LoMa – Volume 4 – Capítulo 3

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Escrito por Mishima Yomu/Wai (三嶋 与夢)
Traduzido Originalmente ao Inglês por Kuroinfinity


Guerra Econômica

 

Na academia era proibido se realizar chamadas sem permissão prévia.

Mesmo que apenas estivesse recebendo um relatório do seu território, você era forçado a utilizar uma sala especificamente designada para as chamadas.

E assim, no momento eu estava falando com a Amagi na sala de comunicações, mas…

— … Os coletores de dívida estão nos pressionando para pagar?

— Sim. Por nossa situação financeira ter deteriorado, eles querem coletar rapidamente o que podem.

— Eu estou com problemas financeiros? Logo eu?

Eu não entendia.

Alguma coisa ocorreu em casa?

— Algum problema ocorreu no território?

— Não, está se desenvolvendo em um passo estável. Pode não ser tão rápido quanto costumava ser, mas não houve nenhuma complicação. Até o desenvolvimento dos planetas pioneiros se estabilizou.

— Por que então?

Amagi pausou por um momento antes de responder:

— Ainda não foi confirmado, mas parece que a Família Berkley esteve se movendo nos bastidores. Aparentemente, eles têm muitas conexões com companhias no ramo financeiro.

— A família do Derrick?

Houve um homem que arrumou briga comigo durante meu tempo na escola fundamental.

Ele tentou me matar durante o Torneio de Cavaleiros Móveis, mas eu que acabei matando ele.

Porém, isso parece ter irritado seus parentes.

— A família Berkley possui muitas conexões e são muito problemáticos. A maioria deles pode ser apenas Barões, mas a Serena diz que ainda devemos nos manter vigilantes.

— Então está me dizendo que um grupo de Barões está arrumando briga com um Conde como eu? Mesmo como um incômodo, não importa quantos peixes pequenos se reúnam, ainda são apenas peixes pequenos no final.

Embora seja impossível saber todas as conexões que cada casa nobre possui.

Após matar o Derrick, era apenas natural o resto de seus parentes na família Berkley se tornar hostil contra mim.

Porém, as coisas terem se desenvolvido tão longe assim é inesperado.

— Vamos apenas pagar a totalidade da dívida toda de uma vez. Podemos vender os metais raros que temos guardados ao Thomas?

Seria irritante ter que converter tudo em dinheiro, mas se eles querem que eu pague tudo de uma vez, então que seja.

Porém, eu não perdoaria insolência deles em me tratar desse modo.

— Falei com ele, mas é demais para ele converter. Assim, ainda não preparamos os fundos. Os coletores expressaram que estariam dispostos a aceitar metais raros no lugar por menos da metade do preço de mercado, mas gostaria de saber sua opinião sobre isso, Mestre.

— Eles disseram que comprariam meus recursos a baixo custo?

Havia muitas coisas que eu odiava.

Nessa lista, coletores de dívidas estavam entre os piores.

Em minha vida passada, eles haviam me atormentado completamente.

Embora sequer fosse minha própria dívida, eu absolutamente abominava os coletores que me atormentavam.

Mesmo neste universo, foram meus pais e avós que fizeram dívidas enormes.

Eu iria pagar tudo devidamente, mas não os perdoaria se tentassem forçar as coisas.

— Eu sinto que perderia se vendesse para eles. Se eles vão ser comprados a baixo custo de qualquer jeito, então eu prefiro vender meus metais raros ao império.

— Mesmo se o Império for comprá-los a um preço ainda pior? Tem certeza disso?

— É melhor do que ajudar os coletores de dívida a fazer dinheiro.

Além do mais, eu posso preparar tantos metais raros quanto quiser.

Para início de conversa, todos os meus problemas financeiros tecnicamente eram artificiais.

Tudo isso por causa da “Caixa Alquímica” que o guia havia provido a mim, que era uma ferramenta incrível que podia criar metais raros até mesmo de lixo.

— Foram eles que começaram essa briga. Vamos começar a pressionar a família Berkley em retaliação.

— Pretende começar uma guerra comercial?

— Está tudo bem, vitória é garantida.

Era impossível eles competirem comigo enquanto eu possuísse a caixa alquímica.

Coitados.

— Começaremos a aplicar pressão a um nível razoável. Dito isto, como está sua vida na academia militar? Ficou doente ou ferido? Está se mantendo saudável?

— Não posso dizer que comparado ao treinamento do Lampejo-Único do mestre, o que eles me fazem passar aqui não é nada, mas não tive problema nenhum. Ou melhor, meu maior problema é provavelmente como não há nada para eu aprender aqui.

— Não há nada para você aprender?

— Um dos veteranos arrumou uma briga comigo, mas acabei conseguindo derrotar em uma batalha simulada, para falar a verdade. Eu queria que você estivesse lá para ver, Amagi.

Apesar de contá-la sobre minha brilhante vitória contra Dolph, ela não pareceu muito satisfeita comigo.

— Qual o problema?

— … Mestre, tudo isso não aconteceu porque você estava se fazendo de metido?

— É natural que Senhores Malignos sejam arrogantes. Bem, não posso negar que eu queria dar uma surra no tolo que estava balançando seu senso de justiça. Me faz querer rir em pensar sobre como alguém daquele nível foi o orador do ano.

Por sorte, a academia não pareceu realmente se importar.

Enquanto eu abria um sorriso, Amagi começou a me repreender.

— Eu não quero ver você entrando em brigas constantemente com outros cadetes. Mestre, deveria se focar mais em seus estudos ao invés disso.

… A Amagi hoje realmente está difícil.

— Sabe, você é a única pessoa que eu permito assumir essa atitude comigo, não é? Se fosse qualquer outra pessoa, eu já teria arrancado a cabeça a este ponto.

— Eu só estou dizendo o que você precisa ouvir, Mestre. Você pode sempre tomar minha cabeça quando quiser.

Tomar a cabeça da Amagi? Isso é algo que nunca deve ser dito, nem mesmo como piada.

Levanto minhas mãos em rendição.

— Tá bom, tentarei seguir seu conselho. Por favor, não se zangue comigo.

— Não estou zangada.

— … a propósito, hmm… como está a Rosetta?

Rosetta era uma garota problemática que falou que até mesmo me seguiria para a academia militar. Ela estava se comportando na mansão?

Ela alegremente me chama de “Querido!” quando estamos juntos, e eu realmente não sabia como deveria tratá-la.

Como uma candidata do meu futuro harém, ela definitivamente era bela o bastante… mas algo me parecia errado quando eu pensava nisso.

— Madame Rosetta está atualmente passando por um treinamento rígido sob a tutela da governanta. Houve até conversas de fazê-la começar seus estudos em outra Casa, mas estamos tendo dificuldades em encontrar uma considerando nossa atual situação com a família Berkley.

— Então é a família Berkley de novo?

Eu sempre escutava o nome deles onde quer que fosse.

No império, esse parecia ser um sobrenome tão comum quanto “Tanaka”.

— Bem… deixarei os detalhes com você.

— Pode deixar comigo.

Após a chamada acabar, me levantei da minha cadeira e me espreguicei.

— Agora, tal como a Amagi me disse, devo começar a levar as aulas um pouco mais a sério?

◇ ◇ ◇

A aula do dia seguinte me ensinou os básicos sobre guerras de frotas.

Eu já havia aprendido sobre isso na cápsula educacional, mas após ouvir a lição do instrutor… pude me sentir começar a suar frio.

Sobre a plataforma, o instrutor falava indiferentemente sobre batalhas modernas.

— Conforme a escala das batalhas entre frotas aumenta, o tempo em que elas precisam durar também aumenta. Isso porque o lado mais paciente tende a ter a vantagem, fazendo táticas agressivas algo a se evitar devido ao risco que apresentam.

A imagem holográfica reproduzia uma batalha de frota e explicava a verdade para nós de um modo fácil de se entender.

— Apesar da qualidade das naves e a habilidade da tripulação usada serem outros fatores a se considerar, seria arriscado avançar indiscriminadamente contra um oponente do mesmo nível. Preparações cuidadosas são necessárias.

O instrutor adicionou:

— Táticas de assalto modernas são geralmente usadas quando se persegue uma frota que já perdeu e está em retirada. Rezo que nenhum entre vocês esteja esperando correr para as linhas inimigas como um herói.

Os outros cadetes estavam rindo.

Mas eu não.

Afinal, táticas de assalto podiam ser consideradas o movimento de vitória e assinatura da Casa Banfield.

Mesmo que houvessem funcionado até agora, isso era apenas por nossos oponentes serem piratas.

Fiz uma pergunta ao instrutor:

— Instrutor, quanta diferença de força seria necessária para ações agressivas se tornarem viáveis?

— Oh, cadete Liam? Que surpreendente, não achei que ainda houvesse algo para eu ensiná-lo. Vejamos… acho que precisaria ter pelo menos forças quatro vezes a maiores que as do inimigo nesse cenário.

O quádruplo.

Se isso fosse verdade, então a Casa Banfield estaria ferrada se o inimigo tivesse apenas dez mil.

Nossas naves eram feitas para manobras agressivas, e nossos soldados tinham passado por treinamento orientado a assaltos.

Eu claramente estraguei a organização deles.

— Quatro vezes… quatro vezes?

Enquanto ponderava profundamente, Wallace me chamou:

— Qual o problema?

— … Não é nada. Só estive pensando em aumentar minhas forças militares.

— Por que isso?

Era necessário mudar imediatamente nossas políticas militares e aumentar nossos números.

Mesmo um Senhor Maligno sentiria ansiedade quando seu exército não estava em bom nível.

Eu queria pisar sobre outros de uma posição segura, não de uma arriscada.

— Armamentos… se estou falando sobre isso, então…

Acho que terei que entrar em contato com os arsenais em breve.

Eu também teria que ligar para a Amagi de novo.

Mesmo se eu mudar as políticas agora, levaria vários anos no mínimo para mostrarem qualquer efeito.

Mas considerando tenho que mudar tudo que construímos até agora, não há dúvida de que levaria ainda mais.

Merda! … Fiz besteira.

Recordando todas as nossas batalhas agressivas até agora, eu fui descuidado.

Agora que penso nisso, eu até estava perdendo contra o Dolph no começo de nossa batalha por causa da minha agressividade.

Mas por sorte, eu era um homem capaz de responder às mudanças imediatamente.

Vamos pensar positivamente e dizer que tive sorte em notar isso cedo assim, antes que qualquer coisa realmente ocorresse.

— Por enquanto, irei visar dobrar minhas forças para sessenta mil naves. Não, eu não deveria triplica-las a um total de noventa mil?

Ouvindo meus murmúrios, Wallace soltou um “Eh? Você realmente precisa de tudo isso?” em surpresa.

Mas é claro.

Meu exército nunca deve fugir de uma briga.

Isso porque o poderio militar de alguém era o símbolo do que significava ser um Senhor Maligno.

Qualquer um ficaria calado desde que você possuísse um exército poderoso.

Não, eu os forçaria a se submeterem.

Um forte poder militar era personificação do poder da violência.

Era por isso que eu nunca recuaria.

Ah, isso me lembra!

A Amagi estava certa, eu não devo ficar metido enquanto estou aqui!

No momento eu não tenho o poder militar para garantir minha segurança, mas eu ainda podia mudar isso.

— De repente estou me sentindo realmente motivado.

Vendo minha expressão séria, Wallace pareceu não saber o que dizer.

— É-é mesmo? Bem… acho que estou feliz por você? F-faça o seu melhor!

Sim, como meu capanga, você também irá trabalhar duro!

◇ ◇ ◇

Após ouvir o relatório em seu escritório, Cashimiro soltou seu cigarro.

— O-o que foi que disse?

O filho que ofereceu o relatório através de uma chamada sequer tentou esconder o quão irritado estava.

— A Casa Banfield vendeu todos os metais raros que tinham em estoque para o Império, e depois de leiloá-los, pagaram suas dívidas completamente em dinheiro.

O plano deles de cortar o poder da Casa Banfield apenas terminou com sua companhia de fachada perdendo credibilidade.

— De qualquer modo, apenas continue aplicando pressão neles! Se deixarmos aquele pirralho livre, a família Berkley será subestimada!

— E-entendido.

Quando a chamada terminou, Cashimiro agarrou sua cabeça.

— Só pode estar de brincadeira comigo. Eles não eram só uma Casa nobre pobre?

Ele não achou que eles teriam tanta folga para se moverem economicamente.

(Escolhendo se manterem em dívida apesar de terem o capital para pagá-la… eles mudaram sua alocação de fundos? Achei que fossem só alguns emergentes se desenvolvendo na fronteira, mas são surpreendentemente problemáticos.)

Agora que as coisas chegaram tão longe, não há outra escolha senão correspondê-los até que desistam.

Se eles recuarem primeiro, outros começaram a questionar o poder da família Berkley.

Nada disso terá sentido a menos que ganhem.

Sim… havia uma boa porção de problemas que surgiam quando se começava uma briga com alguém da alta nobreza.

— Nós temos elixires, todavia. Com esses, podemos ganhar uma grande quantia de dinheiro em um instante. Mesmo se eles possuírem muitos metais raros, é a Casa Banfield que cairá primeiro.

Embora haja o demérito de como eles tinham que destruir planetas para fazê-los, elixires estavam sempre em alta demanda.

Cashimiro acreditava que Liam definitivamente se renderia eventualmente.

— Contudo, essa guerra econômica ainda é uma falha. Sustentamos danos demais do nosso lado.

A fachada deles perdera credibilidade e confiança.

Enquanto sua conexão com a família Berkley fora exposta.

Se soubessem que isso ocorreria, então ele teria começado a briga de um modo diferente.

— … Não podemos mais nos dar ao luxo de perdermos para aquele pirralho.

A luta deles apenas se intensificaria deste ponto em diante… ou assim era esperado.


Brian(´ω): — O Senhor Liam frequentemente diz que “vai fazer um harém”, mas se é assim, então todos nós vassalos gostaríamos que ele se apressasse e fizesse um de uma vez. Nós não teríamos mais que nos preocupar então. Apesar da Amagi ser um caso especial, é doloroso ele ainda não ter colocado minimamente as mãos na Madame Rosetta. O modo como o Senhor Liam está sempre mentindo para nós sobre como vai fazer um harém é… doloroso.


 

Tradução: Batata Yacon   |   Revisão: Delongas


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5 ideias sobre “LoMa – Volume 4 – Capítulo 3

  1. Gatts Berserker

    kkkk comentário do Brian no final foi muito bom kkkkk. Quero que o Liam deixe de ser tão ingênuo e comece a usar o cérebro, em vez da sorte.

    Curtido por 2 pessoas

    Resposta

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