LOS – Capítulo 04

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Capítulo 04:

~Problema~

 


 

“Não fique entre um Antigo e seu…”

– Uma memória dos Antigos.

***Caríntia***

 

Todos os meus planos foram por nada. Eu furiosamente caminho rua abaixo, fumegando. Originalmente eu tinha a intenção de ter uma boa noite de sono e exterminar os trolls hoje. Mas exatamente às três horas, vários antigos passaram através do véu. Eu senti isso imediatamente e acordei. Eles não eram muito poderosos, exceto por um deles. Então ao invés de dormir, eu dirigi até o local em que o véu foi violado. De lá eu tentei rastrear os oito intrusos por meios mágicos.

Infelizmente eles foram direto para a cidade capital, que pertence a mim. Eles tomaram uma rota indireta, claramente tentando evitar qualquer um que viesse da cidade para checar a brecha. Isso não muda o fato de que eles me desafiaram ao entrar no meu território sem permissão.

E agora eles estão se escondendo em algum lugar na minha cidade, claramente procurando por aquelas duas mulheres.

Eu caminho junto ao canal do lago em direção ao centro da cidade, obcecado em obter algumas respostas do cacique troll. Pelo menos isso era o que eu queria fazer, quando eu percebo um ponto vermelho do outro lado da passarela. Minhas íris se estreitam em fendas, se tornando inumanas para mudar seu espectro visual. Então não é grande coisa seguir a mira-laser para a janela no segundo andar no outro lado da rua. E ao homem, que está mirando em mim.

Meus olhos se arregalam: “Você tá brincando comigo!”

Ele puxa o gatilho e eu berro, me jogando sobre a balaustrada e para dentro do canal. O mundo explode e eu sinto meus tímpanos estourarem. Poeira e entulho chove para todo lugar enquanto eu rolo para baixo da encosta íngreme em direção ao canal. Pelo menos agora eu estou fora da vista do lançador de foguetes! Onde caralhos eles arrumaram um lançador de foguetes? Eu não sou a porra de um tanque. Embora eu admita que eles não me subestimaram, o que é um ponto para eles. A outra questão é como eles descobriram quem procurar? O que me traz de volta aos malditos trolls.

Deitado no gelo, eu puxo minha pistola e a miro para cima do declive, ignorando as pessoas gritando e carros buzinando. Se humanos são bons em uma coisa, então é em entrar em pânico. Quando eu tento me levantar eu percebo que meu pé é uma bagunça esfarrapada. E deuses, isso dói!

Fazendo uma decisão de fração de segundos, eu solto minha magia e soco o gelo uma vez, duas vezes e uma terceira vez, criando um buraco largo o bastante para me puxar para a água. A corrente agarra meu corpo e me puxa para longe. O frio me atordoa, mas ele tem o efeito de adormecer a dor. Alguns segundos depois eu sinto a onda de choque de outra explosão. A superfície azul acima do canal treme e longas rachaduras aparecem nela.

Mas a corrente me puxou mais longe do que os atacantes anteciparam.

Eu fecho meus olhos e silenciosamente conto até vinte, permitindo à corrente d’água fazer o trabalho por mim. Um vez eu tendo chegado ao número mágico, eu retraio meu punho e soco para cima, travando meus dedos no gelo. Dessa vez é mais difícil criar um buraco. Embaixo d’água eu tenho que lidar com mais fricção e o gelo é espesso. Após vários socos o gelo se rende à minha brutalidade irracional e eu me puxo de volta para a superfície, respirando profundamente.

À distância eu posso ouvir as sirenes e percebo que a corrente me carregou cerca de cinquenta metros corrente abaixo, de volta em direção ao lago. Eu me puxo para fora da água e coxeio para cima da encosta. Ontem também foi minha perna. Eu estou amaldiçoado?

De volta na rua eu ignoro a moça que se sobressalta à vista de mim. Ela certamente vai pedir por ajuda, mas nessa hora eu já terei há muito partido. Caminhando pelos estacionamentos, eu escolho o primeiro carro velho que eu posso encontrar. Os novos são uma inconveniência irritante demais com seus eletrônicos antirroubo. Em algum momento eu vou ter que tirar um tempo e aprender a roubar os modelos mais novos.

O Peugeot 206 é um modelo antigo. Tudo que se precisa para abrir a porta é levantar o pino do mecanismo da porta com um pouco de telecinesia. Um mecânico humano não teria levado muito mais tempo com as ferramentas certas. Algumas vezes eu tenho a sensação que esses carros foram feitos para serem roubados.

Eu assumo o assento do motorista como se esse fosse meu próprio carro e arranco a cobertura plástica da ignição. Após xingar aquele que fez dos fios um ninho de rato, eu finalmente encontro os corretos e ligo o carro. Piscando, eu deixo o estacionamento e sigo o engarrafamento em direção ao lugar onde fui atacado. Triste, eu percebo que o carro está pronto para o ferro-velho. O acoplamento está desgastado, então eu suponho que o dono do carro deve ser uma mulher.

Meus olhos passam rapidamente pelo brinquedo de pelúcia rosa que está rindo para mim. Eu mexo nele com um dedo e ele chia. E eu percebo o cheiro forte de perfume. Definitivamente uma mulher. Talvez eu devesse ter mancado alguns metros mais longe. Pelo menos o condicionamento de ar funciona perfeitamente. Essa é a única coisa que sempre funciona em um carro de mulher. Eu ponho o aquecimento no máximo e suspiro.

Eu volto ao local do ataque para obter um cheiro da magia do meu atacante. Os humanos espantados não são de interesse para mim enquanto eu levo tempo para dirigir pelo monte de policiais e bombeiros que foram chamados. Os policiais já estão enxotando as pessoas para mais longe e colocando fita plástica para manter todos longe do lançador de foguetes descartado. Nada indica o fato de que algo sobrenatural aconteceu aqui, então eu deixo eles lá e conservo minha força.

Ao invés disso, eu me concentro no resíduo de magia que foi deixado para trás pelo homem que disparou o foguete em mim. Ele deve ter atravessado a rua para disparar o segundo foguete. Então ao simplesmente seguir o tráfego, eu passo pelo rastro dele. Eu reconheço a assinatura como pertencendo a um dos oito intrusos.

Circulando lentamente ao redor do quarteirão, aproximo a direção de sua escapada. Todos que usam magia deixam para trás algo como radiação residual. Eu tento meu melhor para manter minha magia a um mínimo, para que eu não possa ser rastreado tão facilmente. Meus intrusos não seguem essa política. Eu posso dizer que eles usam magia frequentemente e livremente, até para coisas pequenas. Então é ainda mais misterioso que eles me encontraram. O cacique troll deve ter dado a eles uma descrição muito detalhada de mim, junto com o aviso de que eu muito provavelmente o procuraria.

O ministério de tráfego encontra-se apenas algumas casas mais à frente na rua, então era razoável aguardar em emboscada aqui. Com os números deles, eles facilmente bloquearam todas as rotas possíveis que eu poderia ter tomado.

Estranho que eu não sinta nenhum dos outros. Eles cancelaram o ataque e fugiram em direções diferentes? Ou os outros simplesmente ficaram em seus esconderijos?

Eu faço a curva que me leva para uma área residencial menos frequentada. As pessoas aqui em sua maioria trabalham durante o dia e não há lojas, então tudo que eu vejo são alguns retardatários aleatórios.

Quando eu passo pelo rastro de novo, eu sei que estou próximo. Eu piso nos freios e faço uma meia volta para pegar a rua pela qual o rastro foi. Ela me leva para fora da cidade e por um campo em direção a outra área residencial. Eu me mantenho ao limite de velocidade e aguardo até que eu reconheço as roupas de um dos pedestres aleatórios. Eu o alcanço em uma pequena plantação de madeira entre duas áreas residenciais.

Ele está caminhando na calçada como se não houvesse problema nenhum. O fato de que eu dirigi em círculos concêntricos para certificar a rota dele me permitiu a ficar bem longe.

Eu ponho o pedal ao metal e viro o volante em direção a ele enquanto pego velocidade. A calçada levemente elevada é um problema, mas eu não me importo enquanto o carro solavanca e estoura um pneu.

Sorrindo amplamente, eu acerto o homem enquanto ele se vira. Ele é catapultado por cima do meu carro e vira duas vezes como uma boneca quebrada. Eu piso nos freios e paro, então eu o assisto no espelho para garantir que eu não bati num pobre humano que só parecia similar. Eu não teria nenhum sonho ruim sobre isso, mas eu não tenho motivo para mutilar um cadáver enquanto o alvo real escapa.

Ele espasma e tenta ficar de joelhos, eu sei que tenho o certo. Eu engato a ré e dirijo para trás. O carro o esmaga com um agradável ‘ba-dumb’, ‘ba-dumb’ enquanto eu faço uma passada completa por cima dele. Então eu dirijo para frente, mirando em suas pernas, e ignoro os gritos. Eu não gritei quando ele retalhou minha perna. Pelo menos eu acho que não. As memórias estão um pouco confusas agora com toda a dor.

Eu paro quando ele está alinhado com o assento do motorista e abro a porta. Com força. A porta bate em sua cabeça e cria um som um tanto agradável.

Então eu puxo minha pistola e a miro no homem choramingante, não saindo do carro. “Por que você está aqui e quem é você?”

Ele ignora minha pergunta e eu atiro em algum lugar não vital. Só para frisar. “Por que você está aqui e quem é você?”

Suas mãos se agitam quando eu atiro de novo e ele grita, “Seu doido filho de uma-”

Eu atiro.

“Eu estava falando! Você é surdo!?” Ele grita de novo.

Soava, de fato, um pouco abafado. Eu bocejo e cutuco minha orelha, retirando um montinho de sangue coagulado. Eu esqueci totalmente que a explosão estourou meus tímpanos. “Repita.”

“Nós estamos aqui para recuperar as irmãs Hammom! Elas estão se escondendo dentro do seu território! Eu sou Tetrach Hammom e você e seu território são tão fud- Aah!”

Eu atiro nele de novo, contemplando o fato de que as duas Fêmeas dos Antigos estão se escondendo de seu próprio clã. Há todo tipo de situações familiares fudidas, quem sou eu para julgar? O fato ainda permanece que eles entraram no meu território sem pedir por permissão. Eu sou um pouco isolado da sociedade dos Antigos, mas há maneiras de me contatar. Um pequeno aviso teria sido bom.

Admito, eu não respondi quaisquer solicitações em oitenta anos. Mas essas são circunstâncias especiais, já que é a primeira vez em anos que alguém teve a audácia de invadir em números. Os Hammons se localizam em algum lugar na Rússia, eu acho. Eles são um clã grande e influente. Então talvez eles não tenham toda a informação sobre como as coisas funcionam no meu território. Má coleta de informação da parte deles? Nós não somos vizinhos de maneira alguma. Talvez eles tenham olhado para o mapa e acharam minha propriedadezinha pequena demais para ser levada a sério?

Okay, Áustria é meio sem importância, e Carinthia ainda menos, mas ainda dói que eles nem se incomodaram em dar uma olhada na história do meu clã. Eu tamborilo meus dedos no volante.

“Tira o carro de mim!”

Eu atiro na cabeça dele. Então eu dirijo o carro tirando de cima dele.

Me leva um tempo e dói pra caralho, mas um pouquinho depois eu tenho ele no porta-malas do carro. Eu só espero que ele fique caído por tempo o bastante para me permitir trancá-lo em algum lugar seguro. Nós Antigos podemos nos curar de muita coisa. Apenas trauma massivo nos mata. E por massivo eu quero dizer completamente eviscerado, ou cortado em dois. Talvez ele ainda possa ser útil.

Então me custa dez minutos para trocar o pneu furado, mesmo eu tendo usado uma pequena magia para trapacear. Por alguma intervenção divina nenhum dos carros passando parou para ajudar. Eu duvido que eles teriam ignorado as largas manchas de sangue na calçada neste caso. Ou os amassados no carro. Ele não parecia bonitinho antes, mas agora é um desastre, mesmo eu tendo limpado o pior com magia de água.

Talvez eu dê mais alguns dias ao cacique troll para lidar com os Hammons primeiro. Eles certamente mereceram.


Tradução: Batata Yacon   |   Revisão: Sr. Delongas


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