LoMa – Volume 3 – Capítulo 2

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Escrito por Mishima Yomu/Wai (三嶋 与夢)
Traduzido Originalmente ao Inglês por Kuroinfinity


Subordinado

 

Três meses tinham se passado desde que a escola fundamental havia começado.

Foi então que notei.

… esse lugar não é meio estranho?

Eu estava ponderando sobre o quão estranho esse lugar era enquanto descansava no quarto do meu dormitório.

— … A escola fundamental é fácil demais. Eu nem precisava ter enviado uma doação. Não, isso não foi uma necessidade para eu não virar alvo do Professor John?

De qualquer modo, ele é um professor rígido, mas nunca ficou zangado comigo.

Tirando isso todavia, ele simplesmente me tratou o mesmo que todos os outros estudantes.

Levantar de manhã, terminar um exercício leve, estudar durante as aulas, praticar artes marciais, e então voltar ao dormitório para dormir à noite.

Todo mundo ainda estava reclamando disso, mas pessoalmente, era tão fácil que eu estava começando a me sentir um pouco ansioso.

Em primeiro lugar, as aulas eram moleza. Eu já havia estudado a maioria desses assuntos nas cápsulas de educação.

O treinamento físico por outro lado podia apenas ser considerado um exercício preparatório para o meu corpo fortalecido, sempre me deixando insatisfeito.

…… Eu não estava esperando isso.

— Não pode ser. É fácil demais ao ponto de eu estar preocupado se realmente não era um problema.

É importante para mim como um Senhor Maligno ter um corpo treinado.

“Violência não tem sentido no mundo real”.

“Você só precisa de uma boa educação para ter sucesso na sociedade”.

Todas essas estórias eram mentiras.

Certamente, violência poderia ser considerada inútil para uma sociedade normal.

Mas eu aprendi o quão importante brutalidade realmente era na minha vida passada.

Os vilões usam violência, enquanto boas pessoas podiam apenas se acovardar com medo deles.

Violência era outra forma de poder.

Mesmo eu me treinando para obter esse poder, minhas habilidades certamente enferrujariam neste ambiente tépido.

— Nada bom. Isso não é bom. Eu estava certo de que eles começariam treinamento de verdade depois de três meses, mas não houve sinal nenhum de mudança.

No começo eu pensei que eles estavam esperando que nos acostumássemos com o treinamento, mas mesmo após todo esse tempo, o conteúdo de tal treinamento não havia mudado muito.

O tamanho das mudanças podia ser comparado ao tamanho de um único fio de cabelo.

O que eu deveria fazer quanto a isso?

Foi então que recebi uma chamada de casa de repente.

O autor era o Brian.

… Por que não podia ter sido a Amagi ao invés disso?

Enquanto eu me deitava na cama e atendia a chamada, a imagem de Brian apareceu, chorando como sempre.

— Senhor Liam, você me prometeu que ligaria para nós regularmente!

Ele não é um pouco superprotetor demais?

— Não chore só porque esqueci de entrar em contato no cronograma… ou aconteceu alguma coisa?

— Não, as coisas estão indo bem por aqui. Na verdade estou mais preocupado com você.

Ele não confia em mim?

— Não há problema nenhum do meu lado também.

— Isso é bom de ouvir. Oh, e a governanta está preocupada. Pode me dizer qual a sua relação atual com o Príncipe Wallace?

— Wallace? Ahh… aquele cara. Bem, acho que nos damos bem?

— …huh?

Brian foi aturdido.

O Príncipe Wallace tinha um contexto bastante problemático.

Essa era uma das razões daqueles em volta sempre tentarem manter sua distância dele, mas considerando o próprio, as pessoas também o evitavam por seus problemas de personalidade.

◇ ◇ ◇

No dia seguinte no refeitório.

Os primeiranistas estavam finalmente começando a ficarem acostumados com a escola fundamental.

Na cafeteria, todos já haviam começado a se reunir em seus grupos.

Pessoalmente, eu ainda estava com o Kurt, meu colega Senhor Maligno.

— Brian está me ligando constantemente e não para de perguntar como minha vida escolar está indo.

— Ele não é seu mordomo? Eu não acho que haja nada de errado em ele conferir como você está regularmente.

— Eu não tenho nada a dizer, a vida aqui é simplesmente puro tédio. A coisa mais interessante que posso falar é sobre como ainda não achei um jeito de me esgueirar para fora daqui.

Eu estive inspecionando as altas muralhas construídas em volta dos campos da escola em esperanças de achar um caminho que eu possa usar para ir me divertir na cidade.

Se eu quisesse sair para brincar nos feriados, uma rota de fuga era uma necessidade.

Esse era um problema que podia ser resolvido simplesmente subornando o guarda do portão, mas estive procurando por uma rota de fuga porque tive muito tempo livre em mãos.

— Liam, eu não posso realmente dizer se você está sério ou não.

— Se olhar nas coisas por fora, eu estou tão sério quanto você.

— É-é mesmo?

Só com esse pouco de elogio, o sério Senhor Maligno Kurt parece ter ficando embaraçado.

Me voltei de volta à minha comida.

A maior parte os itens do menu servidos no refeitório eram refeições nutritivas.

Eles não eram ruins, e eu gostava deles.

Mas eram dolorosos em comparação às refeições luxuosas que eu costumava ter diariamente.

Foi então que ouvi uma alta voz ecoar de outra mesa.

… Era o Wallace.

— Ei, por que não comemos juntos?

Sorrindo, ele colocou sua bandeja na mesa onde um grupo de garotas se sentava e obteve um assento de modo forçado.

— A propósito, alguma das suas casas está procurando por um genro para assumir como chefe? Ou alguma de vocês que se afastou da casa de seus pais para se tornar independente, procurando por um marido?

Os olhares das garotas começaram a dançar com sua falta de sutileza:

— Eu sou a segunda filha da minha casa.

— Meu irmão mais velho é o herdeiro da minha casa.

— Eu estou prestes a ter um irmãozinho em breve.

Aquela terceira garota… ela estava dizendo que a Casa dela não tinha um herdeiro masculino no momento?

Mas Wallace pareceu ter aceitado suas explicações:

— Oh, isso é muito lamentável. Perdoem-me.

Após se levantar de repente, Wallace partiu para ir falar com a próxima garota que avistou.

— Você aí! Qual a postura da sua família em obter um novo genro?

Olhando para Wallace, não pude deixar de pensar que…

— … ele definitivamente não é o que pensei que um Príncipe seria.

Wallace, que havia destruído completamente minha imagem de Príncipes, continuou a tentar dar em cima de garotas.

Atualmente, ele estava falando com uma garota do primeiro edifício escolar.

— Vossa Alteza Wallace também tem suas circunstâncias.

— Qual a história dele?

Kurt prosseguiu a me explicar sobre que caminhos eram deixados para os príncipes excedentes.

— Honestamente, todos os Príncipes depois do centésimo não parecem ser tratados muito bem. Se for até o os trigésimos, então ainda parecem ter um apoio adequado, mas do contrário ouvi que são tratados de modo pior que baixa nobreza.

— Os Príncipes também têm vidas duras, huh?

— Eles não têm escolha nenhuma além de se casarem em outra casa. Se não fizerem nada, então eventualmente serão forçados a virar oficiais civis ou oficiais militares. Alguns deles conseguiram trabalhos em outras áreas, mas Vossa Alteza Wallace não parece ser desse tipo.

Havia muitas realezas que se tornavam ativos em áreas diferentes, tal como artes.

Mas Wallace escolheu independência.

— Parece que ele quer se tornar seu próprio mestre.

— Se tornar autossuficiente é realmente tão difícil assim? Ele não pode simplesmente fazer o império apoiá-lo até lá?

— Independência não é tão fácil assim de se obter. Ainda mais para alguém que não possui suporte como ele. Ele não pode fazer isso sozinho, e Vossa Alteza entende isso.

… Isso era realmente bom para um Príncipe Imperial?

Para ganhar independência através de paquerar garotas… Eu podia apenas rir de uma coisa dessas.

Quando olhei para Wallace, ele atualmente estava pegando sua bandeja para partir. Acho que ele falhou hoje também.

Aparentemente algumas das garotas tinham sido abordadas duas vezes por ele, ou até mesmo três, e estavam tendo problemas sobre como lidar com ele.

Eu chamei Wallace, que estava deixando seus ombros caírem:

— Ei Wallace, vem cá.

Wallace virou seu olhar na minha direção antes de falar:

— O que você quer? Eu não tenho passatempo de flertar com homens.

Em resposta a esse comentário, o rosto de Kurt pareceu corar um pouco.

Ele parecia irritado:

— Liam, por que você chamou ele?!

Eu ri enquanto respondia o Kurt, que estava perdendo sua paciência:

— Porque ele parece interessante. Ei Wallace, só me escuta. Eu não estou interessado no seu corpo.

Relutantemente, Wallace arrastou seus pés para a nossa mesa.

— Você é bastante rude. Achei que vocês fossem estudantes de honra, mas têm bocas muito podres.

Esse cara era um idiota afinal.

Ele seriamente parecia pensar que éramos estudantes de honra.

Bem, o Kurt era uma pessoa séria à primeira vista, então talvez ele fosse um?

— Pelo menos somos melhores que um mulherengo falho.

— Ugh… merda!

Wallace franziu suas sobrancelhas, ele parecia querer dizer algo, mas não podia pensar em nada no momento.

— Ca-calado. Eu estou fazendo isso pelo meu futuro, então é por isso que estou me esforçando tanto apesar da vergonha que isso me traz.

— Você realmente consegue esconder bem a sua vergonha. Isso é divertido para você?

— … No palácio interno onde eu morava, não havia lá muitas chances de interagir com garotas. No máximo haveria minha mãe e suas criadas, ou as concubinas do meu pai, o resto sendo minhas irmãs de sangue.

Ele parece ter passado por muita coisa.

Mas Kurt recordou:

— Espera, mas então não deveria não haver problema com as empregadas?

Quando ele falou isso, Wallace desviou o olhar:

— … elas serviam as mães, não à mim. E também, minha mãe não permitia que eu pusesse as mãos nela.

— Você quer ser independente tanto assim?

Quando perguntei, Wallace berrou:

— MAS É CLARO QUE QUERO!

Apesar dos olhares em volta começarem a se concentrar em nós, eu realmente não me importava.

Rosetta passou por nós então.

Entretanto, Wallace nem mesmo olhou para ela.

— Huh? Você não vai tentar com a Rosetta?

Em resposta à minha questão, Wallace respondeu:

— … aquela mulher não pode me sustentar.

… Como é que esse cara consegue dizer frases tão vergonhosas com tanta confiança?

— Em primeiro lugar, meu objetivo é ser independente.

— Por que independência?

Wallace parecia querer ser uma pessoa completamente autossuficiente.

— Pode ser como um nobre da corte ou um provinciano, mas eu quero viver sob minha própria força. Você pode não saber disso, mas ter o status de Príncipe na verdade é realmente inconveniente.

— Você não pode realmente se chamar de independente se estiver dependendo de outros para ganhar esse status.

— Eu sei disso! Mas essa é minha única opção aqui. Se eu tentasse virar um oficial ou um soldado, tudo o que me aguardaria seria uma vida de massacre.

Kurt tinha um rosto que dizia não saber o que dizer:

— Acho que Vossa Alteza tem um monte de problemas.

— Isso mesmo! Se entende isso, por que não considera se tornar meu patrono?

— Oh, isso é meio… lamento, mas devo recusar.

— Por quê?!

Kurt não era uma pessoa boa o bastante ao ponto de se tornar o patrono de um Príncipe inútil.

Mas, ele era um Príncipe realmente interessante.

Era interessante ver ele lutando para se tornar independente.

Eu chamei a atenção de Wallace:

— Por que não entrou na casa de um Senhor menor ou oficial então?

Ele pareceu perturbado.

— Pessoalmente, eu não teria problemas com isso, mas ainda sou um Príncipe. O palácio não me permitirá. Eles estão requerendo que eu entre em uma certa casta social, algo pelo menos no nível de barão ou maior. Talvez possa ser possível se forem governantes de um planeta pioneiro, mas do contrário, o palácio não permitirá.

Com tantas opções para escolher, eu podia sentir-me ficando cada vez mais animado.

Isso não é realmente interessante?

— Se é assim, então eu me tornarei o seu patrono.

— Liam?!

Kurt tentou me impedir, mas ignorei ele e falei para Wallace:

— A Casa Banfield de Condes irá lhe apoiar. Se for governar uma parte da fronteira, então lhe darei uma mão com a sua independência.

Um aturdido Wallace se levantou e arrumou seu uniforme.

— Muitíssimo obrigado!

Wallace, que havia levantado seus braços e voz parecia realmente estúpido.

Uma pessoa cômica como ele era realmente divertida de se assistir.

— Liam, você precisa pensar isso direito. Não é tão fácil se tornar o apoiador de um Príncipe.

Kurt tentou me persuadir, mas eu não podia retirar as palavras que já havia falado.

Já estava feito.

Não era por eu sentir simpatia por ele, nem estava impressionado com seus esforços.

Eu só queria ajudá-lo porque ele era interessante.

Acima de tudo, agora um Príncipe Imperial seria meu capanga.

Isso não era uma história realmente divertida?

— Eu já sucedi como Conde. Minha palavra é a decisão da Casa Banfield. Então não há problemas aí.

— Não, mas…!

Me virei para Wallace, que parecia preocupado:

— Eu mantenho minhas promessas. Eu apoiarei sua independência. Você está de acordo em ser um Senhor menor?

— É-é claro que estou! Qualquer coisa é melhor do que essa vida apertada que tive no palácio interno! Como um Senhor Feudal, até mesmo uma titulagem menor serve! Eu só quero viver com minha própria força.

Simples o bastante.

— Pode deixar comigo. Irei preparar um território para você após nosso treinamento terminar.

Kurt parecia exasperado enquanto segurava seu rosto em sua mão direita.

— Liam, eu seriamente não te entendo.

Tudo o que eu estava fazendo era ajudar um único Príncipe a se tornar autossuficiente.

Kurt estava se preocupando demais com isso.

◇ ◇ ◇

A capital imperial.

Rumores sobre Wallace haviam chegado ao primeiro ministro que estava trabalhando no palácio.

Seu subordinado lhe apresentou um relatório:

— O Conde Banfield se nomeou como guardião de Vossa Alteza Wallace.

— …… O quê?

O ministro parou suas mãos, incapaz de compreender o que seu subordinado estava dizendo.

— Aparentemente o Conde declarou que viraria o patrono de Vossa Alteza Wallace.

Ele estava abandonando seu status como realeza.

Atualmente, ele estava no processo de abdicar ao seu direito de herdar o trono.

Liam havia jurado apoiar a independência de Wallace no futuro.

Mas não havia mérito nenhum para Liam em se tornar seu apoiador.

Era praticamente impossível ele pagar de volta esse favor.

Praticamente aristocrata nenhum sequer consideraria tornar-se patrono dele.

— Esse deve ser outro dos caprichos do Conde.

— Mas pelo menos, isso permitirá que um Príncipe se torne autossuficiente.

— Não é fácil ser um pioneiro, mas ele deve ser capaz de conseguir com o suporte do Conde. Se deixarmos isso em paz, nenhum problema deve surgir no futuro… Embora, o que ele estava planejando?

O primeiro ministro estava pensando demais sobre isso.

Esse era o resultado de sua superestimação de Liam, que era extremamente excepcional para sua idade.

(Desconsiderando o Conde em si, a Casa Banfield ainda é vista como sem crédito. Ele está fazendo isso para mostrar como está contribuindo para o Império?)

Será que essa é a razão de ele escolher apoiar Wallace, um indivíduo que não era nem veneno nem remédio?

Fosse esse o caso, então o primeiro ministro podia ver como Liam se beneficiaria disso.

(Não é fácil sobrescrever o estigma que durou por duas gerações inteiras, mas esse pode ser o primeiro passo em ganhar alguma confiança na sociedade nobre.)

Se Wallace fosse capaz de ter sucesso sem problemas, então Liam seria capaz de ter a Casa Banfield vista como mais confiável entre os aristocratas.

O primeiro ministro estava convencido de que essa era a razão, e estava animadamente aguardando pelos resultados com antecipação.


Brian(´ω;`): — É doloroso. O Senhor Liam secretamente se tornando o patrono do Príncipe sem se consultar conosco é doloroso. Senhor Liam! Por favor, leve nossas opiniões em consideração antes de fazer coisas assim!


 

Tradução: Batata Yacon   |   Revisão: Delongas


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