LOS – Capítulo 30

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Capítulo 30:

~Atlantis~

 


 

“E lá estava. Desde o alvorecer da civilização.”

— Uma Memória dos Antigos

 


***Caríntia***

***Sely***

 

Amarro minha pequena adaga ao meu braço e puxo a luva sobre ela. Todos verão que estou escondendo uma arma, mas pelo menos não estou mostrando como algum tipo de troféu.

— Eu realmente deveria ter pensado sobre as armas antes de escolher este vestido. É realmente difícil esconder qualquer tipo de arma.

Magnus rosna: — Tem certeza que tem que ir conosco? Eu posso ir sozinho e desafiar Emil Baucheaux. Não há necessidade nenhuma de você estar lá.

Coloco minhas mãos nos quadris e o encaro até ele evitar meus olhos. O que simplesmente significa que sua atenção vagou para os meus seios ao invés da minha face. Um modo bastante conveniente de me olhar enquanto mantém o silêncio. Estalo meus dedos para lembrá-lo de que estou bem ciente de que ele está me checando. — Você já saiu correndo sozinho uma vez. Não acontecerá de novo. Nós somos uma equipe de agora em diante. Para sempre!

Ele suspira e põe a mão em seu bolso, puxando um conjunto de dados e cartas de baralho.

— Leve isso. Eu encantei as cartas com magia de distúrbio. Eles irão contra-atacar a maior parte dos efeitos mágicos com os quais entrarem em contato. O dado gerará um campo de inibição se você espalhá-los em sua volta. Se carregá-los com energia antes de lançá-los, eles explodirão como uma granada.

Eu pego os itens e faço uma contagem rápida.

— Deve ter levado meses para colocar tantos encantamentos assim! — Encantar algo permanentemente não consome muita energia, mas consome bastante tempo e é entediante se o encantador quiser que seu trabalho dure mais de alguns dias. Do contrário a energia se desenreda e dispersa, perdendo seus efeitos.

Ele assente: — Sim, então não desperdice. Use-os apenas em situações em que estiver em menor número ou sem magia.

— Por que você está usando cartas e dados? — pergunto.

Ele dá de ombros: — Tenho muitas já que adoro o jogo. Pelos anos, coletei várias caixas de cartas que nunca uso e que não têm nenhum valor em particular. Pelo menos as cartas não acumulam poeira assim.

Dando de ombros, ele corrige seu terno preto e me oferece seu braço: — Vamos lá.

Dou de braços com ele e saímos dos aposentos que de algum modo viraram nossa área privativa. É apenas uma curta caminhada ao saguão de entrada onde Tina já está esperando. Ela nos acompanhará à congregação. Minha mãe ficará para trás com a Fiacre para ficar de olho na Kath e Annia. — Está pronta, Tina?

Ela assente e abraça sua irmã.

— Nós não nos veremos por um tempo, já que voltarei para Espanha quando a congregação terminar. Há alguns assuntos que não podem ser deixados sem atendimento para sempre. E Gavin ainda está à solta. Terei que puxar alguns fios para encontrá-lo.

Cecília aperta sua irmã. — Não se preocupe. Eu segurarei o forte aqui. E quando essa berlinde estiver conectada à nossa, você será capaz de visitar a qualquer hora.

Magnus rosna: — Eu nunca disse que permitiria tal coisa. É um risco de segurança.

Eu bufo: — Então restrinja o acesso apenas à Tina. Elas se comportaram. Nós dificilmente podemos proibir a Cecília de ver a Annia ou a mim. Do mesmo modo, não podemos isolar a Tina.

Ele rola seus olhos: — Minha propriedade está descendo pelo esgoto. — Ele se vira para ficar de frente com Fiacre, Annia, Cecília e Kath. — Divirtam-se enquanto nós lutamos por nossas vidas. — Ele vira sua atenção para Karh que salta para trás de Fiacre. — E não se esqueça que você ainda está de castigo.

Fiacre gesticula para que prossigamos: — Não se preocupe. Dessa vez coloquei um feitiço rastreador na Kath. Ela não escapará uma segunda vez.

Ofereço minhas próprias despedidas a elas e sussurro no ouvido do Magnus: — Você não pode ser bom pra ela de uma vez? A criança já tem problemas o bastante.

— Eu sou bom. Ela é uma ex-humana e eu a acolhi como se tivesse laços familiares comigo — resmunga ele. — E sem contar. Enquanto eu for rigoroso, ela me escutará.

Eu desisto e o manobro rumo à porta. Magnus não é uma pessoa que pega leve com crianças. Nos aproximamos da soleira e Magnus põe o círculo dourado de volta na posição zero para abrir a porta.

A maior parte dos clãs que têm uma berlinde de realidade, ligam-na a Atlantis. É um símbolo de status e poder entreter tal conexão. Assim como possuir um forte Véu, isso consome bastante poder. O que faz eu me perguntar como Magnus e Fiacre podem manter feitiços tão poderosos dentro de seu território. Esse é um segredo que ele ainda tem de compartilhar comigo.

Ele abre a porta e nós atravessamos. O solo está coberto com o pó de várias décadas. Eu rapidamente levanto o volante de meu vestido para evitar que suje. Tina xinga atrás de nós e faz o mesmo com seu vestido verde.

— Desculpa. Parece que Oilell não se incomodou em cuidar de uma casa vazia. — Ele nos guia através de um pequeno quarto e abre a porta para o exterior. Nos encontramos em uma floresta de arbustos e largas árvores. Apenas um estreito caminho pavimentado passa pela moita.

Seguindo o Magnus, dou uma olhada de volta para a pequena casa fantasma. Ninguém cuidou do lugar em anos. A arquitetura parece antiga. É uma versão crescida de uma vivenda pré-histórica.

Magnus já está desaparecendo na moita. O céu está preto como piche, ainda assim recebemos luz de algum lugar. Após alguns metros, a moita se abre e nós três pisamos em uma rua bem conservada. Parece que como se eu houvesse sido trazida de volta ao passado. As casas parecem ser diretamente da Grécia antiga, ainda assim todas as pessoas estão vestidas em roupas modernas. Todos Antigos.

— Então essa é a primeira cidade — sussurro.

Magnus se vira para me estudar. — Você nunca veio aqui?

— Você veio? — pergunta Tina.

Ele dá de ombros: — Algumas vezes enquanto meu pai ainda estava vivo. Eu sempre escutava naqueles encontros tediosos com outros chefes de clã.

— É minha primeira vez aqui. Nós não tínhamos permissão de deixar o território. — sondo o cenário e percebo que pareço uma turista. Me aproximo mais de Magnus e cruzo meus braços com os dele. — Atlantis foi a primeira tentativa de convivência com os humanos. Nós imitamos seus pequenos vilarejos e construímos esta cidade. Antes quando não escondíamos nossa natureza e permitíamos que humanos vivessem entre nós sem restrições.

— Mas falhou. Se misturar com os humanos levou à existência dos elementais e dos fae. Alguns anos depois, se tornou claro que o experimento foi um enorme erro e os fae saíram de controle. A guerra foi travada e a cidade movida por vários clãs. Agora está no fundo do Oceano Atlântico. É um monumento à nossa tolice e o clã responsável pelo experimento jurou manter a cidade para sempre.

Tina gesticula para continuarmos: — Sim. Os Utluk estão permitindo que este lugar seja usado como um local de encontros neutro para todos os outros clãs. Requer bastante poder para manter este lugar, então eles estão grampeando diretamente uma das Linhas de Ley da Terra. É um feito magnífico de feitiçaria. Um que nem mesmo os fae conseguiram copiar de nós. Eles estão mantendo Fada com seu próprio poder.

Nós caminhos rua abaixo e logo somos acompanhados por alguns dos membros de clã da Tina. Eles nos encontraram logo após começarmos a descer a estrada, então assumo que ela os informou de nossa chegada antecipadamente. Também percebo que a maior parte dos Antigos estão indo na mesma direção que nós. É uma procissão silenciosa.

Finalmente, chegamos em um enorme coliseu. Ele rivaliza o de Roma. Nós seguimos o fluxo de pessoas. Uma vez dentro da estrutura, percebo que foi construída bem diferente daquela em Roma. Apenas vi fotos, mas os humanos escolheram usar enormes escadas para acomodar a audiência.

Esta versão não permite tal afinidade. Cada clã tem seu respectivo púlpito, os separando dos outros.

Magnus nos guia para aquele na frente, onde somos parados por um empregado. — Lamento. Este aqui está reservado para os Bathomeus. Eles não mostraram suas caras em algumas centenas de anos, mas reserva é reserva. — Os olhos do empregado vagam para mim, me checando.

Magnus levanta sua voz. — Olhos em mim, ou te farei comê-los! Eu sou Magnus Bathomeus e paguei uma nota preta por estes assentos.

O empregado cerra seus olhos para o Magnus, claramente pretendendo causar problema. Seus olhos se voltam para mim. — temo que is-blergh

Mais rápido do que eu poderia tê-lo parado, Magnus enfia seus dedos na garganta do homem. O homem não viu o golpe chegando já que seus olhos estavam colados em mim. Ele larga a prancheta com suas notas, boca arregalada e ofegando em busca de ar. Magnus realiza mais dois jabs rápidos e os olhos do homem desaparecem de suas órbitas.

Magnus avança, enfiando os olhos do homem em sua boca, abafando o berro. Enquanto fazia isso, Magnus o empurra para a balaustrada. Então realiza um perfeito gancho direto no queixo. Um doentio “croc” me informa que algo quebrou… ou estourou. O empregado tomba para trás e sobre a balaustrada, caindo no coliseu.

— O qu- O qu- — Eu nem ponho as palavras para fora. Por que ele fez isso? O idiota só estava me olhando.

Tina parece despreocupada e caminha para o púlpito, tomando o assento com a melhor vista. Ela dá uma batidinha no assento ao seu lado. — Venha, Sely. Sente-se.

Me apresso para sentar ao lado dela.

Magnus puxa um lenço e começa a limpar suas mãos. Ele dá uma olhada sobre a balaustrada, checando a situação do empregado. Então se vira e inspeciona os outros espectadores em seus púlpitos. Julgando que eles entenderam a mensagem, ele se junta a nós e toma o assento ao meu lado.

— Por que você fez aquilo!? — sussurro.

Ele não se incomoda em abaixar sua voz. — Ele estava te olhando e eu disse para não olhar. Agora ele não vai mais te checar e a maior parte dos outros que estavam te babando pararam.

Tina se inclina para mim: — Acho que você subestima o quanto é bonita. Você é uma atração. Se o Magnus não deixar claro que você é dele, terá que responder a dúzias de desafios por sua boa vontade antes do dia acabar.

Fecho a cara, percebendo que Tina não está nem um pouco incomodada com isso. Aparentemente minha isolação no complexo não me fez nenhum favor no que se trata de interações sociais com outros clãs. — Como se eu fosse ser tentada a deixá-lo só porque alguém conseguiu derrotar o Magnus.

Ela suspira: — Você não tem ideia de quantas mulheres têm olhos apenas para o homem mais poderoso.

Me viro para checar rapidamente os espectadores próximos. A maior parte deles de fato está evitando contato ocular comigo, então tudo que resta fazer é estudar o grande brasão sobre nosso púlpito. É uma enorme, águia negra. As asas estão abertas e está segurando uma lança em uma garra, e um orbe na outra. Raios de energia mostram que o orbe deve ser um item de poder.

— O que é isso?

— O brasão de nossa família. Você já conhece a lança, mas o orbe é o verdadeiro segredo por trás da ascensão ao poder dos Bathomeus. É uma pedra de poder encantada, mas não uma normal. Ela não precisa ser carregada e emana um constante fluxo de energia. É o segredo do meu forte Véu — explica Magnus, casualmente.

Olho para ele com minha testa franzida.

Ele sorri e me puxa para perto, alcançando minha cintura. — Isso é conhecimento público. Você não estudou a história de seu novo lar?

Bufando, cruzo meus braços em frente ao meu peito. — Não é como se eu houvesse tido muito tempo livre recentemente.

Tina gesticula para ficarmos calados. — Acho que o primeiro ancião está prestes a começar seu discurso de abertura.


Tradução: Batata Yacon   | Revisor: Delongas


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6 ideias sobre “LOS – Capítulo 30

  1. Alex

    Agr eu entrei em dúvida sobre como foram os experimentos que os antigos fizeram pra criar os fae, elementais e entre outros raças pq se foi através de procriação o que não faz muito sentido de como um humana ou antigo deu a luz a um ser de outra espécie sem o organismo ter rejeitado o DNA desse ser já que são espécies extremamente diferentes se foi através da ciência com eles mexendo com o DNA o que e mais provável mais isso significa que eles nem tentaram mt já que se os humanos com só alguns séculos de busca/conhecimento sobre genética consegueram criar um antigo em laboratório como caralhos os antigos n consegueram tipo eu tenho certeza que se for por falta de objeto de pesquisa (um outro antigo) e o que n faltava pq mesmo podendo viver pra sempre eles tinha seus prisioneiros pra usar

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    1. algumapalavra

      Pelo que entendi, o tal experimento foi viver junto com os humanos..
      Os fae, elementais e tals foram efeitos colaterais disso..

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    2. Batata Yacon Autor do post

      Só quero deixar claro que estou tão perdido quanto todo mundo. Estou lendo conforme traduzo.

      O primeiro experimento pelo visto foi o bom e velho exercício a dois, acho que foi mencionado em algum lugar que os Antigos também originalmente não tinham forma humana.

      Mas pelo visto o dos humanos foi tentativa e sorte, sairam chutando no escuro até acertar alguém.
      O Magnus também tinha mencionado que essa não era a primeira vez que pegava humanos fazendo experimentos no território dele e isso só no território dele.
      Então os humanos estão tentando faz tempo e essa foi a primeira vez que funcionou.

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  2. Thiago Morgado

    Eu estava pensando como é engraçado como os antigos são meio bestiais apesar de sua aparência civilizada, mas eu acabo de lembrar que muitas pessoas agem dessa mesma forma

    Curtido por 1 pessoa

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