LoMa – Volume 5 – Capítulo 11

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Escrito por Mishima Yomu/Wai (三嶋 与夢)
Traduzido da versão Inglês do Cipher em  Centinni


Seixo

 

O primeiro-ministro, que havia despertado de seu sono, suspirou enquanto ouvia sobre a tentativa de assassinato a Cleo.

— Vossa Alteza Linus foi impaciente demais.

Eliminar o insignificante conhecido como Cleo antes de confrontar Calvin, seu nêmese.

Muito provavelmente era isso o que ele estava planejando fazer.

Porém, os resultados foram devastadores.

Não só a tentativa de assassinato falhou, Linus recebeu um feroz contragolpe.

Linus era um homem bem capaz e havia agido bem controlando sua facção.

Mesmo assim, apesar de não ser um estúpido, o futuro de Linus foi definido graças a isso.

Com o leite derramado, ele havia perdido sua chance de se tornar o Príncipe da Coroa.

Ao invés disso, o Primeiro-Ministro estava mais preocupado por outra razão.

— …… Quem moveu o Santo da Espada?

Havia quatro Santos da Espada reconhecidos pelo atual império, e um deles tinha sido despachado para assassinar Cleo.

É claro, o primeiro-ministro não tinha nada a ver com isso.

Embora o Santo da Espada pudesse ter cooperado no assassinato de Cleo por honra e prestígio, era improvável que um espadachim que buscava força acima de tudo demonstrasse interesse em autoridade a esse ponto.

O relatório dizia que o Santo da Espada executara a tentativa de assassinato por discrição própria, mas era altamente provável que houvesse um mandante por trás dele.

Após ouvir o relatório, o primeiro-ministro sorriu:

— Mesmo assim, não achei que ele fosse forte assim.

Liam havia saído por cima após enfrentar um dos Santos da Espada reconhecidos pelo império.

Tal pessoa estava agindo como o maior apoiador de Cleo, e tinha usado sua espada para proteger o Príncipe.

O primeiro-ministro se trocou.

Quando deu um tapinha em seu relógio de pulso, suas vestes de dormir foram instantaneamente trocadas por suas roupas de trabalho.

— Há dias ocupados pela frente.

O palácio estava em uma situação tumultuosa, não por causa da tentativa de assassinato a Cleo, mas por causa da gafe do Segundo Príncipe Linus.

-O Dia após o incidente-

Já havia passado do meio-dia, mas eu ainda estava preso dentro do palácio.

Desde a noite passada, estive sendo interrogado.

O local era dentro da sala de conferências.

— Como um futuro Duque e um presente Conde, eu estava sendo recebido em um quarto luxuoso.

O interrogatório está sendo conduzido comigo em uma cadeira fofa e tomando chá feito por uma empregada.

Não só estou cercado por oficiais de alto nível, incontáveis Cavaleiros e soldados que trabalhavam para o palácio estavam ao meu redor.

Eu não posso relaxar assim.

— …… Ei, o almoço já tá pronto? Eu tô no palácio, então to esperando uma refeição completa.

Em uma nota extra, é patético haver apenas uma empregada aqui.

Se querem me manter aqui, pelo menos tragam uma dúzia de belas mulheres!

Saibam que eu sou um Conde!

Um dos oficiais de alto nível, um administrador sênior, por assim dizer, expressou frustração com a minha atitude.

— Conde Banfield, está ciente do que aconteceu ontem à noite?

Um membro da Família Real foi alvo de uma tentativa de assassinato dentro do palácio.

Fora de contexto, isso soa como um assunto crítico, mas neste mundo onde sangue era trocado diariamente, um evento desses não era novidade nenhuma.

Em primeiro lugar, apesar de ser chamado de palácio… o lugar engloba um continente inteiro.

Sendo esse o caso, alguns acidentes estão fadados a acontecer todo dia.

— Que confusão toda é essa? Não tem nada de especial nisso.

— Você tem um mínimo de noção da grandiosidade de um incidente desses!?

Tomo um gole de chá graciosamente na frente do administrador sênior que tenta me fazer compreender a gravidade da situação.

Hmm, as identidades desses oficiais e militares reunidos para me investigar não são um pouco baixas? Cadê os grandões?

Estou ofendido, então não tenho motivação o bastante para cooperar com o trabalho deles.

— Haa… Eu tenho uma aula hoje mais tarde. Apreciaria se pudermos terminar isso antes.

O administrador sênior agarra sua cabeça por causa da minha atitude indiferente.

— O futuro de Vossa Alteza, o Segundo Príncipe, está em jogo aqui. Por favor, seja um pouco mais sério.

— Isso de fato é bastante preocupante.

— …… Ou assim você diz.

— Meus pensamentos são genuínos.

Não, sério. Também estou preocupado com Vossa Alteza Linus.

Ele é alguém lamentável que cometeu o erro de escolher a briga errada.

Fico feliz que seja alguém rápido de se enfurecer.

Mesmo sendo levemente problemático, ele nos atacou de maneira direta.

Eu estava preparado para investir um tempo enorme lutando por direitos de sucessão, mas graças ao Linus, temos um rival a menos para nos preocupar.

Esse é o resultado das próprias ações de Linus.

Para os caras na minha frente, essa pode ser uma preocupação urgente.

Eu, por outro lado, considero isso um assunto acabado.

O destino de Vossa Alteza Linus, o Segundo Príncipe, já está selado.

Ele não é mais oponente meu.

A verdade é, desde o começo, não havia possibilidade nenhuma de eu perder.

O que eu fiz não foi diferente de chutar um seixo na rua pra fora do meu caminho.

Independentemente do que vá acontecer a esse ponto, minha vitória está praticamente garantida.

Pode-se dizer que estou pegando leve com eles.

Só estou colaborando com esses oficiais do palácio.

— A propósito.

— Pois não?

Faço uma questão ao administrador sênior:

— Como me candidato para ser um Santo da Espada?

O título de Santo da Espada é mais importante que o caso com o Linus.

— Conde! Por favor, pare de brincadeiras!

— Brincadeiras! Não posso estar sendo mais sério. Eu tenho que espalhar o nome do Lampejo-Único para cada canto do mundo. Espalhando as palavras da mais forte escola da espada, estarei pagando o Mestre Yasushi por sua bondade! É por isso que preciso do título de Santo da Espada.

— Mas do que você está falando?

Eu sou um vilão.

Ainda assim, sou alguém que sabe retribuir a bondade dos outros.

Estive aos cuidados do Mestre Yasushi por um longo tempo, ainda assim o mundo vê o Lampejo-Único como um pequeno ramo da esgrima.

Assim, não tenho outra escolha senão fazer o mundo saber de seu nome.

Farei com que saibam que o Lampejo-Único é a mais forte escola de esgrima.

— Oh, que tal isso. Reúna os três Santos da Espada restantes. Se eu derrotar todos eles, o império terá que me reconhecer como um Santo da Espada, correto?

Mais uma vez, o administrador sênior agarra sua cabeça na minha frente.

-Aquela tarde-

Linus estava em uma grande sala após os aristocratas terem partido.

Até um momento atrás, os aristocratas em sua facção estavam reunidos ali para uma reunião em prol de pensar em contramedidas.

Linus riu impotentemente.

— Não desistir? Asneiras… já está acabado para mim.

Ele entendia que os aristocratas estavam meramente mostrando uma fachada.

Mesmo assim, Linus não conseguia encontrar a energia em si para repreendê-los.

Linus não era ingênuo o bastante para acreditar que se reergueria dessa catástrofe.

— Eu julguei mal o Cleo. Não, eu subestimei aquele pirralho, Liam. Ele definitivamente é a fonte da minha derrota.

Ele havia menosprezado o garoto, pensando que era apenas um caipira da fronteira.

Esse foi o seu maior erro.

Ele ou deveria ter esmagado Liam com toda a sua força desde o começo, ou puxado o saco dele sem largar.

Se tivesse sabido que esse seria o resultado, Linus teria convidado Liam para sua facção, mesmo que isso significasse se curvar a ele.

Tais presunções não tinham significado agora.

Mesmo assim, havia uma coisa que Linus não podia deixar de se perguntar:

…… Quando foi que as coisas começaram a dar errado?

Sem dúvida, foi quando ele decidiu se envolver com Liam.

— …… Os alertas do primeiro-ministro foram certeiros. Como esperado do homem que controlou o império dos bastidores por muitos anos.

Quando Linus murmurou isso, um homem lentamente emergiu do chão.

O homem não estava ajoelhado. Ao invés disso, ele tinha uma garrafa de álcool em suas mãos.

O homem mascarado… Linus o conhecia bem.

Linus riu de esgar.

— Aqui para me descartar?

O homem mascarado era alguém da organização com a qual Linus havia se aliado.

— Vossa Alteza Linus, não nos é mais útil. Nosso novo mestre está de coração partido por este incidente, e… fui encarregado de resolver o problema imediatamente.

Linus se reclinou no sofá e seu olhar repousou sobre a bebida que o homem havia trazido.

— Meu licor favorito. Quanta consideração sua.

Vendo o quão sereno e calmo Linus estava se comportando, o homem mascarado lamentou.

— Não vai chorar?

— Eu já baguncei tudo. No futuro, certamente serei lembrado como um dos tolos na história do império. Quero pelo menos ter uma boa aparência na minha última hora. Espere um minuto, irei trazer as taças.

Quando ele tocou uma certa porção da parede da sala, um dispositivo se ativou, revelando uma prateleira atrás.

Havia vários talheres e bebidas dentro.

Petiscos para acompanhar a bebida também estavam presentes.

— Esse daqui vai bem com aquela bebida.

O homem mascarado abriu a garrafa para Linus que estava calmamente se preparando para beber.

Linus expressou seu lamento:

— Você é a última pessoa com quem irei beber, huh? Imaginei isso várias vezes no passado.

Linus tomou a bebida que lhe foi oferecida em um gole e estendeu sua taça de novo, pedindo mais.

Ele questionou o homem mascarado enquanto mastigava os petiscos.

— Diga-me duas coisas como suvenires para minha viagem ao inferno. Da sua perspectiva, quem serve para ser imperador? Meu irmão mais velho? Cleo?

O homem mascarado gargalhou.

— Vossa Alteza neste momento poderia ser adequado para se tornar o imperador.

Ouvindo o elogio, Linus alegremente engoliu a bebida.

— Irei aceitar seu elogio com um pouco de sal…. Prosseguindo, quem foi o mandante?

O homem mascarado respondeu sua segunda pergunta.

— Manter a identidade do cliente confidencial é parte do meu trabalho.

— … Está certo.

Linus sorriu levemente, fechou seus olhos, e soltou seu último suspiro. Era como se ele houvesse entrado em sono profundo.

O homem mascarado lamentou:

— Se tivesse mostrado esse lado seu mais cedo, as coisas poderiam não ter terminado assim.

Com a morte do Príncipe tolo que deu fim a sua vida após confessar seus pecados, as cortinas desceram sobre o alvoroço causado pela tentativa de assassinato.

Uma semana se passou desde a tentativa de assassinato falha.

Eu estava me encontrando com Vossa Alteza Cleo dentro do palácio que ainda havia de recobrar sua tranquilidade.

— Vossa Alteza, não pareces muito bem.

— É mesmo? Não, talvez esteja certo.

Embora seu espírito não parecesse estar mal, ele estava claramente desanimado.

Ele ficará bem?

É por isso que boas pessoas não prestam.

Eles se deprimem por mortes daqueles que tentam matá-los primeiro.

Por que não podem simplesmente deixar as coisas de lado?

Vossa Alteza Cleo abre sua boca para falar antes de mim.

— Eu tive algumas memórias com meu irmão Linus, mas ouvi algumas coisas de um servo que ele havia enviado como espião.

— O que ouviu?

— Ele me desprezava, mas também tinha simpatia por mim. Se eu tivesse ficado quieto, acho que meu irmão não teria tentado me remover.

Que bondoso da parte dele.

Infelizmente, bondade não faz sentido neste mundo.

Eu passei por traições terríveis na minha vida passada.

Na época, eu me convenci de que a culpa era parcialmente minha e aguentei os tratamentos sem sentido.

Como resultado, virei a chacota dos vilões.

— Foi Vossa Alteza Linus quem acendeu o pavio desse conflito. É por isso que Vossa Alteza não precisa se sentir culpado com o falecimento dele. Por favor, se lembre que um destino similar cairá sobre Vossa Alteza caso perca. Para evitar isso, Vossa Alteza deve reagir.

Vossa Alteza Cleo olha para mim.

— Conde, você é um homem forte… Tão forte, na verdade, que falha em compreender os sentimentos dos fracos.

Posso sentir alguma toxicidade misturada em suas palavras.

Porém, permita-me lhe dizer algo.

Eu, de fato, entendo os sentimentos dos fracos.

Afinal, eu fui uma pessoa fraca na minha vida passada.

Uma pessoa fraca cujo único propósito era ser explorado por vilões.

Sinto repulsa pelo meu eu passado.

— Eu entendo os sentimentos dos fracos melhor que qualquer um. Mesmo se você for fraco, quando se é oferecida a oportunidade de tomar dos outros, deve fazer isso ao invés de acabar sendo aquele roubado. Vossa Alteza considera fraqueza como uma virtude, mas fraqueza é um pecado por si só.

Vossa Alteza Cleo me fita com olhos cerrados.

— Você entende? Acha que um homem que nasceu forte pode entender os sentimentos dos fracos?

— Eu pelo menos entendo melhor do que você.

Tia entra na nossa conversa no momento que abandono os honoríficos.

Ela tem um relatório para mim.

— Irei pôr novos copos de chá. E também, o Brian-dono deseja falar convosco, Senhor Liam.

Ela sugere que descansemos um pouco.

Me levanto de meu assento.

— Solicitando minha presença tão casualmente. Se não fosse o Brian, teria executado ele.

Eu deixo a sala assim.

Cleo, que teve sua conversa interrompida, se virou para falar com Tia.

— Fui rude com o Conde. Me desculparei quando ele retornar.

Cleo sabia da veneração de Tia para com Liam, e acreditava que ela ficaria zangada com ele.

Contrário às suas expectativas, Tia riu.

— Falei alguma coisa estranha?

Tia olhou para a porta que Liam havia usado para deixar a sala.

— Quanto Vossa Alteza Cleo sabe sobre a Família Banfield?

— Ouvi que desde criança, Liam-dono esteve melhorando a situação de seu território que foi mal administrado pela geração passada. Ele conseguiu obter um planeta com uma abundância de materiais?

Essa era a avaliação pública de Liam.

Eles só estavam interessados no atual prestígio e proeza militar de Liam.

Tirando isso, assumiam que o território estava sendo rapidamente desenvolvido graças aos metais raros.

— O que estou prestes a dizer é algo que li dos registros. O Senhor Liam aparentemente se tornou o Conde aos cinco anos.

— …… Ouvi rumores sobre aristocratas forçando seus territórios para os filhos. Em pensar que os rumores eram verdadeiros…

Cleo, que manteve-se alheio à maioria das coisas que ocorriam fora do palácio, ficou chocado pela validade dos rumores.

Em sua defesa, apenas recentemente ele havia começado a interagir com os outros nobres.

Além do mais, apesar de suas aparências assustadoras, os aristocratas que compreendiam sua facção, eram Senhores com personalidades sérias.

Assim, eles não pareciam dispostos a pôr o fardo de seus territórios sobre suas crianças.

— A condição do território Banfield estava terrível. O Senhor anterior havia cobrado tantos impostos e trabalho de seus cidadãos que estavam em seus limites. Ele até pediu dinheiro emprestado de outros lugares para satisfazer sua vaidade. Fiquei aturdido quando li o material. Me perguntei se pessoas podiam realmente chegar tão baixo.

— Que história cruel. Escuto frequentemente contos similares sobre outros territórios. Essas histórias são verdade?

— São. É impensável considerando o presente estado do território do Senhor Liam. Apesar disso há incontáveis pessoas no império sofrendo em seus planetas.

O coração de Tia doía ao imaginar o que Liam deveria ter sentido ao ver seu território em tais ruínas.

— Testemunhando o estado de seu território, o que o nobre Senhor Liam pensou? O que ele fez? Mesmo sua vida não sendo fácil, ele aguentou por décadas. O jovem Senhor Liam deve ter sido realmente deslumbrante! Ele deve ter sido mais adorável e mais precioso do que é agora… ainda assim, o Senhor Liam perseverou por sua vida difícil e não poupou esforços para melhorar seu território! Ele treinou ao ponto em que obteve a força para derrotar um Santo da Espada! … Ah merda, a baba não para!

Ela imaginou Liam como uma criança e pensou: “Se eu estivesse ao seu lado nessa época!”

Cleo tirou seus olhos de Tia por cortesia e respeito.

(O Conde tem alguns Cavaleiros estranhos o servindo.)¹

Tia era competente, sim, mas era uma Cavaleira decepcionante.

O olhar de Cleo retornou a Tia quando seu devaneio terminou.

Tia se desculpou:

— Por favor, perdoe-me. O que eu queria dizer à Vossa Alteza é que houve uma época em que o Senhor Liam não era tão poderoso. Na verdade, ele estava em uma posição pior que a do Cleo-sama.

Cleo segurou sua cabeça.

— …… Entendo. Fui descortês para com o Conde.

(Ele teve uma vida mais dura do que pensei. Acho que foi por isso que se irritou com minhas observações.)

Cleo, que havia refletido, se desculpou com Liam quando ele retornou.


Brian (* ´ω): — O Senhor Liam era tão fofo na época.

Brian (; ^ ω ^): — Ainda me lembro das vezes que o Senhor Liam abraçava a Amagi e apalpava o peito dela.


Tradução: Batata Yacon   |   Revisão: Delongas


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Notas:

1. Delongas: só alguns?

3 ideias sobre “LoMa – Volume 5 – Capítulo 11

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