LOS – Capítulo 09

Anterior | Próximo


Capítulo 09:

~Despertar~

 


 

“Crianças devem ser consideradas em alta estima, já que elas não são comuns entre nossa espécie.”

— Uma Memória dos Antigos.

 


 

***Caríntia***

***Sely***

 

“Sim!” Abro mais minhas pernas, lhe permitindo um acesso mais fácil. Ele sai e afunda dentro de mim de novo, usando toda sua extensão para despedaçar meu cerne toda e cada vez. Minha barriga toda formiga e quando ele se curva para me forçar contra si, um orgasmo arrasador sacode todo o meu mundo. Ainda sinto o meu corpo queimando enquanto as réplicas dos tremores do melhor orgasmo que já tive oscilam através dos meus músculos. E então abro meus olhos e percebo onde estou.

Estou deitada arreganhada na cama, pernas levantadas em uma posição constrangedora. Abaixando minhas pernas lentamente, me sento, encontrando a cama e a mim mesma em uma sujeira suada. Ele fez de novo! Apertando minha mão em um punho, começo a bater na parede ao lado da minha cama, adicionando aos amassados anteriores.

“Ele fez de novo! Bastardo!” uivo em raiva, jurando que usarei cada chance que conseguir para retribuir a humilhação.

Annia se mexe em sua cama do outro lado do quarto. Ela se senta e cutuca suas orelhas para retirar um par de tapa-ouvidos. “Qual o problema, ele fez aquilo de novo?”

Paro de violar a parede que está em risco de desenvolver um buraco no quarto ao lado. “Ele fez de novo! Quatro dias seguidos. Se o bastardo aparecer eu vou… eu vou… Eu não sei o que vou fazer! Mas uma coisa é certa. Vai envolver sangue. Muito sangue.”

A porta se abre e Eva dá uma olhada dentro, vestindo nada além de uma camisola voluptuosa: “Tenha piedade de mim, são oito da manhã. Preciso do meu sono vampírico… O que você fez com a minha parede?”

Eu pulo e a puxo para o quarto, batendo a porta atrás dela. Então a agarro pela garganta e a levanto bons dez centímetros no ar. Para enfatizar meu ponto, a sacudo um pouco por precaução: “Você vai me dizer onde ele mora! Agora!”

A vampira não luta e escolhe colocar sua aposta no fato de que sua espécie não pode ser sufocada até a morte. “Oi, Annia. Sua irmã parece estar fogosa hoje. Ela tá no cio? Me perdoe por perguntar, mas não conheço sua espécie muito bem. Eu só tive o pensamento porque o sátiro ao lado está tentando usar meu pessoal sem pagamento.”

Por que exatamente nós concordamos em ficar em um puteiro?

“Não. É só que seu lorde está visitando-a nos sonhos e ela não gosta do fato dele ter controle completo sobre ela no mundo dos sonhos. Mana, por que você não abaixa a Eva? Ela é uma boa pessoa e não merece a maneira como você a está tratando.” Annia se levanta e vai até o banheiro.

Eu solto a vampira e xingo: “Você não deveria ter feito amizade com ela! Ela não mostra qualquer respeito já que acredita que você está do lado dela.”

Annia responde do banheiro: “Estou do lado dela.”

Jogo minhas mãos ao ar e me foco na vampira: “Escuta, eu vou ficar doida se isso continuar por mais uma noite. De jeito nenhum que aquele bastardo conseguir me trancar em seu território e me usar como algum tipo de instrumento de prazer! Atualmente já estou realmente ficando com medo de dormir.”

“Se eu deixar isso prosseguir mais, posso esquecer sobre alugar esse quarto.” Eva estuda o dano que fiz na parede. Então seus olhos vagam para a cama bagunçada, me fazendo desejar que eu pudesse desaparecer e fazer a vergonha ir embora. Não sou puritana, mas o que esse cara está fazendo raspa nos meus limites.

Ela franze seus lábios: “Eu sempre soube que ele é capaz de atos abomináveis, mas o fato de que ele não está nem mesmo disposto a te ver é um novo patamar baixo… até mesmo para ele. Okay, vou te ajudar. Eu não sei onde ele mora, mas sei onde vai estar hoje à noite. Há essa loja na rua anelar, o Diamond Mox.”

Annia retorna do banheiro, completamente vestida, e suspira: “Eu vou sair e me encontrar com a Angelika. Afinal de contas há uma distinta possibilidade de sermos jogadas para fora do território hoje à noite.”

Eva acena enquanto minha irmã sai pela porta. “Certifique-se que minha neta te leve para sair com seus amigos ao invés de ler livros. Façam a farra.”

Eu acerto minha própria palma aberta com meu punho. “Então usarei o tempo restante para me preparar.”

 

***

 

 “Estamos aqui.”

Algumas horas depois, Eva, Annia e eu estamos em nosso destino e inspeciono a rua para determinar qual é a loja da qual a Eva falou. “Qual que é?”

Eva gesticula para a loja diretamente em nossa frente. “Nós estamos na frente dela.”

Eu estudo a vitrine colorida com cartas trocáveis, jogos de tabuleiros e drones. Então leio as propagandas iluminadas:

Sexta-Feira Magic no Diamond Mox. Toda Sexta-Feira das 17:00-24:00.

“Essa é uma loja de jogos” declaro os fatos.

Eva suspira: “Sim, nosso lorde. Isso é o que ele faz quando não está saindo para matar pessoas.”

Eu bufo e entro na loja. Quando abro a porta também disparo o sino, mas nenhuma das pessoas parecem ser incomodadas por isso. Uma rápida inspeção da sala me diz que a maior parte dos homens são humanos. Há apenas dois ou três sobrenaturais entre os jogadores.

A loja é uma única e larga sala. Para a direita há um balcão, enquanto as paredes são tomadas por prateleiras. Além da entrada, se estende uma larga área aberta com várias mesas. Meu alvo não está a mais de três mesas de distância, suas costas para a entrada. Ele está se concentrando em um jogo de cartas com um humano como seu oponente.

Eu dou uma caminhada até sua mesa, me posicionando bem ao lado dela. “Estou tão feliz que nos encontramos de novo. Parece ser destino!”

O Antigo me olha e revira seus olhos. Ele realmente revirou os olhos para mim! Como se eu não fosse nada mais que um incômodo! Não foi ele quem se forçou nos meus sonhos e fez, fez-

O humano jogando com ele interrompe meus pensamentos: “Whoa! Siegfried, você conhece essa gata? Ela é quente!”

“Conheço ela, Fred. Por que você não se concentra no jogo? Nós estamos tendo um torneio afinal de contas.” responde ele.

Tenho o tempo para estudá-lo pela primeira vez. Cabelos castanhos escuro e um rosto que irradia autoridade. Ele é atraente, mas sua expressão severa não se encaixa nele. Quando o encontro nos meus sonhos a memória sempre se torna nebulosa logo depois. Vendo-o agora… ele é meio sexy?

Decido provocá-lo e sorrio. A surra pode ser feita uma vez que as negociações falhem. “Então seu nome é Siegfried?”

O Antigo treme: “É claro que não! Só estou usando isso como um pseudônimo. Por que você não vai pra algum lugar até eu acabar aqui?”

“Vocês dois tiveram um caso de uma noite e agora estão brigando?” Fred interrompe de novo. “Se é assim, então por que você não tem um comigo? Esse perdedor não é nada bom com mulheres de qualquer maneira.”

Isso realmente está acontecendo? Eu tenho que lidar com os amigos humanos dele pra conseguir uma entrevista? Sorrio para o Fred: “Talvez? Tem certeza que consegue se comparar ao Siegfried?”

“É c-”

O humano nunca tem a chance de terminar sua sentença. Mais rápido do que até mesmo eu posso reagir, o Antigo estende e põe uma mão na cabeça do humano. Então ele a bate na mesa. Sua cabeça quica três vezes como uma bola de basquete, então ele desliza da cadeira. Em seu caminho ao chão, ele leva algumas das cartas ordenadamente organizadas consigo.

A sala que estava preenchida com risadas e com vozes de pessoas é atordoada ao silêncio. Alguém viu o que aconteceu?

Siegfried imediatamente fica de pé: “Oh, minha… Paul! Sempre te falei pra não montar na cadeira como uma criança.” Ele puxa o humano inconsciente e gesticula para alguns amigos ajudarem. “Tem gelo na geladeira. Ele bateu a cabeça na mesa, então duvido que vá terminar o torneio.

“Devemos chamar uma ambulância?” Alguém pergunta.

“Sim, talvez vocês saibam primeiros socorros?” admite Siegfried hesitantemente.

Um dos homens mexe com suas cartas: “Talvez devêssemos esquecer do torneio desta noite.”

Nenhum dos outros discorda.

Siegfried joga suas cartas em sua mochila e sorri para os outros: “Se é assim, então vou me retirar.”

Ele sai sem pressa da loja e o sigo. Uma vez do lado de fora, ele põe seus olhos sobre Eva que está usando minha irmã como escudo. Terei que falar com a vampira sobre isso.

Ele tira um pacote de cigarros e acende um deles: “Então. O que você quer?”

Franzo meu nariz ante a visão do cigarro e tomo uma posição contra o vento em relação a ele. “Quero que você pare de assombrar meus sonhos. Então, nós pedimos santuário em seu território. Em troca nós te pagaremos com alguns artefatos inestimáveis.”

“Da forma que vejo, vocês já estão se escondendo no meu território. E já que eu sou o lorde, posso fazer o que quiser.” Ele sopra fumaça em meu rosto e eu tusso. Isso é maconha? Ele está ficando menos atraente a cada segundo. Cerro meus dentes e fecho minhas mãos em punhos.

Surpreendentemente é a Annia que impede a situação de decair mais. Ela puxa uma folha de papel: “Com licença. Se você puder escutar por um momento? Eu gostaria de convocar as regras do clã.”

Ele franze sua testa: “Não há regras do clã. Eu sou o lorde e minha palavra é lei.”

Ela tira a folha de papel e uma longa lista de parágrafos muito apertadamente impressos se desdobra até o chão. “Mas há um compêndio de leis para o seu território no sobrenatural.net! Ele claramente declara que qualquer refugiado de outros clãs tem permissão de ficar por um mês até a situação deles ser resolvida. Acho que caímos nessa categoria. E se não, então nós queremos que você assuma responsabilidade!”

Seus olhos piscam em vermelho e ele arrebata o papel da minha irmã. “Isso tem mais de cem anos de idade. Meus pais escreveram isso. Como isso foi parar na internet!?” Ele bufa e põe fogo no papel com seu cigarro.

“Você quer dizer que não se importa com os ideais dos seus pais?” pergunto. Pais e família são importantes entre Antigos. Pelo menos se eles não forem babacas que vendem seus filhos para ganhar poder com outros clãs.

Ele inspira fundo e estuda a placa de neon acima da loja de jogos, pensando sobre algo.

Eu cruzo meus braços em frente ao meu peito. “E o que acontece se nosso encontro tiver consequências?”

Ele solta seu cigarro, chocado: “Consequências!? Você não se certificou de não haver!?”

Eu estudo minhas unhas. “Não. Nem me incomodei.” Por que deveria? Tenho cento e oitenta anos sem nenhum filho. Mesmo se for filho de algum cuzão, eu ficaria feliz com isso. Nós, Antigos, temos tão poucas crianças, nunca esperei ter alguma. “Então você não toma conta das mulheres com quem você dorme?”

“Nós-”

Levanto um dedo: “Sonhos contam! Não me diga que não têm interesse nenhum em mim quando me visita por dias. Qualquer homem decente iria pelo menos cuidar de sua mulher.”

Ele fecha a boca e puxa outro cigarro. “Então você é minha mulher?”

Estapeio o baseado de sua mão, não o tolerando. “Não vá longe demais. Então temos um acordo? Você nos dá acomodações decentes e em troca nós te pagamos com artefatos.”

Ele suspira: “Eu não tenho muito. E que artefatos?”

Annia retira sua mochila das costas: “Um amuleto que permite ao usuário passar através de Véus. Um núcleo de energia para coletar poder para rituais. Um conjunto de runas que explica runas de poder. Uma antiga cruz Cristã que funciona contra demônios reais. E uma estátua da fertilidade com uma benção encantada na mesma, precedendo história conhecida.”

Ele estuda a Annia: “Eu suponho que deveria trancar tudo de valor quando vocês vierem morar comigo?”

Ele realmente acabou de implicar que nós somos ladras? Eu bufo: “Por que nós deveríamos ir com você? Você não tem algum lugar seguro que possamos usar?”

“De fato, não tenho. Vocês ainda terão que ficar no meu apartamento até eu conseguir achar alguma coisa para vocês. E suponho que vocês estarão vindo comigo porque a Eva deixou vocês por conta própria.” Ele gesticula para os nossos arredores.

Eu olho ao redor, mas não consigo encontrar a vampira em lugar nenhum. “Quando foi que aquela cadela fugiu?”

Ele levanta sua mão e a sacode. “Quando você estapeou o cigarro da minha mão. Cara, como aquela garota consegue correr. Provavelmente ela pensou que a rua pegaria fogo.” Então ele estuda os carros estacionados e caminha até um, abrindo-o com magia.

Minha irmã o segue: “Você não tem seu próprio carro?”

Ele olha para a fileira de carros estacionados em direção a um SLK vermelho com dois assentos. “Nós podemos dirigir com o meu se você quiser ficar na mala?”

Annia sacode sua cabeça e nós entramos atrás dele. Inclinando-me, sussurro para minha irmã: “Eu acho que essa pode não ser a mais sábia das escolhas que já fizemos.”

Ele obviamente me escutou e se vira: “Você percebe que uma semana atrás, eu dirigia meu SLK e fazia o que bem entendia. Todo mundo estava com medo demais para se incomodar com meu território. Agora muito provavelmente tenho uma rixa de sangue com os Hammons em minhas mãos, já que eles certamente não me permitirão roubar duas das mulheres deles, sem mencionar aquele amuleto. E o pior de tudo…”

Desta vez não pude encontrar qualquer falha com seus problemas. Aguardo pelo o que ele considera ser ainda pior em nossa situação.

“… Estou dirigindo um carro de família!”


 

Tradução: Batata Yacon   |   Revisão: Sr. Delongas

 


Anterior | Próximo

 

 

 

7 ideias sobre “LOS – Capítulo 09

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s