LoMa – Volume 4 – Capítulo 4

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Escrito por Mishima Yomu/Wai (三嶋 与夢)
Traduzido Originalmente ao Inglês por Kuroinfinity


Veneno Estrela Maldita

 

Uma sala dentro da academia militar.

Lá, um nobre da Família Berkley conferia o conteúdo de uma maleta que seu seguidor havia lhe trazido.

— Esse é o veneno estrela maldita?

Dentro da maleta havia uma cápsula preenchida com um líquido roxo.

A substância no interior dela era veneno.

— Tente ao máximo evitar contato com ele. Ao invés de veneno, é mais uma maldição.

— Então essa coisa realmente amaldiçoará qualquer pessoa em que eu o utilize?

O subordinado começou a explicar como o líquido funcionava:

— Se usar assim, poderá matar o Liam sem jamais ser descoberto. O poder da maldição não é piada nenhuma. É a literal materialização daqueles queimados vivos quando seu planeta foi destruído.

Quando um planeta era arruinado, todos os seres vivos residindo nele também eram mortos, essa substância era a manifestação de seus sentimentos negativos.

Se alguém o ingerisse, sofreriam com sua poderosa maldição até morrerem.

A única maneira de se tratar seria usar um elixir, e se a pessoa não possuísse um disponível, estaria acabado.

E se tempo o bastante se passasse, nem mesmo elixires seriam capazes de salvá-lo, deixando a morte como sua única opção restante.

— … o pai e o resto daqueles velhotes estão agindo de maneira conservadora demais. Serei eu quem matará Liam, o que em troca solidificará minha posição como um dos executivos da família!

O seguidor abaixou sua cabeça.

— Nessa hora, por favor não se esqueça de me dar crédito também, por favor.

— Eu sei. De qualquer modo, de onde exatamente você obteve isso.

Com um riso matreiro, o capanga falou um nome inesperado.

— Você conhece o “Grupo Ativista de Restauração Planetária”?

— Ouvi falar deles.

— Eles na verdade estão lidando com esses itens por trás dos panos. Apesar de serem uma organização de caridade na superfície, na realidade eles roubam ilegalmente várias coisas dos mundos destruídos. Não leve a sério aquela merda de “restauração planetária”.

Apesar de terem a capacidade para tal, eles tentavam evitar revitalizar os planetas se possível.

Ao invés disso, eles lidavam e moviam itens ilegais em troca de lucros enormes.

— Bem, isso realmente não importa para mim. Então eu só preciso colocar isso na refeição do Liam?

— A cápsula em si vai derreter, mas seu conteúdo será indetectável. Se misturar em sopa, será apenas confundido com outro ingrediente.

— … hehehe, hoje será o último dia daquele cara.

◇ ◇ ◇

Sala de interrogatório.

A pessoa sentada em oposição a mim era o brigadeiro-general da polícia militar.

Um cara desses estava assumindo uma atitude impudente, me tratando como o criminal responsável pela recente morte na academia.

— Conde, ouvi que você esteve brigando com a Família Berkley.

O brigadeiro-general estava escolhendo suas palavras cuidadosamente, apesar do fato de eu ainda ser apenas um cadete.

Eu era poderoso assim afinal de contas.

Porém, eu era inocente, então gostaria que ele parasse de me tratar como o culpado logo.

— Qual é a base para essas acusações? Onde está a evidência que mostra que eu sou o matador?

— O cadete morto era um membro da Família Berkley.

— E daí? Há muitas pessoas com o sobrenome Berkley. Como eu deveria saber de qual você está falando? Ou só está tentando arrumar briga comigo?

Para início de conversa, o fato de que algum cadete morreu não me interessava minimamente.

E além da sala de interrogatório…

— Seu bastardo! Ousando trancar o Senhor Liam desse jeito! Eu vou te matar! Não ache que pode apenas aprisionar meu Senhor sem evidência nenhuma e escapar ileso!

… Marie estava berrando em linguagem vulgar.

Parece que a polícia militar havia se reunido apenas para segurá-la.

— Por favor, se acalme!

— Nós temos permissão da academia para isso!

— Só estamos conferindo o álibi dele!

Ouvindo tais palavras, virei-me ao brigadeiro-general na minha frente.

— Então foi sua opinião pessoal que me determinou como o criminoso?

— Bem, não importa como se olhe para a situação…

Só porque eu me declarei hostil à Família Berkley, eu sou o assassino?

Eu odeio acusações falsas.

Elas me fazem recordar de ter sido falsamente acusado de coisas durante o divórcio da minha vida passada.

Uma nova pessoa apareceu fora da sala.

Aparentemente era a Tia, que havia acabado de se tornar uma estudante do quarto ano na academia.

— Seu fóssil! O Senhor Liam graciosamente permitiu que você o servisse ao seu lado, e ainda assim você permitiu que ele fosse confinado em um lugar desses?! Eu sabia, nós não precisamos de alguém tão inútil quanto você!

— Sua cadela feita de carne moída!

Achei que ela estava vindo me ajudar, mas parece que ela só veio para puxar briga com a Marie.

Pelos ruídos que eu podia ouvir além da porta, elas, sem dúvida nenhuma, estavam brigando.

— V-vocês duas precisam parar!

— Chamem reforços!

— Alguém traga um instrutor de cadetes!

A polícia militar estava em frenesi, enquanto o brigadeiro-general segurava seu rosto com a mão direita e suspirava.

Eu realmente não ligo delas brigarem, mas não vão me ajudar?

Minha avaliação dessas duas está caindo rapidamente.

— Vou esmagar um fóssil como você em pedaços!

— Eu vou te cortar de volta ao pedaço de carne que era!

A porta foi atingida com tremendo momento, a amassando e rachando as paredes.

O que infernos elas estavam fazendo?

Elas não estavam cientes de suas posições como minha Cavaleira chefe e vice?

Eu estava ficando zangado.

— Se não há realmente evidência nenhuma, então estou saindo.

Quando me levantei tentando dizer isso, o brigadeiro-general tentou me impedir.

— Por favor, espere!

— Não. Tente de novo quando tiver provas.

Enquanto tanto o lado interior quanto o exterior da sala de interrogatório ficava cada vez mais barulhento, um oficial da polícia militar irrompeu pela porta enquanto sem fôlego.

— Vossa Excelência! Encontramos evidência!

— O quê?! Entendido, muito bem! Conde, agora você não pode escapar!

O oficial da polícia militar sacudiu sua cabeça, enquanto o brigadeiro-general tentava me prender.

— N-não, entendeu errado. A evidência veio do quarto do cadete. Parece que ele contrabandeou um pouco de veneno estrela maldita.

— … O-o quê?! Contate o quartel-general, e evacue todos os cadetes do edifício escolar imediatamente!

Esquecendo completamente da minha prisão, ele começou a entrar em pânico.

Mesmo assim, para usar veneno estrela maldita… ouvi falar disso antes. Se me lembro corretamente, era algo nas linhas de massas concentradas de pragas e rancores de pessoas.

Era algo que definitivamente o mataria caso ingerisse.

Bebendo uma coisa dessas, as pessoas da Família Berkley por acaso eram idiotas?

◇ ◇ ◇

O Necrotério.

Morrendo enquanto sofria… ali repousava o homem que tentara assassinar Liam.

O Guia — que fora até a sala — olhava ao corpo do homem com uma expressão triste.

— … a ideia de tentar matá-lo usando uma maldição não foi ruim.

Se o assassinato tivesse sucesso, o guia teria ficado satisfeito, se não um pouco insatisfeito.

Mas o resultado foi uma falha.

Detectando a situação antecipadamente, Kukuri havia revertido a situação e feito com que ele fosse envenenado ao invés disso.

— Bem, pelo menos você teve uma conexão com o Liam. Tudo o que você sentiu, todo o seu sofrimento e desespero se tornarão meu poder.

Após o guia colocar sua mão no rosto do homem, sua expressão mudou para uma pacífica.

A conexão do guia com o Liam era tão forte que qualquer emoção negativa que não tivesse ligação com ele não podia ser absorvida eficientemente. Porém, isso também significava que a menor conexão aumenta a assimilação em troca.

O guia saboreou as emoções do homem como se estivesse bebendo um vinho de alta qualidade.

— É delicioso, seus sentimentos junto ao rancor da destruição de um planeta inteiro são muito prazerosos. Você foi um tolo, e nem mesmo sei o seu nome, mas prometo usar esse poder que me deu ao máximo.

Após recuperar sua força, a boca do guia se torceu na forma de uma lua crescente.

— Recuperei um bocado de poder. Com isso, deve levar apenas um… não, dois ou três movimentos mais para arrastar o Liam para o inferno.

Liam era a primeira pessoa a já tê-lo torturado assim.

Por essa razão, o guia se decidiu a nunca desistir de sua vingança.

Por conta de suas ações descuidadas até agora, ele já havia feito besteira múltiplas vezes.

Ele havia considerado o Liam como uma existência insignificante, e sofrera as consequências disso.

— Eu preciso reunir seus inimigos. Irei planejar isso minimamente, e então ele definitivamente irá…

O guia desapareceu da sala em risadas.

◇ ◇ ◇

O palácio imperial.

O primeiro-ministro podia sentir seu temperamento se elevando enquanto lia o relatório da academia militar.

Seus subordinados ao seu redor estavam nervosos.

— … quem aprovou o manuseio de veneno estrela maldita sem autorização?

Questionado por seus subordinados, o primeiro-ministro se perguntou que punição seria apropriada.

O problema era que a parte ofensora estava conectada à Família Berkley.

Qualquer punição normal traria vários problemas.

Era necessário esmagar seu status primeiro.

— Normalmente, a execução da casa seria apropriada, mas uma casa é apenas uma pequena fração da Família Berkley como um todo.

Mesmo que fossem uma coleção de barões, juntos eles tinham o poder de uma Casa Ducal.

Uma coleção de Casas, mesmo se punissem uma delas, seria apenas como cortar o rabo de um lagarto.

O pescoço da Família Berkley… não, o pescoço de Cashimiro não podia ser tocado.

Como que eles prosperaram tanto? Além do fato de que serem o único fornecedor estável de elixires, eles também haviam recebido o favor do imperador anterior.

Eles se aproximaram de Vossa Majestade com presentes de elixires, e em troca ele encobriu todas as sua ações ilegais.

Antes mesmo que ele notasse, os Berkley haviam crescido demais, trazendo muitas dores de cabeça ao primeiro-ministro.

Ele tinha que esmagar a Família Berkley pelo bem da justiça, pois eles estavam ficando poderosos demais no império.

Eles tinham tanta influência assim.

— Eu não serei capaz de alcançar o pescoço de Cashimiro nesse ritmo.

— Sim. Nesse caso, não seria melhor apenas aceitar sua existência e receber os elixires que ele oferece ao invés disso?

— Eu prefiro morrer.

O primeiro-ministro colocava muitas expectativas sobre Liam porque ele sabia que Liam tinha o poder de superar essa situação.

Se o Império pudesse se mover, eles seriam capazes de resolver esse problema facilmente, mas eles eram grandes demais e não podiam reagir rápido o bastante.

E quando eles começassem a se mover, seria difícil fazê-los parar.

Já que era difícil eles agirem, essa situação eventualmente levaria ao colapso do Império.

Um subordinado ofereceu um relatório sobre o assunto.

— Ministro, já que recentemente repomos nosso estoque de metais raros, o exército está pedindo para repor suas frotas perdidas.

— … o que eles estão pedindo é impossível.

O Império não era o único país intergalático por aí.

Havia países vizinhos adjacentes a eles, e mesmo considerando que havia uma grande distância entre eles, ainda tinham comércios e disputas com eles.

Naturalmente, eles tinham exércitos posicionados nas fronteiras para solidificar suas defesas.

Algumas vezes eles até mesmo invadiam e conquistavam territórios inimigos.

Mas o enorme tamanho do império apenas significava que eles tinham mais fronteiras que precisavam proteger. Além do mais, sempre havia uma batalha ocorrendo em algum lugar.

Recursos estavam sendo usados mais rapidamente do que eles podiam repor.

E metais raros eram necessários nos extremamente importantes motores para as naves.

Metais substitutos também podiam ser usados, mas devido à óbvia diferença em desempenho, havia muitos pedidos para naves construídas com o uso de metais raros nas linhas de frente.

O exército ouviu que Liam havia recentemente vendido muitos metais raros ao Império, então naturalmente, tomaram essa chance para pedir por reabastecimento.

O primeiro-ministro olhava para os resultados da guerra mais recente.

— Estamos sendo pressionados em múltiplos frontes.

Um de seus subordinados explicou o porquê:

— Há várias razões, mas acredito que a principal seja que os recursos não estão sendo usados eficientemente. Havia casos de frotas de patrulha sendo elevadas a tamanhos muito maiores que o necessário.

Frotas de patrulha.

Elas eram importantes forças que protegiam o território imperial, e entre elas havia frotas preparadas diretamente por nobres.

Esses casos ocorriam quando um aristocrata não queria se subordinar a outro, imediatamente se tornando o comandante da frota que tinham preparado após se graduarem da academia.

Enquanto outros tinham histórias de preparar frotas cheias de equipamentos obsoletos então eram realocados para áreas livres de conflito para que pudessem ficar mandriando.

Enfim, havia um crescimento em desperdício.

Alguns deles tinham até mesmo desertado para se tornarem piratas, tornando-se um problema que precisava ser lidado rapidamente… mas eles não tinham o orçamento, pessoal, nem os recursos necessários para fazer isso.

— Que dor de cabeça. Vai custar dinheiro para reorganizá-los, mas não podemos pagar.

A dissolução deles não consertaria tudo, e isso excluindo o lidar de seus equipamentos junto com a redesignação de seu pessoal que ocorreria depois.

Em primeiro lugar, havia múltiplas frotas de patrulha que eram pobremente controladas, onde soldados não eram sequer propriamente treinados.

Uma frota que não conduzia treinamento regularmente perdia sua habilidade, então recondicionamento era uma absoluta necessidade.

A força do Império era enorme, mas eles não eram onipotentes.

— E agora, o que mais ainda há?

O primeiro-ministro estava estressado pelos problemas que apareciam sem fim, um após o outro.


Brian(´ω;`): — São dolorosas. Nossas Cavaleiras são… dolorosas.


Tradução: Batata Yacon   |   Revisão: Delongas


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3 ideias sobre “LoMa – Volume 4 – Capítulo 4

  1. Thiago Morgado

    Sabia que essa companhia de restauração planetária não era confiável!
    É semelhante a um caso que eu fiquei sabendo de desvio de fundos com a Madonna( não me julguem). Na época ela tinha enviado um montante para a recuperação da uma vila na Africa. A vila nunca foi recuperada, mas; por uma grande coincidência, a dona da ONG tinha uma mansão nova.

    Curtido por 2 pessoas

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