LoMa – Volume 3 – Prólogo

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Escrito por Mishima Yomu/Wai (三嶋 与夢)
Traduzido Originalmente ao Inglês por Kuroinfinity


Prólogo

 

Caridade não faz sentido.

Eu Liam Sera Banfield, atual chefe da Casa de Condes Banfield, estava atualmente lidando com um homem na sala de estar de uma mansão construída muito maior que o necessário.

— Você quer que eu me torne um de seus patronos?

O homem de terno era um executivo do “Grupo Ativista de Restauração Planetária”.

O ativismo em questão sendo a restauração de planetas destruídos.

Eles eram um grupo que fazia seu melhor para ajudar planetas que foram destruídos artificialmente e não podiam mais se sustentar.

— Sim, nós desejamos seu patrocínio para nossos projetos.

Ele era um homem que parecia entusiasmado com caridade.

Continuando, ele prosseguiu com uma explicação para mim sobre quantos planetas tinham sido devastados:

— Existem muitos planetas que foram devastados por guerras e ataques piratas. Está realmente tudo bem deixá-los como estão? Muitos de seus residentes foram forçados a virar refugiados. Nós queremos que ajude a preparar abrigo e asilo para eles em seu território.

Era um conceito maravilhoso.

— Esse definitivamente é um ideal maravilhoso para se lutar. Estou completamente impressionado.

— Então-!

A expressão do homem se acendeu, provavelmente assumindo que eu aceitaria.

— A restauração de planetas arruinados… esse é um ideal extremamente maravilhoso, mas não serei seu patrono.

— … huh?

Me reclinei no sofá e sorri para o homem.

Mas sua caridade? –não é nada senão incômodos para mim.

— Vá em frente e ajude tantas pessoas quanto quiser, mas não me envolva. Não estou interessado em apoiar nenhuma das suas atividades.

Na minha vida passada, eu sempre costumava colocar trocados em caixas de doação.

“Se isso realmente for ajudar alguém que precisa” era a mentalidade que eu tinha na época.

Entretanto, durante os períodos mais negros da minha vida, houve tantos momentos onde sequer o menor dos trocados teria salvado meu pescoço.

Mas ninguém me ajudou.

Eu doei muito para outros, mas não houve ninguém para mim quando foi minha vez de sofrer.

Era por isso que eu entendia.

…… A autossatisfação nascida de fazer algo caridoso não tinha sentido nenhum.

— Eu odeio pessoas como você. No máximo, você só está ajudando outros para massagear seu próprio ego.

Diante de minhas palavras, o homem começou a tremer com uma cara vermelha.

— E-essas são realmente as palavras do nobre chamado de governante virtuoso?! Eu tinha altas esperanças de você!

— Você pode ir em frente e fazer o que quiser, mas eu não tenho obrigação nenhuma de oferecer ajuda. E também, quando foi que eu referi a mim mesmo como uma coisa dessas?

— As pessoas em seu território pensam em você como um! Você é um governante virtuoso para eles, mas na realidade você é assim?! Tu não és qualificado para ser o Senhor deles!

Essa cara era um idiota?

— Esse é o mal-entendido deles, e de qualquer modo, essa é uma atitude bastante insolente que tem tomado já há algum tempo.

Quando cerrei meus olhos, o homem começou a irromper em suor frio.

— S-se colocar uma mão em mim, os grandes nobres com quem criei relações não ficarão quietos!

Aparentemente havia alta nobreza entusiasmada com contribuições para caridade.

O panfleto que o homem havia me dado incluía os nomes de múltiplos aristocratas de prestígio que já tinha ouvido falar.

Não seria estranho um nobre generoso contribuir para uma causa justa assim.

Mas eu não era um deles.

— Você acha que eu me importo se você trouxer o nome de outro nobre aqui? Este é meu território, e este é um planeta sobre o qual eu governo.

Não importa com que casa ele tenha criado ligações, isso não o dá o direito de se intrometer nas minhas terras e começar a pregar para mim.

No máximo, ele pode fazer uma queixa.

Muitos nobres não consideram vida humana como algo valioso.

Para nós, vidas não são nada além de números em um relatório.

— Ajude tantas pessoas quanto quiser. Eu não irei impedi-lo, mas também não irei apoiá-lo. Fim da discussão. Entendido?

Após ser intimidado, o homem rapidamente deixou a sala após agarrar o panfleto.

Enquanto eu dava risadas de sua figura em retirada, Amagi, que estava atrás de mim, começou a franzir.

— Mestre, que atitude foi aquela?

Sempre que Amagi me repreendia, por alguma razão sempre doía mais.

Eu comecei a inventar desculpas:

— N-não fique zangada. Eu apenas não gosto de caridade, mas se quiser eu viro um patrocinador imediatamente! Eles podem ter tanto dinheiro quanto quiserem!

Eu tinha uma quantidade ilimitada de fundos por causa da caixa alquímica.

A caixa alquímica era um dispositivo incrível que podia transmutar qualquer pedaço de lixo em ouro maciço se eu desejasse.

Graças a isso, eu agora tinha uma fonte inesgotável de tesouro.

Mas mesmo em tal situação, eu não queria contribuir para caridades.

— Você realmente odeia caridades?

Amagi pareceu um pouco confusa com isso.

— Mas é claro que odeio.

Mesmo eu respondendo imediatamente, Amagi não pareceu confusa.

— O que foi?

— Não, é só que eu estive dirigindo caridades sob o seu nome esse tempo todo. Eu não achei que você odiasse.

— … huh?

Amagi começou a falar sobre todo o trabalho caridoso que eu supostamente patrocinava.

— Para garantir planetas pioneiros, nós compramos e restauramos alguns previamente destruídos. Além disso, estivemos aceitando refugiados para ajudar a repopulá-los.

Eu fiquei surpreso em descobrir que já estava fazendo exatamente as mesmas coisas que o Grupo Ativista de Restauração Planetária.

— Não, veja… isso é para expandir meu território, não para caridade.

— Isso pode ser verdade, mas também estamos providenciando infraestrutura para Senhores menores próximos. Não estamos fazendo apenas coisas que beneficiam nosso território.

Nós estivemos os ajudando.

Não, isso foi porque eles começaram a chorar para que eu os ajudasse.

Essas eram as pessoas que se tornariam meus futuros capangas… pelo menos era o que eu pensava.

— … Eu só estou dando uma mão para pessoas que abanam seus rabos servilmente para mim.

— Também há várias outras atividades…

Aparentemente, eu estava gastando bastante dinheiro em coisas que eu nem mesmo sabia.

Eu não podia exatamente pedir um reembolso agora.

— Isso também não é tudo.

— Sério?

— Há o tratamento que estivemos providenciando para aqueles que sofreram nas mãos de piratas. Os custos de recursos humanos, as instalações, e tudo mais está em uma quantia ridícula.

— É-é mesmo?

Eu só estava pensando em assegurar pessoas talentosas para ajudar a cumprir minhas ambições de me baquetear nas delicadezas da vida.

Para esse objetivo final, estive resgatando as belas mulheres que foram feitas de prisioneiras por piratas.

Se uma aparecesse que atraísse meus olhos, eu planejava tê-la como uma concubina, do contrário eu podia simplesmente enviá-las para viver no meu território. Isso foi feito assumindo que as garotas que eventualmente nasceriam de tais mulheres sem dúvidas também seriam belas.

Eu não me importava se elas tivessem que passar por cirurgias cosméticas, mas eu preferia produtos naturais acima de artificiais.

Era natural que Senhores Malignos despendessem quantias enormes de dinheiro para realizar seus sonhos.

Mas infelizmente, mesmo com todos os fundos que enviei, nenhuma beldade particularmente chamativa apareceu.

Uma das minhas candidatas a Cavaleira — Tia — era bem talentosa e bonita, mas era meio decepcionante.

Tendo dito isso, ainda não havia beldade nenhuma que houvesse me interessado.

… Amagi era uma exceção todavia.

— Mas ouvi que aqueles que enviamos para ajudar no território do Kurt um tempo atrás voltaram melhor treinados que antes. Não tinha sido um desperdício. Não é caridade porque foi para o benefício do meu próprio território no final.

Amagi parecia ter aceitado minha resposta:

— Bem, vamos deixar as coisas por isso.

Isso mesmo… Eu sou um homem que nunca contribui para caridades.

Tudo foi feito pelos meus objetivos pessoas e necessidades.

Então isso definitivamente não era caridade.

— Mestre, a próxima visita é uma introdução da nova pessoa representando o Terceiro arsenal.

— Huh? O que aconteceu com a Eulisia?

Aparentemente a representante do Terceiro arsenal havia mudado.

Então agora a garota decepcionante — Eulisia — não estava mais encarregada de vender para mim.

— Ela parece ter se rematriculado na academia militar para refazer seu treinamento.

— … mas, por quê?

Havia escolas que providenciavam reeducação para soldados que não tinham sido alistados por um longo tempo.

Mas Eulisia ainda estava ativa.

Eu não achava que houvesse qualquer razão para ela retornar ao treino.

— Não sei o porquê, mas ela já está, então a nova funcionária encarregada de você está aqui para se apresentar.

A mulher decepcionante tinha desaparecido.

Eu senti um pouco de lamento com isso… bem, se a próxima garota também for decepcionante, acho que não haverá nenhuma mudança real.

— Mesmo assim, estivemos tendo muitas visitas recentemente.

— Eles querem conseguir essas audiências antes que parta para a escola fundamental. Após se matricular, não terá mais nenhum tempo real para eles.

A escola fundamental era onde as crianças da nobreza frequentavam.

Era uma escola preparatória que nos deixava prontos ou para a universidade ou para a academia militar que vinha depois.

Da minha perspectiva, era algo próximo aos colégios da Terra.

Entretanto, a escola fundamental era localizada em um planeta diferente da capital imperial da nação.

Apesar da escola fundamental funcionar com um sistema de dormitórios, ainda havia estudantes demais que se matriculavam lá, então era mais como se eles houvessem construído uma cidade inteira em volta como alojamento.

Apenas filhos de aristocratas tinham permissão de atender.

Era uma escola construída unicamente para a nobreza.

— … Amagi, preparou o suborno?

Eu não estava realmente ansioso para me matricular em uma escola dessas, então prossegui com a confirmação de que Amagi havia terminado as preparações que eu queria.

— Se está falando sobre as doações, já enviamos uma fortuna enorme para eles.

— Sim, eu mal posso esperar.

Não havia uma taxa de admissão para a escola fundamental, mas para manter face, era esperado que grandes famílias nobres doassem uma certa quantia.

Entretanto, aqueles que enviassem grandes doações estavam fadados a receber tratamento preferencial durante sua escolarização.

…… Como Eu!

— Vejamos como eles irão me entreter pelos próximos seis anos.

Poder e dinheiro eram incríveis.

Pelos próximos seis anos, eles serão forçados a me oferecer uma divertida vida escolar para respeitar os subornos que enviei.

Tudo isso era pelo tratamento preferencial.

Amagi estava sorrindo:

— O Mestre realmente parece estar se divertindo.

◇ ◇ ◇

Propriedade Banfield.

Quarto da governanta.

[Serena], a governanta que trabalhava lá, atualmente estava em uma videochamada com o idoso cuja imagem era projetada no ar.

A outra parte era o primeiro ministro imperial.

A governanta, que Brian recomendara o serviço à Casa Banfield, na realidade era uma espiã que o primeiro ministro havia plantado para ficar de olho no Liam.

— Me diga sobre a doação exorbitante que ele realizou para a escola fundamental.

— A doação?

— Sim, todos os funcionários da escola fundamental estão tendo dores de cabeça por causa disso. Qual o significado?

— Não é anormal nobres darem doações antes da matrícula.

— Se fosse apenas qualquer outra casa nobre, então isso seria o prefácio para seus filhos receberem tratamento preferencial. É com isso que os funcionários de lá estão acostumados, mas é do Caçador de Piratas Liam que estamos falando aqui. Eles não sabem o que fazer disso.

A governanta entendeu o que o primeiro ministro estava tentando dizer.

— … os funcionários da escola fundamental não sabem o quão puro e justo o Senhor Liam é?

— Oh, eles sabem, e esse é o problema. Aparentemente a doação é grande demais e eles não sabem o que fazer dela. Poderia nos oferecer alguma perspectiva?

— Isso é fácil. O Senhor Liam não quer tratamento especial na escola fundamental, ele apenas quer um ambiente educacional sólido.

O primeiro ministro pareceu convencido pela explicação, dizendo?: — É mesmo?

A governanta recordou o que Liam havia lhe perguntado sobre a escola fundamental.

— Ele estava realmente interessado no fato de que a escola fundamental compensava sua falta de orçamento com doações. Tenho certeza que ele estava lamentando o fato de que muitos nobres tiraram vantagem disso e enviam doações sob a pretensão de receber tratamento preferencial. Ele provavelmente enviou a doação para cancelar essas.

Apenas os altos nobres eram bem tratados.

A governanta estava certa de saber a opinião do Liam sobre isso:

— Tal ambiente não é o que o Senhor Liam deseja.

— Sendo tão jovem, ainda assim com morais tão fortes, mais uma vez fico espantado com ele. A situação na mansão está prosseguindo como normal?

— Sim. Ele realiza treino físico pela manhã, seguido pelos seus estudos e trabalho com a situação política mais tarde durante o dia. Ele ainda precisa trabalhar em seus modos quanto a sua fala, mas não há nada mais de interesse real.

— Ele é um pouco secular demais para a idade. Então realmente não há nada de interessante para ser reportado? Para ser honesto, eu ainda ficaria bem se ele se divertisse por aí um pouco mais.

A governanta começou a rir com esse comentário:

— Você quer que ele siga o exemplo de um certo alguém e comece a seduzir empregadas palatinais?

— … Eu ainda era jovem naquela época. Mesmo assim, me pergunto se o Conde criará tais estórias?

O primeiro ministro que desviou a conversa de volta para Liam parecia um pouco envergonhado.

A governanta fez uma expressão perturbada:

— Tanto Brian quanto eu estamos preocupados com isso, ele não parece ter interesse nenhum em colocar as mãos nas garotas. Ele é sério ao ponto em que estamos perturbados com isso.

Liam não parecia tentado por nenhuma das empregadas da casa ou filhas nobres que vinham para treinamento nupcial.

Esse poderia ser considerado o único problema real que ele tinha.

— Como sempre, ele é um pouco sério demais.

— Se por um acaso ele obter uma namorada enquanto estuda fora, estamos pensando em aceitá-la como esposa dele mesmo se seus estados não corresponder.

— … Eu não quero que ele tenha um relacionamento com uma casa que trará problema. Já considerou um casamento arranjado?

— A Casa Banfield tem agido muito terrivelmente até a atual geração, deixando a reputação pessoal do Senhor Liam de lado, a Casa ainda não possui muito crédito. Outras Casas ainda estão hesitantes em criar uma conexão com tal risco.

As reputações do pai e avô de Liam eram tão ruins que outras casas se recusavam a sequer se sentarem para entrevistas de casamento.

Se deixar o crédito individual do Liam de lado e apenas considerar a Casa como um todo, era natural não confiar neles.

Quem sabia quando Liam mudaria de ideia e seguiria os passos de seus predecessores?

Com isso, havia muitas casas que queriam observar a situação até seu treinamento ser completado.

Neste universo, aqueles que tinham vivido por cinco décadas eram valorizados apenas até esse ponto.

Se ele possuísse um registro de pelo menos um século, haveria uma série ininterrupta de solicitações de casamento.

As reputações do pai e avô de Liam eram tão ruins assim.

— Eu entendo. Eu teria hesitado também, mas foi por isso que a enviei para aí.

Seja para deixá-lo em paz ou esmagá-lo — foi isso que Serena foi enviada para descobrir.

O primeiro ministro estava um pouco ansioso.

— Casamento pode ser um problema, mas o fato de que o príncipe está se matriculando no mesmo ano é outro. Eu quero que alerte o Conde sobre ele, diga para que tenha cuidado.

Serena, que relembrou isso, teve uma sutil mudança em sua expressão:

— O Príncipe… se refere a vossa Alteza Wallace? Não me diga que essa pessoa e o Senhor Liam serão colegas de classe.

Um dos Príncipes imperiais, [Wallace Noah Albalate], estava marcado para entrar na escola fundamental ao mesmo tempo que o Liam.


Brian(´ω;`) — Isso dói. É realmente doloroso. É tão doloroso que o Senhor Liam esqueceu sobre todo o trabalho de caridade que realizou, mas o que é mais doloroso de tudo isso é que… Eu não tive uma chance de aparecer dessa vez.


 

Tradução: Batata Yacon   |   Revisão: Delongas


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8 ideias sobre “LoMa – Volume 3 – Prólogo

  1. Lcdaniel

    Obrigado pelo capitulo!!
    E com você batata falando que a história melhora agora estou muito ansioso, será que o Liam vai arranjar briga com a família real?
    Mal posso esperar pelos próximos capítulos.

    Curtido por 1 pessoa

    Resposta

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