LOS – Capítulo 19

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Capítulo 19:

~Fundo~

 


 

“Uma criança pode viver; um homem, morrer.”

— Uma Memória dos Antigos

 


***Caríntia***

***Sely***

 

Eu largo o cadáver da mulher humana. O quê? Eu não tinha que reagir tão violentamente? Eu quebrei o pescoço dela sem boa razão? Mas dessa vez foi diferente. Ela tentou tocar o Magnus. Ninguém toca no que é meu! Meus instintos apenas assumiram. Estar próxima a humanos em uma situação estressante é realmente perigoso.

Mesmo uma pequena torção no pescoço é demais para eles. Entre Antigos isso é considerado como um ferimento que se pode receber durante uma boa briga. E Magnus não está nem surpreso sobre meu comportamento. Rosnei quando a porra da vadia tentou capturar a atenção dele.

Eu observo enquanto a vagabunda foge com aqueles saltos altos malditos dela. Ela tem sorte que não está correndo pra valer. Isso certamente dispararia outra reação exagerada.

Magnus sorri, observando-a. — Vida real é muito pior que filmes.

Eu tento dizer algo, quando a porta abre com força e guardas armados invadem a sala. Não há tempo para pensar. Eu apenas reajo e respiro fundo enquanto eles levantam as armas para nós. Magnus dá um passo à frente e levanta uma mão, levantando uma barreira.

Um momento depois, seu escudo ondula com luzes azuis enquanto as balas são desviadas para longe de nós. Algumas até ricocheteiam e acertam os guardas. Eu tomo nota do fato que a barreira é objetivada a objetos rápidos, então solto o fogo infernal. O feitiço tem fraquezas, como alcance limitado e má penetração. Mas é perfeito para espaços confinados.

E sejamos sinceros. Eu só aprendi Bafo do Dragão para deter homens intrometidos. É brochante se o objeto de desejo pode soprar fogo por sua garganta abaixo.

Minhas chamas preenchem metade da sala, engolindo os guardas que imediatamente param de atirar. Há cerca de uma dúzia deles, e todos estão berrando e se debatendo como loucos. E então há apenas o inferno ribombante e cancelo o feitiço. Magnus gesticula com sua mão e eu sinto sua magia apagando as chamas.

Então ele estuda o massacre. — Feitiço legal. Pode me ensinar?

Eu tusso um pouco de fumaça. — É claro. Se você quiser investir cinco anos e algumas gargantas queimadas?

Ele faz uma careta: — Talvez não. Vou me manter a barreiras e magia de força. — Passando por cima de um cadáver torrado, ele se aproxima da porta de onde os guardas entraram na sala.

Eu sigo.

— Isso me lembra, nunca vi você usar um feitiço de verdade para atacar. Por quê?

Ele dá de ombros: — Primeiro porque uso abundante de magia gera radiação que pode ser rastreada. Foi assim que eu consegui te seguir até a capela. Segundo, porque eu gosto de colocar todo meu poder em minha defesa mágica. Não sou fã de dor. Eu ataco com armas ou por meios físicos. Raramente vi ou ouvi de um duelo mágico em que alguém conseguiu sobrepujar o outro lado com magia ofensiva.

— E geralmente custa mais energia atacar do que defender. Assim que um lado fica incapaz de defender, tudo que se precisa é de um pouquinho de magia de força pra quebrar o pescoço ou torcer o cérebro. E então posso me demorar com a decapitação.

— Mas você tem magia ofensiva? — pergunto. Atrás da porta encontramos um longo corredor e outra onda de atacantes.

Ele suspira e dá uma estocada com seu dedo em um movimento de corte neles. Ele nunca parou de caminhar. Os guardas caem no chão, aparentemente intocados. — Aí. Eles não têm nenhuma defesa mágica. Não é nem competição se eu usar magia de força.

Enquanto fazemos nosso caminho através dos corpos, percebo um pequeno gotejar de sangue de seus narizes. Estou um pouco impressionada. Magia de força é o mais básico feitiço que alguém pode aprender. Muitos pais o escolhem como o primeiro feitiço para seus filhos. Mas Magnus o mirou precisamente em oito guardas, afetando apenas seus cérebros. Isso requer controle.

Nós fazemos nosso caminho através da instalação, liquidando os guardas. Também há outros, mas são poucos. Assumo que a maior parte das pessoas fugiu do edifício quando o alarme disparou. Isso nos facilita em encontrar os humanos restantes através do complexo. Rastreá-los com magia não é problema.

Durante todo o processo, uma sensação de inquietude começa a crescer dentro de mim.

Nós matamos pelo menos quarenta pessoas como se fossem gado. Pelo menos os primeiros guardas tentaram lutar, mas agora nós estamos perseguindo os homens e mulheres fugindo em trajes de escritório. Eu observo enquanto Magnus puxa uma mulher choramingante de baixo de uma mesa onde a mesma tentou se esconder. Ele agarra sua cabeça e a bate contra o canto da mesa, afundando seu crânio.

Eu não consigo mais aguentar. — Estamos realmente fazendo a coisa certa? Eu não vi nada que justificasse isso! Tem só alguns laboratórios pequenos e pessoas trabalhando pra viver. E nós estamos massacrando eles como animais!

— Eu te disse para não vir. Esse trabalho pesa na consciência. Apenas tente pensar neles como ratos. — Ele se vira em círculo e inclina sua cabeça, escutando em busca de outros sobreviventes.

Eu olho para o cadáver abaixo e estremeço. — Me sinto enojada. E quanto àqueles que fugiram da instalação?

Ele suspira: — Os Krampus vão cuidar deles. Só aguenta mais um pouco. Nós temos o porão inteiro nos aguardando. Lá você vai saber porque estamos fazendo isso. Quando comecei a administrar o território, eu também não aguentava o cheiro de sangue. Então comprei um galinheiro e matei vinte galinhas diariamente. Levou um tempo, mas me acostumei com o cheiro.

Agora é oficial. De todos os caras do mundo, eu peguei um com problemas mentais. Eu tento falar comigo mesma. “Sely, seu relacionamento com o outro sexo estava condenado no momento em que se encantou com magia selvagem.”

— Porão? — pergunto.

— É, eu cuidei dos andares superiores primeiro pra te dar a chance de apagar. — Ele gesticula com o dedo para segui-lo e nós voltamos para a escadaria principal.

O edifício tem três andares com muitos escritórios e laboratórios. É por isso que nos custa um tempo para procurar tudo. Eu evito uma poça razoavelmente grande de sangue nos degraus. A última coisa que eu preciso agora, é escorregar e me cobrir em entranhas. Deuses, esse lugar fede!

A escadaria nos leva ao porão onde somos parados por uma enorme porta anti explosões. Magnus se aproxima e usa o nó dos dedos para testar o metal. — Eles fizeram um bom trabalho. Me pergunto se estavam com medo de alguma coisa escapar, ou algo entrar.

— Não sei quem ou o que você é, mas essa porta vai aguentar com certeza até as autoridades chegarem. — Uma voz se dirige a nós em inglês. Eu procuro pela fonte até perceber os alto-falantes acima da porta.

Magnus não se incomoda com a voz e continua em acádio: — Ele ainda acredita que a polícia tá vindo? Eles já deveriam estar aqui nesse caso.

Eu dou de ombros enquanto a voz guincha: — Que linguagem você está falando!? Tenha certeza que o governo vai te caçar por perturbar essa instalação!

Magnus estala seus dedos e sacode suas mãos. Então usa um dedo para traçar um grande quadrado na porta. Não há qualquer efeito visível, mas quando ele coloca sua palma no metal e empurra, o quadrado inteiro desliza para dentro e cai ao chão com um alto “thud”. O “swish” de ar deslocado significa que a porta funcionava como algum tipo de trava por pressão.

— Impossível!

Nós ignoramos a voz vociferante e avançamos através de quatro portas similares. — Eles estavam com medo de um ataque nuclear? — pergunto na quarta porta.

— Prefiro assumir que estavam com medo de outras companhias ou governos estarem atrás de seus segredos. — Magnus quebra a porta seguinte e é cumprimentado por uma salva de tiros. Ele puxa sua própria pistola e atira duas vezes através da abertura. Os tiros cessam imediatamente e ele avança.

Eu baixo minha cabeça e passo pela abertura, seguindo.

No outro lado há mais dois guardas, cada um com um buraco na testa. Magnus caminha para o meio da sala e coça seu queixo com o cano de sua arma, considerando os dois cientistas com sobrancelhas erguidas. — Oi. Vocês tiveram um bom dia?

Os cientistas que estavam se escondendo atrás dos guardas nos olham em descrença. Um é um velho grisalho. A outra é uma mulher nos seus quarenta, seu cabelo castanho no processo de esbranquecer. É o velho que se recompõe primeiro: — Eu sou Willian Bachja e essa é Sofie Mahal. Nós somos os pesquisadores chefes dessa instalação. O que você quer?

— Extinguir este lugar e todos nele. Mas primeiro você nos dará um pequeno tour. Minha outra metade é nova nesse trabalho, então eu tenho que mostrar pra ela o porquê de estarmos fazendo isso. — Magnus bate sua pistola no homem para estimulá-lo.

O velho se põe na frente da cientista mulher. — Você não vai escapar com isso. Este lugar tem status de um consulado. Não importa para qual governo você esteja trabalhando, o governo dos E.U.A vai te responsabilizar.

Magnus dá um tiro no chão sob o pé de Bachja, fazendo ele saltar. — Talvez eu devesse apenas atirar em você. O jaleco branco estúpido te faz parecer esperto, mas você realmente é só um pedaço de merda estúpido. Então nos dê um tour ou vou atirar onde dói.

A mulher pega o ombro do cara com uma mão trêmula. — Eles não são do governo ou de outra companhia. São eles! Aqueles que providenciaram a amostra Alfa.

Eu cerro meus olhos: — Do que vocês estão falando?

O tal de Bachja olha para o chão. — Toda nossa pesquisa é baseada em um único pedaço de tecido. Nós não sabemos de onde veio. Só nos foi dito que foi encontrada no local de um acidente. — Ele se vira e nos guia ao laboratório. No meio da sala há um único, e enorme tanque feito de vidro. Vários pedaços de um corpo estão flutuando dentro de um líquido verde. Uma mão, pé, órgãos. Eles são mantidos em posição por cabos e tubos.

A mulher aponta para o tanque. — O espécime deve ter sido incrivelmente resiliente enquanto estava vivo. Nós conseguimos reanimar algumas das células e elas se multiplicaram em uma taxa enorme. Uma análise de sangue mostrou que o sistema da mulher estava saturado com anticorpos. Assumo que o Alfa fosse imune a quase toda doença conhecida. Seu corpo teria se regenerado mais rápido do que a maioria das infecções bacterianas podem causar dano.

— E seu código genético carece completamente de sequências para envelhecimento — interrompe o velho. — Elas simplesmente não estão lá. Ela pode ter tido milhares de anos pelo que sabemos.

A mulher assume, apontando para uma tela de computador com uma espiral de DNA. — Mas a descoberta mais impressionante foi a estrutura de seu ADN. DNA humano normal carrega um monte de informação inútil. Aquilo que nos faz humanos, é só uma pequena parte de nosso mapa genético. O resto é lixo adormecido. Nós carregamos, mas é inútil. Há muitas teorias sobre as possíveis razões, mas o DNA do Alfa vai responder essa pergunta. Parece que o DNA dela era totalmente ativo e relevante ao seu organismo! Não há desperdício nenhum até onde posso dizer. Ela se parecia com um humano, mas era muito mais. Nós podemos apenas dar palpites sobre suas potenciais habilidades.

Eu me inclino para o Magnus: — Eles puseram as mãos no cadáver de um Antigo?

Ele zomba: — Temo que esse seja o caso. Um de nós fez um trabalho ruim em limpar a própria bagunça.

Bachja aperta seus olhos e corrige a posição de seus óculos. — Vocês são como ela. Vocês são o mesmo que o Alfa. Dois espécimes vivos! Eu sabia que tinha que haver mais dela! Todas as descobertas que poderíamos fazer.

Magnus gesticula para a porta que nos leva mais afundo no porão. — Por que você não nos mostra as cobaias? Eu assumo que vocês os mantenham por perto?

Sofie olha para a porta e balbucia: — V-vocês têm que entender. Nós precisávamos de um espécime vivo para continuar nossos estudos. Pelo bem de toda a humanidade. Vocês não entendem o valor dessa pesquisa? Nós podemos curar quase toda doença, até velhice.

Eu alinho minha pistola com ela. — Imortalidade é supervalorizada. Nos mostre o que vocês fizeram.

Bachja murcha visivelmente e lidera o caminho até a porta. Atrás da mesma, há um longo corredor com várias janelas à esquerda e direita. Eu olho através de cada uma delas. Atrás de cada janela há uma sala branca. É uma pequena cela com um humano dentro. Todos eles têm deformações horríveis. A maioria só está viva por estarem presas a equipamentos médicos. — Eles fizeram isso ao próprio povo?

— Nós precisávamos de uma amostra viva de Alfa. Do contrário nosso trabalho poderia levar séculos! Então concebemos um retrovírus que atribui os marcadores genéticos de Alfa a um DNA humano. Nós praticamente clonamos ela sem ter que passar por todo o processo de clonagem. O vírus basicamente atualiza o DNA humano para a versão Alfa — explica Sofie.

Eu olho para o velho e ele assente. — Eu elaborei a teoria que humanos e Alfa tiveram um ancestral comum. Mas por razões desconhecidas houve uma divisão na árvore evolutiva e nós tomamos caminhos de evolução diferentes. Eu chamei a amostra de “Alfa” porque o DNA deve ter tido uma larga influência no comportamento do indivíduo. Ao comparar o DNA a outras espécies conhecidas, assumi que Alfa deve ter se comportado mais como um predador alfa, do que um ser humano.

— Na verdade todo o DNA Alfa é muito mais próximo à uma forma antiga, pré-histórica de um dos ancestrais da humanidade, mostrando similaridades a um lagarto. Eu assumo que Alfa fosse mais rápida, forte e podia até regenerar seus membros. Assumindo que o dano não fosse muito massivo. Mas alfa tinha uma falha. Não era muito fértil. Então temos duas linhas evolutivas de humanos que se separaram no passado distante. Talvez um fosse apenas uma mutação aleatória, não tem como jamais sabermos a verdade a esse ponto.

— Uma linhagem de humanos evoluiu para procriar rapidamente, sacrificando força e habilidade por números. Um indivíduo não tem que se sobressair em todos os aspectos, se há muitos outros para compensar. Então humanos evoluíram em favor do grupo. O foco evolucionário cairia em quão bom se é em trabalharem juntos.

— Mas Alfa pertencia ao outro grupo. Uma variação de sobreviventes e fortes indivíduos. Eles foram aqueles que não seguiram os outros em suas atividades de grupo. Humanos acharam força em números e Alfas acharam força em individualismo. Eles sobreviveram à antiga selva por conta própria.

Eu apenas encaro o homem, não compreendendo o lustre maníaco em seus olhos. — Então vocês simplesmente decidiram brinca com a vida dos outros. Vocês querem imortalidade?

O homem vira sua atenção ao Magnus quando percebe que não estou nada excitada com as ideias dele. — Por favor! Você tem que entender. Nós podemos corrigir as deficiências de ambos os lados. Nós podemos resolver suas questões de fertilidade!

Magnus começa a rir como um louco. Leva alguns segundos até ele recuperar sua compostura. — Então você quer dar imortalidade a humanos enquanto mantém seus hábitos de procriação intactos? Nossa, que ideia foda. Sua espécie já está lutando com superpopulação e parece que não têm restrição o bastante para manter seus números em cheque. A única coisa que salvou vocês até agora, é um tempo de vida curto. E você quer remover isso?

A cabeça de Bachja fica vermelha de raiva: — Nós podemos usar controle populacional!

— Claarooo. Eu acho que não há um único governo que sequer pense sobre como lidar com uma população constante. Todos os seus modelos têm como alvo ter mais crianças que adultos. Do contrário o sistema desmoronaria. — Magnus gesticula com sua arma para que ele continue andando.

Sofie sacode sua cabeça. — Mas isso é apenas porque pessoas não são imortais. Tenho certeza que o governo pode criar uma situação onde todo mundo é capaz de trabalhar.

Magnus não se impressiona. — Moça, há uma razão pela qual não há muitos da nossa espécie. Nós não conseguimos suportar um ao outro. Ter uma criança em cem anos é mais que o bastante para imortais. Tranque dez de nós em um quarto pequeno demais e abra a porta uma hora depois. Eu prometo que só vai sair um. Se seu vírus escapar e transformar todos os humanos em Antigos, você pode dar tchauzinho pra sua civilização.

— Então vocês realmente não morrem de velhice? — A mulher pergunta enquanto chegamos nas últimas celas restantes. Nem Magnus, nem eu respondemos.

Enquanto isso eu tive tempo o bastante para estudar o grotesco show de horrores de pessoas mutadas. Eu li os registros de nossos próprios experimentos com os humanos. Talvez vinte horrores mutados pra conseguir um elemental ou fae. Eu contei vinte e cinco pessoas até agora. E um monte de celas vazias. Suponho que esses não suportaram muito bem o vírus.

Então meus olhos caem em uma mulher com uma barriga inchada. Ela ficou completamente felpuda, e tem uma face deformada. Eles a prenderam a uma cama em sua cela. — O que pelos nove infernos?

Sofie gesticula para a criatura grávida. — Nosso vírus não teve muito sucesso, como viram. Os sujeitos eram ou fracos demais para aguentar o estresse em seus sistemas, ou o vírus não substituiu o DNA corretamente. É uma pena que a tecnologia não seja perfeita. O fato de que nós só tínhamos DNA de Alfa tornou muito menos provável suceder com um homem. Nós tentamos mesmo assim.

Bachja assente: — No final nós assumimos que precisaríamos de uma variedade maior de candidatos. Não só pessoas sem teto em um mal estado de saúde.

Magnus sacode sua cabeça: — Então vocês realmente sequestraram a família. Vocês são pelo menos tão doentes quanto os fae. — Magnus se vira para estudar o homem dentro da cela oposta a da mulher. O homem está na janela e tem seu focinho pressionado ao vidro. Ele se parece com uma criatura wehr¹ semi mudada que não completou a transformação. — Você fez eles foderem antes de transformá-los em monstros.

— Eles não são monstros! São nosso primeiro sucesso real! —  O velho cambaleia até uma pasta que estava pregada à parede do lado da cela da mulher. — O bebê dentro dela é perfeito! Nosso primeiro espécime da variação Alfa! A mudança não funcionou com os pais, mas o vírus afetou o embrião.

Eu avanço e tomo as fotos ultrassônicas dele e dou uma olhada: — As extremidades parecem normais. —  Então chego a uma imagem que mostra a cabeça e Magnus também vê.

A cientista limpa sua garganta. — Uma pequena deformação. Nada com o que se preocupar.

Magnus não se importa em explicar. Ele chuta a porta para a cela da mulher. Ao ver Magnus, ela começa a miar em sua cama. Ele levanta sua arma e atira na cabeça dela, e então, três vezes na barriga.

— Nãaaao! — O velho cientista corre para a cela, apenas para ser agarrado pelo Magnus. Ele tem Bachja pela garganta e o levanta dos pés. Há debatimento e estremecimento enquanto Magnus lentamente aperta a traqueia do homem, se certificando que Bachja não morra rápido. Então há um barulho muito estranho. Provavelmente o pomo-de-adão do cientista quebrou.

Pouco tempo depois o debatimento silencioso para e Magnus larga o corpo. Ele deixa a cela e mira sua pistola à criatura wehr que assistiu a cena da outra cela. O homem está enfurecido e se joga na janela reforçada. Magnus atira, acabando com a vida do marido.

A cientista estuda o cadáver com olhos vazios. — Por quê?

Eu aperto meus dentes e largo as imagens da criatura com orelhas alongadas. — Porque a coisa dentro dela não era nem nós, nem você.

Magnus mira sua arma na cientista restante. — Cadê os filhos deles?

A mulher começa a tremer: — O garoto não sobreviveu à transformação. A garota está na última cela. Ela é uma falha.

Eu empurro a mulher, tendo visto o bastante. Eles até usaram crianças!? — Por que ela é uma falha?

– E-e-eu não sei! Nós injetamos nela e ela ficou um pouco mais rápida, forte e se cura mais rápido. A princípio nós pensamos que ela fosse um sucesso completo. Mas quando o vírus saiu do sistema dela, nós analisamos seu código genético. Ela é um clone perfeito, mas ainda têm as sequências genéticas de envelhecimento. E ela ficou selvagem. Não há como raciocinar com ela. — Sofie gesticula para última janela e eu olho para dentro.

Há uma pequena garota, talvez de sete ou oito anos no canto do quarto. Suas orelhas são normais.

Magnus se aproxima da porta e a cientista o alerta: — Cuidado! Ela pode superar um guarda se irritada. Ela até saiu da cela uma vez. — Eu estapeio a mulher na nuca. — Você ainda acha que nós somos humanos?

Magnus chuta a porta e se aproxima da garota que está chupando seu polegar. Ele faz mira e fica lá parado por vários momentos. Então sua pistola dispara e a bala se afunda na parede ao lado da cabeça da garota. Isso incita a garota e eu sinto um repentino surto de magia dela. Ela salta de pé e investe contra o Magnus, mas ele a chuta, fazendo-a cair.

Então ele pisa em seu peito para prendê-la no chão. — Isso é estranho. Essa daí se parece com um de nós.

Eu agarro a cientista pelo pescoço e a puxo comigo para a cela. É improvável que ela possa escapar de nós, mas eu não quero que a vadia sequer pense nisso.

Magnus mira sua arma na cabeça da garota, seus olhos piscando em vermelho. — Realmente é difícil puxar o gatilho. Meus instintos estão atrapalhando.

Eu forço a cientista a ficar de joelhos. — Você quer dizer que eles realmente tiveram sucesso em transformá-la?

A cientista sacode sua cabeça: — Vocês não escutaram? Os marcadores para envelhecimento ainda estão lá.

Magnus bufa: — Oh, e como ela deveria crescer à fase adulta se não conseguir envelhecer? Para uma cientista você é excepcionalmente estúpida. Aquelas sequências genéticas deveriam estar lá até ela alcançar a puberdade. Então elas começam a quebrar enquanto as células se renovam. Sely, tente comandá-la. Ela é tão jovem que qualquer mulher deve ser capaz de influenciá-la.

Eu aperto meus lábios, mas decido que um experimento não pode machucar. Então tento colocar tanta força em minha voz quanto possível. — Fique quieta. — A garota imediatamente para de se debater e Magnus tira seu pé dela. Eu tento de novo: — Se ajoelhe. — A garota se ajoelha. — Durma. — Ela fecha seus olhos e deita.

Eu pisco. Isso foi surpreendente.

Magnus levanta sua pistola de novo. Eu imediatamente estou do lado dele para estapear a arma para longe. — Você tá doido? Não podemos matar um dos nossos! — Eu pego a garota para aconchegá-la em meus braços.

Ele franze sua testa: — Ela não é uma de nós, se formos estritos. Quem sabe o que ela é. Ela causa as reações corretas para ser vista como um de nós, o que pode ser pior que ter um novo tipo de fae.

— O código genético dela é exatamente igual ao de Alfa. Se o que você diz é verdade, então ela está mais próximo de um clone que qualquer outra coisa. — A cientista resmunga ajoelhada com as mãos no chão.

Eu encaro o Magnus e ele revira seus olhos: — Isso é ridículo. Eu realmente tenho que recebê-la? Primeiro você e sua irmã, e então a… — Ele morde o interior de sua bochecha. — A fiacre cuida dela. Nós observaremos como ela se desenvolve. Eu não vou bancar substituto de papai.

A cientista ri histericamente, tendo perdido a cabeça: — Você mata os pais dela e irmãzinha no útero da mãe. E agora quer adotá-la porque ela dá a “sensação” certa? O que há de errado com vocês!?

— Calada! Magnus levanta a pistola e atira na cabeça dela. Sofie cai ao chão e deita, imóvel. Magnus assente, satisfeito. — Pelo menos essa ainda funciona!

Eu admito que a situação é um pouco perversa, mas não posso viver com o conhecimento de que fiquei parada enquanto uma criança da nossa espécie era morta. O impulso de impedir o Magnus era tão forte. Se ele sentiu o mesmo que eu, ele não teria conseguido de qualquer jeito.

Mas a Fiacre vai realmente cuidar dela?


 

Tradutor: Batata Yacon   |   Revisor: Delongas


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