LoMa – Volume 3 – Capítulo 3

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Escrito por Mishima Yomu/Wai (三嶋 与夢)
Traduzido Originalmente ao Inglês por Kuroinfinity


Rosetta

 

— De hoje em diante, eu não sou mais um Príncipe. Sou apenas Wallace!

Após se tornar meu subordinado, Wallace veio até o meu quarto para oferecer um relatório.

Kurt também tinha vindo visitar.

— Você parece feliz.

— É tudo graças a você, Liam. Por causa de você, fui capaz de escapar sem problemas da minha posição como realeza.

Ele estava falando como se odiasse ser um Príncipe.

— Pensei que nascer como realeza deixasse a vida super fácil.

Wallace pareceu surpreso pelas minhas palavras.

— Isso é apenas porque você não sabe de nada. Ter a posição de Príncipe na verdade é realmente perigoso. Meus irmãos mais velhos estão constantemente brigando entre si pela posição de imperador, assim fazendo nossa história de sangue se repetir.

Kurt se juntou à conversa:

— Ouvi muitos rumores também. As pessoas dizem que a ascensão de um imperador é o alvorecer das execuções de todos os seus irmãos. Há muitas lendas urbanas sobre essas coisas.

Wallace abaixou sua voz:

— … Tente manter isso para si. Esses rumores geralmente são verdadeiros. Mesmo com o meu pai, todos os seus rivais parecem ter morrido antes de sua ascensão. Você precisa ter cuidado.

O rosto de Kurt ficou pálido.

Ouvi sobre coisas assim na minha vida passada.

Disputas familiares não eram histórias raras em sistemas feudais.

A expressão de Wallace amoleceu:

— De qualquer modo, me retirei da corrida pelo trono em segurança.

— Não é como se você não tivesse direito absolutamente nenhum de herdar o trono.

— Mas é diferente agora. A situação no palácio é realmente complicada. Porque não há apenas nós crianças, mas também as conexões de nossas mães a se considerar. Todos em uma facção são executados se perderem a sucessão. Já aconteceu antes.

— Sério?

— Pode acreditar. O palácio interno não é o lugar bonito que as massas acreditam ser. É um lugar onde irmãos se matam pelo direito de ser imperador, começando com a feia briga entre as mães.

Bandeiras de morte eram levantadas das quais eles não tinham controle nenhum.

Ou melhor, o palácio era um lugar lotado de morte.

Os Príncipes tinham que levar isso a sério.

Wallace disse que o conflito pelo trono de dois mil anos atrás foi particularmente terrível e os efeitos disso ainda podem ser vistos hoje.

— O Imperador de dois milênios atrás foi especialmente terrível. Existem muitas histórias de traição e morte, então qualquer um não ficaria feliz de escapar de um lugar desses?

Entretanto, Wallace tinha um olhar refrescado em seu rosto como alguém libertado de todos os fardos.

— Eu finalmente posso viver minha própria vida. Obrigado, Liam.

Eu só fiz isso por capricho, mas parece que significou mais que isso para ele.

Bem, o ex-Príncipe agora é meu subordinado.

Então eu estava satisfeito.

Embora ainda haja algumas coisas que me preocupam.

— Wallace, você não poderia ter enviado subornos para obter o favor do irmão mais velho que você achasse que venceria?

O próximo imperador já tinha quase sido decidido.

Se ele estava vivendo no palácio, não deveria ter sido capaz de prever quem seria o cavalo vencedor a essa altura?

Wallace desviou os olhos:

— Existem muitos casos onde as pessoas que supostamente tinham sido confirmadas como “próximo Imperador” morreram. O que você acha que aconteceria com o irmão que tentou obter favor com uma pessoa dessas?

— Executado?

— Morte seria misericórdia. A vida se torna inimaginavelmente dura para aqueles que apoiaram alguém que não se tornou Imperador. A Casa Claudia de onde a Rosetta vem é uma dessas vítimas.

Foi surpreendente ouvir o nome da Rosetta sendo mencionado pelo Wallace.

— Rosetta?

Quando perguntei, Kurt também deu um olhar que dizia que não sabia.

Enquanto inclinávamos nossas cabeças em confusão, Wallace começou a explicar as circunstâncias de Rosetta:

— Há muito tempo, havia um Príncipe que tinha o apoio da Casa Ducal Claudia.

Esse foi o começo da queda da Casa Claudia.

◇ ◇ ◇

Banheiro feminino no primeiro edifício escolar.

De pé na frente do espelho, Rosetta olhava para o seu reflexo.

Ela estava falando para si:

— Eu sou a venerável filha da Casa Claudia, um dia irei acabar com o nosso sofrimento.

A família Claudia, que era uma casa matriarcal, era um lugar complexo.

Colocando de modo simples, eles eram uma Casa Ducal infame.

Eles eram os governantes de um único planeta na fronteira.

Apesar de originalmente serem classificados como nobres menores, o Império havia promovido a Casa Claudia ao ranque Ducal.

Isso foi há quase dois milênios.

A razão para isso se estende há dois mil anos antes.

Na época, o Império estava em uma posição muito difícil.

O Príncipe herdeiro que deveria se tornar o próximo imperador, havia morrido antes de sua ascensão.

A Casa Claudia que havia suportado esse Príncipe deu as boas-vindas ao irmão que havia ascendido no lugar.

Mas o novo príncipe era hostil à Casa.

Dali em diante, eles foram sujeitos a uma sequência sem fim de hostilidade por parte da Família Real e nobreza.

Naturalmente, punições severas foram impostas na Casa Ducal que apoiara o falecido Príncipe, os enjaulando.

A Casa Claudia foi despida de seu território.

Eles foram forçados a um planeta arruinado quase em seus últimos suspiros.

Entretanto, o status deles permaneceu como o de Duques.

Qualquer um que se oponha ao Imperador acabará assim, não importante seu status” era a mensagem que queriam exibir.

Eles eram nobres, mas ao mesmo tempo não eram.

Era um destino cruel, mas ainda estavam vivos.

As chefes passadas haviam lutado para um dia escapar desse destino cruel.

E Rosetta também estava lutando.

◇ ◇ ◇

A razão de existência da escola fundamental era treinar as crianças nobres a um certo nível.

Ocasionalmente, haveria o filho de um aristocrata que não sabia como o universo funcionava e levava vergonha para onde quer que fosse.

A fim de limitar tais situações, a quantidade mínima de educação que eles precisavam era dada na escola fundamental.

Entretanto, apenas as crianças de maior excelência eram delegadas ao primeiro edifício escolar para estudarem.

As aulas eram difíceis, mas também um sinal da quantidade de expectativas que tinham para com essas crianças.

Rosetta ficou exultante quando foi designada ao primeiro edifício escolar.

Entretanto…

(… Eu não consigo acompanhar o conteúdo da aula.)

Ela não conseguia manter o passo com o ritmo com que as aulas progrediam.

Sua casa era pobre e ela não conseguiu receber uma educação satisfatória enquanto crescia.

A quantidade de vezes que ela conseguiu usar cápsulas educacionais também foi mínima.

O nível em que ela estava era claramente diferente daqueles em sua volta.

Ela trabalhava duro, mas sentia que estava sendo confrontada com uma muralha que não conseguia superar.

(Não posso desistir aqui. Eu darei fim a essa corrente de sofrimento e nos libertarei.)

Mas sempre que alguém falava, eles não estavam zombando dela?

Ela havia ficado paranoica com suspeitas negativas após ver a diferença entre si e seus arredores.

(Não importa o quê, eu preciso ter sucesso aqui.)

Rosetta era a única que estava desesperada para passar enquanto todos os outros prosseguiam suas vidas escolares com tranquilidade.

O mesmo era verdade mesmo após retornar ao dormitório.

Quando ela voltou ao seu quarto, seu corpo começou a berrar com o quanto ela simplesmente queria cair na cama e dormir.

Mas ao invés de atender às necessidades de seu corpo, ela se forçou a ir para a mesa estudar.

Mesmo que fosse ineficiente, ela estaria totalmente perdida se não revisasse os tópicos da lição do dia seguinte antecipadamente.

— … Eu não vou perder. Se eu falhar aqui, então minha futura filha terá que passar por esse sofrimento também.

Suas lágrimas não paravam de cair.

E enquanto sua consciência lentamente lhe deixou, ela caiu desmaiada na mesa do jeito em que estava.

◇ ◇ ◇

Rosetta estava sonhando.

Era um sonho nostálgico de sua infância.

O império havia enviado a eles um convite para uma festa realizada no palácio.

Rosetta, que ainda era uma garotinha na época, estava radiante, mas a expressão de sua avó era triste.

Sua mãe estava chorando enquanto a abraçava.

Ela não entendia porque elas estavam tristes.

— Mamãe, vovó, por que estão chorando?

As duas sorriram com a inocência dela apesar das lágrimas.

— Não é nada Rosetta. Vamos apenas aproveitar a festa. Nós vamos nos divertir tanto quanto possível.

— Sim!

Sua mãe era pobre, mas ela ainda lhe preparou um vestido rosa.

Sua avó havia arrumado seu cabelo em belos caracóis.

Rosetta amava esse penteado.

Mas quando ela finalmente atendeu a festa na capital imperial a qual ela estava aguardando ansiosamente… foi recebida com zombaria.

Ela ainda podia lembrar as vozes dos nobres na época.

— Que vestido sujo é esse?

— É outra palhaça da Casa Claudia.

— Por que elas sequer se incomodam em vir para a capital imperial?

Diferente da divertida festa que ela esperava, ela aprendeu que apenas tinham sido convidadas para que pudessem ser assediadas e caçoadas.

Era um ato preparado pelo antigo imperador.

Ele queria regularmente exibir o que acontecia com aqueles que se opusessem a ele.

Era um costume que havia continuado por dois milênios.

A tradição havia sido mantida por tempo demais para simplesmente encerrarem agora… era impossível.

Alguns aristocratas sentiam pena delas.

Mas nenhum estendeu uma mão para ajudar.

Após Rosetta aprender sobre a realidade das coisas, sua mãe lhe disse:

— Lembre-se dos cavalheiros que nos mostraram misericórdia. No futuro, serão eles que lhe ajudarão a dar luz a uma criança. Então a Casa Claudia poderá prosseguir.

A razão da Casa Claudia ser matriarcal era porque nunca conseguiam encontrar um parceiro de casamento.

Desde que a liderança fosse feminina, então havia uma chance de ainda serem capazes de darem à luz após abaixarem suas cabeças para homens de prestígio.

— Rosetta… cresça bela. Se o fizer, então homens se aproximarão de você.

— Huh?

— Esse é o único jeito da Casa Clauda ter descendentes.

… Foi então que ela descobriu a razão de seu pai não estar presente.

Outra razão da Casa Claudia ser matriarcal era por ser mais fácil.

Se o chefe fosse um homem, não haveria mulheres que se tornariam suas esposas.

Homens ainda podiam fazer filhos desde que tivessem dinheiro e equipamento.

Eles só precisavam comprar um óvulo de uma mulher, mas o problema era o custo financeiro de tudo.

A Casa Claudia não podia pagar por isso.

Esse método caro era impossível para eles, então a opção mais fácil era simplesmente ter apenas mulheres como chefes.

Algumas delas haviam tentado encerrar essa vida miserável.

Entretanto, estavam constantemente sob vigia de oficiais e eram repetidamente negadas de qualquer chance.

O único meio de Rosetta poder se libertar desse inferno era ascender.

◇ ◇ ◇

Quando ela acordou… era manhã.

— Não, não pode ser!

Após se levantar com pressa, ela descobriu que a hora do café-da-manhã já havia passado.

Ela correu para o edifício escolar, mas ainda estava atrasada.

Seu uniforme estava bagunçado.

Seus cabelos estavam desgrenhados.

Quando ela finalmente entrou na sala de aula, seus colegas começaram a rir dela.

E quando John viu Rosetta:

— Rosetta, não se atrase. Acorde na hora… Sente-se logo.

— … sim. Me perdoe.

Ele não era tão duro com ela como era com os outros estudantes.

Normalmente, ele era o tipo de professor que começaria a berrar com estudantes atrasados, mas parecia que já havia desistido de Rosetta.

(Eu vou mostrar para todos vocês.)

Seus colegas de classe olhavam para ela com olhares cheios de várias coisas: zombaria; pena; interesse… De qualquer modo, eles olhavam para ela como se fosse algum tipo de animal raro.

As vozes dos garotos podiam ser ouvidas.

— Atrasada. Desgrenhada. Como ela pode parecer tão ruim? Tipo, que merda é essa?

— Pelo menos, era de se esperar que ela mantivesse a aparência.

— … Não, Tom. Essas palavras não têm peso nenhum vindas de você. Apenas dê uma olhada no seu cabelo.

Ela estava com pressa e não teve tempo de tomar um banho, e conforme ela se aproximava de seu assento…

… as garotas começaram a cobrir seus narizes.

— Que cheiro terrível.

— Meu nariz vai cair.

— Eu sempre soube que ela era estúpida, mas não achei que fedesse também.

Rosetta sabia que ela era a pior da classe.

Então ela passou pelo estudante de honra Liam.

(…Banfield.)

Ela cerrou seus dentes.

Ele atualmente estava olhando para John com uma expressão desinteressada.

Era um rosto que dizia que não tinha o menor interesse nela.

Mas era inevitável.

Mesmo tão jovem, ele já havia sido reconhecido como um Conde habilidoso em questões domésticas, e havia dominado completamente uma escola marcial, ganhando sua licença de espada.

Além de tudo isso, ele havia obtido o segundo nome de “O Caçador de Piratas”.

Um prodígio com status, honra, e habilidade… era uma criança que tinha tudo. Era o completo oposto dela.

Liam era a única pessoa com quem John nunca berrava.

Mais especificamente, ele nunca tinha razão para tal.

Ele estava no topo da séries em seus estudos.

Suas habilidades práticas eram excelentes também.

Mas sua verdadeira especialidade estava em sua habilidade marcial.

Ele sempre vencia, mesmo contra o segundo mais forte, Kurt.

Liam era incorruptível, e ninguém conseguia desafiá-lo.

Ele era a única pessoa com quem ninguém tentava arrumar briga.

Porque sabiam que não podiam vencer.

… Ele era completamente diferente de Rosetta. Ele era uma pessoa que tinha tudo.

Rosetta odiava Liam… ela não conseguia evitar.

(Alguém como eu sequer consegue ser registrada nos seus olhos? Eu odeio pessoas como você que têm tudo na vida. Não consigo deixar de odiar.)

◇ ◇ ◇

… Um beco escuro na capital imperial.

O guia estava lá.

Ele estava cerrando seus dentes enquanto via dois mendigos escavando o lixo.

— Merda, como foi que eu acabei assim?

O atual guia não era diferente deles.

Sua conexão com o Liam era tão forte que apenas emoções negativas ligadas ao Liam podiam ser absorvidas.

O atual estado do guia era equivalente a ele desesperadamente bebendo água lamacenta.

Toda a dor que ele sentia em seu peito era por causa do Liam.

Ele estava agarrando seu peito enquanto vagava, coletando as emoções negativas em volta.

Entretanto, sua taxa de absorção era deprimente.

Era muito ineficiente por causa da constante dor causada pela gratidão do Liam que drenava seu poder.

Quanto ao porquê do guia querer vingança contra Liam… era para que pudesse escapar dessa situação e se libertar desse sofrimento.

Para este fim, ele agora estava coletando emoções negativas.

Foi então que os mendigos na frente do guia começaram a brigar.

— Essa é a comida que eu achei!

— Cala a boca! É minha porque você tomou minha bebida da última vez!

Porém, quando o guia passou por eles, as expressões sérias dos dois se suavizaram.

— … desculpa, foi erro meu. Mas eu também tô cum fome, então dá pra gente partir no meio.

— Desculpa também.

Eles se desculparam e dividiram a comida.

Esse era o resultado de terem suas emoções negativas absorvidas.

O guia falou:

— Se cuide Liam, eu vou me certificar de enviá-lo mais as maiores profundezas do inferno.


Brian(´ω;`) — Isso dói. A situação da Rosetta é tão dolorosa… mas o Senhor Liam também passou por dificuldades, sabia?!


 

Tradução: Batata Yacon   |   Revisão: Delongas


Ei, se estiverem gostando do projeto e desejarem ajudar um pouco, vocês podem fazer isso acessando o link abaixo, solucionando o Captcha e aguardando dez segundos para ir à nossa página de agradecimentos.

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7 ideias sobre “LoMa – Volume 3 – Capítulo 3

  1. Gabriel Pesce

    Vai virar vassalo do lian certeza. To curioso com a luz branca, como q ela vai ajudar a ferar o guia dessa vez??? Obrigado pelo capitulo.

    Curtido por 1 pessoa

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  2. Lcdaniel

    Obrigado pelo capitulo. E estou ansioso pra ver como as coisas vão ser lidadas pelo Liam.
    Lança um combo especial de 60 dias de quarentena. kkkkkkkkkk. Brink’s.

    Curtido por 1 pessoa

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    1. Fernando Carrijo

      o que foi vc n viu o background dela ?? ela odeia todos que tem tudo n apenas o prota obviamente algumas pessoas merecem ter tudo por que fizeram esforço para ter mas existem muitas pessoas que já ganharam tudo na mão

      Curtido por 1 pessoa

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  3. Gatts Berserker

    Ela acha que o Liam conseguiu tudo sem nenhum esforço. É comum nós mesmos acharmos isso de outras pessoas que obtiveram algum sucesso, achamos que as coisas caíram do céu, que foi sorte, etc. É um tipo de inveja.

    Curtido por 1 pessoa

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