LOS – Capítulo 35

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Capítulo 35:

~Sem Descanso~

 


“Sempre se certifique de ser o maior peixe na poça.”

— Uma Memória dos Antigos

 


 

 

***Fada***

***Jardineiro***

 

— Sua campanha não teve o efeito que esperávamos. — Inverno coça seu cabelo e circula um dedo em uma folha de papel com alguns números e nomes. Ele está sentado em seu trono pessoal de gelo no meio da minha floresta.

Verão faz uma carranca e desvia o olhar.

— Mesmo se controlarmos muitas pessoas em posições chave, ainda leva tempo para os humanos fazerem qualquer coisa. Eles não são uma pedra que pode ser movida com um único empurrão. Os governos da humanidade são mais como uma pilha de areia. Nós podemos empurrar, mas nossas mãos apenas irão afundar. Odeio admitir, mas podemos ter que fazer algo drástico.

Outono suspira e se espreguiça em cima do velho tronco de árvore que escolheu como assento: — Então o que você propõe? Devemos encenar um massacre cometido por uma raça sobrenatural de sua escolha? Então podemos correr e salvar o dia e provar que somos os mocinhos.

Rolo meus olhos e retorno à minha intensiva inspeção do grupo de cogumelos. Fada estava desconectada do mundo normal por tanto tempo que começou a desenvolver seu próprio ecossistema. É interessante ver o que poderia ter sido, se os humanos não houvessem controlado completamente seus ambientes.

Esse cogumelo é tão interessante porque captura insetos com suas próprias protuberâncias grudentas. Ele também é móvel e pode se mover em um passo de lesma. Me pergunto se ainda pode ser chamado de “cogumelo”. Está mais para um animal agora. Estou bastante certo que seu ancestral foi um genuíno cogumelo. Talvez a magia neste lugar esteja fazendo algo para acelerar sua evolução: Eu suspiro. É prova de que fiquei neste lugar por tempo demais.

Jardineiro! O que você acha?

A voz de Primavera me força a retornar minha atenção aos quatro tolos.

— Sobre o quê? — pergunto.

Inverno me insta a responder rapidamente:

— Faça uma sugestão. Nós queremos encenar um incidente para mostrar ao mundo que somos os mocinhos. Onde você realizaria tal cenário?

— Tem que ser em algum lugar onde o mundo pode assistir. Mas não um lugar com Antigos o bastante para interferir. — É tão horrível quando idiotas estão tentando ser espertos. Inclino minha cabeça e considero a ideia deles. Então considero tudo que sei sobre o mundo humano.

— O que quer que fizerem, sugiro que comecem com algo pequeno. Escolham um território onde os Antigos sejam facilmente sobrepujados. Um clã que não tenha laços com outros clãs e esteja com números baixos. Que tal um lugar como Caríntia?

Outono sacode sua cabeça.

— Nós acabamos de perder uma instalação de pesquisa lá.

Verão levanta um dedo para mostrar que não quer interrupções.

— Mas o lugar foi limpo por apenas dois Antigos. Parece que o clã lá é pequeno. Talvez possamos sobrepujá-los. A fêmea no vídeo parecia ser da idade certa. — Ela lambe seus lábios.

Eles continuam sua discussão, mas eu retorno minha atenção ao treco cogumelo-lesma. Quando eles tiverem falhado, posso sempre dizer que foram eles que tiveram a ideia.

 

***Caríntia***

***Magnus***

 

Parece que fazem semanas desde que encontrei tempo para relaxar e jogar cartas. Após eles me deixarem para trás, empacotei todas as minhas coisas e me juntei ao Draft dessa sexta-feira no Diamond Mox. Até consegui montar um deck bem legal com um monte cartas de compra, remoção e quatro fortes criaturas como finalização. Mas minha verdadeira condição de vitória são dois artefatos que me permitem descartar uma carta e retornar uma criatura do meu cemitério para o campo de batalha, só para sacrificá-la no final do combate.

Todos os meus quatro finalizadores têm fortes efeitos de “entrada no campo de batalha”, então ganho algo mesmo se forem bloqueados. Até agora minha estratégia tem funcionado perfeitamente e me permitiu subjugar meus oponentes ao descartar cartas inúteis.

Meu oponente joga um terreno e invoca um feitiço para exilar meu cemitério. É o segundo jogo, então sideou o feitiço após ver minha estratégia. Eu podia jogar uma contramágica, mas decidi não. Normalmente, perder as criaturas no meu cemitério me custaria o jogo porque dependo delas. Apesar de nesse caso não me ferir tanto assim. Ainda tenho uma das minhas criaturas fortes na minha mão e colocá-la no cemitério é apenas uma questão de descartá-la com meu artefato.

Então decido salvar a contramágica para algo mais perigoso. Meu oponente joga a cor branca, então ele deve ter algo como desencantar para destruir meu artefato. Isso me feriria muito mais nessa situação. Com vinte e quatro cartas sobrando no meu deck, eu teria que jogar mais uma de compra e depender de encontrar o segundo artefato. Se eu tiver azar, posso zerar meu próprio deck e assim perder o jogo por estar sem cartas.

Melhor aceitar esse contratempo.

Meu telefone toca e atendo enquanto ponho a pilha que representa meu cemitério na pilha com as cartas exiladas.

— Sim?

— É a Eva. Nós precisamos de você no Parque Mundus! Alguns hobgoblins doidos estão correndo soltos aqui! Eles estão atacando os humanos e tentando cavar um novo covil! A voz de Eva soa um pouco estressada.

É meu turno. Puxo uma carta e descarto minha criatura para preparar meu combo para o próximo turno. — Lamento. Hoje é noite de Sexta. Você sabe o que significa.

— Você tem que nos ajudar! Há muitos deles! Isso vai ferir sua imagem!

Eu suspiro. — Quem se importa com alguns hobgoblins. O máximo que eles podem fazer é estuprar algumas mulheres antes de eu terminar aqui. As mulheres podem tomar a pílula quando eu for resgatá-las amanhã.

— Fae!

Olho para o teto. Eva está tentando de tudo.

— O quê? Eu não te escutei. Acho que a conexão está ruim.

— Fae! Arrasta sua bunda pra cá, seu inúti… — Então a chamada cai.

Volto minha atenção para o jogo, mas alguns momentos depois recebo uma mensagem da Sely. — Os fae estão aprontando algo! Saindo.

Lentamente baixo minha testa até a mesa e dou uma longa, profunda inspiração com meus olhos fechados.

— L-l-lorde? Isso soa muito urgente. Tem certeza que tem tempo? — Meu oponente humano pergunta. Sua voz soa perturbada. — Seus olhos brilharam como lanternas vermelhas. Isso é saudável?

Me sento e empilho todas as minhas cartas em uma única pilha.

— Diga ao gestor do evento que eu desisto. — Enfio a pilha na minha caixa de deck e a largo na mochila com minhas cartas. Então saio para minha SLK.

No caminho, assobio um tom alegre e tento pensar em todas as coisas boas que aconteceram na minha vida. Me reconectei com minha tia e arrumei uma namorada realmente gostosa. Agora ela é minha mulher e está grávida, e corre direto para o perigo…

— Não. Pensamentos felizes! Não há razão para ficar zangado. Absolutamente nenhuma.

Posso foder ela toda noite e ela é bastante aberta a experimentos sexuais. Há a pequena questão de ela ter vindo com um, agora dois, apêndices. E também há o terceiro apêndice que apareceu do nada…

— Não. Pensamentos felizes! Não há razão para ficar zangado. Absolutamente nenhuma.

Eu cantarolo as palavras como um mantra enquanto entro no meu carro e inicio o motor. Então obedeço às regras do trânsito, me certificando de não ter um acidente. O Parque Mundus está apenas a dez minutos daqui.

O Parque Mundus é perto do lago onde o canal da cidade acaba. Sua atração principal é uma larga exibição de edifícios em miniatura. Nenhum deles maior que três metros. Há peças como as pirâmides, a Casa Branca ou a Torre Eiffel. A coisa toda é feita como uma piada, mas os modelos são realmente bons.

Um grupo de três carros de polícia passam com pressa e me ultrapassam, quebrando o limite de velocidade.

— Pensamentos felizes! Não há razão para ficar zangado. Absolutamente nenhuma — cantarolo o mantra e busco meu bolso por alguns cigarros. Tudo que preciso é de um fininho. Mas infelizmente, Sely fez um bom trabalho em encontrar e se livrar de toda minha erva.

Finalmente, chego na cena e paro o carro. O Parque Mundus é um campo de batalha. E não um dos simples. Acima, há vários novos helicópteros circulando sobre a área.

É uma batalha entre três lados. Perto de mim, mantendo as pirâmides, está a Sely, Fiacre e Cecília, Eva, seus vampiros, e Adam com um bando inteiro de Krampus.

Então há os fae, que estão tentando enfrentar os Hobglobins e nosso povo ao mesmo tempo. Os magos fae tomaram controle da Casa Branca e a estão usando como cobertura. Eles são muito mais numerosos, mas ao mesmo tempo suas tentativas descuidadas de matar os Hobgoblins os colocaram entre nosso povo e os hobgoblins.

Desde quando os fae tem um problema com hobgoblins? Pensei que eles fossem amiguinhos já que hobgoblins não podem ser usados como reprodutores.

Finalmente, há os hobgoblins que estão fluindo de um buraco sob o modelo da Torre Inclinada de Pisa.

Sacio do carro e assobio. Então caminho ao caos, me aproximando de Sely em uma linha reta, que está torrando um fae com seu bafo de fogo. Balas e feitiços estão voando para todo lado enquanto algumas pessoas estão lutando em combate próximo na área entre os três grupos. E Sely está bem entre eles.

Corpos de todos os tamanhos estão em todo lugar. Se parece com uma zona de guerra.

Por segurança, ergo meus campos e barreiras. Isso se prova útil, já que balas ricocheteiam do meu escudo alguns momentos depois.

Um hobgoblin me intercepta em combate próximo, mas a criatura chega apenas à altura do meu peito. Hobgoblins vêm em todos os tamanhos. Dependendo de quantos humanos eles tiveram em sua árvore de ancestrais. Eles são humanoides de pele escura com largas presas. Pego o hobgoblin e o puxo para perto. Então agarro sua garganta e canalizo poder através de meus músculos para lançá-lo como um projétil vivo à Casa Branca.

Os guerreiros hobgoblins não são realmente uma ameaça exceto por seus números. Mas seus Xamãs podem ser perigosos. Eles sabem algumas maldições poderosas e podem controlar golens.

Assobio de novo e parto à luta entre um fae e um hobgoblin invocando uma lâmina de força. Eles estão tão preocupados um com o outro que nem mesmo notam minha magia até estarem cortados ao meio.

Finalmente, chego a Sely que está sentada nas costas de um fae, batendo sua cabeça na calçada. Assobio de novo e pego a Sely pelos quadris e a jogo sobre meus ombros.

— Me solta! Nós temos que parar isso!

Me viro e a carrego de volta para nossa posição onde parece ser menos provável sermos pegos pelos fae ou os hobgoblins. Assobio de novo.

— O que você está fazendo? Por que você está assobiando? Me solta!

Abaixo a Sely ao lado da Eva, que arrumou um AWP de algum lugar. Ela mira e puxa o gatilho. Na Casa Branca, a cabeça de um fae se desintegra em uma nuvem de sangue e carne. Fiacre e Cecília estão satisfeitas em lançar feitiços em nossos inimigos.

Sely está me encarando, mas por sorte não tenho que me explicar. O alto barulho de água sendo espirrada do canal próximo atrai a atenção de todos. Então a cabeça de Lindwurm aparece, seguido pelo resto de seu corpo. Ela atravessa a cerca do parque e amassa uma fileira de carros, nem mesmo os notando.

Lundwurm tem muitas similaridades com um dragão chinês, mas suas pernas são mais longas e possui garras enormes para prender sua presa. Wyrms podem viver em lagos, mas na natureza eles caçam baleias no mar. Tento mantê-la em casa alimentando-a o bastante. Para viajar rapidamente aos seus locais de caça, Wyrms também possuem um par de enormes asas e magia natural para superar as leis da física.

Assobio de novo e Lindwurm me nota. Rugindo, ela pressiona seus membros em seu corpo lustroso para mover-se rapidamente como uma cobra. Em seu caminho, ela dá cabo da Casa Branca e esmaga os fae que não foram rápidos o bastante para esquivar, deixando-os como manchas vermelhas de sangue.

Várias pessoas mudam suas miras para a wyrm. Mas, com o tamanho de um jato jumbo, Lindwurm nem mesmo nota as balas. Suas escamas lisas são placas espessas de osso reforçado. A estrutura delas está próxima de uma versão biológica de fibra de carbono e cerâmica. Até mesmo feitiços não representam uma grande ameaça para a criatura mágica já que ela pode absorver energia. Quando ninguém a perturba, ela vaga o dia todo perto da superfície do lago e coleta energia como um painel solar. No inverno ela fica dentro da minha berlinde a menos que eu a chame.

Lindwurm se enrola em torno de nossa posição e coloca sua cabeça no chão na minha frente. Eu sorrio e acaricio seu focinho. Ela começa a ronronar como um gato e toda a área vibra. Bem, um gato bem grande.

— Olha, Lindwurm. — Aponto para os fae e hobgoblins. — Eu trouxe um monte de guloseimas gostosas pra você! Pega!

Suas enormes pupilas verticais se focam nos invasores e uma língua partida lambe seu focinho.


 

Ei, se estiverem gostando do projeto e desejarem ajudar um pouco, vocês podem fazer isso acessando o link abaixo, solucionando o Captcha e aguardando dez segundos para ir à nossa página de agradecimentos.

Podem acessar por aqui.


Tradução: Batata Yacon   | Revisor: Delongas


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3 ideias sobre “LOS – Capítulo 35

  1. Alex

    whatafuki quando foi citado os hobgoblis eu pensei que ele estivesse realmente formas humano só que ele fosse pessoas negras né tipo os africanos no caso aí faria sentido ninguém tem descoberta a porra dos bichos mais não, eles têm realmente aparecem com um hobgoblin que nem as histórias de fantasia e eu n desconfiaria se os wyrm fossem um dos motivos pra baleias estarem em extinção ksksksksks

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  2. Thiago Morgado

    “Meu oponente joga a cor branca”
    acredito que o certo seja “na cor branca”, Essa fala esta relaciona a forma como o jogo funciona. No magic, as cartas são dividas por cores, então aquela frase se refere a cor do deck dele

    Curtido por 1 pessoa

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