LOS – Capítulo 21

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Capítulo 21:

~Discussão~

 


 

“Nós queríamos crianças. O que recebemos foram monstrinhos.”

— Uma Memória dos Antigos

 


***Caríntia***

***Magnus***

 

Após deixarmos os trabalhos de limpeza para Paul e Adam, retornamos com a garota para a mansão. Não precisa ser dito que nossos espólios de guerra foram respondidos com mais sobrancelhas levantadas. A criança assegurou uma grande assembleia de todos os residentes da berlinde de realidade. Então me encontrei com todos na sala de estar, já tendo compartilhado o essencial de nossas descobertas.

Fiacre cutuca a criança adormecida com um dedo, curiosa. — Temo que não cuidei de um pequenino fazem anos. Me acostumei à minha vida de solidão. Seria altamente inconveniente investir temp-

Eu rosno.

— oo, mas temos que levar o quadro geral em consideração. Se ela acabar sendo genuína, então é uma boa adição ao clã. E ela é fofa! Coisas fofas têm que ser bem cuidadas. Vou ficar de babá dela até ter controle sobre seu poder. O que são duas décadas para alguém como eu?

Essa é a respostas correta.

Annia se junta à conversa: — Oh, sim! Eu sempre quis ser uma irmãzona! Posso ensinar os fundamentais pra ela. Mas não seria muito mais fácil você se realocar para a mansão, Fiacre? Não há muito espaço livre aqui. Ter você escondida na sua casa faz parecer que você é uma pária.

Estava querendo levantar minha voz contra isso quando a Oilell se junta: — Isso seria ótimo! Pra falar a verdade, manter duas casas separadas em condições pristinas é problemático. Eu posso colocar os aposentos dos servos sob um feitiço de estase e a Fiacre pode finalmente realocar. Então a mansão não parecerá tão vazia.

Não! Absolutamente não! Já é difícil o bastante tolerar a presença dela alguns minutos por dia.

Sely me belisca nos lados. Ela está ao meu lado, escutando. Não tenho que adivinhar o que ela quer me dizer usando as unhas. Haah, ainda tenho meu apartamento se tudo mais falhar.

— Tá bom. Faça o que for melhor.

Certamente não vou desperdiçar meu tempo com a criança. Se a Fiacre estiver ocupada com ela, então isso ainda poderá ser uma vitória no final de tudo. Elas querem tê-la de mascote, então que tenham.

— Apenas garantam que ela não se torne uma inconveniência. — “Para mim”, mas não digo isso em voz alta.

Sely assente: — Não se preocupe. Não pegamos os dados de pesquisa sem uma boa razão. Pode haver alguma informação escondida para ajudar todos aqueles casais que desejam, mas não podem ter filhos. Vou estudar a coisa e ver o que posso aprender.

Não sou contra usar o conhecimento daqueles doentes em si, mas dar uma olhada em uma toca de coelhos dessa pode ser problemático. Faço uma carta. — Você tem alguma ideia de biologia? Pode levar décadas para a pesquisa deles fazer sentido. E estudar as notas de pesquisa de doidos é nauseante. Acredite em mim, eu tentei.

Ela dá de ombros: — Não tenho a menor ideia de medicina. Nossos corpos curam quase tudo e a magia cuida do resto. Mas não é como se eu não tivesse tempo para me permitir um tempo para alguma pesquisa. Especialmente se significar poder descobrir quem deu o corpo a eles. Pode haver algo de interesse naqueles dados todos.

Certamente limpamos o lugar todo de seus documentos, discos rígidos ou laptops que encontramos. E eu certamente não vou demonizá-la por usar o conhecimento.

Eu resmungo: — Não é como se não pudesse dar um palpite educado quanto a quem deu o empurrão na direção certa para eles.

Sely franze: — Quem?

Finjo estudar minhas unhas: — Eles fazem arranjos para os pesquisadores colocarem as mãos nos restos de um cadáver. Cadáver fresco o bastante para se fazer uma análise de DNA detalhada. Então permitem liberdade total aos cientistas, sabendo exatamente que precisarão da coisa viva uma hora ou outra. Quem ficaria bem feliz em ter um vírus com capacidade de transformar qualquer criança em um Antigo?

— Fae! — Fiacre empalidece em horror.

— De fato. — Franzo os lábios. — Eles ficariam muito felizes em ter um vírus desses. Qualquer humano aleatório da rua serviria para ganharem seu espécime mais desejado. Ou talvez um Antigo que deseje aumentar os números de seu clã? Qualquer um deles estaria muito interessado em tal pesquisa. Eu mesmo não sou muito favorável a usar um vírus. Essas coisas podem sair do controle.

— Mas por que eles têm a instalação no seu território? — pergunta Sely.

Oilell responde à pergunta: — Porque o território do Mestre é perfeito para tais operações escondidas. Ele não permite qualquer outro Antigo dentro de suas bordas e policia toda a região por conta própria. Isso significa que muito tempo pode se passar antes que ele faça algo a respeito. Você viu por conta própria o quão longe até mesmo uma organização estúpida consegue chegar antes que ele lide com isso. Se não fossem pelos sequestros, o truque poderia ter funcionado até eles obterem o produto final.

Os olhos da Sely vagam para mim, de forma acusadora. Levanto ambas as mãos para me defender: — Você sabe quantos laboratórios, fábricas e outras companhias existem no meu território? Não estou disposto a me esgueirar por aí e espiar cada uma delas. Eu poderia fazer isso o dia todo e ainda assim monitoraria apenas uma pequena fração. Já estou de mãos cheias com as coisas que os Krampus não podem ou não conseguem lidar.

Ela suspira e concentra sua atenção na garota. — Tudo bem. Reconsiderando as coisas, apenas não estou certa se sua maneira de lidar com os humanos é a correta. Nós nem perguntamos se as pessoas nos andares superiores sabiam do que estava acontecendo no porão.

Eu bufo: — Muitos deles provavelmente não sabiam sobre o porão.

Os olhos da Sely se arregala, então me apresso para continuar antes que ela possa me dar uma lição de moral. — Mas se você parar para pensar, vai perceber que eliminar eles não é sobre justiça. Não era sobre puni-los. Era sobre enviar uma mensagem para aqueles que organizaram toda a operação dentro do meu território.

— Eles perderam toda sua instalação, membros, pesquisa, equipamento. Agora terão que pensar duas vezes sobre reconstruir. Pelo menos não farão isso em um lugar que foi claramente comprometido. Não me importo se reconstruírem a coisa toda em Tombuctu. Não é problema meu desde que não façam isso debaixo do meu nariz. — Tudo que ameaça revelar a comunidade sobrenatural é trabalhoso demais. Intolerável.

Ela mastiga esse pensamento por vários longos momentos até assentir: — Só estou cansada e um pouco chocada com o meu próprio comportamento lá. Acho que apenas vou pra cama descansar por enquanto.

Sely se levanta e parte, então instruo as outras a cuidar da garota. Então sigo a Sely. Quando a alcanço, ela já está na frente de seus aposentos. Percebendo minhas intenções, ela levanta uma mão ao meu peito. — Escuta, não acho que estou no clima pra isso agora.

Bem, isso é um desapontamento. Pego a mão dela mesmo assim, sorrindo. De jeito nenhum vou permitir que ela aumente a distância entre nós. — Então serei um padre e irei direto dormir. Você que perde.

Isso finalmente persuade um sorriso aos seus lábios. — Alguém já te disse que seu ego é grande demais?

Cantarolo e finjo pensar a respeito. — Não. Até agora ninguém teve bolas o bastante para fazer isso.

Ela rola os olhos: — Então fique feliz que não tenho bolas.

— Tenho que discordar! Você tem duas obras massivas aí. — A sigo até seus aposentos.

Na manhã seguinte ainda estou semiacordado, abraçando a macia Sely em meus braços. Considero acordá-la em um modo bem prazeroso, quando somos despertados de rompante pela Fiacre. Ela irrompe no quarto com um celular e duas cartas em mãos. — Pessoas, algo aconteceu! Oh, merda!

Me sento, acordando a Sely completamente. — O que foi!? — berro, fazendo minha tia saltar.

Sely também começa a esfregar seus olhos. — Fiacre? O que é tão importante pra você ter que fazer essa baderna?

— Esperava pelo menos ter me deparado com alguma coisa, mas vocês dois estão apenas dormindo ao invés de trabalhar… naquilo… — Ela rapidamente fica em silêncio quando percebe que não tem tanta folga comigo quanto pensou. — … há notícias. Grandes notícias. Esperarei lá fora. Ela rapidamente recua e fecha a porta.

Troco um olhar com a Sely, que parece igualmente surpresa. Nos vestimos rapidamente e nos juntamos a Fiacre na sala de estar para resolver o mistério. Quando nós dois nos fazemos confortáveis no sofá, ela finalmente decide compartilhar as notícias. — Parece que os Rhondu organizaram um assalto conjunto com vários outros clãs. Eles usaram a informação que a Sely e Annia providenciaram na internet e atacaram a residência principal dos Hammons.

Sely se eriça: — Atacaram? Tão cedo? E quanto a minha mãe?

— Eles mataram pelo menos um quinto dos Hammons e seus clãs servos. Vinte e quatro membros do clã foram capturados, sua mãe entre eles. Não tenho informações da condição da sua mãe. Mas Gavin, duas de suas esposas e seus ajudantes mais próximos fugiram da batalha. O atual paradeiro deles é desconhecido. A contagem deles deve ser alguma coisa entre dez a vinte pessoas.

Fiacre levanta duas cartas. — O problema é isso. Uma carta é dos Rhondu. É uma carta realmente longa e florida, mas em essência, eles clamam que Sely e Annia pertencem a eles. Já que são filhas da Cecília. Eles exigem sua extradição imediata.

— A outra é de Emil Baucheaux, que clama que Sely é sua esposa legal. Ele também exige que entreguemos você para ele. Do contrário teremos que esperar consequências.

Sely fica boquiaberta com o que Fiacre disse, arrebatada pelo curso das coisas.

Cerro meus dentes e foco em um ponto no teto. Como eu saberia que ao me livrar de um incômodo apenas permitiu que abutres se esgueirassem pra fora de seus covis? Mais algum grupo que tenha uma reinvindicação sobre as irmãs?

E como a Sely vai reagir? Os Rhondu não são uma escolha muito melhor para ela que os Bathomeus? Viro minha atenção para a mulher pela qual me apaixonei, mas parece que ela mesma não está certa sobre como lidar com a nova situação.

 

***Fada***

***Jardineiro***

 

Rego a árvore com meu regador, tomando grande cuidado para umidificar toda a mulher aderida ao seu casco. Ela está em seu último mês e não pode se dar ao luxo de secar. Do contrário o pequenino pode não nascer corretamente.

É triste os Fae não estarem dispostos a encontrar outro meio de reprodução. Todo o procedimento me enoja, mas pelo menos posso fazer as mulheres dormirem. É um pequeno presente. Coloco meu dedo longo e fino em seu pescoço para sentir seu pulso. Dormindo.

Que triste. Acho que a maioria das raças a teria chamada de bela. Agora não é nada mais que um receptáculo.

Infelizmente eu sou um péssimo juiz de beleza. Simplesmente não tenho olho para isso, mesmo após viver por vários éons. Suspiro. É realmente um azar que eu me pareça com um monstro. Apenas os fae me aceitaram, mesmo que eu não me sinta como um deles. Eu possuo essa coisa chamada de moral, ou uma consciência? Mas se quero ficar aqui, onde é seguro, tenho que fazer o que é preciso.

Os Antigos não fariam distinção entre eu e os fae. Me originei dos mesmos experimentos afinal de contas. Infelizmente, sou único. Algumas vezes sonho sobre como seria se houvesse outros da minha espécie. Talvez teríamos sido aceitos como os elementais.

Assobio um tom e uso minhas pernas extremamente longas para atravessar a floresta, cada árvore um tesouro para se cuidar. Tantas crianças para nutrir. Faz minha barriga revirar. As crianças não têm culpa, mas logo serão como os pais. Distorcidas, e com o desejo de procriar, mas incapazes. Eu seria como eles se possuísse tais impulsos? Nunca pensei em prole.

Em uma pequena clareira, encontro Primavera, uma das primeiras fae criadas pelos experimentos dos Antigos. Uma de suas rainhas. Há quatro deles. Duas Rainhas e dois Reis.

Primavera, uma beldade ruiva sem igual, ou assim me foi dito. Formosa e delicada Primavera.

Há a rainha loira, Verão, cujo brilho radiante atrai seus súditos.

Outono, o Rei que governa com um sorriso eterno em seus lábios.

E então há o Inverno, seus olhos tão frios e belos quanto cristais de gelo.

Me movo para mais perto, admirando os movimentos graciosos do corpo esbelto de Primavera. Movimentos são algo que posso apreciar. Ela segura um orbe negro com uma pequena figura sombria dentro. Um dos outros três?

— Simplesmente teremos que ajustar nossos planos. Não estamos jogando a longo prazo de qualquer jeito? — diz o outro.

A voz melodiosa de Primavera responde: — Isso é verdade. Mas com uma falha dessas me pergunto se nossa parceria prolongada vale o esforço.

— Vamos ver. Quando a hora chegar. Me contate se algo mudar. — Ela esmaga o orbe, dispersando a magia.

Então se vira e está cara a cara comigo. Surpresa, ela chia, revelando seus dentes afiados, como agulhas. Não acredito que pessoas a achariam atraente nesse momento, mas errei muitas vezes em tempos assim.

— Jardineiro, já não te disse para não se esgueirar por aí assim? — Ela se afasta para uma distância que acha confortável. Me foi dito diversas vezes que violo frequentemente a zona de conforto das pessoas. Isso é outro conceito que não compreendo.

Tamborilo minha mão de seis dedos no meu regador. — Não posso evitar. Tudo que faço é caminhar, avançar e andar. Mas caso deseje, cantarei uma canção na próxima vez que estiver perto de você.

Ela bufa, como se para dizer que não acredita em mim: — Faça algo útil e me dê conselhos. Tenho certeza que você sabe sobre nossa grande revelação. Você está sempre escutando afinal de contas. Você também é da opinião que foi a escolha correta? Eu temo por nossa espécie. As coisas que Inverno e Verão querem pôr em ação podem significar nosso fim.

Ah! Nossa espécie! Eu de fato estive com eles por tempo demais. Eles pensam em mim como um deles. Mas ela reconhece que sei um monte de coisas e sempre tenho bons conselhos para dar. Bom, bons conselhos para mim, isso é algo que ainda não descobriram. Sou esperto afinal de contas. Esse é meu dom.

Vejamos, então eles ainda estão divididos em suas opiniões. Inverno e Verão realmente querem seguir em frente com isso, enquanto Primavera e Outono estão relutantes.

Empertigo minha cabeça e arregalo meus olhos, tentando transmitir surpresa. Isso me dá mais tempo para pensar. Tenho estado realmente deprimido recentemente. A última vez que dei conselhos em um estado deprimido, os fae tiveram que fugir e acabaram em Fada.

Olho em volta e estudo as árvores. E as fêmeas. Tantas. Eu não pretendi isso quando coloquei as coisas em ação. Fiz uma aposta e esperei que os fae aprenderiam um caminho diferente em sua isolação. Eles não o fizeram.

Ah, os Antigos. Criaturas tão caprichosas. Difíceis de prever. Realmente esperei que eles fossem isolar os Fae em Fada. Mas eles simplesmente pararam quando acabou sendo trabalhoso demais caçá-los. Caprichosos e preguiçosos. Eles precisam de uma motivação realmente grande para fazer o trabalho que planejei para eles… ou para terminá-lo.

Vejamos… se os fae fizerem o que planejam fazer… isso… e… aquilo… é… realmente estúpido.

Tamborilo meus dois dedos médios no meu queixo, ainda observando as árvores. As palavras agora podem realmente significar o fim. Ou deixar as coisas inalteradas. Ou mudar o mundo. Ou deixar as coisas nas mãos dos fae. Eles são numerosos o bastante. Anos e anos de procriação.

Observo as árvores. Sorrio: — Acho que você deve ajudar Inverno e Verão.


 

Tradução: Batata Yacon   | Revisor: Delongas

 


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