LOS – Capítulo 25

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Capítulo 25:

~Relacionamento~

 


 

“Primeiro quebre a mandíbula, então puxe a língua. Quando isso estiver fora do caminho, você estende a mão garganta abaixo e arranca o coração.”

— Como cozinhar um fae, Uma Memória dos Antigos

 


***Caríntia***

***Sely***

 

— … e essa é a história. Tivemos sorte de acabar com o Magnus — termino a explicação. — Não há necessidade de nos resgatar porque estamos muito felizes em estar aqui. Pelo menos eu estou. E você, Annia?

Annia assente: — Também quero ficar aqui. A mansão é simplesmente legal e eu fiz montes de amigos na cidade. Todos são da minha idade!

Viro minha atenção para Cecília e Tina. Ambas escutaram nossa história pacientemente. Ocasionalmente fizeram perguntas para clarificar as coisas, mas fora isso não deram indicação nenhuma de seus pensamentos.

Agora, posso dizer que Cecília não tem memória nenhuma de nós. Nenhuma mesmo. Não tenho ideia de que tipo de pessoa ela é agora, mas não pareceu gostar da nossa visão dela. Especialmente não a parte quanto ao comportamento dela para conosco. O tempo todo ela esteve com um sorriso falso. Posso apenas imaginar como deve ter sido para ela. É como viajar no tempo, descobrindo que outra pessoa pilotou seu corpo durante sua ausência.

Cecília esfrega suas coxas, seu olhar focado no horizonte: — Entendo. Devo admitir que tive uma imagem muito diferente da situação na minha cabeça. Talvez eu deva ser grata pelas coisas pequenas.

Annia sorri, uma ideia se formando em sua cabeça: — Por que você não fica aqui enquanto aprende sobre essa era? Vai levar um tempo para se atualizar e podemos usar o tempo para reconectar. — Ela junta as mãos em uma batida, intrigada pelo pensamento.

É quase como se a luz retornasse aos olhos da mamãe. — Isso pode funcionar. E não é como se vocês não precisassem de mais algumas pessoas no seu território. Eu não tenho qualquer responsabilidade, então posso agir como quiser.

— Mas e eu!? — choraminga Tina, claramente chocada pela decisão brusca de sua irmã.

Cecília descarta o protesto de sua irmã. — Você foi bem sem mim. E não é como se você não soubesse onde me encontrar. Talvez possamos até abrir uma porta entre essa berlinde de realidade e a nossa. Você ficaria apenas a um passo de distância.

— Não! — Magnus cruza os braços na frente do peito e sacode sua cabeça. — Não! Eu permiti que você nos visitasse. Não quero ainda mais forasteiros na minha propriedade. E não confio em você. O que vem depois? Um bando de servos? Primeiro as irmãs, então ela. — Ele lança o dedo na direção de Kath, que ainda está ignorante e brincando entre as flores. — E agora a Cecília? Onde isso vai acabar?

Tina rosna: — Fique feliz que minha irmã está considerando lhe oferecer sua proteção. Pelo que vejo, seu território carece de mão de obra para se proteger.

Os olhos de Magnus lampejam em vermelho e percebo que tenho que fazer alguma coisa. Do contrário isso vai acabar em um banho de sangue. Me movo para perto dele e o abraço de lado, me certificando de pressionar meus seios contra ele. — Por favor? Que diferença faz mais uma mulher?

Ele rosna: — Esse é outro ponto. Meu território de alguma forma passou de paraíso a algum tipo de asilo para fêmeas necessitadas.

Isso não está funcionando tão bem quanto esperava, então beijo sua bochecha. Talvez redirecionar sua ira funcione melhor. — Não acha que há outra coisa que exija mais atenção? Como matar meu marido?

Ele range seus dentes tão alto que todos podem escutar. — É. Aquele lá. Talvez eu deva arrombar uma instalação russa e lançar um de seus nukes na Inglaterra. Isso cuidaria dos Baucheaux. — De repente ele se levanta e se retira. — Tenho que me preparar. — Meio caminho até a mansão e ele se vira e aponta para mim. — E não ache que não percebi o que você está tentando fazer. A última palavra nesse assunto não foi dita.

Eu sorrio e me viro de volta para Cecília e Tina. — Ele tem problemas de raiva. Provavelmente eu deveria segui-lo para garantir que ele não ponha em ação a ideia da bomba atômica.

Cecília franze sua testa e olha para mim. — O que você vê nele? É só sobre ter um lugar para viver? Você pode ter isso conosco também.

Eu franzo meus lábios. — Para ser honesta. Nós não estamos juntos por tempo o bastante para formar um laço real. Mas ele me adora e simplesmente estar com ele parece certo para mim. Eu já vi o bastante dos lados bons e ruins dele para dizer que ele é decente o bastante para atender minhas expectativas de um relacionamento.

E então tem o ponto mais importante. Como exatamente devo dizer isso? Aw, por que eu deveria ficar enrolando? — E o sexo é simplesmente extraordinário. Tenho quase duzentos anos e nunca tive um garanhão como ele! Parece que fomos feitos um para o outro. Com aquela maldição em mim eu já tinha perdido esperanças de algum dia me atrair a um homem. Se me derem licença.

 

***Caríntia***

***Cecília***

 

Sely se levanta e segue seu “garanhão” para garantir que ele não faça algo estúpido. Há razões piores para se estar com um parceiro. Desde que ela esteja feliz. Eu suspiro cautelosamente e volto minha atenção para Annia. Eu esperava por mais, mas minhas filhas agem e parecem estranhos para mim. Parece que eu simplesmente terei que trabalhar para isso. — Você tem algum hobby? Eu gosto de ler livros.

Minha filha franze sua testa. — Livros? É, eu leio, mas só porque meus amigos estão em um clube. Eles leem todos os tipos de livros. Eu mesma gosto mais de computadores. Você conhece computadores? Não havia nenhum duzentos anos atrás. Parando para pensar, podemos começar sua reintrodução à civilização moderna com um curso de computação. Ser incapaz de usar um computador é a mesma coisa que ser analfabeto nessa era. Vamos começar com coisas fáceis, como navegar na internet. Então escalaremos até programação. Não se preocupe. Tenho certeza que sou uma excelente tutora. Durante minha época no complexo, tive tempo mais que o bastante em mãos, então ganhei dois diplomas em T.I e Telecomunicações.

Ela é um monstro. Eu sorrio. De onde ela tirou essa tagarelice repentina? É por que a irmã saiu? 

— Também posso te ensinar magia… se você quiser. Eu certamente sei alguns feitiços antigos que você nunca ouviu falar.

— Não. Te deixar familiarizada com o mundo moderno é muito mais importante. E se você tiver que sair sozinha. Você se machucaria só em tentar atravessar a rua. — Annia se levanta e corre em volta da mesa, pegando minha mão. — Vamos usar o equipamento no apartamento. Magnus tem mais recentes. Acho que algumas horas de conhecimento teórico são o bastante. Então vamos visitar a cidade pra te deixar familiarizada com tudo.

O que são computadores? Por que ela está tão entusiasmada com isso? E se eu acabar não tendo talento nenhum? Eu quero fazer uma primeira impressão brilhante como mãe. Ser alguém de quem ela pode se orgulhar! — Não tenho certeza se combino com essa coisa de computador. — Procuro pela Tina, buscando ajuda.

Mas minha irmã tem seus próprios problemas. Kath parou sua investigação das flores e agora a criança está oferecendo um buquê selecionado a mão para Tina, lhe cativando com uma inocência que só uma criança tem.

Percebendo que não receberei ajuda nenhuma dela, direciono minhas esperanças à Fiacre. Mas a criancinha fofa que eu uma vez conheci se foi. Agora há apenas uma mulher lá que parece obter uma satisfação diabólica com a minha crise. Eu me rendo e permito a Annia me puxar de pé.

 

***Fada***

***Jardineiro***

 

Mordo a maçã e a mastigo em deleite, não me importando que parte da doce fruta caia para fora da minha boca. É difícil comer direito com esses lábios duros, similares a bicos. O termo médico correto é acroqueratose. Certas partes da pele se tornam tão grossas que são como um chifre. Não está me incomodando. A pele dura na verdade é bastante útil. Não tenho que temer cortes e arranhões.

— Jardineiro, por favor. Não babe sua comida pela mesa toda quando estamos tendo uma discussão importante. — Verão me olha com uma expressão enojada.

Eu inspeciono a bagunça que fiz. Admitidamente, parece um pouco nojento. Usando as costas da minha mão, limpo os pedaços de maçã da mesa para o chão.

— Por que um lunático desses sequer está aqui? Ele não deveria estar cuidando de suas árvores? E por que nós estamos aqui? — Outono gesticula para a floresta circundante.

Inverno se reclina em seu assento. Ele parece muito entediado. Talvez até um pouco cansado. Isso é algo que não estou acostumado a ver em um fae. Ele deve estado muito ocupado. Ocupado de fato.

— Ele é tão velho quanto nós. E todos nós sabemos que ele não é estúpido. Algumas vezes ele apenas se comporta como um lunático — reclama Primavera. Ela joga para trás uma mecha de seus longos cabelos ondulados, que haviam caído em seu rosto.

Sim, sim. Como um lunático. Não como um idiota. É importante ver a diferença. Mas se eles pensarem a respeito, então perceberiam que eu simplesmente não me importo com o que eles pensam de mim. Por que eu deveria me esconder enquanto como uma maçã tão deliciosa? Não é justo. Nem para mim, ou para a maçã.

— Apenas acabem logo com isso. Eu tenho compromisso. — Outono usa o nó de seus dedos para bater na mesa.

Eu usei minha magia medíocre para germinar um cogumelo em uma mesa. Apenas para acomodar os quatro. Eles queriam minha presença na reunião, mas recusei ir até seu salão de conferências. Eu não deixo meu bosque. E se uma das minhas incumbências acordar? Não posso deixar isso acontecer. Melhor que estejam adormecidas.

Então tenho que acomodar os quatro.

Verão bufa: — Eu contatei todos os nossos apoiadores. Eles estão prontos. Podemos começar hoje se não houver alguma pessoa que ainda não concorde.

— Sim! — Outono bate sua palma aberta na mesa. Suas pupilas se alargam a orbes negros, sombrios. — Acredito que vocês enlouqueceram. No momento os outros sobrenaturais, mais importante, os Antigos, estão nos ignorando-

Inverno levanta um dedo: — Eu dificilmente diria que eles estão nos ignorando. Quando eles encontram uma de nossas árvores, eles atacam e destroem sem hesitação. Isso é um ato de guerra.

— Dificilmente uma surpresa. — Outono dá de ombros. — O que eu quero dizer é, que eles não buscam ativamente por uma maneira de atacar Fada! Se intensificarmos as coisas, eles podem se unir para nos atacar. De novo! Não existe maneira de conseguirmos nos impor contra todas as espécies sobrenaturais.

— É exatamente por isso que utilizaremos os humanos. Assim que nossa campanha começar, as outras raças terão outros problemas para lidar ao invés de guerrear — explica Versão com uma voz forçadamente calma.

Posso ouvir sua irritação. Ela está escondendo bem, mas posso sentir.

Ela continua: — Assim que tivermos os humanos do nosso lado e desacreditarmos todos os outros, tudo o que teremos que fazer é esperar. Os humanos vão começar a guerra por conta própria. Eles temem o que não entendem. E o aquilo que não entendem, eles matam.

Outono sacode sua cabeça. — E se eles se voltarem contra nós? E se os Antigos decidirem agir?

Dou de ombros: — Não é como se eles pudessem nos alcançar aqui em Fada. E a última guerra foi lutada em tempos antigos. Foram fae contra Antigos. Os humanos não eram tão numerosos em seus pequenos vilarejos. E se a campanha da Verão é tão boa quanto ela diz, então os humanos irão até querer proteger os pobres, oprimidos fae.

Outono grunhe, mas Primavera finalmente vira a mesa. — Se você não quiser lutar, então você e sua corte pode ficar em Fada. Isso dificilmente faria qualquer diferença ao plano.

— E quanto ao ataque recente? Aquele que explodiu Alantgrove? — pergunta ele.

Verão dá de ombros. — Um meio fae estúpido quebrou os protocolos. Ele pensou que conseguiria iludir um Antigo. Nossos representantes no mundo humano não serão tão estúpidos, ou fracos em seu comprometimento. Eles foram escolhidos por suas habilidades.

Outono suspira e gesticula para que prossiga: — Você fará isso de qualquer jeito cedo ou tarde. — Então ele me encara: — E por que diachos você está do lado deles? Você nunca apoia estratégias agressivas.

Eu mordo minha maçã semidevorada. — Algumas vezes é preciso pular em água fria para se aprender a nadar. — E às vezes você se afoga no processo.

 


 

Tradução: Batata Yacon   | Revisor: Delongas

 


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2 ideias sobre “LOS – Capítulo 25

    1. victornorte

      sim, o problema é que vão usar os humanos. sempre dá merda quando eles se metem na história. tu sabe quão podres são. se eles tomarem conhecimento da existência dos sobrenaturais, vão simplesmente entrar em uma guerra de extermínio e capturar o máximo que puderem para criar laboratórios como aqueles.

      Curtido por 1 pessoa

      Resposta

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