LOS – Capítulo 24

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Nota do Tradutor: A cada capítulo que se passa, mas tenho a impressão de que cometi um enorme erro em tentar converter este projeto para os travessões. Além de não combinar com o estilo e modo como o autor escreve a história, é um sofrimento tentar adaptar.

Então caso voltem a ver capítulos com aspas para indicar fala, saibam que é porque desisti de tentar. T-T


Capítulo 24:

~Visitantes~

 


 

“Os outros fazem suas ferramentas por serem fracos. Os outros se escondem em roupas por serem frágeis. Os outros se agrupam por ser seguro. O que eles farão sem ferramentas, roupas, ou números?

— Uma Memória dos Antigos


 

***Caríntia***

***Magnus***

 

— Pelos deuses! — Sely nervosamente massageia seus dedos, alternando entre ambas as mãos. — Acho que negação não funciona mais. Vamos apenas esperar que ela não seja muito insana. Annia não receberia isso muito bem. Ela está em uma idade onde ainda tem esperanças de ter um relacionamento de verdade com a mãe.

Ponho minhas mãos nos bolsos, deixando claro não estar com pressa nenhuma.

Alguns minutos atrás, alguém irritou o Véu. O lugar era próximo a uma das muitas portas do meu território, então Sely e eu usamos a porta ao invés de um carro. Da porta leva apenas uma curta escalada através da montanha para alcançar o Véu. Nosso caminho está preenchido com arbustos e plantas. É o mato rasteiro que assume em alturas onde árvores não crescem.

— O que vamos fazer se insistirem em me levar? — pergunta Sely.

— Não posso matá-los? — respondo com uma pergunta.

Ela hesita: — Depende…

— De quê? — pergunto.

— Do quão sensatos eles forem? — Sely pega minha mão. Podemos lutar com eles se deixarmos apenas a Cecília e Tina atravessarem o Véu? Eles não se enfraquecem se você deixar elas passarem intencionalmente.

Coço meu queixo, considerando o cenário. — Muito provavelmente. Se você puder enfrentar uma delas, ou atrasar por tempo o bastante. Estou muito mais preocupado com uma luta lá na berlinde de realidade. Annia e Kath seriam adicionadas na mistura. Teríamos a ajuda da Fiacre, mas as crianças são fáceis de se manipular. Uma palavra da Cecília e a Annia estará nas nossas gargantas. Isso significaria caos.

— Você acha que elas fariam isso!? — Sely soa chocada. — Se ela estiver realmente preocupada conosco, então não vai usar a Annia desse jeito.

Talvez. Seria uma boa maneira de testar suas intenções. Dou de ombros. — Não sei. Você a conhecia quando estava enfeitiçada. Isso é muito mais do que eu já ouvi ou vi dela durante as negociações com o Gavin. Acho que você terá que passar o julgamento. Tanto Kath quanto a Annia têm dois espíritos guardiões lhes seguindo. Não posso fazer muito mais que isso.

— Você tem a Kath sob vigilância? Mas eu li a pesquisa e descobri que as afirmações da cientista são verdade.

Claro que tenho. — Sejamos honestos. Aqueles papeis de pesquisa podem clamar que o DNA da garota agora é exatamente como o da amostra original. Os cientistas podem ter nos dito a verdade, tanto quanto sabem. Mas a verdade é, nem você nem eu somos biólogos. Não podemos fazer mais que ler seus diários de pesquisa. Não podemos verificar suas afirmações ou encontrar erros. E se eles cometeram um erro? A garota é uma completa incógnita tanto quanto me diz respeito. Ela dispara o instinto protetor para as crianças, mas só tem uma maneira de eu acreditar que ela é uma genuína Antiga.

— E isso será quando seus olhos piscarem em vermelho quando ela se tornar uma adulta. E quando ela não for uma velhota em oitenta anos. Nós podemos dar o tempo para ela crescer. Isso não me incomoda. Mas ela não irá se mover livremente dentro da berlinde de realidade.

Sely suspira: — Acho que não pode doer protegê-las. Eu comecei a ler sobre biologia, mas percebi logo que preciso aprender muito mais sobre química e física também. Do contrário não posso nem tentar entender os papeis de pesquisa. Mesmo se eu usar magia para aprender mais rápido, levará anos de estudo. É um pouco irritante que foquei todos os meus estudos em métodos de controle mental. Apesar de isso poder me ajudar em acelerar o processo de aprendizado.

Ela está pensando em se enfeitiçar para aprender mais rápido?

— Sem isso, você não estaria aqui agora — grunho e checo nossos arredores. O Véu está próximo. — Nós permitimos que os humanos florescessem. Sem as invenções deles não teríamos todo o luxo o qual somos tão apegados. Mas tenho um pressentimento que eles levam as coisas um pouco longe demais em algumas áreas. Pode ser hora de outra era do gelo.

Sely não tem a chance de me responder. Nós chegamos a uma larga clareira. O chão é feito de pedras enormes e musgo. Várias pessoas nos aguardam, mas duas mulheres estão bem no Véu. Reconheço uma como Cecília. Ela tem uma expressão completamente diferente e se porta com muito mais confiança do que quando a vi da última vez.

A outra mulher é maior e mais impressionante, mas posso ver as similaridades entre as duas. Ela deve ser Tina, a chefe do clã Rhondu. Me aproximo delas e cruzo meus braços em frente ao meu peito. Dessa forma tenho minhas mãos mais próximas das armas em meus coldres de ombro. — Saudações.

Sely me alcança e estuda sua mãe. Cecília não parece reconhecer sua própria filha. Ela parece um pouco perdida quanto ao que dizer. Finalmente Cecília encontra sua voz: — Você é a Sely?

As sobrancelhas da Sely saltam: — Wow. O feitiço realmente te deu um golpe se nem mesmo me reconhece.

Cecília sorri: — Oh, você não tem ideia. Mas se me permitir, quero corrigir isso. Por favor, venha conosco. Você pertence aos Rhondu, já que é do meu sangue.

— Temo que Annia e eu preferimos ficar aqui do que testar nossa sorte em um novo lar. E eu achei alguém que me é querido, algo que certamente não abrirei mão depois de mais de cem anos sozinha. — Ela se estende e cruza os braços comigo.

Isso levanta mais do que algumas sobrancelhas e as pessoas atrás das irmãs trocam olhares inseguros. Tina vira sua atenção para mim. — E quem é você?

— Sou Magnus. Este é o meu território. — Eu me apresento.

Ela me estuda. Aparentemente ela não pensa muita coisa da minha aparência. — Você é pelo menos tão jovem quanto a Sely. Como você virou o chefe do clã?

Eu sorrio, mostrando meus dentes: — Sou o mais forte.

Ela me olha como um gatinho que tivesse acabado de mostrar os dentes. Não gosto disso. Não gosto da atitude dela, de seu comportamento.

Sely intervém: — Por que não nos acalmamos. Até onde entendo, tudo que você quer é saber que Annia e eu estamos seguras. Bem, nós estamos, e bastante felizes além disso. Nós conseguimos nos cuidar sozinhas por toda nossa vida. Agora, estamos no processo de construir uma vida neste território. Não abriremos mão disso, mas você pode nos visitar sempre que quiser, Mãe. A última palavra saiu um pouco forçada.

Suponho que Sely não esteja confortável em chamar a Cecília de “Mãe”.

Os olhos de Cecília vagam para mim. — Então eu gostaria de pedir sua hospitalidade. Prometo que não me comportarei indevidamente enquanto estiver em seu território.

Olho para Sely, mas ela não objeta. Então foco minha atenção em sua mãe. — Lhe garanto os direitos de visitante, Cecília. — O Véu imediatamente responde às minhas palavras. Cecília agora é capaz de entrar e sair do meu território uma vez, sem repercussões.

Cecília avança, mas é contida por sua irmã. — Não vou permitir que vá sozinha. Eu acabei de te trazer de volta. Ela olha para mim: — Nos convide também.

Eu sorrio e rapidamente conto o grupo deles. De jeito nenhum que vou me arriscar com dezoito Antigos desconhecidos. Especialmente não se eles atravessarem o Véu sem serem enfraquecidos. — Não, não vou bancar o cão de guarda para dezoito pessoas.

A expressão de Tina se torna presunçosa: — Isso significa que você está com baixa de pessoal?

— Significa que tenho coisas melhores para fazer. — E isso é verdade. Apesar de achar que posso dar uma liberdade para Lindwurm. Ela ficará feliz com todos os pedacinhos.

Cecília pega a mão da Tina.

 — Que tal uma guarda? Minha irmã certamente também quer conhecer suas sobrinhas.

Eu considero. No final nós já suspeitávamos que teríamos que acomodar as duas. — Lhe garanto os direitos de visitante, Tina.

Isso parece satisfazê-las e passam pelo Véu. Tina gesticula para os outros recuarem, enquanto Cecília encara Sely.

— Você caminharia comigo? 

Sely sorri para mim para garantir que estou okay, então gesticula para o caminho que tomamos para chegar aqui: — É por ali. 

Estou muito mais preocupado com a Tina, que me encara com uma intensidade que apenas conheci de meu pai. Ela não se move uma polegada enquanto Sely e sua mãe andam pelo caminho estreito. Aparentemente ela quer dar a elas tempo o bastante para sair do alcance dos ouvidos.

— Então? Quais suas intenções com ela? Este território tem sido um buraco negro por anos. Então ela aparece e você reinicia comunicações. Simples assim. — Ela estala seus dedos para enfatizar seu ponto.

Eu gesticulo para que ela siga a Sely: — Eu não tive motivação para desperdiçar meu tempo com outros. Mas Sely é uma mulher muito incisiva e bela. Ela também pode ser muito persuasiva quando quer. Ela negociou por um espaço no meu território e me pagou com alguns itens muito raros e interessantes. Seria uma pena ter que devolvê-los por não conseguir cumprir minha parte do acordo.

— E que acordo foi esse? — pergunta Tina.

— Mantê-la segura. E já que acabamos como amantes estou duplamente motivado em não deixá-la ir. — Jogo os fatos na cara dela. Como lidará com isso é problema dela.

Tina fica em silêncio enquanto seguimos Sely e Cecília.

 — Então como você acabou isolando seu território de todo mundo? 

Considero a resposta, mas decido que a verdade é o melhor caminho. Ela vai descobrir em breve que não tenho muita mão de obra: — A família secundária do clã se rebelou e matou a família principal. Então metade do clã foi eliminado da noite pro dia.

Ela levanta uma sobrancelha: — Então por que você está aqui de pé? Você não é da família principal?

— Sim. Mas matar metade do clã é apenas metade da história. Entenda, eles fizeram um trabalho ruim e me deixaram vivo. Então matei os traidores para me vingar — explico.

— Você sozinho contra metade do clã? — Ela soa surpresa.

— Digamos que eu estava muito nervoso.

Então caminhamos o resto do caminho até alcançarmos Sely e Cecília. Elas nos aguardaram na passagem que está escondida dentro de um velho carvalho. Toco o tronco e uso minha energia para ativar a magia. A árvore velha se abre partindo-se, revelando a porta que leva de volta para a mansão. Assim que atravessarmos, a árvore imediatamente irá se unir novamente.

É um truque de magia muito elegante. Um que estava colocado desde antes de eu nascer.

Um por um, caminhamos através da porta. Eu passo por último e fecho a porta atrás de mim. Oilell é quem nos cumprimenta. Ela dispara até Cecília e sacode sua mão. — É tão bom conhecer a mãe da ama! Preparamos uma festa no jardim para todos. Por que não come primeiro e falam sobre negócios depois.

Então ela dispara até mim e Tina, cumprimentando Tina da mesma maneira. Permito a nossas duas visitantes irem na frente para ter algumas palavras particulares com a Sely. — Como foi?

— Mais ou menos tão constrangedor quando possível! — responde Sely, uma expressão frustrada em sua face.

Oilell nos interrompe com algo completamente diferente. — Mestre, queria perguntar se você viu o Oink? Ele não está no curral dele.

Eu bufo: — Já te disse muitas vezes para trancar seu gado. Especialmente aquele porco. Ele sempre escapa e fica perambulando pela área. Da última vez ele destruiu uma das tumbas.

— Sim, eu sei. Achei que tivesse perdoado ele. Tenho que encontrá-lo antes que vague para longe demais. Mumu e o Snuffler certamente estão mortos de preocupados por ele. — Então ela dispara.

Nope. Nunca perdoei ele. Ele destruiu os carpetes, escavou o gramado e comeu a maconha que eu estava criando. Escavar a tumba da Mamãe foi o último prego no caixão dele. Eu só esperei por uma razão aceitável para dar ele de comida para a Lindwurm.

Então percebo que Sely está me olhando de forma acusadora. — Parece que a Oilell gosta do gado dela como bichinhos de estimação. Ela até dá nomes pra eles.

— Acredite em mim. Ele mereceu. E talvez ela construa um curral melhor agora.

Nós guiamos nossas duas convidadas para o jardim. Annia e Fiacre já estão aguardando em uma larga mesa. Um pouco mais longe, Kath está brincando com as flores. A criança está completamente ignorante, não sentindo a situação tensa.

Decido apresentar nossas convidadas. — Essas são Cecília e Tina. E aqui temos Fiacre e Annia. A pequenina ali é Kath.

Tina olha para a criança, e então para mim. Seus olhos vagam para Sely, então para Fiacre. — Ela é jovem demais. Por acas-

Percebo como isso deve parecer. Pelos deuses! Ela acha que Kath é filha minha com a Fiacre. — Não é filha minha! Encontramos ela em uma instalação humana. Alguém deu aos humanos os meios de experimentar com Antigos. Era ou matar a Kath, ou recebê-la.

Todos me olham e percebo que me fiz de idiota. Apesar de estar pouco me importando. Elas assumindo que estou fodendo minha tia é muito pior.


 

Tradução: Batata Yacon   | Revisor: Delongas

 


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