite que água pingue de cima para dentro dos baús. As estalactites mostram quanto tempo alguns dos detentos têm estado aqui.

Um dos baús está quase completamente envolto em uma estalagmite. Cedo ou tarde eu terei que remover a cal. Do contrário ela vai fechar o buraco no topo do baú. Ao mover-nos além do décimo primeiro baú no lado esquerdo, ele começa a chocalhar, testando as pesadas correntes que o mantém em posição.

Sempre acho esse daí inquietante, então chuto o baú. — Para com isso! Já falei várias vezes que vou derramar um balde de óleo aí dentro e colocar fogo em você se fizer barulho!

O baú para com a barulheira e continuo adiante. A voz perturbada da Sely ecoa através do corredor. — O que, ou quem, está dentro daquele baú!?

Dou de ombros: — Não sei. Não me importo. Esse daí é de antes do meu tempo. Tenho certeza que há uma boa razão para isso. O que está aqui embaixo ou é perigoso demais para ser usado, ou cometeu uma grande ofensa contra os Bathomeus.

Chegamos ao trigésimo sétimo baú à direita e me ajoelho para destrancar o selo mágico. Então abro a pesada tampa de carvalho e canalizo mais energia para iluminar a esfera de luz em minha mão. — Olá, Tetrach.

Eu quebrei sua coluna na cintura, então dobrei ele cuidadosamente para trás a fim de colocá-lo dentro do baú. Ele está, adicionalmente, segurado por pesadas braçadeiras de ferro que sugam sua energia mágica. Sua boca está selada com uma focinheira de metal. Se ele quiser água, tem que beber através do nariz. Vendo-me, ele começa a rolar seus olhos e contorce-se como a minhoca que é.

Cecília levanta uma sobrancelha.

— Perverso!

Tina cerra as dela e olha de volta para o corredor, contando os baús.

Sely coloca uma mão na frente de sua boca e olha para mim de modo acusatório. — Isso era realmente necessário?

Bufo e aponto para Tetrach: — Ele tentou me matar com um lança-foguetes e isso doeu pra caralho! — Então aponto para o baú ao lado dele. — Aquele dali tentou tomar meu território e explodiu minha primeira loja de jogos. — Eu prossigo, recontando os crimes dos vários detentos, pelo menos os que aprisionei.

Quando termino, me viro para escutar as reações das três mulheres.

Cecília não parece nenhum pouco incomodada, enquanto Tina dá de ombros: — Pelo menos você sabe como guardar rancor.

Sely parece derrotada: — Vamos apenas pegar o Tetrach e sair daqui.




 


Ei, se estiverem gostando do projeto e desejarem ajudar um pouco, vocês podem fazer isso acessando o link abaixo, solucionando o Captcha e aguardando dez segundos para ir à nossa página de agradecimentos.

Podem acessar por aqui.


Tradução: Batata Yacon   | Revisor: Delongas


Anterior | Próximo

Uma ideia sobre “LOS – Capítulo 39

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s