LOS – Capítulo 06

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Capítulo 06:

~Espionagem~

 


 

“Uma luta de um contra muitos não é uma luta justa, é uma gloriosa.”

-Uma memória dos antigos.

 


 

***Caríntia***

 

Eu bati na mesa em um fútil gesto e rosnado. Expressar minha raiva era bom, especialmente já que não há nada que eu possa fazer a respeito da situação. Por que a Eva não me ligou imediatamente? Ao invés disso ela me mandou um e-mail. Um e-mail! Quem nesse mundo checa seus e-mails toda hora? Mordendo meu lábio inferior, eu relembro que o Paul é a única pessoa que tem meu número. E isso é só porque eu tenho que ligar para ele para dar ordens.

O que posso dizer? Eu sou uma pessoa reservada.

Minha a tensão se volta para meu pé, que eu apoiei no sofá para dar algum descanso a ele. Levou mais que o esperado para curar, especialmente considerando que eu tinha uma fratura complicada. Se possível, eu vou evitar contato próximo com foguetes no futuro.

Mesmo se eu soubesse sobre as convidadas da Eva, eu não teria sido capaz de fazer nada a respeito delas. Se eu enfrentá-las enfraquecido e ferido, eu posso ser aquele que acabará com a bunda chutada. Então visitá-las imediatamente está fora de questão.

O que mais eu posso fazer para evitar desperdiçar mais tempo?

Eu me levanto manco através do pequeno apartamento. Ele é localizado no último andar de um prédio de apartamentos próximo ao lago. Eu fiz dele meu lar por causa da localização e porque ninguém esperaria que eu morasse aqui. O sol matutino tem uma bela aparência da varanda quando vem sobre as montanhas. Se a névoa ondular no ponto certo, há alguma coisa mística na cena. Eu só estou um pouco chateado com o fato dos humanos terem construído uma gigantesca torre de vigia na montanha. Ela destrói minha vista e sua forma é simplesmente obscena. Quem quer que tenha projetado aquela coisa deveria ser executado.

Ao chegar ao cofre das armas, eu o abro e estudo minhas opções. Tetrach Hammom foi muito prestativo assim que eu lhe dei a motivação certa. Aparentemente as irmãs Hammom não estão de acordo com a política de casamento de seu clã. A mais velha foi casada com sucesso a um Lorde Inglês. Eles até lançaram um feitiço de vínculo nela para deixá-la obediente.

A intenção do feitiço era transformar ela em uma esposa dócil que segue as ordens do marido.

Ninguém percebeu que a diaba sabia dos planos deles o tempo todo. Ela enfiou alguns comandos adicionais de sua própria criação no feitiço e quando o marido dela tentou fechar o negócio, ela o desarmou. Ao invés de obter seu aliado, eles obtiveram um lorde furioso sem suas bolas. Ele fugiu sem levar a esposa consigo, então Sely ficou na casa principal e foi vista como mercadoria danificada dali em diante.

Eu mesmo acho tais práticas abomináveis já que meus pais me criaram para não fazer tais coisas. Infelizmente os ideais deles não os ajudaram no final.

Com os números da nossa raça sendo tão baixos, é comum casar as mulheres para outros clãs. É uma prática difundida, apesar de todos fazerem suas próprias regras no final. Por causa dos laços criados entre as famílias, isso reduz a possibilidade de serem atacados e pelo menos isso previne endogamia. Eu acho que pelo menos isso é algo bom que sai dessa prática. Mesmo se meu clã não tivesse sido dizimado, eu teria que procurar por uma esposa entre outros clãs.

As únicas outras escolhas teriam sido primas. Eu rio. Pelo menos isso não é mais uma opção.

Tetrach revelou que Sely amava sua irmãzinha, Annia, e era bastante protetora da mesma. Mais ainda que sua própria mãe, que nunca se atreveu a se impor contra o chefe do clã. Então quando foi a vez da Annia ser usada como moeda de troca, Sely a pegou no meio da noite. Elas roubaram alguns artefatos importantes ao assaltar o cofre da família. Então elas então fugiram por metade da Europa com um bando de mercenários e sua própria família em seus calcanhares.

Assim que os fae souberam disso, eles quiseram seu próprio pedaço do bolo. Duas fêmeas dos Antigos não são uma conquista ruim para seus programas de reprodução, apesar de eu assumir que mulheres que tenham qualquer conhecimento sobre os fae prefeririam morrer do que cair nas mãos deles.

Normalmente a fuga das irmãs teria sido um feito quase impossível. Todo clã tem um véu ao redor de seu território. A força do véu depende do clã, mas o fato permanece que cruzar até mesmo o mais fraco dos véus não é uma experiência agradável. Há a possibilidade de passar entre os véus de dois territórios vizinhos já que eles quase nunca tocam um ao outro. Apesar de que isso ainda significaria que alguém teria que passar por montes e vales para chegar em qualquer lugar na Europa.

A maior parte dos Antigos sensatos fazem uma das grandes cidades de lar. Então, se a pessoa que tentar fugir através de um território altamente desenvolvido como a Europa tiver sorte, então ele ou ela , no máximo, consegue ficar em algum vilarejo remoto. O que não é o melhor lugar para se esconder. Se uma pessoa quiser sumir da grade, então a opção mais segura é se esconder dentro do maior, mais caótico local que ele ou ela possa encontrar.

O fato de que elas ainda estão escondidas dentro do meu território significa que elas estavam viajando em direção a uma das grandes cidades. Talvez Roma? Ou elas pretendem usar meu território para pular para França? Não parece plausível. Antigos que entram no meu território têm uma reputação de desaparecerem. É por isso que todos me deixam em paz. Pessoas entram, mas elas não saem.

Então por que elas arriscariam entrar no meu território…

Talvez os mercs tenham deixado elas com as costas contra a parede? Um monte de mercs apareceram ao mesmo tempo, então isso seria uma explicação. Eles estavam bem atrás delas e simplesmente seguiram através do véu no calor da caça.

E mesmo se Tetrach negar isso, a história dele também responde a pergunta de como as irmãs entraram no meu território sem que eu percebesse. Entre os artefatos roubados deve ter havido algo que permita que elas passem através de véus despercebidas.

Isso explicaria o porquê do clã delas estar movendo céu e terra para recuperá-las. Não só elas próprias são de valor político, o artefato é de extremo valor tático. Até agora eu possuía bastante confiança no Véu, mas eu talvez tenha que reavaliar minha atitude para com esse aspecto do Véu. Pelo menos o artefato parece ser um item único. Caso contrário Tetrach e seu grupo teriam usado um também, ao invés de marchar através do meu véu e soar todos os alarmes.

Eu cheguei ao cofre e escolhi a mesma arma que usei para os fae. Então eu adicionei o cano longo e uma mira melhor. Eu não estou certo da situação que vou enfrentar, então me prender a uma arma automática pode não ser a pior ideia. Eu gosto do conceito da StG de consistir de partes de montar. Eu quero uma arma para combate a curta distância? Só pegar um cano curto e um cartucho largo. Se sentindo mais como um atirador de elite hoje? Sem problemas, há canos longos e munição mais forte.

Após montar uma arma com maiores capacidades de longo alcance, eu a guardo em um pacote de viagem. Então eu pego um dos apanhadores de sonho que eu recebi de um xamã como presente. Ele era um Antigo que via os Ojíbuas como seu povo e vivia no Canadá. Por um curto período eu o chamei de amigo já que ele compartilhou parte de seu conhecimento. Eu manco até a varanda, determinado a coletar tanta informação quanto possível até amanhã. O apanhador de sonhos não só me permite assombrar os sonhos de um alvo. Ele também é uma excelente ferramenta de espionagem já que permite experiências fora-do-corpo.

Infelizmente essa coisa não é de muito uso na maioria dos casos já que meu alcance é restrito pelo véu, o que funciona como um excelente escudo contra espionagem mágica. E eu tenho que saber onde meu alvo está. Nenhuma dessas restrições se aplica no momento, então eu farei total uso das possibilidades.

Uma vez na varanda, eu amarro o barbante no teto e ajusto a altura. Então eu me sento, permitindo que o apanhador de sonhos balance em frente ao meu rosto. Respirando fundo, eu fecho meus olhos e me concentro no quartzo no centro do artefato, usando-o como o foco do meu poder.

 

 

***Caríntia***

***Sely***

 

“Você tem certeza que foi a escolha certa vir aqui?” Annia pergunta com uma voz desesperada enquanto deitada em sua cama. É de manhã cedo e ela dormiu apenas por um curto período. Todo e cada barulhinho a acordava.

Eu não posso culpá-la, já que é o mesmo para mim. Fechando as cortinas para bloquear o sol, eu volto para o lado dela e estudo o pequeno quarto que recebemos da vampira. É arriscado ficar aqui por tempo demais, mas não faz diferença nenhuma se nós ficarmos cansadas demais para correr ou lutar. Melhor arriscar agora. “O fato de que tivemos a escolha de entrar neste território, ou combater nosso caminho através de fae deixa essa questão irrelevante, não acha?”

Ela assente. “Melhor mortas que sermos pegas pelos fae. Eu estou relativamente certa de que eles não estão nos caçando para nos arrastar de volta para nossa família.”

Eu levanto uma sobrancelha, surpresa que ela tenha captado isso. “Nós não estamos mortas ainda. E ainda temos opções. A questão é o que nós devemos fazer a respeito de nossos irmãos. Eu sinto que eles estão perto. Se nós deixarmos esta cidade eles estarão em cima de nós em praticamente tempo nenhum.

Annia dá um sorriso afetado. “Então foi bom nós termos subido no ônibus e andado em círculos por um dia inteiro. Eles vão ficar doidos quando perceberem que a cidade está tão cheia dos nossos rastros que é quase impossível nos rastrear.

Eu bagunço seu cabelo e deito ao lado dela. “Desde que o lorde não apareça, nós ficaremos bem.”

“Eu espero que você tenha um plano pra ele, porque eu não tenho ideia do que fazer. O pouco que eu ouvi sobre este território me faz desejar que nunca tivéssemos vindo aqui.” Annia resmunga.

Eu bufo. “Eu posso ser uma forte oponente. Eu não sou nenhuma fracote. E se nós acreditarmos nos relatórios, então é altamente provável que ele esteja sozinho. Algo aconteceu neste território que matou o clã local. Ele é o único que foi visto em público nos anos recentes.”

“Mas os clãs enviaram uma equipe de dez dos seus melhores para tomarem o território. Mamãe disse que eles são um grupo de guerreiros de elite altamente treinados. Se o lorde deste território consegue fazer eles desaparecerem simples assim, então eu não quero enfrentá-lo. Talvez ele seja algum velho terrível, que é mal-humorado e nervoso consigo mesmo e com o mundo. E se ele for pior que os nossos?”

Franzindo meus lábios diante do pensamento, eu respondo, “Se nós nos depararmos com qualquer um deles, então nós só temos que jogar eles contra os outros. Homens são terríveis em compartilhar território. Eu tenho certeza que se nós colocarmos eles na mesma área, então eles ficarão mais engajados um contra o outro do que conosco. Apenas se certifique de não perder o Hórus.”

Annie leva a mão ao amuleto ao redor de seu pescoço e anui. “Nossa fuga não teria sido possível sem isso.”

Eu suspiro e afago cabeça dela. “Durma um pouco mais. Nós testaremos nossa sorte ao anoitecer. Mas nós temos que estar em perfeitas condições para isso. Eu posso enfrentar nossos irmãos, mas eu não posso te proteger ao mesmo tempo. Se eles puserem as mãos em você, tudo isso terá sido em vão. Eu não quero você com a mesma maldição que eu.”

“Eu sinto muito por ser tão inútil em uma luta,” ela resmunga, semi adormecida.

“Você só é jovem. É só isso.” Eu fecho meus olhos e tento descansar um pouco mais.

 


Tradução: Batata Yacon   |   Revisão: Sr. Delongas


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