LOS – Capítulo 10

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Capítulo 10:

~Lar, Doce Lar~

 


 

“Como os Véus não só restringem os Antigos, mas também representam seus territórios e afetam os sobrenaturais que vivem lá, eles estão influenciando o mundo mundano. Uma guerra que é lutada entre humanos é frequentemente nada mais que o resultado direto da inquietude dentro do mundo sobrenatural.”

— Uma Memória dos Antigos.


***Caríntia***

***Sely***

 

Me mexo em meu assento. Não tem como eu poder aguentar mais o silêncio. Nós dirigimos por cerca de dez minutos e ninguém disse uma palavra. “Então? Se seu nome não é Siegfried, então como nós devemos te chamar?”

Ele grunhe e liga o pisca-pisca para entrar em uma rua estreita. “Meu nome real não lhe diz respeito.”

Annia puxa outra folha de papel de sua mochila: “O clã Bathomeus, que presidia sobre este território, era dividido em dois grupos familiares. Cem anos atrás eles eram extremamente poderosos por causa de seus números. Pela aparência dele eu adivinharia que ele é ou Regan Bathomeus ou um primo, Magnus Bathomeus. Se bem que a informação é muito antiga, então eu posso estar errada. Foi upada via Arpanet nos anos oitenta.”

Franzo meus lábios: “Acho que nós simplesmente o chamaremos de Regan.”

O Antigo em nossa frente chia e se vira para agarrar o papel das mãos da Annia. “Quem colocou toda essa informação na net? Eu não fiz isso!”

“Também há um contrato de casamento para qualquer fêmea dos Antigos que esteja interessada em seu próprio território.” Annia puxa outro papel e me entrega. “Você nunca checa a internet? É a melhor plataforma para sobrenaturais de diferentes territórios interagirem uns com os outros. É claro, apenas se você souber as senhas e códigos certos.”

“Por que eu faria isso? Não tenho interesse em fazer o status do meu território ser conhecido!” Ele responde, visivelmente perturbado.

Estendo a mão para a maçaneta enquanto o carro balança perigosamente para a esquerda. “Regan, por favor preste atenção na rua! Eu não quero me machucar.”

“Meu nome é Magnus!” Ele larga o papel e assume o volante com ambas as mãos, suas articulações brancas.

“Okay, Magnus então. Que tal nos familiarizarmos. Nós vamos compartilhar um território afinal de contas. Você gostaria de explicar o que aconteceu com o resto do seu clã?” ofereço, um pouco menos estressada.

Seus olhos lampejam em vermelho, me dizendo que estou caminhando sobre gelo fino. “Eu não estou compartilhando meu território. Vocês duas estão sendo toleradas por enquanto. E o que aconteceu com a minha família não é da sua conta.” Ele para o carro em frente a um largo complexo de apartamentos e sai.

Me apresso para segui-lo, já que ele não aguarda e caminha diretamente para a entrada para segurar a porta para nós. Annia se vira de volta para o carro enquanto adentramos o largo edifício. “Não é ruim ter um carro roubado diretamente na frente da sua casa?”

Ele bufa e fecha a porta: “Não se preocupe. Isso será cuidado.”

Então Magnus caminha até o elevador e aperta um botão. Minha confusão cresce enquanto esperamos a porta se abrir. “Você não tem algum tipo de propriedade? Você não estava brincando quando disse que morava em um apartamento? Sozinho?”

A propriedade Hammon é grande. Nós temos uma mansão real com dúzias de servos sobrenaturais. Nossos dedos estão em cada negócio que envolve dinheiro grande, algo que vem com possuir muito tempo, sendo efetivamente imortal. Talvez eu deva esquecer sobre pensar no clã Hammon como meu. Annia e eu fugimos. Todo o ponto de nossa fuga era para escapar da influência deles.

“Exatamente. Eu não preciso de todas aquelas coisas.” A porta se abre e nós entramos.

Após sair do elevador, Magnus nos guia para uma porta e gesticula para que entremos. Entro num pequeno apartamento que é sala de estar e cozinha em um. Uma mesa de trabalho extralarga com um computador de ponta e três telas toma o lado esquerdo da sala. Checo as três portas que permitem acesso a um banheiro e um quarto de dormir com uma única, cama larga. A terceira porta permite acesso a um closet. Mas tem algo… eu não consigo ignorar. A sala parece de certa forma… errada.

Isso realmente é o quarto de um homem solteiro? Tudo está tão asseadamente arranjado.

Imediatamente percebo o apanhador de sonhos com o frasco de sangue ao lado. Ele está balançando na frente do sofá, bem no meio da sala. Então ele nem se importou em limpar depois de bater uma pra mim. Vou diretamente até o artefato e o pego.

“Ei!”

Minha expressão deve ter sido horripilante, porque ele não diz nada enquanto esvazio o frasco na pia da cozinha e lavo o apanhador de sonhos. Tendo feito isso, sinto um largo peso se levantando de mim. Sorrindo, olho para cima e estudo o cômodo uma segunda vez: “Quem teria pensado que o lorde deste território é uma genuína ralé e um NEET.”

Annia dá de ombros: “Para o quarto de um homem solteiro, parece mais que decente. Eu esperava algo como uma caverna. Onde você espera que nós durmamos?”

Ele gesticula para o sofá: “Vocês podem dormir aqui hoje à noite. Ele pode ser rearranjado em uma cama. Amanhã vou arrumar um quarto para vocês nesta casa.”

Ele não está nos oferecendo uma cama. Eu ergo uma sobrancelha: “O edifício não lhe pertence? Como você vai convencer os habitantes a vagarem seus quartos?”

“Existem meios.” Ele responde e deixa por isso.

É, genuína ralé. Meu respeito por ele está caindo com cada detalhe que ele revela sobre sua vida pessoal.

Isso é quando a porta para o closet, a mesma que chequei antes, se abre e uma pequena mulher com pele dourada entra no quarto. Ela não é uma hobbit ou anã, já que seu corpo era perfeitamente proporcional. Ela é apenas realmente pequena e apenas chega ao meu peito no máximo. Arquejo quando reconheço sua raça: “Uma Brownie! Pensei que houvessem sido extintos há muito tempo atrás!”

A mulher pisca, observando a sala. Então ela guincha em alegria e deixa cair as roupas recém lavadas em suas mãos. Em um momento ela estava apenas parada lá de pé, e então, ela de repente está na minha frente, me tocando como para se assegurar de que sou real. “Mestre! Você conseguiu! Finalmente mais pessoas para cuidar. Ela é sua nova parceira? Não, esqueça isso, você até trouxe duas!” Usando sua velocidade inumana, ela dispara para Annia e agarra sua mão, acariciando-a.

Magnus geme: “Oilell, o que você está fazendo aqui!? Nós não concordamos que você apenas apareceria nos fins de semana? Não, esqueça isso. Você sabe alguma coisa sobre um pedido de casamento para mim, feito nos anos oitenta?”

“Yeah, estou surpresa que alguém tenha respondido tão rápido.” A brownie claramente tem uma noção diferente de tempo. Ela se estica para cima e abre os lábios da Annia, checando seus dentes. Annia lhe dá um tapa, mas a criatura lendária se vai no mesmo instante, então o tapa da minha irmã acerta o ar ao invés disso.

Aparecendo na frente de Magnus, a brownie inspeciona a folha de papel que ele recebeu da Annia. “Certamente, Mestre. Eu preciso de alguém para cuidar. Já que você é o único membro restante da família, eu pensei que sangue novo fosse necessário para repopular.”

Magnus se estende para a brownie, mas ela o evade com a mesma facilidade que evadiu a Annia. “Pestezinha! Vem aqui!”

A brownie reaparece na minha frente! “Totalmente esqueci de me apresentar! Que erro meu. Sou Oilell, serva fiel da família Bathomeus desde — ela mexe seus dedos, contando —, quatrocentas e setenta e oito gerações! Com sorte em breve será quatrocentos e setenta e nove.”

Limpo minha garganta: “É bom te conhecer, Oilell. Eu sou Sely e essa é minha irmã Annia.”

Oilell junta suas mãos em uma batida. “Imaginei. Se você precisar de qualquer coisa, apenas fale e eu providenciarei.”

Magnus balança sua mão: “Não se incomode, Oilell. Elas só vão descansar no sofá por essa noite e então vou achar acomodações adequadas para elas.”

Oilell conseguiu de fato parecer destruída: “Elas não vão ficar? Mas elas precisam! E você não pode deixá-las dormir no sofá!” Seus olhos caem no frasco que lavei. “E você fez elas trabalharem quando eu estou por perto!? Nananinanão.” De repente ela está em cima de mim com uma toalha, secando minhas mãos com uma força surpreendente.

Não sei o que dizer. Brownies deveriam estar extintas já que desapareceram completamente por uma razão desconhecida algumas centenas de anos atrás. Não sou velha o bastante para jamais ter conhecido uma. Tudo o que sei são os boatos. São seres mágicos como nós. Sua magia especial lhes permite se prenderem a uma casa e em casos extremos até a uma linhagem como caseiros e servos. E possuem uma mania por ordem, é por isso que não podem suportar lugares sujos. “Está tudo bem Oilell…”

“Não, não está! Nós somos um clã decente com maneiras. O jovem mestre só fez uma piada quando disse que vocês têm que dormir no sofá.” Ela me puxa em direção ao closet.

Annia franze sua testa: “Nós deveríamos dormir com você no closet?”

A brownie ri: “É claro que não! Funciona desse jeito.” Ela pega a maçaneta da porta para o closet e gira-a para a esquerda, como se deveria fazer. “Viu? Closet.”

Eu confirmo e ela fecha a porta e abre de novo, girando a maçaneta para a direita.

Sinto o puxar de magia enquanto o feitiço espacial distorce o espaço. Ao invés de um closet, há um enorme saguão de entrada. O canto do meu olho esquerdo espasma involuntariamente enquanto sigo a brownie em uma mansão luxuosa. Uma olhada para fora da janela revela um cenário de jardim no meio da primavera. “Onde estamos? Não deveria ser inverno?”

A brownie bufa ofendida: “É a mansão da família Bathomeus, localizada em uma berlinde de realidade no fundo do lago que está bem ao lado da cidade. Por favor, sintam-se livres para tomar qualquer quarto que quiserem e explorem como desejarem.”

Annia me segue, boquiabrindo-se diante do saguão. Se isso deve ser um indicador para o tamanho da mansão, então nós acabamos de entrar em um castelo.

Magnus pisa através da porta, uma expressão mal-humorada em seu rosto: “Eu não gosto desse lugar. É tão grande e… vazio.”

Oilell bufa e me puxa adiante: “Só porque o mestre gosta de morar no depósito não significa que os outros têm que gostar também.”


Tradução: Batata Yacon   |   Revisão: Sr. Delongas


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