LOS – Capítulo 07

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Capítulo 07:

~Seguidas~

 


 

“Instinto é uma coisa poderosa.”

— Uma memória dos Antigos.

 


 

***Caríntia***

 


Xingo meu carro porque a estrada fez ele chacoalhar de novo. Meu tempo de recuperação foi reduzido quando as irmãs decidiram deixar seu esconderijo de manhã cedo. Eu não fiquei surpreso por elas decidirem escapulir, mas a partida rápida e repentina delas me levou a fazer alguns ajustes aos meus planos.

O plano original era confrontá-las a respeito de suas presenças dentro do meu território. Já que elas pegaram um carro e dirigiram ao sul, não tive escolha senão seguir… com meu SLK vermelho de tudo mais. Que diabo montou em mim pra eu pegar o SLK!? É o menos útil para estradas montanhosas. Okay, talvez não tenha sido uma escolha completamente errada, já que uma pessoa sã usaria a auto-estrada para deixar o país.

Bufo e tento visualizar um mapa mental com a rota delas dentro. A princípio elas estavam seguindo em direção à auto-estrada, então fizeram uma curva abrupta e deixaram a cidade para entrar em um dos vales menores ao invés disso, só para pegar uma estrada montanhosa para outro vale. E agora elas estão indo para um passo em direção à Itália. O comportamento delas é errático, pra dizer o mínimo. Ou talvez seja porque elas estão sendo caçadas. Os irmãos delas estão em seus rastos e eles podem senti-las de alguma forma?

Poderia ser um problema se seus setes membros de clã restantes as pegarem. Pisando no pedal, dirijo mais rápido e me inclino em cada curva da estrada sinuosa. Okay, talvez pegar o SLK não tenha sido tão ruim afinal. Isto é divertido.

Ao utilizar o rastro da energia, alcanço o carro delas em apenas vinte minutos mais tarde. É um carro alugado aleatório, então desacelero para ver para onde elas estão indo agora. Os lados da estrada estão cobertos com floresta e para minha surpresa, elas entram em uma estrada florestal não irregular que não é muito mais que uma estrada madeireira para os lenhadores. O carro delas conseguiu alguns metros, só para ficar atolado há dez metros na estrada.

Eu nunca violaria meu SLK seguindo elas. Ao invés disso, dirijo até depois delas e paro na próxima curva da estrada, estacionando o carro no lado da estrada. Pegando minha arma, saio e marcho alguns metros de volta através da neve. Há apenas alguns metros de distância da rua, a neve já está na altura dos meus joelhos. Quando volto à vista do carro, assisto em divertimento enquanto a irmã mais velha tenta empurrar o carro para fora do atoleiro de neve no qual ele ficou alojado.

Quando a jovem diz algo, sua irmã desiste de suas tentativas de liberar o carro. Ambas se apressam para seguir a trilha floresta adentro.

Fico no meu posto, considerando a possibilidade de uma armadilha. Elas estão tentando apelar para os meus instintos de caça? Por acaso sabem que estou seguindo elas? Estou realmente dividido entre caçá-las como uma besta selvagem e fazer a coisa esperta e chamá-las.

Mexendo com meu casaco, tento retirar os cigarros. Minhas tentativas falham quando uma figura dispara estrada abaixo e para no carro delas. Após uma curta olhada para o carro delas, ele corre na mesma direção que elas tomaram. Tenho a arma pronta em um momento, mas as árvores prejudicam minha mira. Baixando a arma, os sigo na mata, muito rapidamente desejando estar com sapatos de neve.

A floresta está quieta com ninguém por perto, então canalizo magia através dos meus pés, dando vários saltos enormes para alcançar.

Cinco minutos depois eu as encontro. Annia e Sely estão encurraladas contra a parede de uma pequena capela que se localiza um declive abaixo. A capela é situada em um pequeno cemitério. Essas coisas velhas não são incomuns por essas matas, já que pequenos vilarejos eram frequentemente abandonados durante a idade das trevas. A capela normalmente era o único edifício feito de pedra e assim o resto do vilarejo desaparecia enquanto as casas religiosas permaneciam, só para serem renovadas muito tempo depois pelo governo ou donos das florestas.

As duas irmãs estão encurraladas em um canto por quatro homens. As irmãs estão falando sobre algo com seus caçadores. Um rápido levantamento da área me mostra os três homens restantes. Eles tomaram posições mais ao longe para cortar possíveis rotas de fuga. E um deles está a só trinta metros de distância, meio caminho declive abaixo.

Dada uma oportunidade tão boa para reduzir a quantidade de inimigos, eu não consigo resistir em tomá-la. Saltando para frente, me largo de bunda e deslizo a encosta. No caminho retiro minha faca favorita. É uma larga faca de caça que quase conta como um facão. O ferreiro que a fez para mim brincou que eu na verdade pretendia matar um urso com ela. Bem, era perto o bastante da verdade.

O homem que estava aguardando abaixo da minha posição se vira quando me escuta deslizando pela neve. Mas ele foi só um pouco lento demais. Colido com seu pé antes dele completar sua virada. Um grunhido lhe escapa enquanto seus pés são chutados por baixo. Tudo que tenho que fazer é segurar a faca.

Ela afunda através dele enquanto ele cai em cima de mim. Torço minha arma para me certificar de que ele esteja incapacitado para lutar. Um som baixo, lamuriante, escapa dele, mas isso é tudo. Faço com que rolemos, tomando a posição no topo. Então puxo a faca e corto sua garganta. Leva quatro golpes e um pouco de serrar, então sua cabeça sai.

Diferente de como é mostrado em filmes, não há nenhum chafariz de sangue. Apesar de ainda haver o bastante para rapidamente colorir a neve de vermelha.

Quando olho para cima, gemo, apreciando o fato de que ninguém percebeu o pequeno drama. Toda a atenção está focada nas duas mulheres. E da minha nova posição tenho a vista perfeita da capela. Minha vítima escolheu bem sua posição. Eu me arrasto para uma árvore próxima e ponho minha arma em posição.

Espichando minhas orelhas, tento entender suas vozes. Minha mira é firmada na mais velha das duas irmãs.

A mais velha é uma verdadeira beldade. Na verdade, ela é a mulher mais bela que já vi. Seu rosto é uma adorável mistura de feminilidade e autoridade. E mesmo que ela esteja vestindo roupas de inverno, elas fazem um pobre trabalho de merda em esconder seus traços femininos. Se eu simplesmente atirar nela, então os homens vão levá-las e deixar meu território.

“Vai se foder! Você pode se mandar e ir pra casa! Diga ao chefe do clã que ele pode ficar de quatro ele mesmo se gosta de seus aliados tanto assim. Vocês nunca vão levar a Annia.”

Mas se eles deixarem meu território tendo alcançado seus objetivos, isso dará um mau exemplo. Mastigo meu lábio inferior, desejando ter trazido algum tipo de bomba de estilhaços para acabar com todos eles de uma vez.

“Apenas venha conosco. Você não percebe que não pode fugir para sempre?”

Miro naquele que falou. Caso atire nele primeiro, as mulheres poderão escapar e deixar meu território.

“Nós podemos e vamos. Apenas me teste!”

Isso é quando a garota dá uma puxada nas roupas de sua irmã maior. As duas olham uma para outra e assentem com a cabeça. E isso é quando tudo vai pro inferno.

O locutor de antes pula para frente e Sely avança para interceptá-lo. Eles colidem e o homem tenta subjugá-las. Apesar disso não ser fácil, porque a cadela está tentando arrancar a cara dele, o que a deixa muito menos atraente.

Ao invés de apostar minha sorte com os dois adversários em luta, alinho minha visão com o único homem que está parado de pé. Os outros dois foram para a garota e imediatamente avançaram para a capela. Pressiono o gatilho e a bala de fragmentação afunda em sua têmpora, despedaçando-se. A parte superior de sua cabeça se desintegra em uma chuveirada de ossos e entranhas, pintando a neve com umas pequenas bolotas vermelhas de cérebro.

Isso é quando Sely torce suas pernas ao redor de seu oponente, enquanto ele tem as mãos dela presas ao chão. Sinto um surto de magia e um jato de chamas dispara de sua boca. Ele se lança vinte metros ao céu, incinerando tudo em seu caminho. O homem berra e tenta se afastar dela enquanto sua carne é arrancada de seu crânio. Ela não o deixa, suas pernas fortemente fechadas ao redor de sua cintura.

Ele puxa uma faca e a corta, tirando sangue. Embora isso não o salve.

E então névoa irrompe da capela. Tento conseguir outro tiro, mas a névoa é anormalmente espessa. Ela se espalha e rapidamente cobre a capela. Tendo perdido meu alvo, mudo minha mira para os outros dois vigias. Um se foi, mas o outro está correndo em direção à névoa. Eu atiro e erro, mudando para disparo automático enquanto ele se aproxima do banco de névoa mágica. Não me importo em usar minha munição com moderação enquanto as balas acertam por todos os lados ao redor dele.

Logo quando ele desaparece na névoa, consigo um acerto em seu tronco. Triste por ser improvável que isso tenha sido um acerto letal.

Ejeto o pente vazio e o substituo com um novo. Todos, exceto por mim, agora estão dentro do nevoeiro e a coisa maldita continua se espalhando e rastejando mais perto. Me levanto e deslizo o resto da ladeira, para dentro do nevoeiro. Seguindo os berros, eu avanço, minha vista limitada a não muito mais que três metros.

Alguns passos neblina adentro, escuto os passos triturantes de alguém avançando em investida através da neve. Uma figura aparece de lugar nenhum e abalroa em mim, me tirando o ar. Nós caímos e então o rosto de Sely está na frente do meu. Seu corpo macio deitado em cima de mim, noto que ela cheira bem.

Ela abre sua boca e posso ver aquele fogo do inferno carregando em sua boca. Minha mão se fecha em torno de sua garganta e aperto, tapando aquele maldito feitiço dela. As unhas dela vão para o meu rosto e a empurro para longe de mim. Então a agarro pelo pescoço e a pressiono no chão, para que esses lábios perigosos dela apontem para longe de mim. Ela se contorce e sacode, mas a seguro de face ao chão.

“Larga a Mana!” Outra fúria se joga em mim, batendo e chutando por tudo que vale.

Eu recebo os golpes, sentindo as amarras do meu autocontrole sendo forçadas ao limite. Violam meu território. Causam estragos e agora até me atacam.

Outra pessoa aparece da névoa e levanta uma mão, atirando um orbe azul de energia. Gemo quando a energia acerta meu peito e me joga da mulher. O poder é absorvido pelas minhas barreiras, mas minha razão foi pro inferno.

Um mormaço vermelho de sede se sangue se afunda sobre minha vista enquanto o novato agarra a garota e tenta puxar a mulher para seus pés. Eu posso cheirar sangue, sangue deles. Minha magia surta enquanto libero todas as restrições e ataco. Todos os meus instintos me dizem para aniquilar todos os infratores que puseram pés no meu território.

O homem solta as mulheres e dispara outro pulso de energia azul, mas avanço diretamente através dele, escudos vermelhos de poder desviando a maior parte do ataque. Então estou sobre ele e por um momento nós nos engalfinhamos. Pisando para frente e entre suas pernas, torço meu corpo inteiro e o jogo. Ele cai fortemente e chuto sua cabeça. Enquanto ele está atordoado dou um soco para baixo em sua coluna, envolvendo minha mão em energia vermelha.

Meu punho atravessa de forma limpa e esmaga o coração dele. Então uivo em triunfo e retorno minha atenção para as outras duas, minha vista ainda vermelha com raiva. A mulher ainda está se contorcendo no chão enquanto a garota está tentando a pôr de pé. Dois passos me levam ao lado delas e puxo com força a mulher para o alto.

Ao invés de lutar comigo, ela planta seus lábios em minha boca e dedos no meu cinto. Há uma luz vermelha em seus olhos.

“Fique longe dela! Ela não é sua!”

A voz de mais outro homem me lembra do fato de que ainda há matança a ser feita. Empurro a mulher para longe já que ela claramente perdeu a cabeça. Uma vez que um Antigo seja sobrepujado por seus instintos não há muito mais a ser feito até que isso chegue ao seu fim naturalmente. Então eu avanço para o lugar de onde a voz veio, minha visão completamente vermelha.

Minha razão retorna muito, muito depois. O vermelho recua da minha visão e posso, de alguma forma, lembrar que perdi a cabeça. Os outros Antigos também entraram em um frenesi e batalharam comigo. Meu corpo está queimando, o que é o porquê de eu não gostar de perder o controle. Aconteceu comigo só uma vez antes, então me orgulho do meu controle. O som de batida de carne me retorna à realidade e percebo que aquela garota de antes está me chamando. Ela está escondida atrás de uma das lápides que estão cercando a capela.

“…-ntendendo? Olá?”

Eu pisco: “O que foi?”

“Oh, bom. Você voltou. Agora sai da minha irmã! Acredito que vocês dois se divertiram o bastante.”

As palavras dela não fazem sentido nenhum até perceber que estou de joelhos, minhas mãos no traseiro macio e no pescoço de Sely. Ela está de quatro e se divertindo com minha ereção, suas roupas uma bagunça rasgada. Seu traseiro bate entusiasmadamente contra mim, empalando-se. Me mantenho completamente parado, percebendo porque meu corpo está queimando e tremendo. De repente Sely quebra o ritmo e se pressiona contra mim, esfregando seus quadris e me guiando ao seu ponto G. Não consigo evitar e explodo, ofegante.

Empurro a puta pra longe, me sentindo de certa forma violado. Um bom punhado de neve em seu pescoço a retorna a razão e ela berra em ultraje, se arrastando para longe de mim.

 

***Caríntia***

***Sely***

 

O que raios aconteceu? Nunca perdi a razão assim. Nunca! Eu realmente me coloquei como uma cadela no cio na frente daquele cara? Eu nem conheço ele. E por que minha irmã está se escondendo atrás daquela lápide?

“Vocês duas estão vindo comigo.” Seus olhos brilham em vermelho e ele se põe de pé, tentando levantar suas calças. Sua face é uma máscara de raiva.

Então ele também é um Antigo. É então que me lembro. Como ele atacou meu irmão, e como achei isso excitante! E ele me forçou no chão… Não! Não que me importe sobre alguns irmãos perdidos. Odiava eles de qualquer forma. Isso ainda é fodido. Não tem como nós simplesmente irmos com ele para que ele possa nos mandar de volta pro nosso clã.

“Atordoar, Annia!” brado. Annia reage sem questionar e dispara um feitiço de atordoamento no Antigo.

Com suas calças ainda com a metade abaixada, ele berra em raiva e tropeça para longe do lampejo de luz da Annia. Eu chuto, acertando seu tornozelo e ele cai dentro de um monte de neve. Eu chamo isso de justiça poética. Sem hesitação eu invoco um feitiço para transformar a neve em gelo, selando ele dentro. O feitiço de névoa da minha irmã ainda está ativo, então eu a pego e nós corremos para dentro do nada branco. Atrás de nós o Antigo ruge sua fúria e escuto o gelo quebrando.

“Acho que ele endoidou!” Annia arqueja entre as respirações erráticas que dava.

Nós entramos na floresta e trançamos através das árvores. “Ele não estava doido antes?”

“Você não lembra de nada!? Ele os rasgou em pedaços!” E então ela começa a correr mais rápido, se afastando de mim. Como se o diabo em pessoa estivesse bem atrás de nós.

É só quando uma árvore tomba e desce esmagando em algum lugar atrás de nós que acredito nela. Ponho tudo que tenho nas minhas pernas e alcanço a Annia, ombreando-a. Então uso cada pedacinho de magia e a canalizo através das minhas pernas.


 

Tradução: Batata Yacon   |   Revisão: Sr. Delongas

 


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