LOS – Capítulo 36

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Capítulo 36:

~Limpeza~


“Durante a guerra com os fae, os campos de batalha estavam sempre limpos.”

— Uma Memória dos Antigos



 

 

***Caríntia***

***Sely***


— Ela está brincando com eles. Como um gato com um rato.

— Acho que isso é mais o que acontece quando você tranca um marta em um galinheiro.

— Está comendo toda a evidência!

Escuto os comentários estupefatos de Eva, Cecília e Adam. Pelo menos tenho a vantagem de saber sobre a Lindwurm antecipadamente. Apesar de ter que admitir que não notei que ela era tão grande. A criatura enorme também se move muito mais rápido do que eu esperaria de algo de seu tamanho.

Ela lança um ataque em um fae que está berrando, cortando uma de suas pernas. Então morde a perna restante. Ela faz isso muito cuidadosa e lentamente, quase como se não quisesse machucá-lo. Apesar de os berros e seus braços agitados contarem uma história diferente. De repente, Lindwurm o joga no ar onde ele rola, desamparado.

Ao mesmo tempo, sua cauda chicoteia e a ponta espinhosa oblitera o último grupo restante de hobgoblins.

A enorme wyrm corre em um círculo como se estivesse perseguindo sua própria cauda. Então pega o fae rodopiante no ar com suas mandíbulas e o engole de uma vez só.

— Não posso fazer nada. Ela parece tão inocente e feliz quando brinca com eles.

Era o último inimigo restante. Um monte deles fugiu. Os que decidiram lutar estão agora mortos no chão ou foram devorados pela Lindwurm. Sem mais brinquedos por perto, Lindwurm vira sua atenção a devorar os cadáveres abatidos. Ela procura e os sorve como se seu mestre houvesse oferecido uma tigela de guloseimas de bichinhos de estimação. Após sondar todo o campo de batalha, não tenho dúvidas de que hoje ela vai encher a barriga.

Por sorte, os Krampus e vampiros já começaram a coletar seus feridos e caídos. De algum modo, duvido que Lindwurm tenha a capacidade cerebral para diferenciar entre corpos mortos.

Forçando-se através de nossas barreiras apressadamente erigidas, Samantha se aproxima de nós de salto alto e com um cinegrafista em seu encalço. Magnus geme ao meu lado ao notar a repórter.

— Lorde Magnus! Posso fazer algumas perguntas!? — Ela nos chama.

Esfrego suas costas e ponho um sorriso para a repórter.

— É claro.

— O que aconteceu aqui? E o que é aquilo? — Ela aponta para a wyrm.

Ele sacode sua cabeça: — Eu não sei exatamente o que aconteceu aqui. Nós só acabamos com a briga. Um grupo de hobgoblins começou a atacar os humanos. Eles obviamente tentaram construir um novo covil. Então o meu pessoal apareceu, só para serem interrompidos pelos fae alguns momentos depois. Vocês sabem do conflito entre nós e os fae. Sendo honesto, eu realmente não me importo o que os fae e hobgoblins estão aprontando. Eles estavam causando problema e interromperam minha noite de jogos-

— Sua noite de jogos?

Ele range seus dentes: — Sim! É noite de sexta e me interromper nas noites de sexta é sempre uma má ideia! Para coroar, eles atacaram minha namorada grávida e-

— Sely, você está grávida? Apesar de parecer bastante que era você quem estava atacando eles. Nós logo teremos um senhorzinho entre nós?

Baixo os olhos para minhas roupas ensanguentadas e tento sorrir. Meus instintos podem ter saído um pouco do controle. O pensamento de ter um filho com fae que estão tão perto de minha casa me fez explodir. Eu simplesmente ignoro o comentário sobre eu estar atacando. — Sim, apesar de eu não saber se será um príncipe ou princesa. Quero que seja uma surpresa.

Magnus gesticula com sua mão: — De qualquer jeito. Eu já contei que os fae estão banidos no meu território. Qualquer um pode matá-los sem repercussões. E agora que os hobgoblins causaram problemas, estou seriamente pensando em bani-los também.

— Isso soa bastante como racismo.

— É! Não tenho problema nenhum em perseguir certas raças se noventa e nove por cento deles consiste de causadores de problemas! Os fae têm sua própria dimensão. Eles devem simplesmente ficar lá. Não me importo com as merdas de morais humanas sobre dar uma chance para todos. Os fae e os hobgoblins estão na minha lista negra. Apenas certifique-se de que todo o mundo saiba disso. — Ele olha diretamente para a câmera, dirigindo-se a quem quer que esteja assistindo a reportagem. — Aprontem alguma merda assim de novo, e eu te encontrarei! Eu levarei meu bichinho de estimação para um passeio no seu quintal. Lindwurm pode comer uma baleia por mês. Isso é um monte de fae e hobgoblins leves!

Uma repentina comoção entre os Krampus atrai minha atenção. Eles estão marcando alguns cadáveres de fae e hobgoblins como uma cena de crime. Lindwurm simplesmente os empurrou de lado e devorou os corpos. Agora adam está enfurecido e até mudou para sua forma verdadeira. Ele berra e balança seus punhos na wyrm, mas Lindwurm simplesmente o ignora. Ela está até lambendo o sangue da calçada, junto com o giz que foi usado para demarcar as posições dos corpos.

Krampus são realmente estritos com regras e procedimentos.

— Você tem certeza que seu bichinho de estimação é seguro? — pergunta Samantha.

Lindwurm vira sua atenção para Adam, que não está impressionado pela wyrm. Então ela dá uma lambida nele, babando toda a frente de seu corpo com saliva ensanguentada. Ela vira sua atenção para o covil de hobgoblins e ginga até lá, pressionando sua cabeça inteira no buraco. Ao fazer isso, ela faz a representação da Torre Inclinada de Pisa tombar.

Magnus volta sua atenção para Samantha. — Não? Mas esse é todo o ponto de ter um bichinho de estimação como ela. Vocês humanos também têm cães de guarda. Não se preocupe. Eu treinei ela para não comer coisas que eu não permito. Ele olha de volta para a wyrm, que está visando os helicópteros acima de nós.

— Ei! Lindwurm! Esses não! Se lembra da última vez que você comeu o ônibus com os zumbis? Gosto ruim. Escave os hobgoblins.

Ela boceja, mas retorna sua atenção para o buraco no chão. Cavando, seu corpo inteiro desaparece na terra, o que é acompanhado por uivos abafados do subsolo. Finalmente, apenas a ponta de sua cauda está exposta, girando no ar.

Samantha olha para a cena, claramente atenta à besta: — Quando ela vai voltar? Para de onde quer que ela tenha vindo?

Magnus levanta suas sobrancelhas: — Pro lago? Quando tiver comido, é claro. Mas acho que vou deixar ela passear um pouco. É a primeira vez em décadas que ela tem a chance de brincar do lado de fora. Estava ficando realmente difícil esconder ela dos humanos.

Samantha está visivelmente mais pálida que antes quando Adam bate os pés até nós, elevando-se sobre Samantha: — Lorde! Você tem que impedir seu mascote! Os procedimentos claramente dizem que a cena de um assassinato em massa tem que ser isolada do público até toda a evidência ser examinada!

Ele sacode suas mãos, borrifando a repórter com saliva viscosa. — Desculpe, Samantha. Não pretendi fazer isso.

Magnus sacode sua cabeça: — Sinto muito, mas Lindwurm não reage muito bem a ter sua comida retirada. Mas eu posso te mostrar onde ela faz suas necessidades. Se a evidência é tão importante pra você, pode escavar os dejetos.

Agora o Krampus parece genuinamente horrorizado.

Samantha se força a sorrir: — Está tudo bem Sr. Adam. Fico feliz que os Krampus tenham as coisas sob controle como a confiável força policial da cidade.

Então, de repente tenho uma ideia. — Adam, porque nós não tratamos essa área como uma zona de guerra. Afinal de contas, os fae estão envolvidos e nós, Antigos, estamos praticamente em guerra com eles. Não seria sua responsabilidade tratar isso como uma cena de assassinato.

A expressão grave de Adam imediatamente se ilumina. Tanto quanto a face de um Krampus pode mostrar alegria.

— Essa é uma ideia maravilhosa! — Ele se vira e caminha para os seus homens. — Pessoal! Parem de desperdiçar seu tempo aqui. Saiam e encontrem os levados que fugiram! — Há alguns resmungos entre os outros policiais, mas caçar malfeitores é mais do feitio deles do que fazer trabalho policial entediante.

Eva também vem até o nosso grupo: — Eu quero que você descubra o que os fae e hobglobins estão aprontando. Essa noite eu perdi onze dos meus e não estou feliz! Nada feliz! Três eram bons amigos!

Me encolho: — Sinto muito por suas perdas mas os Antigos decidiram não fazer nada ofensivo quanto aos fae. Você mesma sabe que a única solução real para o problema dos fae seria eliminar Fada. Eles tiveram milhares de anos para mudar de ideia, mas não o fizeram. Duvido muito que o façam agora.

Magnus bufa: — Eu posso dizer o que eles queriam fazer. Eles tentaram armar um evento de publicitário! Não teria sido bom se eles houvessem resolvido o problema com os hobgoblins para se tornarem os heróis? Eles simplesmente não esperavam que esse território possuísse vários grupos sobrenaturais que estão investidos em peso nos assuntos da cidade!

Viro minha atenção para Samantha e para as câmeras: — Talvez devêssemos falar sobre essas coisas em privado.

Samantha sorri arrojadamente: — Por favor, continue. Não se importe conosco.

Eu quero, mas discussões assim podem facilmente entrar em territórios que não queremos discutir em público.

— Sinto muito, mas já que somos os representantes das comunidades sobrenaturais nesta cidade, teremos que falar com todos os grupos antes de decidirmos como prosseguir.

Eu nos escuso e, juntos, deixamos a repórter para trás.


Ei, se estiverem gostando do projeto e desejarem ajudar um pouco, vocês podem fazer isso acessando o link abaixo, solucionando o Captcha e aguardando dez segundos para ir à nossa página de agradecimentos.

Podem acessar por aqui.


Tradução: Batata Yacon   | Revisor: Delongas


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